Tenho uma amiga que gosta mais dos comerciais do que dos programas de televisão. Sentar ao lado dela num sofá é infortúnio: o controle remoto dela começa a ser usado quando o da maioria das pessoas está descansando em algum seriado, filme ou noticiário.
Ela tem um amigo que desenha num caderno o caminho que percorre para ir a todos os lugares. Ele tem uma obsessão com mapas desde a adolescência, e guarda seus cadernos preenchidos em caixas de papel dentro do guarda-roupa.
Ele conhece uma garota que só come batatas e pão: ela já fez, não mais de uma vez, sanduíche de pão de forma com batata frita dentro - foi seu almoço. Dizem que teve um trauma quando era criança.
A mãe dela trabalhou com um homem que nunca tinha dormido com ninguém: não entendamos dormir no sentido sexual. Ele fazia sexo, imagino que deve ter feito tantas vezes quantas um adulto mais ou menos de sorte acaba fazendo, mas simplesmente não conseguia fechar os olhos se havia, na cama, uma mulher.
Esse sujeito foi vizinho de um amigo meu, que me disse que coleciona personalidades. Não entendi na hora, mas ele explicou. Observa pessoas, suas manias mais próprias, aquelas que surgem misteriosamente no curso de uma vida e nunca mais vão embora. Pelo contrário, se refinam, se tornam tão sofisticadas a ponto de serem uma arte. A arte de uma pessoa só.
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