Desautomatizando

Desautomatizando

31.01.12 | por Jazz [mail] | Categorias: Comportamento, Saúde, Coisas da Jazz, Zen





Nossa, que palavra difícil! Mas é assim mesmo. Nossa vida, hoje em dia, anda tão automática e tão compartimentada que nossa memória vai ficando fraquinha, fraquinha. Tem pessoas com quarenta, cinquenta anos apresentando uma memória frágil, típicas de pessoas mais idosas mesmo.

Estamos atrofiando o nosso cérebro!

São tantos gadgets, tanta tecnologia facilitando a nossa vida que, às vezes, pensar um pouquinho pode até parecer desnecessário. Temos sempre uma calculadora ali nas mãos. Até somar ou fazer contas de cabeça parecem retrô. Decorar números de telefone, então! E olha que o meu é facinho: uma sequência repetitiva de números. Pessoas nem se dão o trabalho de gravar. É só colocar na agenda do celular, procurar o meu nome e pronto, está ligando. Aí acaba a bateria, você tem só UM telefone decorado na cabeça para ligar do celular emprestado do amigo. Fora as mil coisas que podemos fazer ao mesmo tempo. Usar  celular, enquanto alguém fala com você. Tuitar ao dirigir, no semáforo. Escovar os dentes já pensando no que tem para fazer depois, pentear o cabelo conversando ao telefone... Quem nunca tentou tomar o catchup como se fosse a água da refeição, só porque ele está ali no lugar do seu copo?

Onde está sua cabeça, afinal?

A filosofia zen recomenda: quando comer, coma.
Quando andar, ande. Quando parar, pare.

Já escrevi sobre a difícil arte de estar presente. E quanto mais nos mantemos longe daquilo que estamos fazendo, menos atenção, menos perfeição, mais acidentes. É a atenção que fica prejudicada. Aquilo que fazemos no modo-automático não é gravado. A não ser que tenhamos a consciência de que estamos realizando tal tarefa, mais tarde, não iremos nem lembrar se fizemos aquilo ou não.

Já reparou que, ao sairmos de casa, fazemos sempre os mesmos movimentos? Fecha a porta-enrosca a chave-aperta o elevador-espera. E o carro vai, como que sozinho, pelo mesmo caminho, toda a vez. Até as pistas que pegamos são as mesmas! E tem mais! Se estamos indo para um lugar perto do trabalho, conversando com alguém, SEM ATENÇÃO, o carro vai mesmo sozinho para onde? PRO TRABALHO! E depois você se desculpa com o amigo: nossa, peguei o caminho errado, estou indo pro meu trabalho (isso em pleno domingo!).

Insisto nessa tecla, nesse tema porque não basta estar linda, comer bem e estudar. Temos que desautomatizar. Tirar o nosso organismo do tal piloto-automático. Não somos animais para vivermos condicionados. E isso tem que ser consciente. Ao acordar, devemos lembrar disso e manter essa postura o dia todo.

A postura consciente: a espinha ereta, a mente quieta e o coração tranquilo.

Vamos tentar passar um dia prestando atenção em tudo o que fazemos. Ou, melhor ainda, tentando desafiar o nosso cérebro, decorando nomes, usando mãos contrárias às que costumamos usar (quando não vou trabalhar, eu sempre tento escovar os dentes com a mão direita, demoro bem mais, mas sinto que limpa bem mais que o método rapidíssimo-convencional) ou simplesmente indo por um caminho diferente até o trabalho.

Explorar a novidade, ser criativo todos os dias, também estimula a inteligência e é uma ginástica a mais para a nossa mente que anda tão preguiçosa diante de todas essas facilidades que a tecnologia nos permite!

Siga @brabul no twitter!

Posts similares:
A Difícil Arte de Estar Presente
Acabou a farra
ALGUÉM JÁ PASSOU POR ISSO?
Indique: del.icio.us Ueba Ueba


(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Cristiane · http://balinhadropsepastilha.wordpress.com

Eu juro que tento, todos os dias, fazer uma coisa de cada vez. Decorar os números. Viver como antigamente. Escorrego, perco o intento, desisto... a velocidade da vida de hoje vai atropelando a gente o tempo todo. Uma pena.

PermalinkPermalink 01.02.12 @ 17:17



Comentário de: Felipe B. Fontana · https://twitter.com/#!/felipebfontana

Concordo em gênero, número e igual uahuuhauhhuaauh

Ja me deparei na minha sala trabalhando e "acordando" nem ao menos lembrado como tinha chegado ali. Eu tenho uma teoria para isso, talvez devesse se chamar: alienação mumificada em massa, mais isto é muito complexo! =]

O fato é que viver já não é a regra, é a exceção, quando não estamos trabalhando em algo que não gostamos, conversando coisas inúteis com pessoas que não suportamos... enfim!
Parabéns pelo texto. ;)

PermalinkPermalink 04.02.12 @ 14:58



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Juliana Dacoregio é uma jornalista que curte cinema, TV, literatura, moda, comportamento, peruíces em geral e adora dar palpite sobre tudo isso. Escreve também no Heresia Loira, é colaboradora do Amálgama, assina uma coluna no Portal Rádio Criciúma é autora do blog Paperback Writer Girl e do livro Diários do Purgatório (Ufa!). Encontre-a também no Twitter e no Orkut
Ariane Miranda (ou só Ari): uma menina fora do padrão, apaixonada por sapatos, musica brega e poesia! Autora do S.O.S-Shoes. Sempre presente no Twitter, falando sobre moda, amor, trabalho e o que mais der na telha. Encontre-a também no Facebook, Tumblr e Orkut.
Jazz Pimenta é médica-pediatra, ciberativista, natureba, aprendiz de viver bem, dançarina e lutadora de Muay Thai. Tem um metro e meio e acha que somos do tamanho de nossos sonhos. Autora dos blogs Nova Pediatria, Poucas Palavras, idealizadora do projeto BorAjudar e colunista do Muita Pimenta. Encontre-a em outras mídias sociais pelo Me Adiciona.