
Ele demorou pra perceber que pra dizer muita coisa, é melhor falar pouco - e escolher melhor as palavras. Em suas apresentações e discursos, jogava frases sem respirar, aumentava a voz, mudava o ritmo, a entonação - vestígio de livros de auto-ajuda, manuais para executivos, cursos rápidos de fim de semana em resort pago pela empresa. Cascata. Esqueceram de dizer pra ele que, toda essa empulhação, não era para dizer muito - mas pra falar bem pouco.
Foi preciso cair, quebrar, paralisar um tempo o trabalho pra perceber que estava tudo fora de lugar - e de sentido. E pra enxergar que, na hora do vamos ver, de encontrar a própria companhia, e ter algo a dizer, ficava era mudo. E a vida não estava agitada, estava parada. E ele não tinha tantas coisas assim a dizer. Estava vazio demais.
* Outra ilustração que andei roubando do Vitor...
** A frase nela é de uma música do Death Cab for Cutie, The sound of settling, uma das minhas preferidas.
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