A gente complica, mas amor é simples - até demais

27.08.08

Post de poucas palavras. De insights. E alheios. Tava lendo Xico Sá. E encontrei a frase. A definição que hoje acalma minhas inseguranças e ansiedades. Escreve ele: "não glamourize tanto a sua dor, tire onda, o amor é assim mesmo, como me disse um dia, num botequim ali perto do Parque 13 de Maio o amigo Evaldo, citando um escriba italiano cheio das grapas: o amor é um beijo,dois beijos, três beijos, quatro beijos, cinco beijos... cinco beijos, quatro beijos, três beijos, dois beijos, um beijo... e FIM e pronto".


Basta pra entender tudo, né? A gente é que inventa o resto, já disse Barthes....

posted by Simone Iwasso | 08:08 | 12 Comentários | #Link

Ficção musical

26.05.08

Foi feita em parceria com o Gamella.

posted by Simone Iwasso | 05:05 | 10 Comentários | #Link

The things she does to please

19.05.08

Cada piscada é um frame da vida que já passou. E o que acontece nesse intervalo? Nesses milionésimos de frações de segundos sem imagens nem sons? É lá que você está. Por isso esse gostar é tão profundo. Chega a ser inconsciente.

Mas é até quando respirar é um ato de desejo que seu toque fica gravado no meu corpo. E o faz querer mais. É quando escapa um gemido sussurrado, uma súplica de amor. Uma fome saciada com outra fome.

Só que você não percebe, mas a cada vez que me esquece, parte meu coração em pedacinhos - e eu, boba, fico só juntando os cacos com uma cola de bastão.

posted by Simone Iwasso | 11:05 | 18 Comentários | #Link

'My daughter deserved to die for falling in love'

11.05.08

Há duas semanas, a estudante iraquiana Rand Abdel-Qader, de 17 anos, foi assassinada pelo próprio pai depois de ter sido vista conversando em público com um soldado britânico de 22 anos. O pai a espancou até a morte, foi preso e liberado duas horas depois. A polícia, além de ter compreendido que ele apenas defendeu a própria honra muçulmana, o parabenizou pelo ato. Hoje, em entrevista ao Observer, ele conta que tem apenas um arrependimento: não ter matado a filha logo após seu nascimento.


O pai tem 46 anos e é funcionário do governo. Foi capaz de sufocar a filha pisando em sua garganta - ele contou com a ajuda dos dois filhos mais velhos. A garota estava no primeiro ano da universidade e conheceu o soldado inglês numa atividade voluntária, de ajuda a famílias desabrigadas. Ela se apaixonou, platonicamente. Há alguns meses eles conversavam quando se viam. Segundo a melhor amiga de Rand, ela morreu virgem.

posted by Simone Iwasso | 05:05 | 14 Comentários | #Link

Uma piscada e um farol fechado

27.04.08

Tinha visto a ex com um namorado novo. Linda, brilhava - aquilo que apaixonados transmitem no comecinho das relações. Um bloco de concreto caiu na sua cabeça - até respirar ficou difícil. Mesmo assim, foi capaz de cumprimentá-los, arriscando umas tiradas bobas. Foi uma noite sem fim, uma festa insuportável. Depois da análise e da vida adulta achava que nunca mais se sentiria um adolescente rejeitado pela menina bonita da escola.

Desolado e um pouco bêbado, fez o caminho mais longo até o carro, deixando o eco da música pra trás. A brisa de madrugada ajudou a despertá-lo. Fumou dois cigarros olhando pra uns gatos que reviravam lixo. Ligou o rádio numa estação qualquer e seguiu pro apartamento. No farol, reparou na morena que atravessava, charmosa num vestido preto, elegante no salto. Sorriu pra ele com aquele olhar que qualquer homem reconhece.

Foi um click. Uma vibração de segundos. Experimentou ser objeto do desejo feminino. Se sentiu atraente, dono de suas possibilidades. Que se foda aquela louca, que seja feliz com outro. Eu tenho agora um mundo inteiro pra conquistar, parecia dizer com a segurança com segurou o volante e acelerou. É, ele tinha recuperado alguma coisa. E ela, agora apoiada no poste, esperava o terceiro cliente da noite.

posted by Simone Iwasso | 10:04 | 11 Comentários | #Link

Sunshine

07.04.08

De meus, mesmo, há bem pouco. Três estrelas esfumaçadas perto da Lua, uma galocha amarela para manter os pés secos, dois refrões rimados de uma canção, um punhado de anis-estrela e um desenho à carvão num papel dobrado. Do que empresto, acrescento mais um pouco: as cordas de aço do violão, um esmalte para as unhas, um pincel e o pôr-do-sol rosado de dias limpos.

Não pensava em perdas e ganhos até você me dar o colo, oferecer um beijo e me deixar ver. Só há sorrisos desse jeito para nós.

Mas ainda assim alguma coisa outra acontece: carregar um buraco-negro deixa a gente mais leve ou faz tudo pesar mais?


PS: "Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis." (Caio F.)

posted by Simone Iwasso | 06:04 | 3 Comentários | #Link

Paixonite

04.04.08

Um dia ela se percebeu apaixonada pelo anão de jardim. Não desgrudava os olhos dele. Fazia declarações, cantava músicas doces e levava presentes....

Até que um dia ele falou. Abriu a boca e falou com ela. E disse que não aguentava mais ser objeto de tanta devoção. Queria, por favor, que o deixasse em paz.

Duas horas depois ela o destruiu com um machadinho.

posted by Simone Iwasso | 12:04 | 5 Comentários | #Link

Por que Newton não vale para o amor?

11.03.08

Lex I: Corpus omne perseverare in statu suo quiescendi vel movendi uniformiter in directum, nisi quatenus a viribus impressis cogitur statum illum mutare. (Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.)

Lex II: Mutationem motis proportionalem esse vi motrici impressae, etfieri secundum lineam rectam qua vis illa imprimitur. (A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção da linha reta na qual aquela força é imprimida.)

Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi. (A toda ação há sempre oposta uma reação igual, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas.)

posted by Simone Iwasso | 10:03 | 4 Comentários | #Link

Let it be

29.10.07

Ela faz aquela cara de interrogação e dispara: O que eu faço agora?
Fico sem saber o que dizer, até que, por fim, solto: Não faz nada.


É isso. Não faz nada (será que a resposta é pra ela ou pra mim mesma?).


Ou melhor, faz só as pequenas coisas. As mínimas, mais simples, aquelas menos pensadas. Fica cinco minutos debaixo do sol pela manhã. Toma um banho demorado. Passa o melhor hidratante. Prepara uma salada de frutas. Compra uma cerveja bem gelada. Escuta sua música preferida infinitas vezes. Dança sozinha na sala. Liga para um amigo querido. Corre no parque. Dorme a manhã inteira. Foge pra praia. Arruma a casa e limpa as gavetas. Trabalha direito. Espera o dia nascer pra depois sonhar acordada - cinco minutos tá bom, que o exagero estraga.

Somente o necessário pro dia correr, pra pulsão existir. Sem grandes decisões, a maré vai mudando. Até que te leva pra outra praia - quem sabe, dessa vez, aquela que será definitivamente a sua.

posted by Simone Iwasso | 05:10 | Comentários | #Link

E a justiça como testemunha

18.10.07

- Sua alteza, eu vou explicar pro senhor. Tudo começou na nossa lua de mel, há 20 anos, quando ele quis fazer sexo errado. Agora ele encontrou uma vagabunda que dá a bunda pra ele.

Quando o juiz perguntou, por formalidade, o motivo do pedido de divórcio, esperava qualquer coisa, menos isso. Ignorou ter sido chamado de alteza pela terceira vez ("minha senhora, eu sou juiz, não rei", tentara explicar) e, sem paciência, seguiu adiante com o ritual da separação oficial. Olhando para os dois, pergunta se existe alguma possibilidade de reconciliação.

- Existir, até existe. Mas, alteza, só se ele assinar um papel aqui na frente do senhor dizendo que nunca mais vai tentar comer nem o meu rabo nem o de nenhuma outra.

Sem acreditar, olhando para a pilha de processos acumulados e de sessões ainda marcadas para o dia, ele desiste. Passa, então, para o próximo item do processo: a divisão de bens. Lê em voz alta que eles moram numa casa própria, financiada em 15 anos e já quitada. Tem também um carro e o salário do marido. A proposta dela é ficar com a casa e dispensar o carro e uma eventual pensão.


- Só tem um problema, excelentíssima alteza. Eu não abro mão da minha geladeira vermelha, que combina com o piso da cozinha e foi presente de casamento, era da minha madrinha. E esse traste quer levar a geladeira com ele.

O juiz analisa os papéis, todo o imbróglio gira em torno da tal geladeira no momento. A "guarda" da geladeira. É a vez do homem, até então quieto e com a cabeça baixa, se pronunciar. O senhor gostaria de dizer alguma coisa, o juiz pergunta.


- Olha, eu só quero deixar bem claro que tudo o que ela tá falando aqui é mentira... E que eu não vou deixar a geladeira com ela.

Dez minutos de pausa. O juiz determina: a mulher fica com a casa e o marido com a geladeira. Dispensa os dois. Ela sai batendo pé com seus tamancos altos e balançando o cabelo loiro pintado. Ele segura a calça caindo e segue atrás dela.



No táxi que dividem até o bairro, ela ainda resmunga: sua alteza pode ter mandado, mas minha geladeira não sai de casa de jeito nenhum....

posted by Simone Iwasso | 06:10 | Comentários | #Link

Sem comentários

22.09.07

Não resisti. Tem histórias que são crônicas prontas.
Recém-saídas da realidade, dizem mais do que qualquer ficção.
Essa aqui, está no Terra.

Um casal bósnio está se divorciando, depois de descobrir que um traía o outro em chats na Internet. Detalhe: eles começaram o relacionamento virtual usando pseudônimos, e só descobriram a verdade quando combinaram um encontro real com os "novos parceiros".

Sana Klaric, 27 anos, e seu marido Adnan, 32, usavam os nomes de "Sweetie" e "Prince of Joy" em salas de bate-papo. Conheceram-se e iniciaram uma relação, confidenciando-se mutuamente os problemas que tinham em seu casamento. Os dois, de acordo com reportagem publicada no site Metro.co.uk, estavam convencidos de terem finalmente encontrado sua alma gêmea. Então, resolveram marcar um encontro real para se conhecerem e descobriram a verdade. Agora, o par está em processo de divórcio, e um acusa o outro de ter sido infiel. "De repente, eu estava apaixonada, era maravilhoso, parecia que ambos estávamos amarrados no mesmo tipo de casamento infeliz", contou Sana. "Depois, me senti tão traída", disse.


Adnan, continua sem poder acreditar no que aconteceu. "É difícil pensar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas para mim, é na verdade a mesma mulher com quem me casei e que, por anos, não foi capaz de me dizer uma única palavra agradável".

posted by Simone Iwasso | 06:09 | Comentários | #Link

Palavras ao vento

12.09.07

Se ele estender a mão, ela tira os dedos do teclado e troca o barulho das letrinhas que preenchem a tela em branco pela batida de um outro coração. Se ele der um passo, ela levanta da cadeira e abandona os sapatos com os saltos que incomodam seus pés. Se ele sorrir, ela sabe que será um dia diferente. Mas, como todos os dias, ele chega pelo corredor e passa apressado, olhando reto para a próxima curva do outro lado do edifício.

Ela, então, ajeita os óculos e continua, e do ritmo de suas palavras começa a construir uma melodia, acelerando a composição, intercalando pausas; contratempos feitos de vírgulas e travessões, sinais de exclamação que levam a sentenças antes de interrogações. O quadrado com o alfabeto é real, o som é audível e a tela está imóvel. É o mundo da concretudo que a envolve, que a confina numa baia de escritório.

Mas é quando ela insiste, despreende seu próprio ritmo numa espaço vazio. É assim que a aspereza da máquina vira canção, que a acalenta, a seduz, a leva para um outro mundo, onde não há silêncios.

posted by Simone Iwasso | 11:09 | Comentários | #Link

Mea-culpa

28.08.07

Andei ausente, eu sei. Me dispersei num emaranhado cinzento - não sei se sombra ou fumaça. Mas bateu uma brisa, e saí. Abrir e fechar as portas, olhar para a esquerda e para a direita, combinar o doce e o amargo, dizer bom dia e depois boa noite, se excitar e gozar. É assim que os dias viram ciclos. Como nas muitas regras da natureza, e na mais feminina delas, o enfrentamento possível é o aceitar. Não fazer nada, quando se pode fazer tudo, é ato de coragem, sob este ponto de vista. Queria o tempo da delicadeza que a música do Chico promete. Para escoar em delírios. Para delirar na faixa de pedestres. Para pisar com a ponta dos pés.

posted by Simone Iwasso | 12:08 | Comentários | #Link

Continho de fadas

06.08.07

Eu queria te contar uma história
Pra te colocar pra dormir (pra me fazer dormir)
Daquelas que deixam o coração quente (mas batendo devagar)
Como abraço que a gente ganha sem ter pedido
O conto só terminaria quando a gente acordasse.

posted by Simone Iwasso | 11:08 | Comentários | #Link

Discagem direta

07.02.07

Ele não conseguia dormir e ela cozinhava biscoitos para acalmar a ansiedade. Ele na cama e ela na cozinha. Ele vendo televisão, ela acendendo o forno. Dele, um resmungo solitário foi o único que saiu quando o controle descansou no replay do jogo da tarde. O Brasil perdeu de Portugal. Dela, um gemido quando a colher escorregou da pia e bateu no dedo do pé. Dá-lhe ainda limpar o chão. Ele sentiu um cheiro diferente. Ela lembrou do formato da mão dele. Ele se lembrou do perfume que ela usava na última vez. Ela arrepiou ao pensar como ele a tinha segurado. Ele sentiu saudades. Ela sentiu saudades. Ele hesitou e ela suspirou. Ele coçou a cabeça, ela revirou o cabelo. Noventa canais e nada que valha a pena para assistir. Cozinha quente e biscoitos que nem tinha vontade de comer. Ele levantou da cama. Ela saiu da cozinha. Ele foi até a sala. Ela entrou no quarto. Um telefone tocou. Quase meia-noite e em dois apartamentos da cidade um homem e uma mulher conversaram. Dormiram sozinhos.

posted by Simone Iwasso | 12:02 | 6 Comentários | #Link


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