A chuva é minha amiga

26.10.09


Nesta cidade, pode fazer frio ou calor, pode sair o sol ou fechar o tempo, pode ter neblina e névoa, que tudo sempre acaba em chuva. No fim da tarde ou no meio da madrugada, tem chuva. Não são raros os dias em que amanhece chovendo. Os bueiros entopem, o asfalto impermeabilizou o solo e, como consequência, alaga. Inunda. Rios se formam nas calçadas. Carros ficam horas parados no trânsito. Muita gente perde o pouco que tem....Outros muitos perdem apenas a paciência.

Mas preciso dizer, eu gosto. Dormir com o som da água batendo no asfalto, trabalhar olhando pro céu cinza. Gosto da chuva, simplesmente - com um pouquinho de vergonha, mas gosto...

posted by Simone Iwasso | 05:10 | 2 Comentários | #Link

Reedição - pra quem está chegando...

07.10.09

Ela faz aquela cara de interrogação e dispara: O que eu faço agora?
Fico sem saber o que dizer, até que, por fim, solto: Não faz nada.

É isso. Não faz nada (será que a resposta é pra ela ou pra mim mesma?).

Ou melhor, faz só as pequenas coisas. As mínimas, mais simples, aquelas menos pensadas. Fica cinco minutos debaixo do sol pela manhã. Toma um banho demorado. Passa o melhor hidratante. Prepara uma salada de frutas. Compra uma cerveja bem gelada. Escuta sua música preferida infinitas vezes. Dança sozinha na sala. Liga para um amigo querido. Corre no parque. Dorme a manhã inteira. Foge pra praia. Arruma a casa e limpa as gavetas. Trabalha direito. Espera o dia nascer pra depois sonhar acordada - cinco minutos tá bom, que o exagero estraga.

Somente o necessário pro dia correr, pra pulsão existir. Sem grandes decisões, a maré vai mudando. Até que te leva pra outra praia - quem sabe, dessa vez, aquela que será definitivamente a sua.

posted by Simone Iwasso | 02:10 | 2 Comentários | #Link

Keep calm and carry on

30.09.09


Em 1939, em plena Segunda Guerra Mundial e com a iminência de um ataque nazista à Grã-Bretanha, o governo britânico mandou fazer esses posteres e distribuir entre a população. No entanto, eles nunca chegaram a ser usados oficialmente e ficaram perdidos por cerca de 50 anos. A historinha completa está aqui.

Quem quiser fazer um quadrinho próprio, tem download aqui.


Em tempo, é a minha vida que anda sendo bombardeada. Por isso a lembrança....

posted by Simone Iwasso | 07:09 | 2 Comentários | #Link

A verdadeira democratização da internet - e o direito a ter voz

22.09.09

A Tereza é diarista, tem 52 anos, mora em São Paulo, mas nasceu no sertão da Bahia. Ela tem duas filhas, ficou casada por muitos anos, mas agora, como ela mesmo diz, "se libertou". A Tereza estudou só até a 4ªsérie e gosta de escrever - do jeito dela, com os tropeços e erros de quem teve pouco acesso ao ensino e à gramática formal. Entre as várias histórias da Tereza, e ela tem muitas (conheço ela), a mais legal é que ela juntou dinheiro, comprou um computador e agora, com ajuda da filha, abriu um blog, o Histórias da Minha Vida.

Eu me emocionei quando li os posts dela - nem tanto pelo que ela conta, que também emociona, nem tanto pela maneira como escreve, bastante honesta e direta, mas pela voz que ela está tendo, e pela primeira vez. Aqui, na internet, o blog dela é mais um entre tantos - tem o blog do presidente, tem o dos escritores, dos jornalistas, dos jovens mimados, dos fãs de música, dos comentaristas, das fascinadas por moda, emagrecimento, enfim, tem tudo. E tem o dela também, do mesmo jeito, numa página de mesmo tamanho, visível pra quem quiser ler.

Me lembrou, à primeira vista, o livro Quarto de Despejo, que reúne trechos do diário de Carolina de Jesus (1914-1977), uma mulher bonita e batalhadora, que morava numa favela em São Paulo e trabalhava para sustentar três filhos. Li esse livro quando era criança, e chorei tanto, mas tanto ao ver a dicrepância entre mundo e dores...


Voltando à Tereza, seu blog me fez pensar em como o exercício da palavra é importante, como contar nossas próprias histórias pode, além de levar outras vozes pro mundo, nos fazer muito bem. Histórias longas ou curtas, simples ou complexas, cotidianas e repetitivas, a cada vez que são contadas se tornam únicas.

posted by Simone Iwasso | 08:09 | 3 Comentários | #Link

Todo dia o sol se põe

04.09.09

Quando a chuva toma a cidade, ela fica com os pés frios e uma vontade incontrolável de tomar chá - chá de avó, de erva-cidreira, hortelã, maçã com canela. Ou então de assar bolos - bolo de fubá, de chocolate, de cenoura com cobertura. Mas, antes de tudo, ela precisa trabalhar. Tomar banho, secar o cabelo, passar batom e se vestir. Sair na rua, cumprimentar as pessoas, enfrentar o trânsito. Ligar o computador e se dedicar a alguma coisa, qualquer coisa - menos aquela que ela realmente queria. A vantagem, é que amanhã é outro dia...

posted by Simone Iwasso | 02:09 | 3 Comentários | #Link

Eppur si muove

29.08.09

O passado nos passa rasteiras quando estamos distraídos. Deve ser para lembrarmos de tudo o que já foi e de tudo o que poderá ainda ser....

posted by Simone Iwasso | 09:08 | 3 Comentários | #Link

Para parar, respirar e recomeçar....

25.08.09

posted by Simone Iwasso | 03:08 | 1 Comentário | #Link

Decorar a casa é organizar um refúgio

07.08.09


Decoração pode ser mais do que estética, vaidade ou obrigação social -exceto para aquelas pessoas que contratam decoradores que deixam suas casas com cara de qualquer coisa, menos delas mesmas (desconfio de gente assim...). Eu to falando aqui de realmente se importar com o que entra na sua casa, como é colocado, com quais cores, quais formatos, quais combinações. Escolher sofá, cadeira, luminária, lençol, cortina, quadros, pratos é definir o cenário de boa parte de uma vida - cenário geralmente mutante, como as vidas costumam ser. Não deixa de ser, também, uma exteriorização, por meio de objetos, de um universo íntimo.

Além disso, decoração não precisa ser cara - claro que há cadeiras maravilhosas, mesas sedutoras e uma infinidade de peças assinadas e extremamente caras. Mas, quando a grana tá curta, como quase sempre, dá também pra ser feliz e organizar seu próprio refúgio. O último alerta que tive sobre isso veio do blog A partir de 1,99 - uma fonte de inspiração muito bacana, como dá pra perceber na foto aí em cima.


É isso, a autora do blog tá super certa. Tem coisas delicadas e decorativas em todo lugar, basta estar com o olhar atento para percebê-las - não é muito diferente, por exemplo, de amores e afins. Tudo depende, em última instância, do nosso próprio olhar.

posted by Simone Iwasso | 07:08 | 3 Comentários | #Link

Gotinha de auto-ajuda

29.07.09

posted by Simone Iwasso | 06:07 | 3 Comentários | #Link

A origem do mundo - e da conversa de pescador

27.07.09


O céu azul, a lagoa verde transparente, a imensidão de areia em volta e uns três ou quatro caiçaras, vendendo bebida, camarão e queijo coalho tentando explicar de onde surgem os peixes no meio daquela areia toda.

- Tá vendo esse monte de peixe aí na lagoa?
- O que tem?
- Vieram da chuva. Quando chove, a lagoa enche e aparecem os peixes. Na seca, fica sem água e eles vão embora
- Que bobagem, chuva não traz peixe.
- Então como eles aparecem aqui?
- Eles surgem sozinhos
- Como assim sozinhos?
- Ué, quando enche a lagoa, esse tipo aí de peixe aparece sozinho, com a água. Que nem planta...

posted by Simone Iwasso | 04:07 | 3 Comentários | #Link

Através da janela

07.07.09



Mais importante do que o bairro, a metragem, o número de quartos, o piso, a cozinha, o banheiro e as paredes é a janela. Ela é a ponte entre o mundo que existe na sua casa e o mundo que acontece fora dela. Com o tempo, parece que arquitetos e decoradores tem se esquecido delas - é triste, quanto menores são as janelas de uma casa, menos as pessoas que moram nela conseguem ver; e quanto menos alguém vê, menos alguém sabe; e quanto menos alguém sabe, menos sente; e quanto menos sente, mais pobre é.

posted by Simone Iwasso | 08:07 | 2 Comentários | #Link

É dia de São João

24.06.09


Eu devia ter uns oito ou nove anos e foi a primeira vez em que passei uma semana fora de casa. Não lembro como veio o convite, mas acabei num sítio da família de uma amiga de escola no interior de São Paulo. Foi uma tragédia só: me senti desamparada ao chegar lá, demorei pra me enturmar (era uma criança tímida e desconfiada), não me acostumei com a comida e fazia muito frio - e eu tinha levado um casaco que não era lá muito quente. Me lembro que tomei uma xícara inteira de café preto lá pela primeira vez, e um pouco de quentão também. E que andei a cavalo, coisa que nunca tinha feito. E ouvi meninas falarem de sexo de um jeito ainda meio novo pra mim na época (primas mais velhas da minha amiga, já adolescentes).

No primeiro dia lá, passamos a tarde fazendo bandeirinhas para a festa. Essa parte eu gostei, recortar e colar papéis coloridos, pendurar os cordões, organizar as mesas, acho que até lenha pra fogueira eu devo ter ajudado a pegar. No segundo, colocaram a gente para acompanhar uma procissão a cavalo entre um vilarejo e outro - foi cansativo, eu passei muita sede e fiquei com medo do cavalo sair em disparada e eu perder o controle dele. No quarto dia, à noite, mulheres vizinhas foram fazer uma reza na casa - de todas as idades, em torno de uma imagem de Nossa Senhora que era levada pra lá e pra lá - senti um medo daquilo e uma sensação estranha ao ouvir aquelas orações e cantos. Lembro que tive algum pesadelo à noite.

Foram dias novos e eu queria muito voltar pra casa logo - engraçado que, anos depois, quando comecei a viajar com frequência, quase nunca queria voltar...O resumo é que foi uma semana de festa junina um tanto traumática - mas que, por algum motivo um tanto confuso, fizeram com que, desde então e até hoje, as festas de São João se transformassem nas minhas preferidas.

posted by Simone Iwasso | 05:06 | 4 Comentários | #Link

O peso do amor

19.06.09

posted by Simone Iwasso | 04:06 | 2 Comentários | #Link

Sobre jornalismo, diploma, profissão - pela tangente

18.06.09

Esse blog não é sobre jornalismo, mas é escrito por uma jornalista. Evito muito falar do tema aqui porque não é o espaço - já faço isso o dia inteiro em outros locais... Mas, como Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, encerrando (?) uma discussão quase sem fim, dou aqui meu pitaco. Pra ser jornalista é preciso escrever bem. É preciso saber apurar bem. É preciso ter senso de notícia, e muita cara de pau - e carregar nas costas muita leitura e cultura geral. É necessário ter rigor com seu próprio método, buscar ser preciso, sempre. E não se cansar de ser curioso. Agilidade e capacidade de síntese são boas características também. Jogo de cintura, então, nem se fale. Claro que tudo isso pra você ser um bom jornalista -e há jornalistas de todos os tipos no mercado. E não estou dizendo aqui que eu tenho todos esses pré-requisitos, apenas que busco alcançá-los, como meta de quem quer melhorar sempre.

Nada disso você adquire, necessariamente, num curso específico de graduação - seria até mais fácil se fosse possível. Mas não é. É um conjunto de características que vem com a vida - com a formação básica, que se mistura com a personalidade, com as oportunidades, com os acessos e a experiência. Faculdade de comunicação pode, aliás, ser uma ótima experiência - a minha foi - pelos amigos, pelas histórias, viagens, buscas e também alguns conteúdos. Mas também pode haver outros caminhos - e há inúmeros exemplos de pessoas que trilharam essas rotas alternativas e são excelentes profissionais. Na prática, não mudará muita coisa - não tem tanta gente assim ansiando por um MTB e já há no mercado muita gente trabalhando sem diploma.

Por fim, fica aqui um texto que já coloquei aqui há um tempo, mas vale uma republicação. Está num livro do polonês Ryszard Kapuscinski, um dos melhores correspondentes de guerra que já tive a oportunidade de ler. Ele era, em sua profissão, tudo o que queremos diariamente ser.


"Creio que para exercer o jornalismo, antes de tudo, há de ser um bom homem ou uma boa mulher: bons seres humanos. Más pessoas não podem ser bons jornalistas. Se se é uma boa pessoa, se pode tentar compreender as demais, suas intenções, sua fé, seus interesses, suas dificuldades, suas tragédias. E converter-se, imediatamente, desde o primeiro momento, em parte de seu destino. É uma qualidade que a psicologia denomina “empatia”. Mediante a empatia, se pode compreender o caráter próprio do interlocutor e compartilhar de forma natural e sincera o destino e os problemas dos demais. Nesse sentido, o único modo correto de fazer nosso trabalho é desaparecer, esquecermos de nossa existência. Existimos somente como indivíduos que existem para os demais, que compartilham com eles seus problemas e tentam resolvê-los, ou ao menos descrevê-los. O verdadeiro jornalismo é intencional, a saber: aquele que fixa um objetivo e tenta provocar algum tipo de mudança. Não há outro jornalismo possível. Falo, obviamente, do bom jornalismo."

posted by Simone Iwasso | 08:06 | 8 Comentários | #Link

O cérebro do apaixonado - contribuição para o dia dos namorados

11.06.09

Dizem que o amor é cego, mas segundo a ciência, ele é mais é indefeso. Segundo pesquisas feitas por neurologistas, o cérebro do apaixonado desativa estruturas responsáveis pelo julgamento crítico e por nos manter alerta contra ameaças do ambiente. O resultado? O apaixonado dificilmente consegue ver defeitos e desconfiar da pessoa amada. Com o tempo, e a convivência, a tendência é que o cérebro vá mudando esse comportamento, reagindo ao ver a pessoa amada de forma parecida como age com outras pessoas.


Desse jeito, é fácil entender porque acaba. Mas o que ainda não tem explicação (e sobra especulação) é porque então permanecemos juntos.

posted by Simone Iwasso | 09:06 | 3 Comentários | #Link


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