Nossa, que palavra difícil! Mas é assim mesmo. Nossa vida, hoje em dia, anda tão automática e tão compartimentada que nossa memória vai ficando fraquinha, fraquinha. Tem pessoas com quarenta, cinquenta anos apresentando uma memória frágil, típicas de pessoas mais idosas mesmo.
São tantos gadgets, tanta tecnologia facilitando a nossa vida que, às vezes, pensar um pouquinho pode até parecer desnecessário. Temos sempre uma calculadora ali nas mãos. Até somar ou fazer contas de cabeça parecem retrô. Decorar números de telefone, então! E olha que o meu é facinho: uma sequência repetitiva de números. Pessoas nem se dão o trabalho de gravar. É só colocar na agenda do celular, procurar o meu nome e pronto, está ligando. Aí acaba a bateria, você tem só UM telefone decorado na cabeça para ligar do celular emprestado do amigo. Fora as mil coisas que podemos fazer ao mesmo tempo. Usar celular, enquanto alguém fala com você. Tuitar ao dirigir, no semáforo. Escovar os dentes já pensando no que tem para fazer depois, pentear o cabelo conversando ao telefone... Quem nunca tentou tomar o catchup como se fosse a água da refeição, só porque ele está ali no lugar do seu copo?
Já escrevi sobre a difícil arte de estar presente. E quanto mais nos mantemos longe daquilo que estamos fazendo, menos atenção, menos perfeição, mais acidentes. É a atenção que fica prejudicada. Aquilo que fazemos no modo-automático não é gravado. A não ser que tenhamos a consciência de que estamos realizando tal tarefa, mais tarde, não iremos nem lembrar se fizemos aquilo ou não.
Já reparou que, ao sairmos de casa, fazemos sempre os mesmos movimentos? Fecha a porta-enrosca a chave-aperta o elevador-espera. E o carro vai, como que sozinho, pelo mesmo caminho, toda a vez. Até as pistas que pegamos são as mesmas! E tem mais! Se estamos indo para um lugar perto do trabalho, conversando com alguém, SEM ATENÇÃO, o carro vai mesmo sozinho para onde? PRO TRABALHO! E depois você se desculpa com o amigo: nossa, peguei o caminho errado, estou indo pro meu trabalho (isso em pleno domingo!).
Insisto nessa tecla, nesse tema porque não basta estar linda, comer bem e estudar. Temos que desautomatizar. Tirar o nosso organismo do tal piloto-automático. Não somos animais para vivermos condicionados. E isso tem que ser consciente. Ao acordar, devemos lembrar disso e manter essa postura o dia todo.

Vamos tentar passar um dia prestando atenção em tudo o que fazemos. Ou, melhor ainda, tentando desafiar o nosso cérebro, decorando nomes, usando mãos contrárias às que costumamos usar (quando não vou trabalhar, eu sempre tento escovar os dentes com a mão direita, demoro bem mais, mas sinto que limpa bem mais que o método rapidíssimo-convencional) ou simplesmente indo por um caminho diferente até o trabalho.
Explorar a novidade, ser criativo todos os dias, também estimula a inteligência e é uma ginástica a mais para a nossa mente que anda tão preguiçosa diante de todas essas facilidades que a tecnologia nos permite!
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