Diário de bordo

05.07.07

Desperdício dizer dos locais que fui, que todo mundo que viaja vai - e acaba por fim reconhecendo depois, mesmo que com um olhar diferente. Também sei que é super chato ficar dando opiniões sobre as diferenças entre os mundos, as leis, os comportamentos. O que importa, no fundo, é o que fica para cada um. E o que se consegue trazer de volta - é isso o que não se perde jamais.

Enfim, nos dias fora, entre outras coisas, mais ou menos óbvias, eu vi:

- Borboletas saindo do casulo no meio de uma trilha nas montanhas. As pessoas paravam para olhar, surpresas até entenderem o que era aquele bater de asas coloridas, desviavam respeitosamente do caminho e seguiam em frente - algumas virando ainda o olhar para ver um pouco mais. Eu fui uma dessas.

- Um jovem pedindo esmola em frente aos grandes bancos de um dos principais centros financeiros do mundo. Nos quinze minutos que fiquei observando, foi um entra e sai de homens engravatados, mulheres elegantes e turistas equipados. Ninguém reparou nele. Nem ninguém deixou uma moeda.

- Uma professora russa recitando Fernando Pessoa com um sotaque praticamente igual ao de uma portuguesa. Perguntei se ela conhecia algum poeta brasileiro. Ela soube citar Manoel Bandeira, mas não tinha os versos na memória.

- Mulheres perdendo a compostura em meio a uma liquidação total, em todas as lojas, de todos os preços. Consumo pelo jeito acaba sendo igual em qualquer parte do mundo - e a loucura das mulheres por roupas idem.

-Dei duas voltas sem parar na roda gigante. E me perdi vendo a cidade do alto.

- Um casal do mesmo país, mas cada um com uma língua materna, que se entedia num terceiro idioma. Uma festa de aniversário de um alemão, casado com uma mexicana, onde os convidados eram de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. E todo mundo se comunicava em inglês.


Vi também carros pararem para pedestres atravessarem as ruas, casais fazerem piquenique nos parques e pontes, além de tantos prédios, edifícios e ruas cheias de histórias. Vi amigos, fiz amigos, reconheci conhecidos. Sentei em cafés, conversei comigo mesma e, por fim, acabei de volta aqui.

posted by Simone Iwasso | 05:07 | 3 Comentários | #Link

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Comentários, Pingbacks:

Nome:
Mariana
Comentário:

Bem-vinda de volta!
Beijos.
#Link 29.07.07 @ 17:50
Nome:
Gi
Comentário:
Como seu olhar é lindo! Tava com saudades de vc amiga. Beijos
#Link 29.07.07 @ 19:38
Nome:
Fabio Chiorino
Comentário:
Simone, realmente é um pouco maçante ficar "dando opiniões sobre as diferenças entre os mundos, as leis, os comportamentos", mas você conseguiu, a partir de seus relatos, trazer estas informações sem parecer uma cartilha, quase parecendo microcontos. Os finais de cada tópico criado são incríveis, como "Ela soube citar Manoel Bandeira, mas não tinha os versos na memória" e "Ninguém reparou nele. Nem ninguém deixou uma moeda". Mérito seu. Parabéns. Beijão e bom recomeço na terra brasilis.

PS: os escritos do Locutorius estavam fazendo falta. Com ou sem os acentos do teclado.
#Link 29.07.07 @ 23:10

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