Então tá bom

17.02.07

Foi quando a música começou a ficar inaudível e as pessoas a se desmancharem entre pontinhos de luzes coloridas que eles chegaram. Um curvou o corpo pela cintura, outro agarrou as pernas e um terceiro segurou a cabeça. Quase arrastando no chão, passaram pelos degraus e chegaram na grama. Tiraram a camisa que estava rasgando, atiraram os sapatos pra longe e puxaram o cinto da calça. Foi com a fivela o primeiro golpe, na costela. O fecho estalou, deu pra ouvir só um gemido longo. Veio outro golpe, um chute na barriga, outro na coxa, de novo a costela. O couro desceu outra vez e fez um caminho nas costas. Gotas de sangue apareciam na ponta dos sapatos. Nem choro, nenhum outro grito.


E chega a mãe, desesperada, tentando abrir caminho.
É ela quem grita, se abaixa e presta socorro. Ouve um não.
Um braço que tateia o ar tenta afastá-la dali. "Mãe, você tá me fazendo passar vergonha..."

Resignada, volta pra dentro.
Sente puxá-la pelo braço: "Dona Socorro, ele ia ficar muito chateado se a gente não fizesse isso. Ele é homem", ouve. "No dia do meu casamento, ele me jogou de um barranco".

posted by Simone Iwasso | 12:02 | 1 Comentário | #Link

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Comentário:

Eu tb quero casar! Sem porrada.
#Link 29.07.07 @ 13:38

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