Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, uma ONG chamada Fundação Palavra Mágica, que atua na área de desenvolvimento da leitura e escrita, juntou duas pontas tão próximas e tão distantes num projeto sensacional: levou grupos de terceira idade para contarem histórias para alunos de 1ª a 4ª série das escolas públicas do ensino fundamental. Depois do encontro, cada um escreveu e desenhou o que quis. Uma seleção das redações foi publicada num livro. A iniciativa me encantou. Abaixo, alguns trechos dos alunos:
"O palhaço bêbado era duro na queda. Tinha um palhaço que, na verdade, era um artista imitador de palhaço. Ele também fazia mágica e contava histórias de quando era criança e contou que naquela época já brincava de circo. O palhaço bêbado também cuidava dos animais silvestres e do circo que na época era feito no pé de limão ou laranjeira; ele jogava um lençol branco e ali era o circo. Tinha o leão, a bailarina, a pipoqueira e o mágico. No circo é só alegria"
"Quando o trem Maria Fumaça apitava, as mocinhas saíam correndo para paquerar os moços que chegavam da viagem e ficavam andando e olhando os moços mais belos que chegavam da viagem. Depois de um tempo, os moços já estavam paquerando as moças e eles pediam a elas para dançar no coreto da praça. Os bancos e os postes de luz antigamente eram de ferro fundido"
"Era uma vez uma senhora que não tinha torneira e lavava as roupas na mão. Um dia a filha mais nova dela estava brincando com uma cobra; ela e a outra filha ficaram assustadas. A mãe e a filha mais velha chamaram o pai pra matar a cobra. Ele percebeu que a cobra não picou a menina porque ela tinha um sapo dentro da boca"
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