Beijo e provo o gosto dos outros. Olho para os lados, topo com o cotidiano. Leio e me ocupo de pensamentos alheios. Busco no rádio um ritmo distinto. Tateio a pele para despertar sentidos. Na bagunça do quarto, na pilha de livros, nas chamadas do telefone, entre abraços, pelas fotos do mural, nas horas do trabalho, por trás da fumaça que passa pelo computador, tudo está para ser feito e falta tempo. A cabeça gira, o relógio acelera e o sono chama. Pílulas aliviam as sensações. O corpo pede cuidado e repouso. O apartamento vira o mundo, e ainda assim temo perder o caminho de volta.
Mas a estação mudou há dias e já é primavera.
Hora de desabrochar.
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