Em meio a imagens de destruição e caos, de perdas e desespero, de incompreensão e ignorância (como as declarações infelizes do cônsul do Haiti no Brasil), um grupo de estudantes da Unicamp hospedados na casa da ONG Viva Rio em Porto Príncipe trazem relatos humanos, sensíveis e lúcidos da situação no país após o terremoto. Com acesso à internet - a casa onde estão não foi afetada e tem gerador de eletricidade -, eles narram aqui a força, os modos de sobrevivência e a ajuda mútua que surgem dos escombros, num lugar abandonado e esquecido. Sem contar, também, com a frieza e o espírito burocrata com que foram tratados pela embaixada brasileira.
Um trecho do relato: "Não é a destruição que mais assusta aqui, é o abandono. Não sabemos até quando essa harmonia pode durar sem água e sem comida para todos. Muitos estão morrendo por falta de cuidados, outros reúnem numa toalha medicamentos e materiais médicos para ajudar os compatriotas. São poucos os que têm remédios e muitos são os que precisam de ajuda."