Apesar de a escola ser dela, assim como a despedida e a homenagem de fim de ano, teve de acompanhar a mãe ao salão. Como sempre, boneca de luxo, infantil, sentou e obedeceu. Lado a lado, lavaram os cabelos, fizeram escova, retocaram a sobrancelha e fizeram a unha (Quinta Avenida para uma, Rosa Antigo para a outra). Saíram no horário e com tempo ainda para ajeitar o tule do vestido e checar a meia-calça branca (apesar de tudo, eram só seis anos e agora é que iria para a primeira série). O pai, já com a gravata um pouco afrouxada, esperava na porta do auditório - os motoristas do colégio se encarregavam dos carros. Afinal, um ano de mensalidades de R$ 1.500 por cinco horas diárias deveria incluir comodidades. A apresentação seria individual, criação do próprio aluno, baseado em sua vivência em casa. Tema livre: canto, dança, declamação, encenação - desde que pais e filhos tivessem compartilhado juntos. O importante era estimular o desenvolvimento sem obstáculos do potencial individual criativo em formação na primeira infância, explicou a diretora antes de chamar a primeira aluna. Era ela, o orgulho da família, ou a vitrine do casamento bem-sucedido, ou ainda o exemplo de berço e classe, que claro foi herdado da mãe. Segura a saia para subir os degraus, a postura impecável, o olhar brilhante, o cuidado na pronúncia. Faz o anúncio, diz que aprendeu com papai e mamãe. "Fuma, fuma, fuma folha de bananeira/Fuma na boa só de brincadeira". Antes de os pais arrancarem a menina do palco, deu tempo pra completar: "Seu guarda não cheire a minha mão/Sou seu amigo agora preste atenção/A folha é boa, é erva fina/Fumo na boa só pra pegar as meninas"
N.A.: Reza a lenda que a história de alguma maneira aconteceu. Para outra versão, Tangerine