*eu sei que de acordo com a nova ortografia não se usa mais o trema, mas eu finjo que não sei porque conseqüência sem trema me parece muito inconseqüente!

Logo que lançaram a Revista Gloss eu comprei uma pra ver qual era. Nesse primeiro contato não me identifiquei muito e acabei não comprando mais, nem lendo por acaso em alguma sala de espera. Mas comecei a fazer as unhas num salão em que eles assinam a revista. Entre uma sessão de manicure e outra de pedicure passei a ler sempre e dessa vez gostei. Não sei se a revista mudou ou eu que mudei desde que ela foi lançada. Sei que agora estou fã e provavelmente vou assiná-la.
Bom, na Gloss de setembro (aquela com a Flávia Alessandra na capa) saiu uma matéria chamada "Grude Geral", sobre os casais de namorados que não se largam, são super melosos e inventam apelidinhos esdrúxulos um para o outro. Claro que a revista dá um enfoque bem leve para o assunto: não ridiculariza nem um pouco os tais apelidinhos e os casais que os adotam. Até porque a matéria é ilustrada com casos reais, de pessoas reais que toparam posar para fotos, contar suas histórias e revelar os apelidinhos "guti-guti" que deram para seus namorados(as).
Acontece que essa matéria me fez lembrar de um texto que escrevi para a Rádio Criciúma (quando minha coluna por lá era apenas de crônicas) chamada Ursinhos Carinhosos. O texto não está mais no site, por isso resolvi disponibilizá-lo aqui pra dar meu pitaco sobre os apelidinhos fofuxos e suas consequüências.
Aí está:
Ursinhos Carinhosos
(texto de 2007)
Toda mulher gosta de ser dengosa de vez em quando. Gostamos de fazer charminho. Mas não somos as únicas. Os homens também querem ser um pouco manhosos. Basta encontrar a parceira que os deixe à vontade para exteriorizar o lado sensível. Porque quando chega a intimidade, invariavelmente, chegam também os apelidinhos. Primeiro apelidos “sexys”: gato-gata, gostoso-gostosa, delícia, meu amor, paixão e por aí vai. Até aí, tudo bem!
Mas às vezes vocês chamam um ao outro de anjinhos e de repente começam mesmo a incorporar os anjinhos: puros, meigos, só doçura quando estão juntos. Depois vêm os docinhos, fofinhos, ursinhos... E um belo dia vocês percebem que não se chamam mais pelos nomes, muito menos por apelidos que evoquem sensualidade.
Não sou especialista, nem nada, mas tenho uma leve suspeita (tá bom, é uma forte suspeita) de que quando um casal chega a esse ponto fica difícil manter aquele fogo da paixão. Afinal, eram dois indivíduos que sentiram atração um pelo outro, por suas diferenças e compatibilidades, por seus defeitos e qualidades, por suas inteligências e sensualidades, e abrem mão de tudo isso para se transformarem num par de “ursinhos”, “amorecos” e “fofoletes”, sem identidade própria?! Totalmente broxante!
Agora o fundo do poço mesmo é começarem a se chamar de bebê ou neném. E, horror dos horrores: começam a falar como bebês, ficar manhosos como bebês, pedir as coisas como bebês! Aí, me desculpe, é um caminho sem volta. O apelido pega tanto que vocês nem hesitam em usá-lo diante dos amigos ou da família. Pega tanto que logo, logo você está se auto-intitulando “bebê”, tipo: “bebê, quer transar!” Doentio é pouco. Espero que se vocês chegarem nesse ponto realmente não consigam transar. Porque se conseguirem, uma boa consulta ao psiquiatra é necessidade urgente!
Não que os apelidos bobinhos, os programinhas caseiros, o “pedir colo” não possam existir no relacionamento. Podem e devem, afinal ninguém é sexy, auto-suficiente e um poço de sedução o tempo todo. As mulheres querem sim, um cara sensível, meigo, doce. Mas doçura demais dá dor de barriga né... bebê?
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