Segunda-feira é dia de muitas coisas, entre elas de faxina. E pra quem estava fora, é dia de tirar o pó, colocar a roupa da mochila pra lavar, guardar os pratos acumulados na pia e colocar os livros soltos de volta na estante - junto com um lugar improvisado para os novos. O pano molhado com esses produtos de limpeza fosforecente tira as marcas de sapato do chão. Com um saquinho de supermercado, vou me livrando dos comprovantes de cartão de crédito, das etiquetas, das notas fiscais juntadas por aí, que fazem volume na bolsa e só atrapalham na hora de achar alguma coisa. A necessaire volta pro banheiro, com seus cremes, shampoos, maquiagem e a escova de dentes. E, agora sim, de volta ao lar.
Viajar é como sair do espartilho. Você solta de uma vez todos aqueles laços que te prendiam e respira com o corpo solto outra vez. Como se o primeiro ganchinho fosse o despertador, o segundo o trânsito, o terceiro o próprio trabalho, o quarto as contas pra pagar, o quinto as burocracias da vida e assim ele vai ficando cada vez maior. Viajando, você se permite acreditar que é possível, ao menos por alguns dias ou semanas, viver sem nada disso. Só que tem de voltar. E entrar na fôrma de novo é mais difícil do que parece...
Mas, claro, tem as coisas boas. Os pequenos prazeres. Eles são a chave pra tudo, o segredo pra ter dias melhores, pra lembrar que cotidiano e rotina não são necessariamente coisas insuportáveis - e que, ao contrário, podem ser bacanas. É dormir no seu próprio travesseiro, dormir com quem você gosta, tomar café na sua caneca, sair pra dar uma volta no seu bairro. Brincar com sua gata, ler na cama sem pressa. Tomar um solzinho de manhã...É, é possível, sim.
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