Por que casais que se dão bem afetivamente e, que até se amam, acabam perdendo o interesse pelo sexo e têm dificuldade de resgatar a antiga qualidade da relação de namoro? Como resgatar isso?
A falta de desejo sexual é a queixa que mais aumenta nos consultórios de médicos e terapeutas. As mulheres se preocupam com o problema e querem a solução, apesar de ainda hesitarem em explorar sua propria sexualidade. A conseqüência é que muitas não têm prazer durante o ato sexual ou se culpam pela falta de libido.
A queixa vem de mulheres angustiadas porque não conseguem corresponder ao apetite do parceiro e de homens que se declaram perplexos ao constatar uma súbita indiferença diante de algo que antes era tão estimulante.
As dificuldades financeiras, falta de ânimo até para pensar no assunto, tensões da vida contemporânea, devastações hormonais ou até cansados da rotina com um mesmo companheiro ou companheira de leito por anos a fio. Essas coisas têm, sim, influência sobre o desempenho sexual.
O primeiro passo para tratar, é identificar o problema. Todo mundo em vários momentos da vida passa por períodos de recolhimento erótico. Problemas de ereção, por exemplo, são muito mais facilmente detectáveis. Colocam-se diante dos olhos a partir do momento em que o corpo insiste em não responder à ordem do cérebro. Já a falta de desejo, em alguns casos, equivale à perda de apetite causada por distúrbios alimentares: quem não sente vontade de se alimentar nem sequer se lembra de que comida existe. Mulheres se conformam em pensar que talvez sejam "assim mesmo" e homens se convencem de que estão apenas momentaneamente cansados – quando não transferem a responsabilidade para o lado oposto do leito conjugal.
A monotonia do casamento monogâmico é um fenômeno praticamente universal. O surgimento do desejo depende de uma cooperação entre corpo e mente, também faz parte do desejo a motivação. Ela é desencadeada, por exemplo, pela visão de um corpo atraente ou pela evocação de uma fantasia sexual.
Quando a dificuldade reside no impulso, o mais provável é que o problema esteja nos hormônios. Desde a entrada na puberdade, as mulheres se habituam a constatar a importância do ziguezague hormonal no corpo, na mente e no humor, inclusive a disposição para o sexo.
Estima-se que nove entre cada dez casos de falta de desejo tenham origem em causas psicológicas ou circunstanciais. Mesmo pessoas que nunca passaram por situações sexuais traumáticas, uma das causas freqüentes da baixa no desejo, podem ter dificuldade em sentir vontade de fazer sexo pelo simples fato de não terem sido estimuladas para isso. Mulheres continuam a ser educadas muito mais para proteger-se das conseqüências indesejadas do sexo do que para usufruir dele. Do lado bom da coisa, pouco se fala. O que as meninas ouvem sobre o tema em casa ou na escola está muito abaixo da quantidade de informação que deveriam ter. Quando se relacionam com homens, costumam deparar com outra barreira: o desconhecimento que seus parceiros têm a respeito do funcionamento do corpo e da alma da mulher. A partir daí fica fácil entender por que elas sofrem três vezes mais de falta de desejo do que eles.
Se as mulheres têm motivos para acharem-se incompreendidas, os homens também alimentam as suas mágoas. Por trás de um parceiro sexualmente “desaquecido”, pode estar um homem nocauteado em sua auto-estima por vários motivos: problemas de ereção, ejaculação precoce ou preocupações quanto ao tamanho do pênis, homens pressionados pela competição no trabalho, estressados por um mau momento profissional são potenciais candidatos a ter a libido esfriada.
O problema é que tanto a paixão como desejo têm entre suas molas propulsoras a novidade. E a matéria-prima do cotidiano é outra: a repetição. É inevitável que o desejo perca intensidade quando a rotina – mais a chegada dos filhos, o envelhecimento do corpo e as exigências do trabalho – fazem com que a imagem do parceiro na cama acabe se transformando em só mais um detalhe da paisagem doméstica.

A variação de parceiros seria, portanto, a solução para a inapetência sexual? A resposta é sim, mas acredito que nenhum casal gostaria de usar isso como solução do problema, até por que isso acabaria com um e resultaria em outro talvez maior.
Descartada a poligamia como recurso para acender a velha chama, existe outra solução? SIM!! Os casais têm que ter a capacidade de dar asas à imaginação. Isso inclui não só recriar fantasias como procurar estar sempre descobrindo novas facetas do outro, poucos termômetros são mais eficientes para medir o grau de satisfação diante da vida quanto a vontade de fazer sexo. Da mesma maneira, a falta de apetite sexual também pode indicar uma insatisfação mais generalizada, uma angústia. O recomendável é estimular o autoconhecimento e também alguns exercícios práticos. Como por exemplo: casais com o desejo enfraquecido ficam "proibidos" de praticar sexo por dez dias. Nesse período, devem apenas trocar carícias. Essa é uma boa forma de se conhecerem e sentirem desejos um pelo outro novamente.
Desde Freud já se sabe que sexo é instinto de vida em estado puro. Por causa dele, animais pulam cercas e seres humanos cometem as mais incríveis bobagens. Em busca dele, se enfeitam se exibem, se aperfeiçoam, se engalfinham e, deliciosamente, se reconciliam.
É perfeitamente possível alguém renunciar ao sexo, de maneira serena e consciente, sem se tornar um frustrado doentio. Mas deixar, por inação, que o desejo se dilua na rotina, se esconda na doença ou se perca nos labirintos do ressentimento é mais do quer perder a chance de saborear uma das mais prazerosas experiências da vida: é abrir mão do próprio desejo de viver.
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