Sexta-feira, 13h30, sol chato batendo no vidro do carro, pistas da marginal lotadas, carro andando a 20 km por hora. De um lado, os condomínios fechados do Real Parque, o Burle Marx, fileiras de prédios espelhados, escritórios do mundo novo a mil. Do outro, Tom Brasil, Alfa Real, Credicard Hall, shopping de decoração - tudo mais ou menos perto, mais ou menos parte da mesma paisagem. São Paulo nova, área que cresce, futuro cartão postal com uma ponte estaiada caríssima em construção. Urbanização feita pra andar de carro e com vidro fechado. Se convencer alguém, bueno. Aí a pista da direita pára de uma vez. Já começam as buzinas. Gente xingando, batendo no volante do carro. O clássico gesto da impaciência. Detrás do caminhão, dá para ver o motivo: tranquilo, sem pressa, um homem ocupava a faixa com sua carroça e seus papéis coletados provavelmente durante toda a manhã. Seguia preocupado, provavelmente com essas coisas da própria vida. Duvido que era com o trânsito.
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