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O Brasil não muda. A cultura do outro, do pobre, do negro é sempre criminosa, primária, errada, ilegal, cafona. Aliás, nada disso: o outro nem mesmo tem cultura.
No século XIX, a capoeira era proibida pelas autoridades, por ser considerada celeiro de crimes e prática bárbara de negros boçais.
No século XXI, a Polícia Militar do Rio de Janeiro proibiu a realização de bailes funk em diversas favelas da cidade, uma das principais manifestações culturais da juventude carente. Como o Brasil ainda é, legalmente, uma democracia e ainda não se pode censurar práticas culturais, inventaram que era "por motivos de segurança". (Queria ver proibirem a Ópera do Municipal alegando excesso de crimes na Cinelândia!) Como o Brasil ainda é, legalmente, uma democracia e os favelados votam, rapidamente conseguiram que seus deputados decretassem o funk patrimônio cultural do estado.
Abaixo, alguns links sobre o assunto, mas o melhor são os comentários da fina flor da elite carioca:
A Secretaria e os deputados deveriam mandar seus filhos e netos todo final de semana pros bailes funks e de maneira nenhuma deixa los faltar pra que se tornassem eximios praticantes da cultura ,já que é tao importante
Estou próximo a bailes e nunca ouvi nada edificante nas letras, ou é violência ou baixaria, vamos ver de que lado está o Sergio Cabral. Funk é anticultura!
Onde e quando o funk é cultura?? musicas com letras totalmente sem conteudo, o interese desses "representantes da cultura funk" com certeza é a grana que ele gera, com muita droga, pornografia e td que não presta, funk na escola é mostra como a educação do nosso pais esta precaria são crianças mal educadas sem limites pais inrresponsaveis que acha td normal e comum deixa nas mãos da escola a educação que eles deverião dar em casa.
Funk na escola?Funk como instrumento de PAZ?Eu li bem?!O FUNK é o maior incentivador a violencia!Suas letras são cheias de odio a favelas rivais e a PM,BOPE.As letras só falam de armas e baixaria,tudo no duplo sentido.Tratam as mulheres como verdadeiras p....Incentivam os jovens a transarem sem parar,aumentando a população carente.FUNK deveria ser proibido.Nessa hora eu queria que a DITADURA voltasse.FUNK = lixo!Quem ouve é lixo também!
Infelizmente, essas pessoas que defendem o funk pretendem banalizar o mal e a violência, animalizar o ser humano com palavreado chulo, com letras vergonhosas, com nenhuma espiritualidade, mostrando sim, a total FALTA DE RESPEITO com os outros, pois não se consegue dormir e descansar com toda essa vagabundagem e gritaria durante a noite, madrugada e manhã adentro.
Essa é a cultura que nossos políticos querem implantar de vez no RJ!Estão oficializando a bandidagem!Agora só falta liberar as drogas de vez e dar o Governo pro Beira-Mar! AGORA, SE O CONTRIBUINTE TOMAR UM CHOPPINHO SE ESQUECER E FOR PARADO NA BLITZ DA LEI SECA VAI EM CANA.... E TEM QUE ESTAR ATENTO ONDE ACENDE HJ EM DIA SEU CIGARRO, ... CIGARRO MESMO , NÃO BASEADO ! PODE IR EM CANA TAMBÉM ...
Funk é sub-cultura,de uma juventude que tende se tornar uma sub-raça,sem o mínimo de discernimento,de educação ,formação moral e familiar.Quero esta desgraça bem longe de mim e de minha família.Os hábitos de quem gosta de funk não me agradam,e não os quero perto de minha família.
wagner montes faz demagogia, utilizando a TV pra ganhar votos. Fala bem de nordestinos, favelados e funkeiros. Faz bailes em seu programa!Pra quê? Pura demagogia!Essa é a cara de nossos políticos. Fazem aliança com todos por poder.Fala até bem de bandido, quando fala "a galera da firma"!Onde chegamos?É o fim.O pior é que, se se candidatar, ganha!
Chega, já deu, né? Tem mais aqui.
Em tempo: eu também acho o funk uma música basicamente desagradável, apologética do machismo e da violência. Não tenho hábito de ouvir funk e não tenho vontade de ir a bailes funk. A graça é que minha opinião pessoal não tem nada a ver com esse assunto. Se fossem proibir todas as músicas que não gosto, só ia sobrar o chorinho.
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Dois Livros sobre Funk

"O Mundo Funk Carioca" e "Batidão: uma História do Funk"
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Dois Livros sobre História e Impacto Social da Capoeira

"A Arte da Negociação: a Capoeira como Navegação Social" e "A Capoeira no Rio de Janeiro 1890-1950"
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Alguns links:
- Polícia vai proibir bailes funk em locais de maior violência no Rio
- Polícia intensifica fiscalização e proíbe bailes funk em áreas violentas do Rio
- Funkeiros, deputados e acadêmicos participam de audiência pública na Alerj para discutir retorno dos bailes às favelas
- Funk agora é Patrimônio Cultural
- Putaria como patrimônio cultural
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Obras completas de Freud, de R$960, por R$299
O Rafa está discutindo a questão do filme de autor, e decidi dar meu pitaco.
Eu adoro música clássica. Sexta-feira passada, eu assisti a Filarmônica da Louisiana interpretando o Bolero de Ravel. A tensão era crescente. A platéia estava na ponta das cadeiras. Os músicas tocavam com movimentos cada vez mais bruscos. O maestro parecia ao ponto de ter uma síncope. Foi das experiências mais poderosas e energizantes que já tive na vida. No final, eu estava chorando de emoção.
Fico impressionado com a coragem que deve exigir subir em um palco e interpretar o Bolero.
Minha arte, graças a deus, não é executada ao vivo. Fico na segurança da minha casa, reescrevo as frases quantas vezes eu quiser e só mostro pra alguém quando estou satisfeito com o resultado.
Por outro lado, eu nunca tenho esse eletrizante contato com a platéia ao vivo, um dos melhores momentos na vida de qualquer artista. Esse blog supre parte dessa carência.
Mas será que esses músicos da Louisiana Philharmonic Orchestra são realmente artistas?
Arquitetos e Peões-de-Obra
Uma vez, conversando com uma empregada, tocou-se no tema arquitetos. Ela, que nunca tinha parado pra pensar no assunto, nem sabia que existia esse profissional. Em sua cabeça, eram aqueles peões-de-obra mesmo que levantavam o prédio por conta própria.
Não é uma crença tão absurda assim. Cupinzeiros comparativamente mais complexos do que qualquer construção humana são erigidos por animais muito mais idiotas do que o peão-de-obra médio e sem arquiteto central algum.
Mas, como sou professor, fiz questão de ensiná-la o que era um arquiteto e qual a relação entre um arquiteto e os peões. Essa empregada era uma das pessoas mais inteligentes que já conheci em minha vida. Ela ouviu tudo, entendeu e não aceitou. Para ela, o prédio, se era de alguém, era criação dos peões, que estavam lá, com a mão literalmente na massa, e não do arquiteto, que fez um desenhinho lá de longe do escritório dele e pronto.
Naturalmente, nós, cultos e refinados, sabemos que minha empregada estava errada. O artista é o arquiteto. O prédio é criação sua. Os peões apenas executaram sua visão artística.
Então, por que consideramos grandes artistas Heifetz ou Yo-Yo Ma? Eles também não fazem mais do que executar a visão artística dos outros. Beethoven está para Heifetz como o arquiteto para o peão.
Ou será que entendi tudo errado?
O Criminoso e o Virtuoso
Você pode dizer que não é fácil interpretar a Sonata Kreutzer de Beethoven. É preciso sensibilidade, perícia e anos e anos de estudo.
Mas você também poderia dizer que não é fácil "interpretar" O Grito, de Munch. É preciso sensibilidade, perícia e anos e anos de estudo.
Então, por que um forjador, que "repintou" O Grito exatamente como Munch o pintou, não é considerado um tão grande artista quanto Heifetz, que executou a Kreutzer exatamente como Beethoven a compôs?
Pior, um é um criminoso, o outro, virtuoso.
Alex Castro Interpreta Machado de Assis
Aí você argumenta: o Heifetz não se limita a reproduzir ou executar fielmente a obra de Beethoven. Ele interpreta. Ele impõe sua própria visão.
Ótimo. Já posso até ver os pôsteres: "Alex Castro interpreta Dom Casmurro, de Machado de Assis", em cartaz na Biblioteca Nacional.
Eu entro no palco, sozinho, luz em mim, e leio minha versão modificada de Dom Casmurro. Minha visão. Tirei algumas vírgulas, para o texto ficar um pouco mais rápido, troquei algumas palavras em desuso por outras mais comuns, e até decidi que, afinal de contas, Capitu não era adúltera coisíssima nenhuma.
O espetáculo dura somente umas duas horas e meia, com direito a intervalo. Afinal, é um livro curto. No final, sou aplaudido de pé.
"Alex Castro é o mais novo virtuoso da literatura, dizem as resenhas, ele trouxe Dom Casmurro ao século XXI com a mão firme de um mestre em sua arte.
Ah, quem me dera se fosse tão fácil.
Para que eu, algum dia, seja considerado um bom artista, eu vou ter que de fato criar alguma coisa.
Interpretar ou Reproduzir?
Para a maioria dos amantes da literatura, a idéia de alguém "impor sua própria visão" sobre Dom Casmurro (ou qualquer outra obra literária) soa herética e desrespeitosa. Quem sou eu (ou qualquer outro) pra tirar uma vírgula que Machado (ou qualquer outro escritor) decidiu colocar? Pra fogueira com ele!
Por outro lado, consideramos normal Yo-Yo Ma impor sua visão sobre Piazzola ou Heifetz interpretar Beethoven, mudando isso ou aquilo, acelerando aqui, segurando ali.
Na verdade, pelo pouco que conheço de música, esses grandes intérpretes seriam considerados medíocres caso se limitassem a somente reproduzir fielmente as composições dos mestres.
Heifetz vs Racionais MCs
Não estou desmerecendo os grandes intérpretes. Tenho certeza que interpretar corretamente uma grande sinfonia é um aprendizado de uma vida. Uma técnica dificílima. Um verdadeiro artesanato.
Só não é arte, pois arte é criação.
Se Heifetz é tão artista quanto Beethoven, então Harold Bloom é tão artista quanto Shakespeare, e o mestre-de-obras é tão artista quanto o arquiteto.
Heifetz e Yo-Yo-Ma são alguns dos meus intérpretes favoritos. O que o Heifetz faz com um violino ninguém acredita. Yo-Yo Ma relê os tangos de Piazzola como nenhum outro.
Arte por arte, qualquer rapeiro da periferia é mais artista do Heifetz e Yo-Yo Ma juntos. Boas ou ruins, suas músicas são suas criações artísticas.
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