Que todo mundo tem um vício a gente já sabe. O do João tinha a ver com calcinhas. Fio-dental, algodão, de rendinha, de amarrar, vermelhas, pretas, azul-bebê, larguinhas, de tirinhas, desenhos infantis, valia tudo. Começou na pré-adolescência. Um dia, prestes a usar o vídeo da casa do melhor amigo para ver um pornô emprestado, viu a irmã mais velha dele passar pelo corredor com uma branca com balõezinhos coloridos. Não tirou mais os olhos delas. Babava nas das namoradas e amantes. Pedia às vendedoras para ajudá-lo a presentear a mulher com os lançamentos.
João era funcionário público aposentado precocemente por invalidez - um tiro na mão esquerda, bala perdida em assalto no centro, o deixou com dificuldades para digitar os processos, sua função na prefeitura. No mais, fazia ginástica, mantinha os músculos e o desejo sexual ativos. Com mais tempo livre, parecia até que sentia ainda mais vontade.
Tomando uma cerveja no sofá assistiu a uma reportagem sobre o Dia da Mulher. Falava de maridos violentos e de grupos que tentavam juntá-los em terapia. Ficou espantando. Sua paixão pelo mundo feminino veio à toa, numa quase revolta. Depois que deu tudo errado, nem ele entendeu porquê fez aquilo, mas sem pressa foi para o quarto, abriu a única gaveta que era só sua e tirou de lá todas as calcinhas. Escolheu a mais bonita, a que melhor abrigava seu pau de 18 centímetros. Vaidoso, deitou de costas, em posição de espera, na hora que ouviu o salto da mulher se aproximando...