Sobre o Peru - mais além de Machu Picchu

06.08.08

Pra mim, o Peru é colorido - ou foi cheio de cor. As roupas têm listras, figuras, desenhos, relevos. O céu tem tons. A comida tem tantos gostos e cheiros, que também parece colorida (e de tão variada e diferente fez com que até eu, na minha caipirice, me rendesse às pimentas e aos frutos do mar). O Peru também é pobre, também é indígena, também falta infra-estrutura e também tem, como nós, uma forte desigualdade social e um sentimento classista que chega a ser repugnante - me contaram que, nos balneários caros próximos à Lima, as funcionárias só podem ir para a praia em certos horários, para não se misturarem aos hóspedes...

As ruínas incas, que estão até mesmo no meio da cidade de Lima, são uma atração especial. Blocos enormes de pedra, muitas vulcânicas, permanecem encaixados há séculos, sobrevivendo à tempestades, terremotos, colonização espanhola e turistas afoitos. Acredita-se que, conhecendo muito bem a estrutura de uma pedra, os incas conseguiam, usando outros instrumentos feitos também de pedras, talhar, cortar e polir esses blocos. Há vestígios de templos, de casas, de mesas de sacrifício, de galpões para armazenar comida. E, claro, há o grande ícone delas, a cidade perdida de Machu Picchu - sobre ela, não tem nada que possa ser mais dito, é preciso ver mesmo.

Cuzco é uma festa - é uma gringolândia, é fato. Restaurantes perto da praça central, enorme e linda à noite toda iluminada, aceitam dólares e euro, crianças pedem dinheiro por toda parte e você pode ouvir idiomas reconhecíveis e irreconhecíveis. As lojas vendem artesanatos caros e exploram mesmo seu potencial turístico. Mesmo assim, mesmo assim, vale a pena. Mesmo assim é encantador. Dá vontade de ficar por ali, observando, caminhando, conversando com quem aparecer pela frente.

E Lima, por fim, é semelhante em muitas coisas a cidades como São Paulo. Trânsito caótico, desigualdade social, Miraflores e suas ruas arborizadas e agradáveis, o centro meio abandonado e meio recuperado, os bairros da periferia onde a classe média morre de medo de colocar os pés. Ah, mas tem mar. E tem um mar cinza, pouco claro, gelado como mares do Pacífico costumam ser. Só que deixa o ar úmido, com uma névoa própria, peculiar, que acaba arrastando a gente.

Também de lá tem fotos aqui.

posted by Simone Iwasso | 04:08 | 4 Comentários | #Link

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Comentários, Pingbacks:

Nome:
eder
Comentário:
Sem comentários engraçadinhos...vc foi ver o Peru?!

Tá criando em mim um sentimento de descaso com os países vizinhos... As fotos são tão bonitas... A gente podia dar mais atenção mesmo. Mas somos um país em desenvolvimento e não olhamos pra quem vai ficando pra trás. Uma pena, porque a gente acaba descobrindo que existem coisas interessantes aqui "do lado" e ninguém dá muita bola.

Parabéns pela viagemn e por passar por essa experiencia.
#Link 07.08.08 @ 11:42
Nome:
Camilo
Comentário:
Adorei o texto e as fotos!
E ainda não acreditei na zebrinha... É assim mesmo? Todo dia, ou variam os personagens?
Bjo!!!
Camilo
#Link 12.08.08 @ 17:51
Nome:
Simone Iwasso
Comentário:
Segundo o Igor, que passa pelo centro da cidade diariamente, a
zebrinha está lá todo dia. Não devem ter outro uniforme!

Beijo
#Link 12.08.08 @ 17:53
Nome:
Camilo
Comentário:
Caramba... Se ainda fosse uma lhama! E a lei seca acabou com o realismo mágico de sp mesmo...
Bj!
#Link 12.08.08 @ 17:55

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