Super ou Supérfluo?

Super ou Supérfluo?

18.03.11 | por Jazz [mail] | Categorias: Comportamento, Cotidiano, Tecnologia





  1. Há pouco tempo atrás, o iPad foi lançado. Já lançaram o iPad2 e o pessoal do primeiro iPad ficou meio mordido com isso.

  2. Tenho um celular que vai fazer dois anos. Um smartphone com tecnologia Symbians (uma das primeiras). Eu tuitava dele de qualquer lugar quando quase ninguém tinha twitter ou smartphone. O iPhone é melhor? E daí? O meu celular é lindo, pequenino, funciona e eu estou superacostumada com ele.

  3. Também comprei uma câmera nova, depois da minha completar 3 anos e meio, e só rirar fotos borradas desde a minha viagem a Natal (quando eu pegava de mão molhada depois de sair do mar). A nova câmera é a prova d'água e de choque. Foi cara, mas com essas qualidades, espero que dure bem mais que a outra.

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Tais exemplos eu citei porque hoje em dia, parece que todos temos a obrigação de comprar o que está em divulgação, o mais moderno ou o que todos têm. Isso era imperativo quando eu tinha 12 anos e TODAS as minhas amigas tinham a bolsa da Company. Hoje em dia, estou pouco me lixando se vão dizer que minha câmera é antiga ou o meu celular não é tão moderno.

Diga-me, leitora, se eu preciso de um iPad ou um netbook se tenho tudo na mão em meu celular e no meu laptop? Nesses dias de mudança de governo, reformas eleitorais, novas informações, gadgets sendo lançados todos os dias... talvez a gente precise parar mais para pensar se precisamos mesmo de tanta tecnologia.

E o celular antigo, o que fazemos com ele? E o laptop que ainda funciona bem? É tanto lixo tecnológico que a ecologia clama por socorro. E a pessoa ainda reclama que os remédios são caros (as pesquisas para a melhoria deles também não pára, pessoal!). Não vejo um flanelinha, hoje em dia, que não tenha um celular. A cada visita em comunidades carentes, nunca faltou uma televisão, quando crianças eram encontradas em estado crítico de desnutrição.

Trabalhando na área de saúde, vi muita coisa, durante essas visitas. Houve uma época em que crianças desnutridas recebiam uma bolsa de ajuda do governo para que os pais tivessem a responsabilidade de recuperar essas crianças. Ledo engano... os pais mantinham-nas subnutridas, com roupas superlegais, com medo de perder a bolsa.

Admiro um primo meu de sucesso (rico) que tem um carro popular, um apartamento nem tão luxuoso mas bem arrumado. Quem olha para ele não diz que é um grande advogado. Já o Fulano-de-tal (que, provavelmente, você conhece) tem um celular de última geração, um tênis de 400 reais e anda de ônibus, mal tem dinheiro para comprar todos os remédios da mãe idosa e doente.

Talvez a prioridade do brasileiro ainda seja mostrar aos outros o que se tem. Aplicando o seu dinheiro sem sabedoria, fazendo dívidas por coisas que nem valem muito a pena e gerando aquele sentimento de insatisfação nos dois dias depois que você adquiriu aquele bem que todo mundo tem... mas você ainda não descobriu por quê.

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Comentários:


Comentário de: rodrigo

Concordo. Quando a pessoa não tem dinheiro e adquiri estes luxos ao invés de ficar atento às prioridades. Mas por outro lado, na nossa vida, sofremos todos os dias em busca de uma melhora, esta realmente balisada por dinheiro, haja vista nossa sociedade não ter recursos úteis de educação, saúde e lazer por conta do governo. Tudo que nos faz melhorar, curar ou nos trazer bem estar é pago, e muito caro. Mas em relação às coisas supérfluas, acredito que quando já se tem garantido todos os itens anteriores, a pessoa realmente pode se dar ao luxo de tê-las.
Seu texto está impecável.

(porém quanto ao celular dos flanelinhas, acredito que hoje o celular é uma ferramenta inevitável, pois não existem orelhões funcionando e em todos os lugares, seu custo está menor que um telefone fixo, e ainda dá possibilidade de chamar ajuda de um bombeiro, polícia ou de algum familiar.)

PermalinkPermalink 19.03.11 @ 11:15



Comentário de: ariane Email

Um trecho do texto da Lya Luft - A Mentirosa Liberdade - expressa bem minha opinião:
"Nunca se falou tanto em liberdade, e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas, que constituem o que chamo a síndrome do "ter de". "

PermalinkPermalink 19.03.11 @ 22:09



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Juliana Dacoregio é uma jornalista que curte cinema, TV, literatura, moda, comportamento, peruíces em geral e adora dar palpite sobre tudo isso. Escreve também no Heresia Loira, é colaboradora do Amálgama, assina uma coluna no Portal Rádio Criciúma é autora do blog Paperback Writer Girl e do livro Diários do Purgatório (Ufa!). Encontre-a também no Twitter e no Orkut
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