Dona Cida é daquelas pessoas que dão vontade de apertar, beijar, abraçar. Tem uns 80 anos. Gosta de tomar cerveja e de churrasco. É carinhosa, ainda apaixonada. Ouve Julio Iglesias e manda beijos. Recebe com coca-cola os entregadores de comida - e dá um chocolate para eles levarem. Compra o prato preferido da faxineira, que a acompanha ao mercado, embaixo do apê onde mora. Conversa com todo mundo, puxa assunto, troca idéia. Vê televisão de dia. Visita os filhos e netos no fim de semana. Sorri bastante, de um jeito aberto. Já viajou pelo mundo - e voltou, inúmeras vezes, carregada de presentes. Acha que mulher precisa cuidar do marido - e sempre cuidou do seu, mesmo quando ele podia não merecer. Mesmo assim, não cansou da vida. Nem se entediou com ela. Talvez desde sempre ela soubesse o segredo. O que está nas pequenas coisas, nas mais invisíveis, mas que, sem serem vistas, são sempre sentidas.
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