Já que a vida é fugidia, e me escapa, eu inventei uma outra. Dentro do meu caderno de páginas brancas. É lá que eu guardo você. Ao seu lado, tem as músicas que um dia eu vou ouvir outra vez. Na página seguinte estão uns três céus diferentes que foram minha casa. Tem também aquela piada que me contaram na fila e que me fez rir - num dia que tinha vontade só de chorar. Nesse meu caderno, está a vida vivida, mas nunca passada. Tem o cachorro que mordia meus tênis de ir ao colégio. A medalha que me deram por uma redação. O beijo roubado num fim de festa, naquela festa, naquele dia.
De tantas coisas que fui escrevendo, meu caderno de páginas brancas cresceu. E meu mundo se transformou num livro.
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