De tudo que nunca é dito, e fica suspenso no ar, perdido nas intenções e nas vontades, ela construiu uma outra coisa. Uma outra rua. E um outro emprego. Uma outra relação. Até um outro corte de cabelo. Uma vaidade diferente. Uma coragem mais persistente. Uma segurança que não aparecia. Ela construiu tantas coisas que passou a não se reconhecer mais. De tudo que nunca é dito, ela preencheu uma vida - e agora se divide em duas; a oficial onde tudo é somente como é, e aquela lá, onde tudo o que é, só é porque nunca chegou a ser.
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