Percebi há um tempo que comecei a digitar mais rápido, a comer mais rápido, a andar mais rápido, a ler mais rápido, a cozinhar em menos tempo, a tomar banhos mais curtos e até mesmo a pegar no sono num piscar de olhos, literalmente. As notícias são todas lidas, os sites consultados, os blogs de leitura obrigatória. O celular está sempre ligado do meu lado, os emails são checados constantemente e até mesmo os perfis dos facebooks, linkedlin e twitter da vida - que eu não gosto, mas frequento por obrigação, acho - merecem uma olhada de tempos em tempos (tempos rápidos, diga-se de passagem).
Talvez venha daí essa sensação de saturação, de cansaço, de falta de paciência. Talvez venha daí essa ansiedade implacável, que quer tudo para ontem, que não sabe esperar, que se angustia com facilidade. Esse medo de estar desatualizado, de perder alguma coisa, de deixar passar algo importante, inusitado e único.
Mas aí é que está o erro. Querendo abraçar tudo, achando que tantas bobagens que me rodeiam merecem minha atenção, o mais precioso que tenho perdido é o tempo - o meu tempo, o tempo para mim, para o que vale a pena na vida. Preparar uma comida com calma, comer sem pressa, tomar banho demorado, folhear uma revista tranquilamente, fazer a unha pensando em nada. Dormir com prazer. Ler com prazer. Amar com prazer.
Eu adoro computadores e tecnologia - mas a vida de verdade não está dentro deles, mas dentro de cada um de nós.
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