Regra básica
09.01.07
Caso eu estivesse dentro de uma partida de pôquer, ia querer ser o Curinga, e poder assumir o valor de qualquer carta, sem ser nenhuma delas. Se fosse xadrez, preferiria ser a Dama, e incorporar o movimento de todas as peças, em todas as direções. Ou, se me transformasse num dado, chacoalhado e arremessado, escolheria o de 20 faces.
Seria parte da ilusão. Aposta, tensão, blefe, fim. Dos outros, só assistiria: um tanto de sorte, outro de malícia, uma certa técnica, alguma malandragem e, a partir daí, a eterna variação do mesmo. Alguém ganha. Um outro perde. Tem o que aposta alto. E aquele que não arrisca e prefere cartas baixas.
De mão em mão, virando a mesa, abençoando e sendo amaldiçoada. Dando o dia, perdendo a noite, corrompendo e distraindo, apenas riria do suor frio dos jogadores, escondida ou à mostra no tabuleiro. Seria a peça-chave, a diferença na disputa. Não seria nenhum dos lados, mas elemento de dentro.
Só que sou jogador, e olho as peças sendo movidas enquanto riem de mim, invejando sua indiferença. Mesmo quando penso que posso escapar momentaneamente, e me refugiar, descubro que não existe a tecla de pausa, apenas um jogo diferente.
posted by Simone Iwasso | 07:01 | 2 Comentários | #Link