A seguir um texto publicado em minha coluna no Tempo de Mulher. Não custa bater na mesma tecla quando se trata de certas neuras que todas nós temos quando o assunto é sexo e aparência física. Vamos lá:
A melhor pimenta é a autoestima
A cama não é um palco onde você precisa executar a coreografia perfeita. Antes de aprender truques para se soltar, aprenda a se amar.
Quem não deseja uma vida sexual cheia de emoção, liberdade e naturalidade? Não ter medo de expressar desejos, de mostrar-se e conseguir ser satisfeita e satisfazer o parceiro? A resposta é óbvia. Se existe algo que não deve ser feito por obrigação é sexo. Livros, revistas, cursos e programas de TV prometem a "cura" para sair da rotina através de mil dicas mirabolantes. É o tal do "apimente sua vida sexual". Salvas algumas exceções, os manuais para acabar com a mesmice só trazem mesmo regras e mais regras. Tente seguir todas e vai acabar encarando o sexo como um jogo onde é necessário mostrar um desempenho impecável na cama (ou na sacada, no chuveiro, no elevador, no capô do carro e onde mais sugerirem que você PRECISA transar).
Claro que ler sobre o assunto, participar de cursos que dão uma forcinha para você se liberar, visitar sex shops e colocar fantasias em prática ajudam e muito. Mas de nada adianta tudo isso se você não estiver de bem com o próprio corpo.
Eu sei, é a velha história: somos submetidas a tantas ditaduras de beleza que até mesmo àquelas que são invejadas por seus dotes estéticos têm milhares de neuras com relação à aparência.
O mais triste é que apesar de a mídia e os homens terem influência nessa obsessão, quem mais contribui para a neurose coletiva somos nós mesmas.
Quantas vezes não julgamos umas às outras quanto a celulites, gorduras abdominais, tamanho dos seios? Isso para ficar só no lugar comum. Já ouvi mulheres declararem que fulana é "horrorosa" por causa de detalhes ridículos, como tamanho das orelhas ou largura dos ombros! Não nos aceitamos e, por isso, tentamos desmerecer àquelas que nos rodeiam.
Reduzimo-nos a um monte de carne e depois reclamamos que a mídia nos oprime com imagens de modelos perfeitas ou que os homens estão exigentes demais.
Então com tantas cobranças (sobretudo de nós mesmas) é difícil conseguir a façanha de não ter vergonha do próprio corpo. E essa vergonha estende-se para as manifestações de prazer. Aí, não há manual que dê jeito. Quando não queremos que o outro nos veja como somos e, até na cama, só pensamos em nossos "defeitos", como vamos nos soltar, dar e receber prazer? É um momento em que as pessoas não ficam exatamente fazendo pose. São dois animais seguindo seus instintos; é uma situação em que não dá para ser bonito o tempo todo!
A beleza do sexo vem da segurança de amar o próprio corpo e o do parceiro, seja por uma atração física ou pelo companheirismo que advém de um relacionamento sólido. Na cama podemos buscar a melhor posição, mas não o melhor ângulo. Afinal, não há photoshop ou produção na hora do sexo.

Para ler mais (e rir muito): Sexo lacrado para cabeças lacradas!

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