Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%.
O banner da promoção ainda não está pronto, mas já adianto aqui: até o final do ano, meu romance "Mulher de Um Homem Só" está sendo vendido a preço de custo, para estimular a literatura independente como presente de natal. O preço antigo era R$34,40, com frete incluído. De agora até final do ano, o novo preço é:
1 é R$25
2 é R$45
3 é R$60
(com frete incluído)
Compre agora, receba em até cinco dias úteis e seja um patrono da literatura independente no Brasil. Ou clique aqui para compras internacionais via Paypal.
Você mesmo preenche o valor do preço. Fique à vontade para pagar um pouco a mais, se quiser: a casa aceita e estimula as gorjetas. O livro está sendo vendido a preço de custo, então, se não for fazer falta no leitinho das crianças, seja generoso.
* * *
Meu romance "Mulher de Um Homem Só", narrado por uma mulher, é minha humilde tentativa de entrar na cabeça de uma mulher, de falar como mulher, de ser mulher um pouquinho. Se esse assunto lhe interessa, se ficou curioso ou instigado, dê uma olhada e descubra se fui uma mulher convincente.
Algumas mulheres que gostaram: Alessandra Bonrruquer, Paula Lee, Mary W, Marina W, Ju Dacoregio, Isabella Ianelli, Fernanda França, Re Alves.
Para ler essas e outras resenhas, comentários e reações ao livro, visite a Seção Mulher de Um Homem Só.
* * *
Três entrevistas minhas, sobre esse livro e sobre literatura de modo geral:
- Quanto Vale ou É por Quilo - Revista Bula
- Alex Castro: Um blogueiro liberal, libertário e libertino - Global Voices Online
- Alex Castro: Escritor e Mindfucker - Portal Literal
* * *
Para quem gosta de folhear e cheirar, o romance pode ser comprado nas seguintes livrarias do Rio e de São Paulo:
São Paulo
- HQMix (livreiro Gualberto)
Pç Roosevelt, 142 (11-3258-7740)
Rio de Janeiro
Argumento do Leblon (livreira Ana)
Dias Ferreira, 417, Leblon (21-2239-5294)
Berinjela (livreiro Daniel)
Rio Branco, 185, lj 10, Centro (21-2215-3528)
Dona Laura Livraria (livreiro Philippe)
Vieira Souto, 176, Ipanema (21 2522 8362)
Baratos da Ribeiro (livreiro Maurício)
Barata Ribeiro, 354, lj D, Copacabana (21 2549 3850)
* * *
Se você ainda está em dúvida se vale a pena, "Mulher de um Homem Só" também pode ser lido e folheado pelo Google Books. Mas só 50%, viu? Pra ler o resto, só comprando.
* * *
Finalmente, deixe de fazer doce e compre:
Email que acabei de receber sobre meu conto A Morte do Meu Cachorro:
Mês passado estive em Buenos Aires, daí vejo a placa "Callao" e imediatamente me lembro do diálogo, do conto, a garota corrigindo a pronúncia de "Callao". Fiquei ali imaginando em qual daqueles cafés eles teriam se sentado. Acabei de reler o conto, gosto muito desse conto... ele me dá um certo desconforto, mas ao mesmo tempo é uma coisa boa, bonita.
A Morte do Meu Cachorro faz parte do meu livro de contos Onde Perdemos Tudo.
Uma caminhada pelas ruas de Buenos Aires revela questões sobre amizade homem e mulher, as armadilhas da memória e as dores do começo da idade adulta.
Considero a melhor coisa que já escrevi. Sobre esse conto, eis o que disse o escritor Miguel Sanches Neto:
O conto mais bem realizado ... é o primeiro "A morte de meu cachorro". História de um momento em que um casal se separa, e cada um vai cuidar de sua vida. A velhice e a solidão são atingidas quando o narrador não é reconhecido por uma alma gêmea, obrigando-se a conviver com experiências que não são mais plenamente compartilháveis. Esse esvaziamento se dá num cenário que deveria ser palco de um reencontro. A amiga muda-se para Buenos Aires, o narrador segue para visitá-la, tentando vencer a distância espacial, que cumpre seu papel: "Lendo cada um sua seção do Clarín, Fiona e eu padecíamos de um silêncio ainda mais cancerígeno [sic]: o silêncio de quem tem muito a dizer, mas prefere calar; o silêncio da conveniência. Pra que discutir? Emudecer poupa dores-de-cabeça, explicações, embaraços. Sobra o nada". Esta elevação do silêncio a uma categoria cancerígena revela a forma dramática de representar alguns episódios. O conto não segue um fluxo narrativo contínuo, trabalha com flash-back e janelas, que são abertas para esclare cer coisas ou resumir passagens.
E na opinião do escritor Furio Lonza:
[A Morte do Meu Cachorro] é brilhante. Narração de primeira linha. É um blues na temática (pois todo blues conta a história de uma perda) e abarrocado na sua forma, com as codas lambendo delicadamente cada parágrafo, a espasmos, acrescentando informações e apagando outras, vai pra frente & pra trás com uma desenvoltura de gente grande. São lambidas de gato, portanto. O tema da perda de uma amizade, aliás, se não me engano, é novo na literatura brasileira (não me lembro de outro). O estilo é maduro, adulto, sem que o distanciamento interfira no mergulho. Ele estraçalha o sentimento, vai fundo, tem Machado na parada, no sentido de esmiuçar até a exaustão cada milímetro da situação. (...) Intocável, perfeito.
Sobre o livro, disse a divina Fal
que é uma das coisas mais lindas que eu já li na vida, assim, em todos os tempos.
Agora é a sua vez. Leia esse trecho e me diga:
Só a teimosia ainda me impele: presumir que eu seria capaz de escrever sobre Fiona foi uma temeridade, um desvario de velho carente. Não ando mais pelo Largo da Carioca; da próxima vez, faço um desvio pela Sete de Setembro.
Fiquei sem graça sim, é verdade - talvez a única verdade dita até agora. Houve um quinto sorriso, tão completo e tão sincero quanto o anterior. Sorriso também de corpo inteiro e todo meu. A história então, sob escrutínio, se esfacela:
Fiona me dá um aperto de mão mais caloroso, me fita com seus olhos incandescentes e sorri, fogosa:
- É muito bom mesmo você estar aqui comigo! - Estoura ela.
O sorriso, entretanto, não morre. Não, meus amigos, o sorriso continua lá. Gostaria de poder afirmar que ele permanecia congelado em seu rosto, mas naquele momento não havia nada congelado em Fiona: ela estava em ebulição, faiscando. Sejamos sinceros: seu corpo inteiro sorria pra mim.
Quem não suportou o calor fui eu: fracassei em gerir tamanho sorriso e cedi ante a pressão do seu carinho. Fiona me derrubou com uma erupção de amor.
Percebo agora o quão piedosa era a minha falecida versão conveniente dos fatos: eu não sabia o que fazer, não sabia em que buraco me enfiar. De que maneira poderia me defender daquela salva maciça de paixão sendo arremetida contra mim? O tal sorriso de corpo inteiro - há pouco desejado - era um fardo incômodo do qual eu precisava me livrar. Sem meios de corresponder aos sentimentos que Fiona disparava, eu ia fraquejando sob sua força.
Desse modo, e muito à revelia, preencho a lacuna do café-da-manhã: eu peguei o Clarín, eu comecei a ler, eu puxei o primeiro cigarro. Pobre Fiona, inocente ao menos dessas acusações, só fez tirar o jornal de seu colo e depositá-lo sobre a mesa. Vagarosamente, com mãos de relojoeiro.
O Clarín seria minha salvação, decidi, aliviado, e peguei um caderno qualquer do jornal. E enquanto eu abria as folhas, bloqueando minha visão de Fiona, tive um último relance de seu rosto. Ela sorria. Ainda.
Inexpugnável em meu refúgio de papel, não sei por mais quanto tempo Fiona sorriu. Por fim, deve ter desistido: afirmou um suspiro, acendeu um cigarro e escolheu uma parte do jornal pra ler. As facturas e os cortaditos, quando vieram, foram consumidos em silêncio.
Onde Perdemos Tudo, meu primeiro livro de contos, lançado diretamente na internet. São 5 contos, em 120 páginas, sobre o tema comum de perda.
O ebook, em formato pdf, custa R$10 e pode ser adquirido através do site d'Os Vira-Lata, que aceita todos os cartões de crédito, alguns de débito, depósito em conta e faz até boleto. Tudo pro negócio rolar. Você paga e, assim que cair o pagamento, eu te envio o livro por email.
Pra vocês sentirem o gostinho, dois dos contos estão online:
De Portas Abertas
Quando Morrem os Pêssegos
Ficou curioso? Instigado? Pô, dez reáu é uma merreca, vale a pena arriscar. Deixe de comprar uma bananada e torne-se acionista da novíssima literatura brasileira.
* * *
Em 2010, devo lançar Onde Perdemos Tudo em forma de livro impresso, no mesmo molde de Mulher de Um Homem Só. Quem tiver comprado o ebook, vai poder comprar o livro por preço de custo.
Em Busca do Povo Brasileiro. Artistas da Revolução, do CPC à Era da TV (2000), de Marcelo Ridenti, traça um quadro dos movimentos culturais e políticos de esquerda das décadas de 60 e 70, e de suas tentativas de resolver o problema da identidade nacional e política do povo brasileiro (Ridenti, 11).
Ao ler uma narrativa tão apaixonada da efervescência cultural em torno desses engajados movimentos, dos CPCs à UNE Volante, do Teatro de Arena ao Cinema Novo, o leitor pode ser levado a pensar que essas tendências, escolas e grupos estavam tomando a nação de assalto, repercutindo profundamente tanto no povo quanto na classe média, ditando os rumos da cultura brasileira.
Entretanto, embora seja esse o tom do livro - de praticamente confundir cultura intelectual engajada de esquerda com a cultura brasileira de modo geral, como se não houvesse cultura independente, cultura popular ou mesmo cultura de direita - aqui e ali o autor deixa entrever que talvez esses artistas intelectuais de esquerda que ele vê com tanta simpatia não estivessem tão sintonizados assim com o resto da nação:
"O fim do sonho revolucionário brasileiro, com a vitória dos golpistas, sem encontrar resistência, causou surpresa, devido à mobilização popular em busca das reformas estruturais no pré-1964, com a presença cultural e política marcante das esquerdas." (Ridenti, 38)
Ora, a falta de resistência ao golpe só é surpreendente pra quem se deixa levar pelo tom do livro e presume que essas aparentemente tão importantes manifestações culturais produzidas por artistas e intelectuais de esquerda da classe média realmente tinham qualquer impacto sobre a sociedade em geral, sobre o povo, sobre as elites, até mesmo sobre a própria classe média que as produziu.
Muito pelo contrário, pregando radicalismo político, ideológico e revolucionário e produzindo arte cada vez mais vanguardista, esotérica e hermética, esses artistas quase que garantiam que sua arte praticamente só poderia ser consumida e compreendida dentro do próprio grupo que a produziu, por pessoas que tinham os mesmos referenciais sóciopolíticos e o mesmo instrumental teórico-ideológico. Quem, além de um poeta concretista de vanguarda, consegue entender poesia concreta de vanguarda? Com certeza, não um cansado lavrador depois de ser explorado o dia todo na lavoura.
Enquanto pensavam estar fazendo a "mobilização popular em busca das reformas estruturais" e tendo "presença cultural e política marcante", esses movimentos intelectuais vanguardistas de esquerda estavam, na verdade, falando sozinhos. Não conseguiram atingir o povo. Não tinham o apoio das elites. Mal dialogavam com a classe média. E, pior, nem tinham noção do seu isolamento político e cultural: só uma total falta de comunicação com o resto da sociedade e uma enorme incapacidade de auto-crítica pode explicar sua surpresa diante da falta de resistência ao golpe.
Ferreira Gullar foi um dos maiores críticos da poesia de vanguarda e um dos mentores do projeto Violão de Rua, que buscou levar a poesia ao povo. Em relação a questão do alcance da arte, Gullar admitiu:
"Nós nem fizemos boa literatura durante o CPC, nem bom teatro, nem atingimos as massas. Então, nós sacrificamos os valores estéticos em nome de uma tarefa política que não se realizou porque era uma coisa inviável." (Citado em Ridenti, 111)
Mais tarde, alguns desses artistas, por falta de opção, acabaram indo trabalhar para os grandes grupos de mídia, Folha de São Paulo, Rede Globo, e descobriram, finalmente, que poderiam utilizar a própria infraestrutura do capitalismo pra veicular sua mensagem anti-capitalista. Entre eles, o comunista histórico, Dias Gomes, que muitos criticaram por escrever para a Rede Globo, mas que afirmou não ter visto opção, pois se não fosse a Globo seria algum outro veículo de esquerda, comandado por um patrão que direita que não compartilhava de suas idéias:
Desde que a Globo não me obrigue a escrever o que não quero escrever, que nunca me obrigou. Sempre foi escrito aquilo que eu propus: se eles aceitaram, bem - muitas vezes não aceitaram e não foi feito. A minha liberdade de pensamento não foi de modo nenhum castrada, desvirtuada. É um problema de você se inserir dentro de um organismo que você sabe que é o inimigo, mas dá um espaço e você pode atingir com ele uma massa imensa de espectadores. Então, não vale a pena? Acho que vale. (Citado em Ridenti, 327)
Dias Gomes comete, diríamos, somente uma imprecisão. Sim, seu pensamento foi castrado e limitado, no sentido de não ter podido ir até onde quis, mas sim, não foi distorcido ou desvirtuado, no sentido de obrigado a fazer algo contra sua vontade. Em um sistema imperfeito, uma novela como O Bem Amado tem um impacto cultural e social que duzentas peças engajadas e herméticas jamais teriam.
Renato Tapajós, cineasta também mencionado por Ridenti, percebeu isso ao comparar a audiência de um documentário sobre as greves do ABC, extremamente engajado e muito bem-sucedido, contra a audiência de um programa banal do Globo Repórter, também dirigido por ele, sobre animais peçonhentos: "a gente tá fazendo filme pra 250 mil pessoas e os caras aqui tem 35 milhões numa noite." (Citado em Ridenti, 326)
Por fim, Ferreira Gullar tenta mostrar que, apesar de mediado pela Rede Globo, quem acaba mandando na programação é o povo: "A TV Globo só pensa em ganhar dinheiro. (...) Quem manda indiretamente é o povo. A novela está no ar, caiu a audiência, muda o rumo da novela. Quem manda é o espectador." (Citado em Ridenti, 332)
De certo modo, através do inimigo (nesse caso, a Rede Globo), encenou-se uma alternativa a um dos grandes problemas da arte engajada de esquerda nas décadas de 60 e 70. Uma novela como O Bem-Amado ou um filme não-hermético como O Pagador de Promesas tem uma possibilidade de impacto social, de mudança efetiva das estruturas, de aumento da conscientização política do espectador, infinitamente maior, por exemplo, do que um filme engajado e político como Terra em Transe, assistido por poucos, entendido por pouquíssimos, e todos esses, quase que sem exceção, intelectuais de esquerda classe média que já chegavam convertidos aos cinema.
* * *
Lá no meu twitter, tem mais: http://twitter.com/AlexCastroLLL
Meu irmão Luiz Biajoni, autor de Sexo Anal e Buceta e um dos melhores escritores brasileiros em atividade, está adaptando para romance o roteiro do filme "Elvis e Madona", de Marcelo Lafitte, sobre o caso de amor entre uma travesti e uma lésbica. Como o Biajoni é um caipira do interior de São Paulo e a história se passa em Copacabana, estou ajudando a cariocar o enredo.
Um dia, se o mundo for um lugar justo e louco, assim como publicaram recentemente os manuscritos originais do On the Road, também publicarão o primeiro rascunho do romance Elvis e Madona escrito em paulistês e minhas anotações sacaneando o Bia e passando tudo pra carioquês, trocando as coxinhas por joelhos, as sucarias por casas de suco, os periferias por baixadas, as minas por gatas ("no rio, dá pena de morte falar mina sem ser no contexto estrito de mineração"), um motel no Leblon por outro em Botafogo e, mais importante, eliminando uma hilária menção às "esquinas da Barra da Tijuca".
Devíamos publicar uma edição limitada pela Os Vira-Lata e vender por uma fortuna. Valeria a pena.
* * *
Com vocês, em primeiríssima mão, um dos meus trechos preferidos, sobre o day after da primeira transa.
Primeiro, o travesti Madona:
Madona acordou com uma sensação de nunca. Respirou fundo primeiro, quase antes de abrir os olhos. Invocou alguns santos, vasculhou a mente atrás de alguma reza braba, fez figa cerebral para que tudo aquilo que estava ali bem vívido na memória não passasse de sonho. Sim, em breve tudo se desvaneceria, aquele sonho que lhe fizera o terror e o deleite durante a madrugada. Sonho ou pesadelo? Deleite ou delírio cruel? Abriu os olhos, temor fugidio, segundo suspiro, era real! Ela estava no sofá, sem roupas e com o pau melado. O pau! Ela pensou assim mesmo: “estou com o pau melado”. Teve um susto arrepiante quando usou a palavra “pau” para tratar de seu próprio membro – há trinta anos só o chamava de “pirulitinho”!
E, agora, a lésbica Elvis:
Enquanto trotava; a câmera pendurada no pescoço, balançando; o sol batendo já na cara; os olhos ainda meio remelentos; a boca seca, sem café ou escova; os cabelos desgrenhados; os pensamentos indesejados brotando rápido, era aquilo que tinha na mente, aquilo tudo que tinha acontecido.
Ela tinha transado. Com. Um. Homem. Quer dizer, não era exatamente um homem, mas... era! Tecnicamente, era. Ela gostava de mulheres, sempre gostou, desde os doze anos quando beijou um menino e vomitou. Desde o dia quando deu carona para a Julinha, a menina mais bonita do colégio, elas tinham catorze ou quinze anos e bastou o contato dos peitos da menina nas suas costas, as pernas abertas raspando o sexo na calcinha, enquanto a mobilete trepidava pelas ruas de paralelepípedos de Poços, para que ela gozasse e quase levasse as duas para o asfalto.
E, agora, resolvida e trintona, ela tinha tido uma relação sexual com um homem. Ela tinha sido penetrada por um pau de verdade! Não era um consolo, não era um vibrador manipulado por uma gata peituda e gostosa: era um pau com um saco e um cara junto.
Não é lindo? Estava com uma amiga aqui em casa, li alto pra ela e também adorou. Alguém mais poderia ter escrito esses trechos? Depois de somente três livros, o Biajoni já tem um estilo tão próprio que os parágrafos acima só podem pertencer a ele, e a mais ninguém. São inconfundíveis.
* * *
Outra coisa: o Bia exigiu liberdade completa na novelização do roteiro e, obviamente, o louco mudou tudo. O romance vai ser uma coisa e o filme outra, partindo das mesmas premissas e com os mesmos personagens, mas indo em direções completamente biajônicas. Escreveu o Bia no MSN:
vinguei todos os autores que reclamam que os diretores mudam os livros!
* * *
Com vocês, o trailer do filme, estourando nas telas do Brasil em breve:
Compre os livros do Biajoni:
* * *
http://twitter.com/AlexCastroLLL
Está rolando outra daquelas promoções bem legais do Submarino. O Dicionário Houaiss, por exemplo, de R$405 por R$69 e a coleção Twilight, de R$250 por R$99, mas tem muito mais coisa legal também. Larousse do Vinho, de R$145 por R$39, Paidéia, de R$111 por R$30, e por aí vai. Depois vocês me agradecem.
Muito, muito medo dessa entrevista de Demétrio Magnoli ao Programa Milênio, da GloboNews, promovendo seu novo livro Uma Gota de Sangue: História do Pensamento Racial.
Ele se diz sociólogo mas, de ouvi-lo falar, o homem não parece ter cursado nem Sociologia I. Eu quase diria que ele dá um verniz acadêmico a muitos dos mais comuns preconceitos raciais brasileiros, mas ele não soa nada acadêmico. Em termos de raciocínio e discurso, ele é muito, muito pior do que o Ali Kamel - tem apenas menos poder. Chegou a me dar calafrios de nojo em alguns momentos.
* * *
Palmas para a repórter Elizabeth Carvalho que, ao mesmo tempo em que cumpriu seu papel de entrevistadora e deixou o homem falou, também fez questão de marcar suas posições e fazer as perguntas difíceis: quando leu o trecho do discurso do Presidente americano Lyndon Johnson, eu quase quis aplaudir.
Abaixo, os meus trechos preferidos do discurso "To Fulfill These Rights", de Johnson:
Mas liberdade não é o bastante. Você não limpa as cicatrizes de séculos dizendo: ‘Agora você está livre para ir a onde quiser, fazer o que deseja e escolher os líderes que achar melhor’.
Você não transforma um homem que por anos ficou acorrentado, libertando-o, e levando-o ao início da linha de corrida, dizendo: ‘Você está livre para competir com todos os outros’, e ainda assim realmente acreditar que você está sendo completamente justo.
Assim, isto não é o suficiente para abrir os portões da oportunidade. Todos os nossos cidadãos devem ter a capacidade de atravessar estes portões.
* * *
Freedom is not enough. You do not wipe away the scars of centuries by saying: Now you are free to go where you want, and do as you desire, and choose the leaders you please.
You do not take a person who, for years, has been hobbled by chains and liberate him, bring him up to the starting line of a race and then say, "you are free to compete with all the others," and still justly believe that you have been completely fair.
Thus it is not enough just to open the gates of opportunity. All our citizens must have the ability to walk through those gates. ...
Much of the Negro community is buried under a blanket of history and circumstance. It is not a lasting solution to lift just one corner of that blanket. We must stand on all sides and we must raise the entire cover if we are to liberate our fellow citizens.
Sobre o discurso "To Fulfill These Rights"
- Texto completo
- Gravação original em formato real audio
- Meu post: Livre Concorrência e Ação Afirmativa 
* * *
Sobre Demétrio Magnoli
- Outros livros de Demétrio Magnoli
- A polêmica entre Demétrio Magnoli e Kabengele Munanga
* * *
Veja todos os posts sobre Raça do LLL e acompanhe a conversa, assinando o RSS dos comentários. Para divulgar toda a série, use esse link ou o botão ao lado.
A leitora Carol não gostou das generalizações do meu texto:
Eu gosto do jeito que você argumenta, mas acho complicado você fazer algumas conclusões generalizantes sem aprofundar o contexto. Pode ser que, porque eu pense de forma bastante fundada em dados (pela minha própria formação), mas pode ser também que você extrapole algumas conclusões sem o devido contexto.
Se assistirem um filme de mistério buscando por piadas, pode até ser que encontrem uma ou outra, mas provavelmente vão sair frustrados. Mais importante, a busca pelas piadas que o filme não se propôs fazer vai distraí-los do suspense que o filme de fato oferece. Os textos do LLL não são científicos. Todos os exemplos são meramente ilustrativos e não sugerem ou implicam extrapolações exaustivas que esgotem outras possibilidades. Se os textos têm algum valor, vocês não vão encontrá-lo buscando por coisas que os textos não se propuseram oferecer.
Não é possível produzir nenhuma forma de conhecimento sem generalizações. Tenho um conhecido que considerava cada fato, cada objeto, cada ser vivo, na sua mais absoluta especificidade, mas na prática, isso tornava-o incapaz do mais simples raciocínio.
Na preguiça de escrever mais sobre isso (sabe como é, todo carioca é preguiçoso), cito o texto de um colega paulista (sabe como é, esse povo trabalhador que sustenta o Brasil):
Um grande momento na vida de uma pessoa de inteligência mediana acontece quando ela descobre que generalizações não cobrem todos os casos específicos. A excitação causada por essa descoberta e o prazer inocente em simplesmente pensar na existência de exceções o deixa incapaz, durante algumas décadas, de entender generalizações simples - de tal forma que se alguém disser que "a maior parte das mulheres chamadas Joana são morenas", ele é capaz de levantar e dizer de um jeito sabido que conhece uma Joana que não é morena.
Pelo menos pelo que eu vejo em jornais e fóruns na internet, a vida mental de muitas pessoas consiste numa única coisa, numa espécie de cacoete, que é pensar automaticamente em exceções sempre que ouvem uma tentativa de formulação de uma tendência geral. Essas exceções lhes causam tanto prazer que ficam um pouco tontos, um pouco distraídos, talvez, e assumem que a existência dessas exceções nega a tendência geral que acabaram de ouvir.
Eu tinha esquecido que “Mulher De Um Homem Só” era tão bom.
Li o livro há alguns anos. Uns cinco, acho. Foi logo que conheci o Alex, e na época “Mulher de um Homem Só” circulava pela internet livremente. Li, gostei acho que comentei sobre o livro com o Alex.e o livro passou para a galeria daqueles livros que você leu. Talvez o fato de me tornar amigo do Alex tenha contribuído para isso, esse excesso de familiaridade intelectual.
Reli agora, impresso, e fiquei impressionado com o tanto que tinha esquecido. E com o quanto o livro é bom.
“Mulher De Um Homem Só” é um livro maduro, bem pensado. Dentro dos limites da obra, esgota com propriedade as suas possibilidades narrativas.
O livro conta a história da relação entre Carla, a narradora, e a melhor amiga do seu marido, Julia. É um livro carioca sobre o ciúme, narrado do ponto de vista feminino. E é nessa narração que está um dos grandes trunfos do livro. Em Carla, Alex cria uma personagem crível, rica, e explora bem suas possibilidades. É aqui que o Alex demonstra ser um excelente escritor: ele tem perfeito domínio da voz feminina da Carla. É esse o grande segredo do livro.
Durante anos o Alex vem insistindo na questão da onisciência de sua narradora. É a chave para a compreensão de “Mulher de um Homem Só”. Estritamente, essa é uma história que só existe na cabeça de Carla. Alex faz um grande trabalho ao assumir a voz de Carla. Todas as incongruências, todas as incompatibilidades desse discurso são expressos admiravelmente pelo texto do Alex.
Eu gosto de imaginar a Carla como uma mulher de seus 30 anos internada numa clínica de repouso, contando entre um surto e outro de esquizofrenia uma história que mistura realidade e ficção e que não respeita limites de tempo e de espaço.
É também um livro carioca ao extremo, um detalhe de uma classe média alta espremida entre os morros. É outro grande trunfo do livro: embora carioca, está longe daquela “literatura urbana” que deriva imediatamente de Rubem Fonseca e que, nos últimos anos, se tornou praticamente sinônimo de literatura feita naquelas plagas.
Umas poucas coisas me incomodam no livro. Uma delas é um trecho em que Julia dá a entender que décadas se passaram entre os acontecimentos narrados e a narração em si — e então a Carla se mostra como uma mulher que não aprendeu absolutamente nada depois de tanto tempo, algo razoavelmente improvável. Além disso, mesmo admitindo-se que o objeto do fixação de Carla é a Julia, e mesmo entendendo que o personagem é definitivamente filtrado pelo seu olhar — o que é um dos trunfos do livro –, ainda assim Murilo poderia ser construído de maneira mais elaborada. Finalmente, o último parágrafo não apenas me parece abrupto, mas também desnecessário dentro do contexto do livro.
São poucos defeitos para um livro inteiro. O que “Mulher de um Homem Só” prova é que o Alex é exatamente aquilo que ele vem dizendo ser há tanto: um escritor. E um bom escritor.
Resenha de Rafael Galvão, publicada no blog "Rafael Galvão" em 8 de setembro de 2009. Texto Completo aqui.
Está no ar o prefácio do meu romance em andamento "Empregadas & Escravos". Preciso da sua opinião. Olha lá e me diz.
(Infelizmente, o blog é restrito a convidados, pra depois não falarem que queimei esse romance dando ele de graça na internet. Se quiser ver, peça, mas só mostro pra gente conhecida, que tem nome e sobrenome e eu sei quem é.)
E estão rolando umas promoções absurdas. Por exemplo, estou quase comprando essa primeira:

Dicionário Houaiss, de R$405 por R$79

Coleção Tolkien (Hobbit, Silmarillion, Senhor dos Anéis) de R$272 por R$39

Crônicas de Nárnia em Volume Único, de R$93 por R$15

Coleção Asterix (8 álbuns), de R$223 por R$76
Clique no botão abaixo pra ver todas as promoções. Vale a pena dar uma passeada lá dentro. Aparentemente, esses preços só valem pra hoje, mas sei lá. Ninguém me conta nada! Só sei que sua compra ajuda a manter esse blog com a cabeça pra fora d'água, então colabore.
ROCK + TEATRO + LITERATURA
55 autores / 20 horas de programação / 3 endereços
Amanhã, sábado, 19 de setembro, não percam a OFF-BIENAL, promovida pelo sebo Baratos da Ribeiro, um dos melhores do Rio de Janeiro e ponto de venda privilegiado do meu romance Mulher de Um Homem Só.
Às 17h, na própria Baratos, vai rolar lançamento simultâneo de vários livros independentes, entre eles o meu Mulher de Um Homem Só (com o autor in absentia, pois estou nos Estados Unidos) e 120 Horas, O Rubi do Planalto Central e O Véu, do meu amigo Luis Eduardo Matta.
Às 22h, na Lapa, performances literárias com gente do calibre de Allan Sieber, JP Cuenca, Ana Paula Maia e André Dahmer.
Pra adoçar: eu não vou estar lá pessoalmente, mas Mulher de Um Homem Só estará sendo vendido por R$18 - contra R$34 pelo site da Os Vira-Lata.
O SEBO BARATOS DA RIBEIRO & ESPAÇO MULTIFOCO
.
APRESENTAM A SUPERPRODUÇÃO
.
OFF-BIENAL
.
(Porque é de pequeno que se torce as ideias!)
.
ROCK + TEATRO + LITERATURA
55 autores / 20 horas de programação / 3 endereços
.
O Baratos da Ribeiro, sebo que adora um fuzuê, uniu forças à editora e livraria da Lapa, Espaço Multifoco, para oferecer um plano B para quem quiser fazer do seu SÁBADO, DIA 19, uma maratona literária – sem precisar se deslocar para a Bienal dos Livros que acontece naquele distante e ermo lugarejo chamado Barra da Tijuca.
.
Os leitores que resolverem abrir mão do deserto de boas opções que é o entorno do Riocentro terão, além da relação custo benefício do Pavão Azul, em Copa, ou do Botequim da Garrafa, na Lapa, a oportunidade de desfrutar de:
.
- descontos especiais
- contação de histórias
- leitura dramática & esquetes teatrais
- múltiplos lançamentos de livros de novos autores
- shows musicais
- revista cultural feita ao vivo
- primeira festa carioca de lançamento dos livros da Mojo Books
.
OU SEJA:
.
Pegue uma praia, leve as crianças para ouvir contação de histórias no sebo, prove a muqueca de camarão do Pavão, volte para o sebo para conferir a prévia de “Esperando Godot”, conheça um pouco da nova ficção carioca, assista a um show de rock com tempero literário, vá para a Lapa, confira mais um show, outros prosadores de mão cheia, dance ao som dos livros da Mojo Books e estique madrugada adentro na região do Rio onde tradicionalmente tudo acontece.
.
E ATENÇÃO: todos os livros serão oferecidos com descontó sobre o preço original “de capa”. Até o sebo, que já tem preços bem camaradas, dará descontos que irão variar entre 10% e 20%.
.
E um abraço ao pessoal da OFF-FLIP, de Paraty, que tem lutado para oferecer, em paralelo ao evento literário mais bacana desta década, uma oportunidade aos autores do circuito alternativo.
.
# # #
.
.
PROGRAMAÇÃO DIURNA & VESPERTINA
NO SEBO BARATOS DA RIBEIRO, EM COPA - GRATUITA
.
10-13h
Contadores de Histórias Dandara: Wilson Jequitibá, Raquel Botafogo e Alice Botafogo. Destaque para a história de origem africana, “O baú de histórias”, e para a última sessão deste ciclo, voltada para adultos (pois é, também me surpreendi ao descobrir que contação de história não é só pra galera miúda).
.
16h
Leitura dramática do diálogo escrito pela psicanalista Solange Jouvin, em que um jovem Freud encontra Machado de Assis, 2 décadas mais velho. Gilberto Behar e Bernardo Lacomb interpretam os famosos autores.
.
17-19h
Coquetel. Lançamentos múltiplos:
.
S. Lobo (Copacabana)
Fábio Lyra (Menina Infinito)
Mariel Reis (John Fante trabalha no Esquimó)
Estevão Ribeiro (Enquanto ele estava morto, Contos Tristes)
Ana Cristina Rodrigues (Anacrônicas)
Luis Eduardo Matta (120 Horas, O rubi do Planaldo Central, O véu)
Alex Castro (Mulher de um homem só)
Estevão Azevedo (Nunca o nome do menino)
.
+ a turma da literatura vampiresca: Humberto Moura Neto (O vampiro antes de Drácula), Martha Argel (Ficzine, O livro dos contos enfeitiçados, entre outros), Giulia Moon (Ficzine, Luar de Vampiros) e o pessoal da antología “Território V: vampiros em Guerra”.
.
+COLETIVO CLUBE DA LEITURA, apresentando a performance “Modo de Folhear”, em que o público é convidado a defender os contos da antologia lançada este ano e concorre a prêmios do Sebo.
.
19h
Preview da montagem de “Esperando Godot”, que entrará em cartaz no sebo mesmo em outubro. Direção e adaptação do texto de Leonardo Thierry.
.
19:30h
Show da banda Cartas a Julie Marie, banda capitaneada pelo também ficcionista Alex Frechette, de Niterói.
.
.
PROGRAMAÇÃO NOTURNA
.
NO ESPAÇO CULTURAL MULTIFOCO – R$ 10,00, ABATIDOS NA COMPRA DE LIVROS
(na Lapa: Rua Mem de Sá, 126)
.
21h
Lançamentos múltiplos:
.
Nilson Lago (O que é ateísmo nem contém),
Tonho França (Blues à tarde),
Paula Gicovate (Sobre tudo que transborda),
Marla Queiroz (Flores de dentro),
André Calazans (Contos avessos, Fragmentos) e
Renato Amado (O Vale do Rio Preto)
Pedro Matos de Vasconcellos (A Matilha do Cachorro Louco)
Gerson Couto (Hemisfério-Dorso)
.
22h
Oitava edição da Revista ao Vivo do Comportamento Brasileiro DE MODO GERAL
.
Flu (ex-DeFalla, Banda Leme) faz as interferências musicais enquanto o escritor gaúcho Paulo Scott solta o verbo. Além dos colunistas fixos Allan Sieber, JP Cuenca e Rodrigo Penna, o circo pegará fogo com outros malabaristas & ilusionistas da palavra
.
Ana Paula Maia
André Dahmer
Gabriel Pardal
‘Ramon Mello
Manoela Sawitzki
E Ramon Mello
.
+ VideoArte no telão e alto falantes no talo.
Em pauta: “ARTE, LADO B (E SUAS VARIAÇÕES)”
.
.
NO CINE LAPA – R$ 10,00 até 1h
(Rua Men de Sá, ao lado do Asa Branca)
.
23:30h
Lançamentos da MOJO BOOKS
na pista 2 (BACK TO BACK) da festa COLLEGE ROCK. Na pista 1 os DJs Eduardo Mulder, Renato Jukebox e Guzz The Fuzz fazem um duelo entre bandas da “velha” e da novíssima guarda, no especial “The Good, The New & The Old”. A pista do segundo andar contará com os DJs residentes Lepaux e JF e quem dará o tom são os autores da MOJO, que “tocarão” seus livros:Manoel Magalhães (Love is Hell, Ryan Adams)
Rafael de Souza Luppi Monteiro (Evil Heat, Primal Scream)
Rodrigo Novaes (The Trinity Sessions, Cowboy Junkies)
Daniela Lima (Live forever, Oasis)
Luíza Zanuncio Briard, autora de 4 singles:
“is it any wonder”, Keane
“Brompton Cocktail”, Avenged Sevenfold
“I will follow into the dark”, Death Cab for Cutie
“My world”, Tim Kay
Ok, é oficial, eu falo muito e eu não sei dar entrevista. A conversa com o Ismar foi maravilhosa e divertidíssima, mas preciso aprender a falar em frases completas. Vão lá ver e me digam. Valeu, Ismar!
Alex Castro: Escritor e Mindfucker
Ricardo Cabral, homem sensível, amigo, blogueiro do Ágora com Buraco no Meio, também leu "Mulher de um Homem Só" e escreveu um belíssimo post:
Como sabia que se ficasse na cama não voltaria a pregar o olho de novo, fui para a sala, peguei o livro e sentei numa poltrona, na expectativa de que a leitura àquela hora da manhã fosse um bom indutor ao sono. Que nada. Só parei de ler na página 115, por culpa de um telefonema que me fez adiar para as seis da tarde as sete páginas que faltavam até o ponto final da história.
Não me alongarei em análises de qualquer espécie. Não tenho a expertise necessária para tal, e já disse isso ao Alex. Atrevo-me a comentar duas coisas, no máximo. Primeiro, que a Carla, personagem que narra a história, me convenceu. Concordo com o que outras pessoas já disseram antes de mim: Carla é uma mulher, sim, nunca um homem tentando pensar/falar/agir como se mulher fosse. Só por isso, pontos para o autor. (Tudo bem, você pode mesmo dizer que eu não sou mulher, que por isso não posso entender o que se passa realmente na cabeça de uma e blá blá blá. Direito seu, mas antes de chegar a uma conclusão dessas apoiando-se apenas nesse ponto, seria bom que batêssemos um papo antes. Dar a alguém o benefício da dúvida costuma ser um gesto salutar.) E segundo, que o ritmo da narração é perfeito o ideal em relação à história e a quem a conta. Nem me senti atropelado pelas palavras da Carla, nem tampouco fiquei entediado. Consegui escutar perfeitamente o (e permanecer atento ao) que ela disse, até (a)os seus parênteses. (Como já gosto de alguns, posso atestar que os parênteses dela são ótimos.)
Só um detalhe curioso (para mim), que notei por conta do ritmo da narrativa. Vi que a Carla tem o hábito de fazer três observações sobre o que quer que seja. Não é algo que aconteça em todas as ocasiões, mas ocorre bastante. É como se o número três servisse tanto para descrever uma sequência lógica de eventos, para explicar bem explicadinho como ela entende que as coisas são (ou deveriam ser) e para sustentar melhor suas teses, o terceiro item/argumento para reiterar aos demais — ao ouvinte/leitor e a ela mesma — que não resta nenhuma dúvida de que o que ela diz é líquido e certo.
Logo no começo, descrevendo Murilo:
…não tinha grandes despesas: estudava em universidade pública, almoçava bandejão e mal jantava. (p. 6).
Mais uma:
…Murilo não sabe nada e isso me exaspera, porque ele não sabe o seu lugar, e nunca se decide e nunca tem certeza. (p. 45)
Carla falando de si:
E acho graça que só tinha que só tinha dezoito anos e que nem sabia o que era casamento: fui aprendendo. Estudei com afinco, levei muita bomba e vivia sendo mandada para a sala do diretor. (p.8)
De novo sobre Murilo, agora em relação a ela:
Mas o fundo é sempre mais embaixo, nem sei onde, e lá o Murilo nunca se aventurou. Casou com uma rocha, se satisfez com a rocha e uma rocha era o que esperava que eu fosse. (p. 13)
A propósito de Júlia:
Rêmora atrelada, lombriga faminta e urubu ansioso, até seus grandes momentos coincidiam com os nossos. (p. 99)
Há exemplos melhores e em maior número para ilustrar minhas impressões, mas estou com preguiça de procurar por eles agora. Fico apenas com esses cinco, encontrados ao acaso. Só falta acrescentar algo mais: dizer que espero pelo próximo livro do Alex, expectativa de ver mais notas de tristeza e drama, diferentes de um certo (e acertado) tom de vaudeville — delicioso, vale dizer — de Mulher de um Homem Só, e um pouco mais próximas de dona Adelaide, mãe de Júlia, que quando “…se sente sozinha, ela permanece sozinha, naquela solidão espessa de quem não tem nada o que fazer, nem livros para ler…” (p. 119).
P.S. Leia Mulher de um Homem Só e/ou presenteie alguém com o livro. Custa uns 10 maços de cigarro, e ainda te livra de uma boa dose de nicotina e de alcatrão. (Compre online na editora Os Viralata.)
Ricardo, muito muito obrigado. Realmente, eu não tinha percebido essa ênfase tríplice da Carla. Muito bem reparado.
Para quem sentiu falta de mais drama, eu recomendo meu livro Onde Perdemos Tudo, formado por seis contos unidos pelo tema comum de perda.

Compre meu romance "Mulher de um Homem Só".
Basicamente, Mulher de um homem só é um livro no qual a história não foi contada. Quando o li pela primeira vez, pensei: "Bem, o Alex ficou com preguiça de escrever todo o livro, então publicou apenas o roteiro de leitura".
Na segunda, concluí que ele não é genial o bastante para ter estabelecido já de início as fronteiras do não-dito. Para as pessoas que não possuem o hábito de escrever, a dificuldade reside em construir de forma elegante aquilo que se tem para dizer. Quem escreve sabe que é mil vezes mais difícil construir uma forma elegante de não dizer.
Acho, portanto, que o Ale inicialmente escreveu uma longa história. Depois ele amputou e retalhou, tomando reiteradamente a difícil decisão sobre até que ponto ir e onde parar e deixar o leitor continuar por si mesmo.
Ficou o que chamo de romance do não-dito, um romance em que tudo acontece em função de algo que o leitor não vê, que está fora do romance, que não é dito.
Eu não gosto quando autores boçais e críticos idiotas se referem a uma obra como possuindo "vários níveis de leitura", porque eu sei, de conversar com eles e de editar suas obras, que eles estão repetindo uma fórmula pronta sem fazer idéia do que ela significa. Esse livro, contudo, é uma obra de vários níveis.
Em primeiro lugar, fique claro que você não perde absolutamente NADA se terminar de ler a breve história ... , sacudir a cabeça e pensar: "Mas que relação doente! Que gente neurótica!". Então você faz algo para jantar e pensa em pegar um filme.
O Ale deve ser sinceramente grato a você, porque você dedicou duas horas inteiras e concentradas da sua vida a essa história, e se você gostou de lê-la, ele fez um bom trabalho. Em outras palavras, não existe nada de errado em passar algum tempo de puro e simples entretenimento com uma obra de arte, principalmente com um livro.
Mas você pode pensar em algumas coisas. Por exemplo, no intrigante fato de que um homem escreveu um livro narrado na primeira pessoa por uma mulher. Você pode refletir sobre quão bem ele se saiu "sendo mulher". Talvez (principalmente se você é mulher) você conclua que ele não entende NADA de mulheres. E talvez então, ahá!, isso explique as incoerências de Carla, a narradora da história.
Ou talvez você fique intrigado com o fato de que Carla conta a história em um momento presente (ou seja, o momento em que você está lendo o livro), mas ela conhece tanto o passado, o que é natural, quanto o futuro, o que é no mínimo curioso. Se você descartar a possibilidade de isso ser um amadorismo grosseiro - Alex é tarimbado na língua e pode cometer erros, mas não um tão evidente -, então talvez você comece a se perguntar por que ele fez isso.
Se você já viveu uma história parecida, seja em que posição for, o livro terá ainda mais desdobramentos para você, mas não é preciso entrar no terreno pessoal. Quando falo de múltiplos níveis, é disto que falo: você começará a pensar em tanta coisa que, no fim, estará "longe" do livro, afastado da história imediata, em primeiro nível, e fazendo longas elocubrações que poderiam, inclusive, e por que não?, gerar outro livro.
A literatura está repleta de livros assim. Alguns são realmente coisa de viciado, como Joyce. Os não tarados por literatura e linguagem podem simplesmente fechar o livro, irritados, dizendo: "Eu não entendi porra nenhuma". Eu entendo essa exasperação. A vantagem de Mulher de um homem só é que ele não vai longe demais no caminho da bi-autoria. Ele não pede tanto assim do leitor.
Ele conta uma história envolvente, em uma linguagem correta e agradável. Se você parar por aí, você e o livro estão empatados, cada qual fez sua parte. Mas você pode continuar, e se porventura o livro o afetar, se talvez mesmo você questionar, minimamente que seja, alguma postura sua refletida no livro, então o Alex poderá portar, merecidamente, o título de escritor que exibe por aí.
Leia, vale a pena. Leia como se escutasse as confidências de uma amiga sobre um fato que você não presenciou: com carinho, mas de espírito prevenido.
Depois, nos comentários ao post original, ela
acrescentou:
Ale, foi grande a vontade de sair me exibindo na hora de falar do seu livro. Afinal, você compõe para um instrumento que eu sei tocar, e eu adoraria ter falado de mais coisas, como por exemplo do tempo como personagem. Mas seria pura exibição, igual à daqueles caras que destroem uma boa música porque decidem mostrar o quanto mandam bem na guitarra.
Além disso, ao contrário do seu, o meu não é um blog literário. É para os amigos, a família, e nem todos conhecem literatura, e muitos se intimidam com o blablablá da crítica. É justamente essa pretensa existência de um jeito "certo" ou "bom" de ler que eu quero desmitificar, porque isso é besteira, na minha opinião.
BTW, vocë é uma mulher perfeita, não encontrei nenhuma incoerência, não. Foi só uma provocação ao leitor, uma hipótese, entre tantas. Você se sai bem como mulher, mostra que as conhece, e espero que trate suas mil idiossincrasias com carinho, e não com ironia.
E, se eu não joguei meu tempo fora lendo seu livro, isso significa que você não jogou o seu ao escrevê-lo.
Quanto aos leitores que confundem seus labirintos duramente construídos com erros idiotas, console-se lembrando Mário Quintana: "Quando um leitor pergunta a um autor o que ele quis dizer, um dos dois é burro".
Não acho que seja você, hon.
"Mulher de Um Homem Só": compre.
Quarta-feira agora, 19 de agosto, sai da gráfica a segunda edição, ampliada e revisada, de "Mulher de Um Homem Só", com direito a:
Nova capa
Trechos das melhores resenhas que o livro recebeu
Lista das livrarias onde pode ser encontrado
Nova biografia do autor
Novo aviso sobre a veracidade do texto
Pós-escrito à "História do Livro
Correções gerais
As vendas já estão abertas: compre aqui e o livro será enviado assim que sair da gráfica. Se não gosta de comprar na web ou não aguenta esperar, visite essas livrarias do eixo Morumbi-Leblon.
Obras completas de Freud, de R$960, por R$399
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!
Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%
8129 Panola St, New Orleans, LA, 70118, msn, tel, email
Ao me enviar email ou comentar no LLL, você está automaticamente permitindo que eu publique sua mensagem no blog, inclusive com seu nome e endereço. Pense bem.