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As Brasileiras São as Putas do Mundo

Aqui.

 

14.09.09


Categorias: Turismo, Sexo

Nosso Lar É Onde Eles Têm que nos Aceitar

Perdi a conta de quantas vezes já entrei e saí dos Estados Unidos. Por duas vezes, fui severamente humilhado na imigração. No JFK, cheguei a ser chamado de "lazy sac of shit" - long story, don't ask. Mas, enfim, achei que fosse só comigo.

Conversando com amigos americanos sobre Cuba, muitos revelam sua vontade de conhecer a ilha, mas dizem ter medo.

"Ora", eu respondo, "não tem problema. Basta vocês irem para algum outro país e voar para Cuba de lá. Os cubanos não carimbam o passaporte de ninguém, porque não querem que seus turistas tenham problemas com o Tio Sam."

"Claro que não, Alex. Se o fiscal da imigração reparar que tenho um carimbo de entrada no México no dia 10, um de saída no mesmo dia, e depois um de entrada no México no dia 20, e um de saída no mesmo dia, a primeira coisa que ele vai me perguntar é onde estive entre os dias 10 e 20! Se eu falar Cuba, vou preso. Se mentir, e eles provam que fui a Cuba por algum outro motivo, posso ir preso daqui a 10 anos! E, se não digo nada, vou parecer suspeito e vão revirar minha vida do começo ao fim."

Eu confesso que não entendi direito.

"Como assim? Que fiscal da imigração?"

"Ué, o fiscal da imigração americana."

"Mas como assim fiscal da imigração americana? Você não é americano?"

"Sou, ué. Mas eles abrem meu passaporte, olham os carimbos, e perguntam onde estive, por quanto tempo, fazendo o quê."

Aquilo tudo me deixou tão chocado que mal consegui falar.

"Espera. Pára tudo. Deixa eu ver se entendi. Você é interrogado quando chega em seu próprio país, onde você é cidadão, um país que pretensamente é uma democracia?!"

"É. Isso mesmo. Me interrogam sempre. No Brasil, não te interrogam?"

"Cruzes. Claro que não. Estou chegando em casa! Quando vou pros EUA, eu me visto bonitinho, faço a barba e até penteio o cabelo, pra imigração americana não achar que sou um terrorista psicopata, mas quando volto pro Brasil, eu posso estar molambo ao máximo, descalço e coçando o saco. O que eles vão fazer? Me impedir de entrar?! Meu país, minha casa, minha terra, é justamente aquele lugar onde eles NÃO podem me impedir de entrar quando eu volto!"

* * *

Depois, conversei com outros amigos americanos e eles relataram experiências semelhantes. E vocês, leitores brasileiros? Como é a experiência de vocês ao entrar no Brasil?
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Obras completas de Freud, de R$960, por R$299/R$399 (sinceramente? o preço dessa joça tem mudado duas vezes por dia, mas está sempre muito barato)

 

20.08.09


Categorias: Turismo, Cuba

Festival do Vale do Café 2009

O Festival do Café, em Vassouras e região, continua até domingo que vem e vale muito a pena a viagem. Se você está no Rio ou em São Paulo, pega o carro e vai pra lá. Músicos consagrados tocando música brasileira nas mais lindas fazendas do café. Ouvir Turíbio Santos tocando ao vivo em uma fazenda colonial é um privilégio.

Festival do Café
Concerto gratuito na praça principal de Vassouras.

Festival do Café na Capela do Pau Grande
Concerto na capela da Fazenda do Pau Grande.

Fazenda do Pau Grande

Fazenda do Pau Grande 2

Fazenda do Pau Grande 5
Fazenda do Pau Grande, em Avelar - RJ.

Harpas no Festival do Café Bem Vindo a Avelar
Harpas. Bem-vindo a Avelar.

Fazenda São João da Barra
Fazenda São João da Barra

Turibio Santos e Carol McDavitt no Festival do Café 2

Turibio Santos e Carol McDavitt no Festival do Café
Turibio Santos e Carol McDavitt na Fazenda São João da Barra

Só uma coisa bizarra: esse ano, um dos patrocinadores foi... o Nescafé! Então, no Festival do Café, ao invés de café, tinha Nescafé! É quase piada pronta. Depois disso, o próximo Festival do Vinho será patrocinado pelo Sangue de Boi, o próximo Festival de Gastronomia, pelo McDonald's, o próximo Festival de _________, pelo __________ (insira aqui a sua piada.)

Festival do Vale do Café 2009
Visite Vassouras

 

23.07.09


Categorias: Fotografia, Turismo

Passando por um Outdoor da Campanha Rio 2016

 Rio de Janeiro 2016

Comentário do amigo ao meu lado:

Que palhaçada! A cidade quer sediar uma olimpíada e não consegue sediar nem uma vida digna e segura para os seus habitantes!

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30.05.09


Categorias: Turismo, Rio de Janeiro

Brigando por Causa de Cuba

Tem muitas coisas que não entendo na vida. Uma delas é como as pessoas esquentam a cabeça por besteira - especialmente na internet.

Esses dias, o Gravatá fez um post sobre Cuba. Eu estava em trânsito, voltando pro Rio, e nem vi, mas vários leitores (daqueles que ficavam assoviando quando tinha briga no pátio da escola) vieram me dizer que o Gravatá estava me provocando, atacando, etc.

Não acredito que o Gravatá iria fazer um post-indireta, falando mal de mim sem citar meu nome, quando poderia simplesmente me mandar um email e me dizer o que quisesse, mas enfim, foi tanta gente que veio me assoviar no pátio da escola que, independente das intenções do Gravatá, seu texto estava sendo lido como um ataque a mim, então cabe um esclarecimento.

Sinceramente, não entendo tanto histerismo em relação a Cuba, tanto por parte da direita quanto da esquerda. Eu estudo e trabalho Cuba, mas meu interesse é a literatura do século XIX, muito antes que essas babaquices de guerra fria viessem polarizar nossos ânimos.

Cuba é um assunto como qualquer outro e, numa democracia como o Brasil, pode ser abordado e tratado por qualquer um. Ninguém precisa ser crítico literário para falar de Hamlet. Ninguém precisa conhecer a China para falar sobre a China. Não sei vocês, mas me dou o direito de falar sobre qualquer assunto.

Aliás, o engraçado é justamente isso: o fato de Cuba não ser tratado como um assunto qualquer. Cuba aparentemente convida ao extremismo. Todo mundo parece se exalta: à esquerda, à direita, e até ao centro.

Outro dia, o Polzonoff veio dizer que já perdeu muitas amizades por causa de Cuba e aquilo me deixou surpreso. Nunca perdi amizade por causa de país nenhum. Como pode isso? Como alguém pode levar uma bobagem dessas tão a sério assim? E disse ao Polzonoff que a culpa provavelmente não foi de Cuba: ele e seus amigos é que gostam de bater-boca à toa. Resultado: ele ficou puto comigo, me acusou de ególatra (achou que eu achei que ele estava falando de mim!), e deu a maior confusão até conseguirmos resolver o mal-entendido.

Minha ex-namorada é de uma tradicional família intelectual esquerdista. Para eles, Cuba era uma utopia, a grande esperança da América Latina. Um de seus tios chegou a fugir pra Cuba depois do fiasco da luta armada e concluiu a faculdade lá. Já eu sou de uma tradicional família burguesa católica conservadora. Pra eles, Cuba é o bicho-papão. Quando minha mãe conheceu a namorada, ela pegou em seu pulso e disse, muito séria: "Olha, eu vou só te pedir uma coisa!" E pensamos que ela iria dizer: "Não quebra o coração do meu filho!", "Cuida bem dele", ou coisas assim, mas nada disso. Minha mãe pediu: "Não deixa esse menino ir pra Cuba de novo." Meu pai, com menos drama, pediu a mesma coisa. Dois lados da mesma moeda.

Na verdade, não só ninguém precisa ir a Cuba para ter direito de falar de Cuba como talvez o oposto seja verdadeiro: Cuba é um dos poucos países que você pode conhecer *menos* justamente porque o visitou. Regularmente, o governo cubano organiza "brigadas da solidariedade", que são excursões especialmente organizadas para ajudar a levantar fundos para a Revolução e mostrar seus principais feitos a simpatizantes de todo o mundo. A programação dessas brigadas é de gelar o sangue: os participantes ficam o tempo todo acompanhados de funcionários do governo e não tem nenhum contato com a população que não seja mediado por eles. Ou seja, só vêem o que o governo quer que vejam: voltam sabendo ainda menos do que sabiam antes, com uma visão completamente parcial e distorcida do país. Imaginem se o Brasil tivesse excursões especialmente organizadas pelo Governo Lula (ou os EUA, pelo Governo Bush) somente para mostrar as maiores conquistas daquela administração!

O objetivo do meu novo blog Pior que Cuba não é impedir ninguém de falar de Cuba. Eu adoro Cuba, estudo Cuba, escrevo sobre Cuba, pretendo ensinar Cuba: se as pessoas pararem de falar de Cuba, eu perco o emprego.

O objetivo do blog também não é dar carteirada em ninguém e sugerir que só pode falar de Cuba quem pesquisou o assunto ou quem esteve lá, ou qualquer coisa assim. Em um país democrático e com liberdade de expressão como o nosso (o que, infelizmente, não é o caso de Cuba) todos podem falar sobre o que quiserem, com conhecimento de causa ou não. Sou contra até mesmo a obrigatoriedade de diploma pro exercício da profissão de jornalismo, imagina se vou achar que só pode falar de Cuba quem visitou o país!

E muito menos o blog foi um ataque, indireto ou não, ao Gravatá, que sempre escreve posts muito divertidos sobre Cuba. Aliás, como sei que ele se interessa pelo assunto, já lhe mandei um exemplar do meu livro sobre Cuba, mas parece que ele não leu ainda.

O objetivo do blog é somente coligir exemplos de pessoas (pró- e contra-Fidel, da direita ou da esquerda) que puxam Cuba para assuntos que não tem nada a ver com o país. Nada contra quem decide falar sobre Cuba, e vai e fala - como o Gravatá, por exemplo. Mas é muito engraçado esse povo que vai falar sobre a ditabranda no Brasil e já puxa logo o Fidel. E os exemplos são muitos. Para fins de bate-boca na internet, Fidel é o Hitler da América Latina.

Não entendo essas pessoas que são pró-Cuba ou anti-Cuba - ou pró-Israel, anti-EUA, etc. Como alguém pode ser contra ou a favor de todo um país? Não gosto de algumas políticas do governo de Israel, mas não sou anti-Israel. Desaprovo algumas iniciativas do Lula, mas não sou anti-Brasil.

Não sou de esquerda. Nunca defendi o Fidel. A Revolução nunca foi minha utopia.

Mas não sou anti-Cuba, oras.

Cuba é um país lindo e intenso, com uma literatura poderosa que eu amo, com uma história que permite muitos paralelos com o Brasil, com um cinema fascinante justamente pela tensão entre o que se fala abertamente e o que não pode ser dito, com um teatro tão rico que, no século XIX, Havana era a capital teatral da América Hispânica.

Até parece que vou ser contra o país de Cirilo Villaverde e Juan Francisco Manzano, de José Martí e Ramon Meza, só porque um barbudo tomou o poder de sua ilha dezenas de anos depois de suas mortes!

E mesmo eu, que adoro, estudo e trabalho Cuba, vocês nunca vão me ver batendo-boca por aí por causa da ilha.

* * *

Radical Rebelde Revolucionário

Meu livro sobre Cuba, Radical Rebelde Revolucionário, escrito em 2007, e disponível em forma de ebook, está vendendo muito bem, obrigado. Algumas das melhores crônicas estão disponíveis no blog. Para todas as outras, só comprando o livro. Abaixo, algumas das minhas preferidas:

O Período Especial e seu Apartheid
A Salada Monetária Cubana
Os Jineteiros
Dionisio, Um Chileno Malandro
As Jineteiras
Cinema Cubano

Para quem tiver curiosidade, eis aqui algumas coisas que já disseram sobre o livro:

Por Que Che Não Escreveu Isso Antes?, pelo insuspeito anti-comunista Adailton Persegonha, do Leite de Pato:

o desfilar de seus personagens reais, a paisagem de um país perdido entre o presente, o passado e um futuro sempre incerto, as confusões de suas diversas moedas, sua crítica ácida (e ranzinza no meu modo de ver) do turismo sob a batuta do seu imenso poder de observação e objetividade me fizeram ter um sonho: ver este livro lançado em território cubano!

Chato, Crítico e Cínico, por Marcos Donizetti:

"Alex Castro é outro tipo de pessoa, tão ou mais irritante que os já citados, para ser sincero. Seja ele visto como um liberal libertário ou como um rebelde revolucionário, ele na verdade é um chato, crítico e cínico. É exatamente por isso que eu o acho a pessoa mais “confiável” para falar sobre Cuba, por mais que ele mesmo deixe claro já no início de seu livro Radical Rebelde Revolucionário que talvez nada do que ele relata nas 155 páginas seguintes seja verdade. É um bom começo."

E o Alex Castro Gosta de Picadura, do Uber-Blogueiro Cardoso:

Hum. Intelectual. Que fuma cachimbo. Passeando em Cuba bancado por universidades para estudar a Disneylandia do Socialismo? Isso sempre dá naqueles livros chatíssimos onde o cara republica propaganda do Partido, ou então é escrito por um anticomunista ferrenho que vai passar o tempo todo falando das atrocidades da Revolução. Todo livro sobre Cuba cai nesses dois modelos. (...)

O livro é excelente, li de uma sentada só, mesmo com isso soando altamente comprometedor em um post com esse título. São 155 páginas com crônicas deliciosas, onde ele conta seu dia-a-dia na terra de Fidel. Ele descreve um povo como qualquer outro. Alegre, triste, otimista, conformado, assustado, orgulhoso, envergonhado.

Ele encontrou Dolores, a bibliotecária mais sensual desde a Barbara Gordon, descobriu que os cubanos também usam o Jeitinho Brasileiro e aprendeu que quem decide o menu é o burocrata do Governo que escolhe quais produtos colocar nas lojas naquela semana. Passou por saias justas com vendedoras de abacaxi, apaixonou-se por vários pés (longa história) e enganou a polícia para tomar sorvete barato.

Alex alterna momentos líricos com o mais puro sarcasmo. (...) Ele comete vários pecados que farão com que a Academia odeie seu livro, e desejasse estar sob o Regime Cubano, onde Alex seria preso e seus livros proibidos. Ele cita o prosperidade artificial graças ao Regime Soviético, conta que os jornais oficiais são subsidiados, e que o povo os usa como substituto de papel higiênico, conta dos táxis para cidadãos, proibidos por lei de levar turistas, e constantemente parados pelo polícia. (...)

Mesmo assim, Radical Rebelde Revolucionário não é um ebook-denúncia. Nem tudo é ruim, nem tudo é um dramalhão mexicano. Alex não tem uma agenda oculta através do livro. Ele consegue falar mal de uma coisa, e na próxima crônica falar bem de outra. Mostra que por detrás da propaganda e da antipropaganda há gente. E gente é sempre interessante.

Recomendo muito a leitura do livro.

Radical Rebelde Revolucionário

* * *

Última recomendação do Alex: por favor, amiguinhos. Se forem brigar, briguem por algo que vale a pena. Por mulher, por homem, por dinheiro, ou até mesmo para conquistar 24 territórios a sua escolha.

Mas não por uma ilhota de barbudos. Sério. A vida é muito curta.

 

15.05.09


Categorias: Turismo, Livros, Cuba

Voltando ao Rio

Quando revelo a falta que sinto do Rio, todo mundo sempre comenta, sim, claro, por causa de seus amigos e parentes, blá blá blá.

Mas, hoje, assim recém-chegado, percebo que... na verdade...bem, nem tanto.

Estava relembrando as mulheres com quem eu mais saía, com quem mais convivia, com quem fiz mais coisas pela cidade. Três estão na Ásia (China, Cingapura, Timor), uma na África do Sul, uma na Rússia, duas em Nova Iorque e uma em Los Angeles. Isso é que dá só conhecer gente cosmopolita.

Enquanto isso, meu único amigo homem mudou-se pra Macaé, atrás do petróleo; e minha irmã e os poucos amigos de infância que ainda moram aqui estão casados, cheios de filhos e trabalhando 15 horas por dia - um estilo de vida tão diferente do meu que fica difícil até de combinar de se encontrar.

Assim como a Revista Mad tinha 100% de turn-over de leitores a cada cinco anos (ninguém lê a Mad por mais que isso!), minha vida também parece ter um ciclo parecido de amigos. Ainda amo todo mundo que amei, mas a vida vai nos levando pra lados cada vez mais diferentes e dificultando a convivência.

Hoje, as pessoas com quem eu mais saio, meus amigos queridos, meus companheiros incríveis, minhas amantes maravilhosas, são pessoas que conheci pelo blog ao longo dos últimos seis anos, alguns pelo flickr ou mesmo pelo orkut - ninguém ainda pelo twitter!

 Rio de Janeiro: Guia Fotográfico  Rio de Janeiro: Seu Guia Passo a Passo

Então, por um lado, em um mundo onde tanta gente reclama de nunca fazer amigos ou conhecer novas pessoas, fico feliz de ser a exceção à regra, de ter um fluxo sempre constante de homens e mulheres interessantes em minha vida. Não são amigos longos e profundos, como os da infância, mas são relações novas, com aquele fascínio desconhecido do futuro. Será que essa nova pessoa que estou encontrando hoje pela primeira vez vai ser meu melhor amigo? Futura esposa? Parceiro comercial? Desafeto? A cada pessoa pessoa nova que conhecemos, é todo um horizonte de possibilidades que se abre.

Por outro lado, volto à cidade que amo e onde morei por trinta anos, e me sinto sozinho - pois todas as pessoas com quem mais saí e convivi já não estão aqui!

E, apesar disso, incrivelmente, não me sinto mal, pois sou tomado de um amor enorme pela cidade inteira, de andar pelas ruas com o Oliver, de tomar um joelho com uma média e refresco de caju lendo O Globo e o Jornal do Brasil, de falar português e não inglês, e de falar doze com u e dez com i e ninguém me corrigir.

 Rio de Janeiro  Rio de Janeiro

Amo Nova Orleans, seu clima e sua mistura racial, sua música e sua comida, sua atmosfera ao mesmo tempo sensual e caótica, decadente e terceiro-mundista, mas basta abrir a Revista Programa ou o RioShow para ver a diferença. Agora que estou estudando teatro, só a quantidade de peças em cartaz já me deixou impressionado.

Existem várias cidades onde eu teria vontade de morar. Nova Iorque e Buenos Aires no topo da lista, Havana e São Francisco logo abaixo, Lisboa como menção honrosa e São Paulo como hors-concours (pois é tão perto que é praticamente como morar no Rio). Todas cidades relativamente grandes e de vidas culturais intensas, ou, mesmo quando não tão grandes, capitais culturais de sociedades que amo e que muito me interessam, como a cubana, argentina, portuguesa - até mesmo, de certo modo, norte-californiana.

Mas nada se compara a estar de volta em casa.

Quanto mais ando e quanto mais viajo, mais percebo que sou, antes de tudo, carioca. Sim, eu sinto saudade dos meus amigos e parentes. Mas não é por isso que amo o Rio.

Amaria essa cidade mesmo se não conhecesse mais ninguém aqui. Amo essa cidade mesmo se tivesse que me reinventar nela a cada cinco anos. Amo a cidade pelos seus defeitos e qualidades. Por sua beleza e por sua canalhice. Por sua hospitalidade e por sua violência homicidade. Pelo seu charme e pela sua imundície.

Não é perfeita, mas é minha.

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11.05.09


Categorias: Turismo, Rio de Janeiro

Saindo de Nova Orleans

Ontem, no mercado, passando no caixa. Dez potes de mistura pronta pra fazer Gumbo e Jambalaya, dois pratos típicos de Nova Orleans. Dois vidrinhos de Filé Powder, ou raiz de sassafrás moída, o tempero especial usado no Gumbo e em muitos outros pratos da cozinha cajun. Quatro latas de café com chicória, uma mistura especial que também só existe aqui. E várias, várias garrafinhas com edições limitadas e variações regionais exclusivas de Tabasco - a marca é de uma ilhota aqui do lado.

A caixa olhou pras minhas compras e nem titubeou:

"So, gonna miss New Orleans, huh?"

"Yeah, but I'll be back in August."

Jazz my ass. Um prato de gumbo bate qualquer brass band.

 Fodor´s: Nova Orleans  Esquetes de Nova Orleans

 

23.04.09


Categorias: Turismo, New Orleans

Dauphin Island, Mississippi

No aniversário da Camila, por recomendação do Idelber, alugamos um carro e fomos visitar Dauphin Island, na boca de Mobile Bay, no Mississippi. Infelizmente, os dias estavam feios e chuvosos, mas vale a pena postar as fotos só pra mostrar a arquitetura da ilha.

A Baía de Mobile, assim como Nova Orleans, é especialmente vulnerável a furacões e boa parte das casas de Dauphin Island foi destruída durante o Katrina. Hoje, quase todas as casas, apesar de enormes e luxuosas, foram re-construídas em cima de palafitas bastante altas, criando um efeito surpreendente e surreal.

Cliquem nas fotos para ver em mais detalhes.

Dauphin Island, Mississippi

Dauphin Island, Mississippi

Dauphin Island, Mississippi

Dauphin Island, Mississippi
Obra completa de Freud
O preço das obras completas do Freud caiu mais cem reais e agora está em R$299.

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12.04.09

Dramas de Camila

 promoção submarinoA paulista quis ir pra praia no seu aniversário, então estamos indo passar o fim-de-semana em Dauphin Island, Alabama (sugestão do Idelber), uma pequena ilhota na boca de Mobile Bay (foi lá que o Almirante Farragut disse "damn the torpedoes!" e seguiu adiante, mas essa é só pra quem conhece História Naval), santuário ecológico preservado e primeiro ponto de parada na América do Norte das aves migratórias que estão vindo do sul. Quem diria que eu iria à praia... no Alabama!

Enfim, vamos os três (vocês acharam que o Oliver iria ficar pra trás?) nos hospedar em uma cabana romântica, em frente a uma praia de águas transparinas do Golfo do México, em uma ilha linda e cheia de belezas naturais.... e vocês acreditam que a mulher conseguiu escrever um post angustiado e dramático sobre o assunto?

 

14.03.09


Categorias: Turismo

Mais Mardi Gras

Mardi Gras Christians (Mardi Gras 2009)

Cristãos no carnaval. E sim, é sério. Nada de ironia ou paródia.

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French Quarter Dog (Mardi Gras 2009)

Dois homens e um cachorro, no French Quarter.

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A Sweet Lil Angel (Mardi Gras 2009)

Um lindo anjinho.

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Typical New Orleans Residence (Mardi Gras 2009)

Casa arruinada.

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Exhausted Indian (Mardi Gras 2009)

Um Indian. Reparem na cara de exausto do pobre homem.

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Blue & Green (Mardi Gras 2009) Black & Blue (Mardi Gras 2009)

Azul, verde e preto.

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Alex Headbanger (Mardi Gras 2009)

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Ver todas as fotos do Mardi Gras 2009, ou todas as fotos de Nova Orleans.

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 promoção submarino  Promoção Submarino  Promoção Submarino

 

26.02.09

Mardi Gras 2009 em Nova Orleans

"Caralho, sabia que tinha esquecido de abençoar alguma porra!"

"Fuck, I knew I had forgotten to bless something!" (The Pope, Mardi Gras, New Orleans, 2009)

The Pope (Mardi Gras, New Orleans, 2009) The Pope (Mardi Gras, New Orleans, 2009)

Estar numa cadeira de rodas não é desculpa pra não aproveitar o Mardi Gras.

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Backstreet Cultural Museum (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Backstreet Cultural Museum, Tremé.

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Straight Power (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Aparentemente, esses moços estavam esperando por suas namoradas...

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Shake your Bones / Balançando o Esqueleto (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Todo mundo queria tirar fotos dos menininhos balançando o esqueleto.

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New Orleans Engineering (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Engenharia de Nova Orleans. Esse pedaço de pau era a única coisa segurando essa porra toda.

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Under the Claiborne Overpass (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Embaixo do viaduto da Claiborne Ave.

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Katrina Grafitti (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Logo depois do Katrina, esses grafittis, deixados pelas forças de resgate, estavam em todas as casas da cidade - inclusive na minha. Aos poucos, todo mundo foi pintando por cima, mas algumas casas ainda insistem em manter a memória viva.

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Jah Is My Pilot (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Adesivo de pára-choque. Jah é meu fornecedor e nada me faltará. (Aliás, sabiam que a polícia jamaicana prendeu um cara com 10 gramas de maconha? Foi condenado por crime de mesquinharia.)

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Indefinite Costume (Mardi Gras 2009, New Orleans) Green Lady (Mardi Gras 2009, New Orleans) Costumed People (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Belas mulheres.

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Julienne (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Julienne (Mardi Gras 2009, New Orleans) Julienne (Mardi Gras 2009, New Orleans) Julienne (Mardi Gras 2009, New Orleans)

Depois de ficar horas vendo-a dançar, pedi para que posasse pra mim. Seu nome é Julienne, morava em Tremé mesmo (bairro histórico negro) a poucas quadras do Backstreet Cultural Museum, onde estávamos. Não era jovem, chegou com duas meninas que bem poderiam ser suas netas, mas era a mulher mais linda, sexy, energética do dia. Quantos anos será que tinha? E será que faz diferença?

* * *

Candy Girl Shows her Back (Mardi Gras, New Orleans, 2009)

Candy Girl (Mardi Gras, New Orleans, 2009)

Ramsey, a vendedora de doces, minha companheira no Mardi Gras 2009.

* * *

Ver todas as fotos do Mardi Gras 2009, ou todas as fotos de Nova Orleans.

* * *

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25.02.09

Headbanger (Lundi Gras 2009)

Lundi Gras, 2009.

 

24.02.09


Categorias: Turismo, New Orleans

Fazendas do Mississippi

Camila e eu passamos o fim-de-semana dirigindo pela Old River Road, às margens do Mississippi, visitando as antigas fazendas sulistas de cana-de-açúcar.

* * *

Talvez a melhor parte da viagem tenha sido a parada em um típíco restaurante de comida cajun (pronúncia: quéidjã), o B & C Seafood Market. Para que vocês tenham idéia do que é comida cajun, sugiro clicar no site do restaurante ou conferir o menu (em pdf). O lugar parecia tão bisonho que quase tivemos medo de parar.

De entrada, uma porção de quiabo frito e outra de jacaré frito. O jacaré é parte integrante da cozinha cajun e o restaurante todo estava decorado com "motivos" de jacarés.

E, de prato principal, um Cajun Breaux, descrito no cardápio como

Cajun Breaux Platter – A cup of seafood gumbo, crawfish patty, shrimp, oyster, catfish, crab claws, frog legs, stuffed crab.

Gumbo é uma sopa de frutos do mar típica da Louisiana. Os outros ingredientes são camarão e hamburguer de camarão, ostra, bagre, patas de caranguejo, pernas de rã e caranguejo recheado. Uma das melhores coisas que já comi na vida.

* * *

Oak Alley Plantation & Mississippi River

Fundos da Casa-Grande da Oak Alley Plantation. A fileira de carvalhos leva ao Rio Mississippi. O monte de grama ao fundo é o dique (levee), que não existia na época. Atrás dele, o rio.

Laura Plantation Main House

Casa-grande da Laura Plantation. A casa fica às margens do Rio Mississippi. Reparem na altura das palafitas.

Laura Plantation Slave Barracks

Senzalas da Laura Plantation. Cada uma abrigava cerca de duas famílias. Até 1977, descendentes dos ex-escravos ainda moravam nessas casas.

Laura Plantation Back View

Visão dos fundos da Laura Plantation. Cozinha, estrebaria, senzalas.

Oak Alley Plantation Main House

Casa-Grande da Oak Alley Plantation.

Oak Alley Plantation Main House and Camila

Camila e a fileira de carvalhos levando até a casa-grande da Oak Alley Plantation.

Camila @ Oak Alley Plantation

Camila e um daqueles típicos e maravilhosos carvalhos do Sul. Oak Alley Plantation.

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21.02.09


Categorias: Turismo, New Orleans

Turismo Sexual ou As Cariocas São Máquinas de Sexo

 Dialética do Turismo SexualSaiu hoje no jornal O Dia:

O livro Rio For Parties (Rio Para Festeiros) reúne informações sobre o estilo das garotas cariocas, dividindo-as em quatro tipos, entre eles o das “popozudas”. Segundo o guia elas são “máquinas de sexo" com uma "grande bunda”. (...) "Não importa se este tipo de música faz seus ouvidos sangrarem. As mulheres que ouvem são 90% popozudas, o que significa: vale o sacrifício", diz um trecho. Os outros tipos de mulheres são: "Britney Spears", "hippie/raver" e "Balzac". As "hippie/raver" seriam divertidas, fáceis de se aproximar, conversar mas difíceis de beijar. A "balzac" seria a mulher que quer se divertir e também beijar. As "Britney Spears" seriam por sua vez as filhinhas de papai, que se vestem como a cantora, mas não deixam ninguém cantá-las.

O guia também fala dos Dez Mandamentos para quem vem ao Rio. Entre eles: nunca sair da Zona Sul; e jamais discutior com policiais, porque eles são instruídos a agir, ao invés de discutir quem está certo. (...) A pedido da Embratur, a Advocacia Geral da União acionou a Justiça Federal do Rio para tirar o guia de circulação, já que ele "viola a dignidade humana e expõe o povo brasileiro".

(O texto continua abaixo da imagem.) Doce Veneno do Escorpião: o Diário de uma Garota de Programa

* * *

Já escrevi bastante sobre esse assunto (defendendo que o turismo sexual é tão válido quanto qualquer outra forma de turismo) nos três posts abaixo:

A Questão do Turismo Sexual


A Questão da Prostituição


A Questão das Prostitutas Brasileiras no Exterior

* * *

Alugo o Meu Corpo
Excelente livro da minha amiga Paula Lee, prostituta brasileira em Portugal.

 

10.01.09


Categorias: Turismo, Sexo

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Mulher de Um Homem Só

 Obras Completas Sigmund Freud: Edição Standard - 24 volumesObras completas de Freud, de R$960, por R$399

Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!


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Meus Livros à Venda:

  • Radical Rebelde Revolucionário
  • Onde Perdemos Tudo, por Alex Castro

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Livros Recomendados

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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
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