Meu olhar se curva pra te buscar.
Mas o teu corpo, leve e distraído,
Caminha sem me tocar.
Sempre procurei a tua voz.
Ensurdeci pra mais te esperar.
Mas os anos só trouxeram o cansaço
E agora o silêncio me desfaz.
Um segundo sem saída
E os olhos tombam.
Minha face empalidece
E revela a tua ausência.
E das mãos esquecidas que se cobrem
Escapam desejos, a sede,
Toda a inocência.
As infinitas horas inúteis,
Aquelas nas quais agonizo
Desde que soube que não te terei,
Consomem meu sangue e o meu corpo mudo.
O tempo me confunde e desenlaça os sentimentos.
Tudo se esvaece e passa.
Somente o cansaço encontra assento
No salão vazio que pulsa o meu leito.
E no escuro de um deserto longo e lento
Aguardo os momentos finais.
O instante do enterro
Do Cansaço e da Espera
Que antecede o repouso dos mortais.
PS:O texto não é meu, mas me diz muito; por isso peguei emprestado para colocá-lo aqui. Quando algumas coisas são boas e estão escondidas, merecem ser compartilhadas