Curioso como nunca usei a palavra ciúme no singular. Pra mim, sempre foram ciúmes. Mais de um. Múltiplos. Palavra pra um sentimento que nunca vem sozinho, que nunca é um só.
Procurei agora no dicionário: ciúme, segundo o Houaiss, é "um substantivo masculino, que experime estado emocional complexo que envolve um sentimento penoso provocado em relação a uma pessoa de que se pretende o amor exclusivo; receio de que o ente amado dedique seu afeto a outrem"
Ciúme me lembra a história do Antonio Maria, contada pela Danuza Leão, sua ex-mulher nas décadas cariocas passadas. Apaixonado e passional, tinha ciúmes até dele mesmo. Diz ela que um dia, deitados na cama, ele sobre ela, ele viu na televisão o reflexo de um homem sobre sua mulher. Surtou.
Acho que escritores em geral adoram o ciúme. Machado de Assis se valeu dele, em grande quantidade, pra criar o Dom Casmurro - uma vítima de ciúmes gerada pela culpa. Shakespeare criou Otelo, o mouro inseguro que deixa o ciúme destruir seu amor, e sua vida. Deve ter outros, São Bernardo, Graciliano Ramos, ciúmes de um coronel do nordeste de sua mulher cheia de opiniões.
Robertão também cantou o ciúme. Quem se lembra..."Entenda que o meu coração/ Tem amor demais meu bem e essa é a razão/ Do meu ciúme, ciúme de você/ Ciúme de você, ciúme de você..."
O ciúme pra mim é mais ainda, é mais do que complexo Houaiss. É ambíguo. Isso porque me dói sua presença e dilacera sua ausência.