Depois da primeira noite, e da primeira manhã que recebeu já acordada, sentiu que tinha tocado o tempo com as mãos. Na segunda noite, e na segunda manhã que começou desperta, entendeu a vigília de que falavam os monges que meditam nos mosteiros. Quando acabou a terceira noite, e tomou café sem ter antes dormido, passou a achar que conseguiria acompanhar o movimento do mundo. Veio a quarta noite, e a quarta manhã que viu se formar de olhos abertos, e estremeceu por pressentir que tinha visto o bastante. No fim da quinta noite, e na hora de receber a quinta manhã em pé na janela, imaginou a sensação de um gato dentro de uma sacola escura pendurado no galho de árvore. Sabia que gatos gostam de chão, e referências. Teve ainda a sexta noite, e a sexta manhã que lhe doía os olhos. Como não era católica, nem judia, nem lia a bíblia, não precisou esperar a sétima noite, e o que seria a sétima manhã, pra descobrir que é preciso morrer um pouquinho todos os dias no travesseiro