
Ela estava sozinha ao pé do mar. E queria cantar para que cada peixe lá embaixo parasse para ouvir. Um sonho de infância, talvez um traço megalomaníaco, uma bobeira como tantas outras. Começou a abrir bem a boca, a soltar sua voz aguda e limpa. As ondas continuaram chegando, naquele embalo que inspira entrega e calma; a luz do sul seguiu espalhando seus reflexos prateados; Os peixes lá embaixo até ouviram, pararam por uns minutinhos para ver de onde vinha a melodia, mas se distraíram rapidamente e esqueceram a música. Ela percebeu. E ficou triste. E nunca mais quis olhar para o mar.