Quebrou a promessa de ano-novo acendendo o primeiro cigarro do dia, em frente à janela aberta, observando os cachorros da vizinhança latindo. Caía uma chuvinha fina, paulistana, que deixava o ar mais fresco. Fumou devagar, daquele jeito que dá pra ouvir o cigarro queimando. Mexeu no cabelo, tossiu um pouco e, batendo as cinzas, foi pra cozinha acender o fogo. Ferveu a água e preparou um café rápido, sem açúcar, com umas gotinhas de leite. Passou manteiga no pão e comeu devagar, no sofá, passando os canais de televisão. Quando terminou, foi para o quarto. Viu ele deitado, a respiração suave, a expressão leve - tinha dias que ele parecia sorrir enquanto dormia. Colocou a mão no seu peito e adormeceu. Outra vez.
O ano já pode começar...