Então era um minicastiçal ao lado de uma pilha de livros em cima da mesa de canto. Tinha vindo não me lembro como, menos ainda de onde. Base cor de vinho opaca, uns 10 centímetros de comprimento, a parte superior transparente, para encaixar a vela. Peça pouco atraente, encostada esperando poeira. Mas hoje, cansada depois do dia de trabalho, do tempo perdido no trânsito, do apoio para uma amiga com problemas, da caminhada entre os corredores de uma liquidação e de uma parada obrigatória no mercado, ela de repente pareceu descanso para minha cabeça a mil. Fechei a porta, dei a volta na chave, esvaziei as sacolas na geladeira, lavei o rosto, abri a sacada e deixei um cd tocando. Pausa, finalmente. Há dias não parava em casa, me jogava no sofá e descansava, quieta e só. Acendi uma velinha branca, achatada, apaguei a luz...
Aí entendi!
O minicastiçal brilhou. A base opaca ficou transparente e cintilante. A parte de cima desapareceu e a vela queimava como que suspensa apenas por uma luz difusa, entre o vinho e o avermelhado. Me abandonei observando a vela diminuir, o vento cutucar a chama, formando um esboço de sombra na parede. Olhei diferente para o sofá, a estante com livros, a cadeira branca e a mesa que sustentava o minicastiçal.Acho que embalada pelo clima, olhei diferente para mim também
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