Ontem, pensei em escrever sobre o Bergman, mas ao pegar o livro escrito por ele, achei que os trechos ali falavam por si mesmos. Hoje, ao ler sobre a morte de Antonioni, fiquei com vontade de descrever apenas o que é para mim uma das melhores cenas de sua filmografia: o fim do filme La notte.
Jeanne Moureau e Marcello Mastroianni são um casal entediado, com eles mesmos e com o mundo. Nem o contato com a morte, em uma visita a um amigo em comum, é capaz de despertá-los do torpor onde vivem, seguros pelas aparências. À noite, durante uma festa, em meio à frivolidade e apatia, esticam ao máximo o fio de sua união - ele, seduzindo uma jovem belíssima; ela provocando um dos rapazes no local. Manipulam os outros, e eles mesmos.
Esgotados, ressentidos, pela manhã eles desabam. Ela lê uma carta para ele, uma declaração de amor. Linda. Ele se revolta, pergunta de quem ela recebeu aquilo. E ela responde, entre lágrimas, que é o bilhete que ele mandou para ela, há muitos anos, logo que se conheceram.
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