A vida e a arte, para nosso cérebro, acontecem no mesmo lugar. Ou seja, é um mesmo sentir - independentemente se a fonte do estímulo veio de um livro, de um filme ou de uma experiência vivida com alguém. Além disso, o meio de transmissão não altera a capacidade de uma história nos afetar, ao contrário do que pensam os que valorizam mais as palavras ou os que pregam que as imagens são mais fortes do que qualquer coisa. As afirmações são de um estudo feito no Centro Médico Universitario de Groningen, na Holanda.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores estimularam vários voluntários de maneiras diferentes: experimentaram uma comida com gosto ruim, assistiram um filme no qual um ator come uma coisa ruim e faz uma expressão de nojo e leram textos sobre um homem que, bêbado, acabava comendo o próprio vômito. Sob cada um desses estímulos, foram feitas ressonâncias magnéticas, que mostraram ativação da mesma área do cérebro. O estudo diz: "As formas tradicionais de se transmitir sensações, como filmes ou livros, têm força para ativar emoções reais no cérebro."
Não chega a ser novidade para quem está acostumado a se entregar ao universo de um livro, de um filme, de uma música, a se emocionar de verdade com qualquer obra de arte. O choro provocado por uma peça não é menos real do que o choro que é fruto de um fato cotidiano. E, justamente por isso, é a arte também quem nos ensina a sentir - por meio dela experimentamos um leque muito maior de sensações e experiências do que nossa vida diária é capaz de nos proporcionar. No mundo em que tudo pra ganhar validade precisa do certificado científico, pesquisadores demonstrando isso é um ponto a mais pra criação.