Minha cabeça não pára. Meu coração tá apertado. Minha perna treme de vez em quando. Corri tanto, tanto, tanto. E ainda assim, as caixas se acumulam lá em casa - vazias ainda, porque não tive tempo de colocar tudo o que preciso levar nelas. Tenho me desfeito de muito nesses dias, um processo cíclico meu, até saudável, acho. Na outra ponta, tenho adquirido coisas novas, móveis, detalhes, sentimentos, memórias...Mas hoje acordei com um mal-entendido: chorei, me desgastei, vi mil coisas horríveis num cineminha particular dentro da minha cabeça. Por que somos nós, mulheres, tão inseguras em alguns momentos? Por que num dia podemos enfrentar o mundo inteiro, e todos os exércitos armados, e em outro nos deixamos abater por tão pouco? Por que somos capazes de nos sentir maravilhosas e irresistíveis num dia e imprestáveis em outro? Depois da trovoada que armei no meu céu, fui tentando buscar um ventinho pra espantar as nuvens. Cheguei no trabalho, tentei me concentrar, escrever um pouco, tocar o que tinha aqui pra fazer. Nuns intervalos, entrei nuns sites de roupas, de cremes, de sapatos, dessas coisinhas fúteis e bobas que ocupam a cabeça e ajudam a tirar o foco. A desfocar. Ajuda, acho. É curiosa essa sensibilidade que temos, tão à flor da pele em alguns intantes, tão exageradamente fora de hora, e tão preciosa também, porque nos faz ser assim instáveis, assim fortes e preparadas, assim inconstantes e independentes, assim passionais e entregues, enfim, nos faz sermos mulheres - inteiras.