A chuva é minha amiga

26.10.09


Nesta cidade, pode fazer frio ou calor, pode sair o sol ou fechar o tempo, pode ter neblina e névoa, que tudo sempre acaba em chuva. No fim da tarde ou no meio da madrugada, tem chuva. Não são raros os dias em que amanhece chovendo. Os bueiros entopem, o asfalto impermeabilizou o solo e, como consequência, alaga. Inunda. Rios se formam nas calçadas. Carros ficam horas parados no trânsito. Muita gente perde o pouco que tem....Outros muitos perdem apenas a paciência.

Mas preciso dizer, eu gosto. Dormir com o som da água batendo no asfalto, trabalhar olhando pro céu cinza. Gosto da chuva, simplesmente - com um pouquinho de vergonha, mas gosto...

posted by Simone Iwasso | 05:10 | 1 Comentário | #Link

Imagens soltas fazem um filme

12.10.09




O Bruno é daquelas pessoas que a cada encontro te dizem alguma coisa interessante. Uma frase, uma história, uma percepção. Alguma coisa que viu ou leu ou pensou. E é sempre legal. E agora ele faz vídeos também. Esse aí de cima deixou meu domingo mais bonito. Uma inspiração Wong Kar-wai na cidade de São Paulo.

posted by Simone Iwasso | 10:10 | 1 Comentário | #Link

Cada passo é uma escolha que se deixa para trás



Ela teve um pesadelo naquela noite - e os cachorros do vizinho uivaram por toda a madrugada. A cafeteira fez café frio e, já na porta, diante da chuva, percebeu que tinha esquecido o guarda-chuva no trabalho. A caixa de email só tinha spams. Os jornais não traziam nenhuma notícia que a interessasse. A conta bancária chegava no vermelho e ainda tinha contas a pagar, como sempre. As horas se arrastavam e nada de interessante a distraía. Mesmo assim, ela deu seus passos com firmeza e segurança durante todo o dia. Feliz e satisfeita. Sapatos novos, reluzentes e altivos, fazem qualquer mulher redesenhar seus passos - e ter um dia bem mais feliz.

posted by Simone Iwasso | 09:10 | Comentários | #Link

Reedição - pra quem está chegando...

07.10.09

Ela faz aquela cara de interrogação e dispara: O que eu faço agora?
Fico sem saber o que dizer, até que, por fim, solto: Não faz nada.

É isso. Não faz nada (será que a resposta é pra ela ou pra mim mesma?).

Ou melhor, faz só as pequenas coisas. As mínimas, mais simples, aquelas menos pensadas. Fica cinco minutos debaixo do sol pela manhã. Toma um banho demorado. Passa o melhor hidratante. Prepara uma salada de frutas. Compra uma cerveja bem gelada. Escuta sua música preferida infinitas vezes. Dança sozinha na sala. Liga para um amigo querido. Corre no parque. Dorme a manhã inteira. Foge pra praia. Arruma a casa e limpa as gavetas. Trabalha direito. Espera o dia nascer pra depois sonhar acordada - cinco minutos tá bom, que o exagero estraga.

Somente o necessário pro dia correr, pra pulsão existir. Sem grandes decisões, a maré vai mudando. Até que te leva pra outra praia - quem sabe, dessa vez, aquela que será definitivamente a sua.

posted by Simone Iwasso | 02:10 | 2 Comentários | #Link

Keep calm and carry on

30.09.09


Em 1939, em plena Segunda Guerra Mundial e com a iminência de um ataque nazista à Grã-Bretanha, o governo britânico mandou fazer esses posteres e distribuir entre a população. No entanto, eles nunca chegaram a ser usados oficialmente e ficaram perdidos por cerca de 50 anos. A historinha completa está aqui.

Quem quiser fazer um quadrinho próprio, tem download aqui.


Em tempo, é a minha vida que anda sendo bombardeada. Por isso a lembrança....

posted by Simone Iwasso | 07:09 | 2 Comentários | #Link

A verdadeira democratização da internet - e o direito a ter voz

22.09.09

A Tereza é diarista, tem 52 anos, mora em São Paulo, mas nasceu no sertão da Bahia. Ela tem duas filhas, ficou casada por muitos anos, mas agora, como ela mesmo diz, "se libertou". A Tereza estudou só até a 4ªsérie e gosta de escrever - do jeito dela, com os tropeços e erros de quem teve pouco acesso ao ensino e à gramática formal. Entre as várias histórias da Tereza, e ela tem muitas (conheço ela), a mais legal é que ela juntou dinheiro, comprou um computador e agora, com ajuda da filha, abriu um blog, o Histórias da Minha Vida.

Eu me emocionei quando li os posts dela - nem tanto pelo que ela conta, que também emociona, nem tanto pela maneira como escreve, bastante honesta e direta, mas pela voz que ela está tendo, e pela primeira vez. Aqui, na internet, o blog dela é mais um entre tantos - tem o blog do presidente, tem o dos escritores, dos jornalistas, dos jovens mimados, dos fãs de música, dos comentaristas, das fascinadas por moda, emagrecimento, enfim, tem tudo. E tem o dela também, do mesmo jeito, numa página de mesmo tamanho, visível pra quem quiser ler.

Me lembrou, à primeira vista, o livro Quarto de Despejo, que reúne trechos do diário de Carolina de Jesus (1914-1977), uma mulher bonita e batalhadora, que morava numa favela em São Paulo e trabalhava para sustentar três filhos. Li esse livro quando era criança, e chorei tanto, mas tanto ao ver a dicrepância entre mundo e dores...


Voltando à Tereza, seu blog me fez pensar em como o exercício da palavra é importante, como contar nossas próprias histórias pode, além de levar outras vozes pro mundo, nos fazer muito bem. Histórias longas ou curtas, simples ou complexas, cotidianas e repetitivas, a cada vez que são contadas se tornam únicas.

posted by Simone Iwasso | 08:09 | 3 Comentários | #Link

Que tudo demore mais, ou quase tudo

15.09.09

Percebi há um tempo que comecei a digitar mais rápido, a comer mais rápido, a andar mais rápido, a ler mais rápido, a cozinhar em menos tempo, a tomar banhos mais curtos e até mesmo a pegar no sono num piscar de olhos, literalmente. As notícias são todas lidas, os sites consultados, os blogs de leitura obrigatória. O celular está sempre ligado do meu lado, os emails são checados constantemente e até mesmo os perfis dos facebooks, linkedlin e twitter da vida - que eu não gosto, mas frequento por obrigação, acho - merecem uma olhada de tempos em tempos (tempos rápidos, diga-se de passagem).

Talvez venha daí essa sensação de saturação, de cansaço, de falta de paciência. Talvez venha daí essa ansiedade implacável, que quer tudo para ontem, que não sabe esperar, que se angustia com facilidade. Esse medo de estar desatualizado, de perder alguma coisa, de deixar passar algo importante, inusitado e único.

Mas aí é que está o erro. Querendo abraçar tudo, achando que tantas bobagens que me rodeiam merecem minha atenção, o mais precioso que tenho perdido é o tempo - o meu tempo, o tempo para mim, para o que vale a pena na vida. Preparar uma comida com calma, comer sem pressa, tomar banho demorado, folhear uma revista tranquilamente, fazer a unha pensando em nada. Dormir com prazer. Ler com prazer. Amar com prazer.


Eu adoro computadores e tecnologia - mas a vida de verdade não está dentro deles, mas dentro de cada um de nós.

posted by Simone Iwasso | 03:09 | 8 Comentários | #Link

Quando é melhor calar

10.09.09


Queria cantar com você. Mas não sei se tenho melodias dentro de mim, sei apenas das palavras...

"Amar é mais arriscado que desbravar a natureza selvagem" - texto maravilhoso da Eliane Brum

posted by Simone Iwasso | 06:09 | Comentários | #Link

Todo dia o sol se põe

04.09.09

Quando a chuva toma a cidade, ela fica com os pés frios e uma vontade incontrolável de tomar chá - chá de avó, de erva-cidreira, hortelã, maçã com canela. Ou então de assar bolos - bolo de fubá, de chocolate, de cenoura com cobertura. Mas, antes de tudo, ela precisa trabalhar. Tomar banho, secar o cabelo, passar batom e se vestir. Sair na rua, cumprimentar as pessoas, enfrentar o trânsito. Ligar o computador e se dedicar a alguma coisa, qualquer coisa - menos aquela que ela realmente queria. A vantagem, é que amanhã é outro dia...

posted by Simone Iwasso | 02:09 | 3 Comentários | #Link

Eppur si muove

29.08.09

O passado nos passa rasteiras quando estamos distraídos. Deve ser para lembrarmos de tudo o que já foi e de tudo o que poderá ainda ser....

posted by Simone Iwasso | 09:08 | 3 Comentários | #Link

Para parar, respirar e recomeçar....

25.08.09

posted by Simone Iwasso | 03:08 | 1 Comentário | #Link

Amélia é que era mulher de verdade...

20.08.09


Balcão do bar, fim de tarde, um homem olha pro outro e solta:

- É, mulher não presta mesmo. A do meu irmão é que era boa. Sempre deu inveja. Só tinha boca pra comer e dar risada...

posted by Simone Iwasso | 08:08 | Comentários | #Link

Os mitos sobre a gripe suína

17.08.09

Não tem a ver com o blog, mas aqui vai um texto meu publicado no domingo no Estadão. Estou postando mais porque acho que pode ajudar um monte de gente que, quando recebe um desses emails sobre gripe suína, fica oscilando entre descartar e acreditar. Na dúvida, a mentira é sempre criativa.

Primeira pandemia declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após o uso disseminado da internet, a gripe suína tem sido alvo de falsas informações divulgadas por e-mail, sites, blogs e comunidades virtuais. Textos apócrifos que estão circulando na rede apontam, por exemplo, que, de cada 3 infectados, 2 morrem – e que hospitais e operadoras de saúde recebem ofícios do governo para não divulgar os números verdadeiros.

Além de mortes de médicos relatadas por meio de conversas virtuais – com base em informações falsas –, há os que dizem que ingerir chá de erva-doce, duas vezes por dia, previne a contaminação. Ninguém sabe de onde esses textos vêm nem quem os escreveu. Mesmo assim, há quem acredite nos boatos. E, com a velocidade da internet, o que é boato em um dia vira pânico no dia seguinte.

“Recebi um e-mail que reproduzia um diálogo entre duas pessoas, que diziam que os médicos não sabiam o que fazer a partir do quinto dia da doença e que colocavam as pessoas em coma induzido para amenizar o sofrimento. Parecia tão real que acreditei”, conta o advogado Alex Paes de Lima, de 32 anos. “Você não sabe em quem acreditar nessas horas.”

O e-mail em questão traçava um quadro de filme de ficção científica e vinha assinado por uma suposta médica que colocava, até mesmo, um número de celular e um telefone fixo – todos eles falsos. O nome em questão não consta do cadastro do Conselho Federal de Medicina e os telefones não existem.

“A internet reproduz o mundo da rua, só que sem as distâncias do território e em tempo real”, analisa o sociólogo especializado em mídias digitais Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Faculdade Cásper Líbero. Ou seja, boatos, mitos e informações desencontradas não nascem na internet, apenas se reproduzem nela de maneira veloz. Além disso, essas correntes dão um termômetro do nível de informação que a população tem sobre determinado assunto – no caso, a gripe suína.

“A internet permite que as pessoas tenham acesso a informações de todo tipo, verdadeiras ou falsas. Por isso, autoridades precisam ser mais claras e didáticas na hora de divulgar informações, coisa que não estão acostumadas”, completa.

Nessa linha, de tanto receber e-mails que falavam em mortes não divulgadas, o governo do Estado do Paraná criou um site só sobre gripe suína, para informar mais sobre a doença. Lá, em uma das sessões, estão os mitos e verdades.

“Qualquer nova informação desestabiliza a forma de pensar da sociedade. Um alerta do governo sobre gripe, uma coisa que as pessoas estão acostumadas a conviver, cria uma paranoia dirigida”, explica o psicanalista Jorge Forbes, presidente do Instituto de Psicanálise Lacaniana. “O que você achava normal, passa a ser ameaça.” O problema, segundo Forbes, está na maneira como dados são apresentados. “Você fica contando mortos, todos os dias se divulga isso sem muito contexto. Os governos dão mensagens contraditórias, um mandando fechar escola, outro dizendo que ela pode funcionar. Isso dá margem para os apavorados de plantão.”

Desse modo, as pessoas seguem reproduzindo informações como a que diz que o vírus A(H1N1) teria sido produzido em laboratório para as indústrias ganharem mais dinheiro ou que todos os leitos de UTI de todos os hospitais estariam ocupados apenas por doentes da gripe suína. Além disso, em parte das mensagens de pânico que circulam na internet há, por trás, um medo de uma engenharia genética perigosa, como o que diz que a vacina contra a doença seria letal ao ser humano.


“Isso gera muita ansiedade e faz com que as pessoas pensem que estão diante de uma coisa que nunca existiu. É o caso do medo da biotecnologia, do que é feito em laboratório”, resume Luiz Fernando Lima Reis, diretor de pesquisa do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. “É preciso mostrar dados epidemiológicos, contextualizá-los e explicar que mutação de vírus sempre acontece. O segredo para combater a desinformação é insistir na informação.”

posted by Simone Iwasso | 02:08 | 4 Comentários | #Link

Decorar a casa é organizar um refúgio

07.08.09


Decoração pode ser mais do que estética, vaidade ou obrigação social -exceto para aquelas pessoas que contratam decoradores que deixam suas casas com cara de qualquer coisa, menos delas mesmas (desconfio de gente assim...). Eu to falando aqui de realmente se importar com o que entra na sua casa, como é colocado, com quais cores, quais formatos, quais combinações. Escolher sofá, cadeira, luminária, lençol, cortina, quadros, pratos é definir o cenário de boa parte de uma vida - cenário geralmente mutante, como as vidas costumam ser. Não deixa de ser, também, uma exteriorização, por meio de objetos, de um universo íntimo.

Além disso, decoração não precisa ser cara - claro que há cadeiras maravilhosas, mesas sedutoras e uma infinidade de peças assinadas e extremamente caras. Mas, quando a grana tá curta, como quase sempre, dá também pra ser feliz e organizar seu próprio refúgio. O último alerta que tive sobre isso veio do blog A partir de 1,99 - uma fonte de inspiração muito bacana, como dá pra perceber na foto aí em cima.


É isso, a autora do blog tá super certa. Tem coisas delicadas e decorativas em todo lugar, basta estar com o olhar atento para percebê-las - não é muito diferente, por exemplo, de amores e afins. Tudo depende, em última instância, do nosso próprio olhar.

posted by Simone Iwasso | 07:08 | 3 Comentários | #Link

O infinito é azul e prateado

31.07.09



Ela estava sozinha ao pé do mar. E queria cantar para que cada peixe lá embaixo parasse para ouvir. Um sonho de infância, talvez um traço megalomaníaco, uma bobeira como tantas outras. Começou a abrir bem a boca, a soltar sua voz aguda e limpa. As ondas continuaram chegando, naquele embalo que inspira entrega e calma; a luz do sul seguiu espalhando seus reflexos prateados; Os peixes lá embaixo até ouviram, pararam por uns minutinhos para ver de onde vinha a melodia, mas se distraíram rapidamente e esqueceram a música. Ela percebeu. E ficou triste. E nunca mais quis olhar para o mar.

posted by Simone Iwasso | 03:07 | 3 Comentários | #Link


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