Quarta-feira, por volta das 14h, ônibus razoavelmente cheio atravessando a Avenida Paulista. No meio do caminho, o cobrador se levanta e anuncia, aos gritos: "Gente, quem for descer, avisa, porque a campainha tá quebrada".
"Coisas de São Paulo, de cidadona fodida", pensa o passageiro, rindo do que não tem conserto. Coisas de cidade que acumula tudo que se perde ou que se desvirtua. "Como um ônibus circular circula sem a campainha? Já vai ter gente ficando nervosa no meio da viagem, imaginando a hora que terão de abrir a boca. Uns vão dar até uma tossidinha antes, pra voz não falhar na hora H", continua ele, vendo da janela a avenida ficar pra trás.
Ele sabe: ônibus circular sem campainha é a mesma coisa que ambulância sem sirene. E já adianta a cena: trânsito da Dr. Arnaldo na sexta-feira às 19h, o motorista da ambulância metendo a cabeça pra fora e gritando: "Gente, sai da frente! É emergência, mas a sirene tá quebrada! Vamo colaborá aí, pô..."
A moral da história ele divide comigo: Coisa de Brasil, né. Dá-se jeitinho pra tudo. No caso de uma guerra nuclear, acho que além das baratas, sobrariam também os brasileiros. Iam dar um jeitinho de escapar, certeza...
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