Que tudo demore mais, ou quase tudo

15.09.09

Percebi há um tempo que comecei a digitar mais rápido, a comer mais rápido, a andar mais rápido, a ler mais rápido, a cozinhar em menos tempo, a tomar banhos mais curtos e até mesmo a pegar no sono num piscar de olhos, literalmente. As notícias são todas lidas, os sites consultados, os blogs de leitura obrigatória. O celular está sempre ligado do meu lado, os emails são checados constantemente e até mesmo os perfis dos facebooks, linkedlin e twitter da vida - que eu não gosto, mas frequento por obrigação, acho - merecem uma olhada de tempos em tempos (tempos rápidos, diga-se de passagem).

Talvez venha daí essa sensação de saturação, de cansaço, de falta de paciência. Talvez venha daí essa ansiedade implacável, que quer tudo para ontem, que não sabe esperar, que se angustia com facilidade. Esse medo de estar desatualizado, de perder alguma coisa, de deixar passar algo importante, inusitado e único.

Mas aí é que está o erro. Querendo abraçar tudo, achando que tantas bobagens que me rodeiam merecem minha atenção, o mais precioso que tenho perdido é o tempo - o meu tempo, o tempo para mim, para o que vale a pena na vida. Preparar uma comida com calma, comer sem pressa, tomar banho demorado, folhear uma revista tranquilamente, fazer a unha pensando em nada. Dormir com prazer. Ler com prazer. Amar com prazer.


Eu adoro computadores e tecnologia - mas a vida de verdade não está dentro deles, mas dentro de cada um de nós.

posted by Simone Iwasso | 03:09 | 9 Comentários | #Link

Os mitos sobre a gripe suína

17.08.09

Não tem a ver com o blog, mas aqui vai um texto meu publicado no domingo no Estadão. Estou postando mais porque acho que pode ajudar um monte de gente que, quando recebe um desses emails sobre gripe suína, fica oscilando entre descartar e acreditar. Na dúvida, a mentira é sempre criativa.

Primeira pandemia declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após o uso disseminado da internet, a gripe suína tem sido alvo de falsas informações divulgadas por e-mail, sites, blogs e comunidades virtuais. Textos apócrifos que estão circulando na rede apontam, por exemplo, que, de cada 3 infectados, 2 morrem – e que hospitais e operadoras de saúde recebem ofícios do governo para não divulgar os números verdadeiros.

Além de mortes de médicos relatadas por meio de conversas virtuais – com base em informações falsas –, há os que dizem que ingerir chá de erva-doce, duas vezes por dia, previne a contaminação. Ninguém sabe de onde esses textos vêm nem quem os escreveu. Mesmo assim, há quem acredite nos boatos. E, com a velocidade da internet, o que é boato em um dia vira pânico no dia seguinte.

“Recebi um e-mail que reproduzia um diálogo entre duas pessoas, que diziam que os médicos não sabiam o que fazer a partir do quinto dia da doença e que colocavam as pessoas em coma induzido para amenizar o sofrimento. Parecia tão real que acreditei”, conta o advogado Alex Paes de Lima, de 32 anos. “Você não sabe em quem acreditar nessas horas.”

O e-mail em questão traçava um quadro de filme de ficção científica e vinha assinado por uma suposta médica que colocava, até mesmo, um número de celular e um telefone fixo – todos eles falsos. O nome em questão não consta do cadastro do Conselho Federal de Medicina e os telefones não existem.

“A internet reproduz o mundo da rua, só que sem as distâncias do território e em tempo real”, analisa o sociólogo especializado em mídias digitais Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Faculdade Cásper Líbero. Ou seja, boatos, mitos e informações desencontradas não nascem na internet, apenas se reproduzem nela de maneira veloz. Além disso, essas correntes dão um termômetro do nível de informação que a população tem sobre determinado assunto – no caso, a gripe suína.

“A internet permite que as pessoas tenham acesso a informações de todo tipo, verdadeiras ou falsas. Por isso, autoridades precisam ser mais claras e didáticas na hora de divulgar informações, coisa que não estão acostumadas”, completa.

Nessa linha, de tanto receber e-mails que falavam em mortes não divulgadas, o governo do Estado do Paraná criou um site só sobre gripe suína, para informar mais sobre a doença. Lá, em uma das sessões, estão os mitos e verdades.

“Qualquer nova informação desestabiliza a forma de pensar da sociedade. Um alerta do governo sobre gripe, uma coisa que as pessoas estão acostumadas a conviver, cria uma paranoia dirigida”, explica o psicanalista Jorge Forbes, presidente do Instituto de Psicanálise Lacaniana. “O que você achava normal, passa a ser ameaça.” O problema, segundo Forbes, está na maneira como dados são apresentados. “Você fica contando mortos, todos os dias se divulga isso sem muito contexto. Os governos dão mensagens contraditórias, um mandando fechar escola, outro dizendo que ela pode funcionar. Isso dá margem para os apavorados de plantão.”

Desse modo, as pessoas seguem reproduzindo informações como a que diz que o vírus A(H1N1) teria sido produzido em laboratório para as indústrias ganharem mais dinheiro ou que todos os leitos de UTI de todos os hospitais estariam ocupados apenas por doentes da gripe suína. Além disso, em parte das mensagens de pânico que circulam na internet há, por trás, um medo de uma engenharia genética perigosa, como o que diz que a vacina contra a doença seria letal ao ser humano.


“Isso gera muita ansiedade e faz com que as pessoas pensem que estão diante de uma coisa que nunca existiu. É o caso do medo da biotecnologia, do que é feito em laboratório”, resume Luiz Fernando Lima Reis, diretor de pesquisa do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. “É preciso mostrar dados epidemiológicos, contextualizá-los e explicar que mutação de vírus sempre acontece. O segredo para combater a desinformação é insistir na informação.”

posted by Simone Iwasso | 02:08 | 4 Comentários | #Link

O peso do amor

19.06.09

posted by Simone Iwasso | 04:06 | 2 Comentários | #Link

Comédia romântica

18.04.09

As pessoas vão se sentindo cada vez mais sozinhas, cada vez mais sozinhas. Elas não saem de casa, trabalham em casa e não conhecem mais ninguém. Falta emoção na vida de todo mundo. Daí, um belo dia surge uma locadora diferente. Uma locadora de gente. Na locadora tem fotos das pessoas a serem locadas separadas por gênero. São comédia, ação, musical. Pessoas que cantam. São sapecas em ação, etc. a locadora é um sucesso. Quem tava em casa, começa a dançar no novo musical. Quem não tinha com quem ir ao parque, saía pra correr com o DVDgente alugado. E as pessoas vão descobrindo aos poucos quem faz seu gênero e claro, quem ri por último ri melhor.


Esse não é meu. Tirei daqui.

posted by Simone Iwasso | 01:04 | 2 Comentários | #Link

Um dia ele te liga

15.04.09

Numa dessas novas metas que a gente teima em se colocar de tempos em tempos, voltei a frequentar diariamente o Parque da Aclimação - é bem pertinho de casa e um dos motivos de eu morar no bairro. Tem as pessoas de sempre - corredores natos, caminhantes e atletas de fim de semana. Mas todo dia tem surpresas. Anteontem, por exemplo, dia de chuva e vento, velhinhos - vários - davam suas voltas no lago carregando o guarda-chuva, as mulheres com alguns coloridos ou floridos. Outro dia, num banco logo na entrada do parque, um bêbado que acredito viver por lá, tentava fazer uma ligação num telefone imaginário. O problema era que, segundo ele mesmo falava pra todo mundo que passava, só estava dando ocupado!

posted by Simone Iwasso | 04:04 | 3 Comentários | #Link

Mensagem do dia

07.04.09

Eu ia dizer muitas coisas hoje. Estava aqui pensando sobre ovos de páscoa, movimentos religiosos, intolerância, trabalhos incessantes, cansaço, o lago do parque, cadeiras bonitas, contas pra pagar, jogos de futebol e vagões novos no metrô. Mas daí, dando uma olhada na internet, achei isso aqui e fiquei bem quietinha. Acho que diz mais do que eu, no momento, conseguiria. Então, aí vai, pra dar um empurrão em todo mundo.

posted by Simone Iwasso | 07:04 | 6 Comentários | #Link

Olivetti

02.04.09

A criança olha curiosa para a máquina de escrever que acabou de chegar. Meio empoeirada, ela sai de dentro de uma caixa de papelão - o pai trouxe da casa da avó, que ia jogar aquela tralha fora. Testa a fita gasta e velha, coloca uma folha de papel sulfite e deixa o menino apertar algumas letras. Ele olha maravilhado o ir se mexendo.... "Nossa pai, é mais legal que computador, já sai na hora."

posted by Simone Iwasso | 06:04 | 10 Comentários | #Link

Mais um minutinho

26.03.09

Tem dias que faltam horas. Em outros, há horas de sobra. Em alguns dias, o que me falta é energia. Em algumas noites, sono. Será que não tem como jogar tudo isso num liquidificador e sair com uma semana perfeita?

As teclas do meu notebook estão desaparecendo lentamente. Começou com o DEL, que simplemente sumiu. Apagar qualquer coisa desde então ficou meio complicado. Depois foi a letra V, e fiquei com algumas limitações. Ontem a letra G caiu. Preciso urgentemente de um teclado novo.

Passei uma semana almoçando salada. Agora, todo fim de tarde, como um chocolate. Compensação impensada é comigo mesma.

posted by Simone Iwasso | 04:03 | 3 Comentários | #Link

Mais uma rapidinha...

10.02.09

O mundo pós-adolescente é divertido, e tão simples de vez em quando....

O cara tatuado, com piercings pelo corpo, boa pinta, beija a menina moderninha da balada. Papo vai, papo vem, ela percebe que ele não manja de bandas indie, de cinema, de livros descolados - ou seja, nã era bem o que ela estava esperando... Tenta cair fora. E ouve:

- Sou tosco mesmo, se fodeu, agora já beijou!

posted by Simone Iwasso | 04:02 | 5 Comentários | #Link

Uma boa média que não seja requentada....

04.02.09

Chega o café no balcão e o cliente reclama:
- Ei, eu tinha pedido um café curto.
Sem hesitar, o funcionário olha pra xícara, pega ela, leva até a pia e joga metade fora.
- Aqui está, um café curto


O triste é que aconteceu mesmo...

posted by Simone Iwasso | 08:02 | 2 Comentários | #Link

Horas esparsas do dia

22.01.09

- Às 7h30, ele entra no meio das pernas dela e deixa marcas roxas no seu pescoço

- Às 8h40 ela bebe uma caneca de café e vai pro chuveiro, imaginando o fim de semana

- Um pouco depois das 10h ele chega no trabalho e passa meia hora lendo notícias na internet

- Por volta das 12h, ela atende um telefonema atrás do outro, enquanto manda um email para uma amiga

- Ele almoça com amigos na padaria da esquina, faz planos de comprar um videogame

- Às 14h45 ela senta com as pernas cruzadas e passa 10 minutos lembrando o livro que parou na metade na noite anterior. Fuma propositadamente de maneira lenta...

- Às 16h eles conversam mais um pouco pelo msn, hábito desde sempre, cultivado diariamente

-Passa das 18h e ela se concentra no trabalho. Ele tenta escrever um pouco

- Ela vê o anoitecer pela janela, entre as telas do computador. Chove forte na cidade, 19h e o trânsito começa a piorar

- Antes das 20h ele vai pro metrô. Hora de ir pra casa.

- Ela ainda passa no supermercado, deixa um documento na casa de uma amiga e o encontra lá pelas 21h.


A noite é particular e imprevista. Momento de mistério antes que tudo recomece.

posted by Simone Iwasso | 04:01 | 2 Comentários | #Link

Tim tim tim

06.01.09

Ela me contou que desde criança sonhava em ter um sótão. Escondido, empoeirado, daqueles que é preciso subir alguns degraus de escadas de maneira de ranguem com o peso dos pés - daqueles de filmes e desenhos que via quando não tinha nada pra fazer. Ela disse que mesmo mudando de casa em casa, de casa em apartamento, de apartamento em casa, nunca tinha realizado seu sonho doméstico. Já teve piscina, jardim, varanda, cachorro, peixe e gato. Mas como era difícil ter um sótão só seu, pra esconder suas caixas fechadas, seus baús pesados, seus dias escuros e solitários, que ela acreditava serem inúmeros e preciosos. Até que ela decidiu construir um. Demorou mais de um ano, porque o dinheiro era curto e o pedreiro só aparecia uma vez por semana. Quando ficou pronto, colocou uma camiseta, um shorts, prendeu os cabelos, segurou uma garrafa de água e subiu. Fechou o portãozinho de acesso. Com o silêncio, demorou um pouquinho até perceber. E quando percebeu até ficou feliz. Na verdade, ficou muito feliz. Uma felicidade que crescia, crescia, crescia a cada vez que respirava. Era tão forte que ela entendeu: passara a vida sem ter onde deixar seus rastros pesados, e, nem imaginando como, foi deixando eles pelo caminho....Seu sótão seria o mais bonito, e também o mais leve e vazio que existiria.

posted by Simone Iwasso | 07:01 | 7 Comentários | #Link

E começa tudo outra vez

02.01.09

Quebrou a promessa de ano-novo acendendo o primeiro cigarro do dia, em frente à janela aberta, observando os cachorros da vizinhança latindo. Caía uma chuvinha fina, paulistana, que deixava o ar mais fresco. Fumou devagar, daquele jeito que dá pra ouvir o cigarro queimando. Mexeu no cabelo, tossiu um pouco e, batendo as cinzas, foi pra cozinha acender o fogo. Ferveu a água e preparou um café rápido, sem açúcar, com umas gotinhas de leite. Passou manteiga no pão e comeu devagar, no sofá, passando os canais de televisão. Quando terminou, foi para o quarto. Viu ele deitado, a respiração suave, a expressão leve - tinha dias que ele parecia sorrir enquanto dormia. Colocou a mão no seu peito e adormeceu. Outra vez.


O ano já pode começar...

posted by Simone Iwasso | 03:01 | 7 Comentários | #Link

Só de desejos e fogos de artifício

29.12.08

A essa altura, o que ainda não aconteceu vai ficar mesmo pro ano que vem. E o que faltou resolver, por essas terras, só quando o carnaval passar...Portanto, quem vai viajar, quem vai ficar em casa, quem vai se refugiar em algum quarto de hotel e quem, como eu, vai trabalhar, fica o recado: Locutório deseja brindes e bebedeiras, beijos apaixonados e explosões de fogos de artifício, roupas coloridas e sonhos realizados pra todo mundo. E nos vemos outra vez, mais uma vez como sempre, no ano que vem!

posted by Simone Iwasso | 07:12 | 5 Comentários | #Link

Para uma amiga que está longe, e bem perto

18.12.08

Sabe, de tempos em tempos eu vejo algo de mim andando por aí. Uma blusa parecida que atravessa a rua, um corte de cabelo quase igual meio desarrumado na correria, um braço estendido, um sapato que eu usaria, uma maneira de olhar, de se mexer, de caminhar. Na maior parte das vezes é só isso mesmo. Um flash de um corpo ou um acessório que me traz à tona a minha própria imagem. Não muda nada, não toca em nada, cada um segue seu rumo.

Mas raramente acontece diferente. Vejo algo de mim vivo por aí. Mais jovem, mais esperto, tão bobo quanto, tão sensível e sedento de vida quanto. Tão falante, tão ansioso, tão musical e tão empolgado quanto. E aí bate uma coisa. É a identificação imediata - não daquelas psicanalíticas, de enxergarmos e criticarmos nos outros nossos defeitos. É outra coisa, e coisa melhor. É sentir que tem gente como você nesse mundo grande e tão pequeno. Gente que, em contextos dos mais diversos, e às vezes bem parecidos, sentiu o mesmo que você também sentiu. Chorou igual, sorriu igual, se cansou igual. E quando não foi igual, foi parecido, foi próximo.

Enfim, isso tudo pra dizer que sim, distância e tempo não importam em algumas ligações, em amizades especiais. Porque é como se ela acontecesse numa linha fina e brilhante, que liga pessoas e pessoas.

Isso é valioso - e por incrível que pareça, pouca gente tem. A maioria tá perdido por aí, tá tentando se defender, tá tentando se impor, tá atrás das coisas erradas...

posted by Simone Iwasso | 04:12 | 4 Comentários | #Link


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