A Tereza é diarista, tem 52 anos, mora em São Paulo, mas nasceu no sertão da Bahia. Ela tem duas filhas, ficou casada por muitos anos, mas agora, como ela mesmo diz, "se libertou". A Tereza estudou só até a 4ªsérie e gosta de escrever - do jeito dela, com os tropeços e erros de quem teve pouco acesso ao ensino e à gramática formal. Entre as várias histórias da Tereza, e ela tem muitas (conheço ela), a mais legal é que ela juntou dinheiro, comprou um computador e agora, com ajuda da filha, abriu um blog, o Histórias da Minha Vida.
Eu me emocionei quando li os posts dela - nem tanto pelo que ela conta, que também emociona, nem tanto pela maneira como escreve, bastante honesta e direta, mas pela voz que ela está tendo, e pela primeira vez. Aqui, na internet, o blog dela é mais um entre tantos - tem o blog do presidente, tem o dos escritores, dos jornalistas, dos jovens mimados, dos fãs de música, dos comentaristas, das fascinadas por moda, emagrecimento, enfim, tem tudo. E tem o dela também, do mesmo jeito, numa página de mesmo tamanho, visível pra quem quiser ler.
Me lembrou, à primeira vista, o livro Quarto de Despejo, que reúne trechos do diário de Carolina de Jesus (1914-1977), uma mulher bonita e batalhadora, que morava numa favela em São Paulo e trabalhava para sustentar três filhos. Li esse livro quando era criança, e chorei tanto, mas tanto ao ver a dicrepância entre mundo e dores...
Voltando à Tereza, seu blog me fez pensar em como o exercício da palavra é importante, como contar nossas próprias histórias pode, além de levar outras vozes pro mundo, nos fazer muito bem. Histórias longas ou curtas, simples ou complexas, cotidianas e repetitivas, a cada vez que são contadas se tornam únicas.
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/37954 (Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.) 



