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Trecho do meu Romance "Cães"

Quando o táxi enfiou-se chácara adentro (putaqueopariu finalmente!), ainda mais amarelado pela poeira de tantos caminhos de fazenda (devem ser eles, Dr Wellington), freada brusca quase em cima da sede (calma, Guta, já chegamos), o veterinário e seu assistente já estavam do lado de fora, de prontidão, preparados e prontos, pilotando uma maca reluzente (coisa chique, olha só, dona Flávia deve ter explicado tud-

- Como ela acordou comeu vomitou sentiu (cuidado, Adolfo, devagar) do cocô que horas de quanto em quanto tempo quente frio (ajuda aqui com a patinha dela, seu Manoel) qual a consistência tem certeza

E Manoel tentav

- Doutor, ela está muito fria

a mão do veterinário em seu pulso

- Comeu o próprio vômito? (leva ela pra dentro, Adolfo, rápido, rápido!) Deitou enroscada? (seu Manoel? seu Manoel?) Trincou os dentes? Ficou de língua de fora? (vem comigo, seu Manoel, segue a gente, vem, vem!) As fezes estavam achocolatadas? Responde, seu Manoel!

Manoel tentava respond

- Adolfo, vai esterilizando as pinças.

mas antes que pudesse, o veterinário já

- Adolfo, pega a faca lister também, vamos ter que abrir.

- Abrir?

(- olha, vocês me dão licença, mas tem como alguém me emprestar um balde e um esfregão pra eu ir limpando o meu táxi enquanto isso? se não for muito incômodo?)

- Sim, receio que seja uma infecção gânglios fígado talvez tumor epiderme pulmão conseguindo respirar coágulo genitais cancerígeno além disso necessário extirpar agora punção uretral, o senhor entende? Entende, seu Manoel?

Manoel disse que entendia

(- Entendo.)

- E então, pode abrir? Pode operar? Agora, tem que ser agora, antes que ela entre em convulsões

- Se pode? Não sei se pode. Não é o senhor o médico? O senhor é que sabe se pode, não eu

- Preciso de uma autorização, seu Manoel. (agora!) Como eu acabei de lhe explicar (o senhor ouviu o que eu estava falando, seu Manoel?), é um procedimento caro e potencialmente perigoso. Só pra usarmos o bleforostato e a tentacânula (agora, seu Manoel!) já são seiscentos reais pois é se tivermos que couchectomia só em último caso (agora!) reflotron plus cizalha tumor agora não podemos arriscar (tem que ser agora) agora doppler retorcedor (agora!), e então, pode abrir? Pode operar? Agora, seu Manoel, tem que ser agora!

- Olha, eu não posso

- Adolfo, vai preparando a brucelose. O bisturi margaref está na terceira gaveta, rápido, agora!

- Eu não sei, preciso

- Adolfo, não esquece o pino newbauer. Agora agora agora!

- Tenho que perguntar pro patrão porque

- Então, vai, seu Manoel, pergunta, agora, agora, a cachorra está morrendo, agora agora agora!

- Mas é que meu celular está sem crédit

- Dona Lúcia, o seu Manoel aqui vai precisar fazer uma ligação pro Rio. Vai, seu Manoel, agora, agora!

* * *

Já está no ar minha novela "Cães", que será o primeiro episódio do meu romance em andamento Empregadas & Escravos. Sei que alguns de vocês já leram a primeira versão incompleta e que outros estavam esperando para ler somente a história inteira. Bem, já está completa e inteira, self-contained e finalizada, faltando somentes alguns pequenos ajustes de praxe.

Levou 14 meses pra escrever e deu bastante trabalho. Naturalmente, isso não quer dizer que a história é intocável. Pelo contrário, é experimental e nada ortodoxa, o que quer dizer que preciso de mais feedback do que nunca. Não estou pedindo que ninguém se converta em crítico literário: preciso das suas impressões nuas e cruas. O que funciona? O que não funciona? Quais foram suas reações? Riram? Choraram? Onde? Sentiram raiva de alguém? Se identificaram com alguém? Estranharam alguma coisa? O que não soou bem? Como sempre, não tem resposta certa, mas vão ser as suas reações que vão me guiar em relação aos meus objetivos com o texto.

O blog é só pra convidados mas, quem tiver interesse, pode se convidar.

O convite é enviado pelo Google e você tem que estar logado no Google (ou em algum serviço relacionado, como Blogger, Gmail ou Orkut) pra poder ler o blog. Então, para poderem ser convidados, me enviem ou o seu gmail ou o email que usam para entrar nesses outros serviços. Se tiverem problemas técnicos para entrar no blog, avisem. Se entrarem, leiam e comentem, por favor.

No momento, estou precisando de feedback. Se não estiverem dispostos a ler e comentar, eu entendo - não ler e não comentar é direito de todos, garantido constitucionalmente - mas então não peçam convite, oras.

"Cães", por Alex Castro

 

20.09.08


Categorias: Contos, Livros

O Aborto Compulsório (Episódio Três)

Algumas anotações para um futuro romance que nunca escreverei, ambientado em um futuro próximo, onde as leis são um pouco diferentes ma non troppo. A trama se desenvolverá através de três episódios independentes.

* * *

Seu Antenor recebe uma carta exigindo sua presença no Juizado de Menores, onde é informado que a escola de seu filho, Leonardo, o recomendou para um aborto compulsório.

Estou com a ficha do Leonardo aqui, diz o juiz. Ele tem dificuldade de aprendizado, já repetiu duas séries, vive batendo nos coleguinhas, um criador de caso, seu Antenor.

Sim, mas, mas...

Passei os últimos dois dias revisando a ficha, para ter certeza de não estar cometendo nenhuma injustiça. Reparei também que o senhor e sua esposa já tem um outro filho homem, Chiquinho, de 7 anos, então não vai haver questão de não ter varão para passar adiante o nome da família.

Não estou entendendo. De onde partiu isso?

Da escola, seu Antenor. Recebemos uma carta dos professores do Leonardo, endossada pela diretora, recomendando o-

Pela dona Mariluce? Mas ela adora o Leo, estava tentando ajudá-lo...

Eu sei que é difícil de o senhor enxergar isso agora, seu Antenor, mas ela ainda está. Dona Mariluce gosta muito do Leonardo. Eu a conheço faz tempo, ela só recomenda o aborto compulsório nos casos realmente incorrigíveis. Ela está inclusive ajudando o senhor e a sua esposa, para que possam concentrar melhor seus esforços no outro filho, o que ainda tem jeito.

Como pôde a Dona Mariluce recomendar uma coisa dessas?!

Dona Mariluce está apenas cumprindo seu dever. O senhor esquece que as escolas são obrigadas por lei a reportar os jovens incorrigíveis. Senão, amanhã seu filho comete um crime e a escola também pode ser responsabilizada.

Mas recomendar que ele seja morto, assassinado!

Não usemos palavras tão duras, seu Antenor. O Leonardo só tem dez anos, ainda não é uma pessoa completamente formada. Por enquanto, ele ainda é apenas uma coleção de células. Não é um assassinato, somente um aborto. Um procedimento cirúrgico simples, relativamente indolor, como tirar uma verruga, besteirinha, o senhor vai ver.

Isso é um absurdo! Eu amo o meu filho mesmo ele sendo um pouco violento e meio burrinho! Ele tem defeitos mas é cuspe do meu cuspe!

Seu Antenor, quanto egoísmo, o senhor me decepciona. Será que não pensa no bem da coletividade? Estudos já indicaram conclusivamente que a queda da criminalidade dos últimos anos está ligada diretamente à flexibilização nas leis do aborto. As crianças que foram abortadas são justamente as que iriam crescer pra se tornar assassinas, ladras, traficantes, garotas do Tchan, redatoras do Pânico, blogueiros de direita e assessoras parlamentares. Podendo cortar esse mal-

Não vou deixar vocês matarem meu filho!

Lá vem o senhor de novo com esse linguajar politicamente incorreto, seu Antenor. Assim eu fico magoado. Aqui somos todos funcionários públicos conscienciosos fazendo nosso melhor em prol da nação e da coletividade, pátria amada, salve salve. Ninguém aqui vai matar ninguém.

Só o meu filho, porra! Meu filho! E se fosse o seu filho?

Os olhos do juiz se enchem d'água, ele embarga um pouco a voz, abre a carteira e puxa uma foto:

Esse aqui é o Gabriel. Meu primeiro filho. Ele foi pego (o juiz mal consegue falar) beijando um outro menino atrás do campo de futebol... Já tinha sido suspenso duas vezes por colar, estava com nota baixa de comportamento, e a escola recomendou seu aborto. Ele estaria fazendo 25 anos esse mês.

Seu Antenor não sabe onde se enfiar:

Perdão, eu não sabia...

Não tem problema, seu Antenor, foi melhor assim. Eu e minha esposa pudemos nos dedicar melhor a nosso outro filho, ele teve chance de ir a uma universidade mais cara (que não poderíamos pagar se tivéssemos dois filhos) e, hoje, ele está crescido, já me deu um neto e é deputado da bancada evangélica. Os anos se passaram e reconheci que a escola do Gabriel estava mesmo com razão quando o recomendou para o aborto compulsório.

O senhor juiz me desculpe, mas o MEU filho ninguém vai abortar não.

Esse seu individualismo egoísta não vai ajudar em nada a sua situação. É muito fácil para o senhor ver apenas sua situação, falar do "seu filho", blá blá, mas nós, funcionários públicos conscienciosos fazendo o nosso melhor em prol da nação e da coletividade, pátria amada, salve salve, temos que pensar nos interesses de todos os brasileiros. Hoje, o senhor está aí, abraçando um menino inofensivo de 10 anos, mas amanhã, quando ele arrombar um carro e roubar um rádio, o que o proprietário pensaria disso tudo? Será que não viria aqui nos acusar de termos sido relapsos na defesa da sua propriedade? Eu acho que sim. O que é um aborto, um procedimento cirúrgico simples, como retirar uma verruga, comparado com o sacrossanto direito de propriedade? Não acredito que o senhor não entenda uma coisa tão simples!

Mas seu Antenor não entende. Ele chega em casa, manda Leonardo preparar uma trouxa de roupas e fogem. Acabam encontrando outros meninos fugitivos do aborto compulsório e formam uma uma sociedade secreta nos esgotos da cidade. Com o tempo, começam a travar contato com quilombos de fugitivos nas matas próximas. Em breve, Leonardo assume o nome de Zumbi, consegue unir todos os quilombos sob seu comando e ameaça derrubar o governo. As autoridades reagem etc etc.

Esqueci alguma coisa? Não coloquei algum argumento que eles poderiam ter usado? Você acha que a história poderia acabar de outro jeito? Dê sua sugestão.

 Aborto REGINA DE CASTRO Aborto, Suicídio e Pena de Morte CELSO MARTINS

 Drama do Aborto: em Busca de um Consenso, O ANIBAL FAUNDES JOSE BARZELATTO Aborto?... Nunca!...: 40 Razões FELIPE AQUINO

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22.05.08

O Aborto Retroativo (Episódio Dois)

Algumas anotações para um futuro romance que nunca escreverei, ambientado em um futuro próximo, onde as leis são um pouco diferentes ma non troppo. A trama se desenvolverá através de três episódios independentes.

* * *

A família entra no Posto de Saúde Municipal. Seu João, dona Maria e os três filhos, Paulinho, de 13, Juquinha, de 10 e Claudinha, de 8. O atendente pergunta o que desejam.

Viemos realizar um aborto retroativo.

O rapaz olha para as crianças: em qual deles?

No do meio, o Juquinha.

Juquinha se vira para a mãe, sabe que o pai está mais decidido, vai ser impossível de convencê-lo, e implora mais uma vez: mãe, mãe, por favor, eu juro que vou ser bonzinho, eu juro, eu juro.

Calaboca Juquinha!, grita o pai, você já falou isso ontem mas não comeu nem metade da salada e foi malcriado com sua irmã!

Mas João, tenta dizer a mãe.

Mas nada Maria, a gente já conversou sobre isso em casa.

Paulinho dá um chute na canela do irmão e fala, hehe, vou ficar com o quarto só pra mim. E leva um pescotapa do pai.

Lá dentro, enquanto confere os documentos que provam a paternidade de Juquinha, o médico tenta convencê-los:

Os senhores estão convictos? Aborto não tem volta. Sim, o Juquinha não passa de um amontoado de células com o potencial de se tornar humano, mas agora esse potencial nunca vai se realizar. Vocês têm o direito constitucional ao aborto, ninguém questiona isso, o que não quer dizer que devam fazê-lo.

Já conversamos muito, doutor, estamos decididos.

Bem, pra poder encerrar retroativamente a ficha dele no SUS, eu preciso incluir as razões do aborto.

E precisa? Ó a cara dele. É um menino abusado, perguntador, irrequieto, insuportável. Não obedece, mata aula, não faz dever, bate na irmã, não se dá bem com o irmão, não come as verduras, só quer saber de se empanturrar de porcaria, conta piadas infames o tempo todo. E tem mais, eu ainda acho que ele é meio efeminado.

Meu senhor, todos sabemos que a homossexualidade é uma deficiência debilitante, reprovável e imoral, mas já existem casos - poucos, é verdade - de homossexuais vivendo vidas longas e quase gratificantes, não é justificativa pra aborto retroativo.

Não quero arriscar essas coisas na minha família, não, doutor. Se fosse filho único, eu até mantinha, sabe?, mas já temos outros dois que se comportam, tiram boas notas e lavam até a louça. Amanhã esse daí cresce, sei lá que besteiras ele vai fazer, é melhor abortar logo, doutor, é melhor assim.

O médico encara dona Maria: a senhora tem certeza?

Maria abaixa a cabeça: tenho sim senhor.

Olha lá, diz o médico, vocês ainda têm mais dois anos para fazer o aborto retroativo. Não querem esperar mais um pouco pra ver se ele não toma jeito?

Pela primeira vez dentro do consultório, Juquinha fala: isso, pai, por favor, por favor, eu juro que me comporto, faz isso não, amanhã é o último episódio da 108º temporada de 24 Horas, por favor!

Doutor, me disseram que é só um procedimento cirúrgico simples. Como tirar uma verruga, não é?

Sim, mas...

Então, aborta esse menino.

Paaaiiii!

A gente pode marcar a operação pra semana que vem...

Pode fazer hoje, não, doutor?

Poder pode, mas...

Então, aborta esse menino agora!

O médico começa a preparar sua seringa...

Poucos anos depois, um Juquinha musculoso e queimado de sol reaparece em casa. Na verdade, não foi abortado. O médico apenas lhe colocou para dormir e ele acordou em uma fazenda, no interior do estado, junto com outros meninos pretensamente abortados, onde passavam seus dias cortando cana, plantando café e fazendo tênis da Nike. Eram os sortudos. Muitos outros tornaram-se escravos sexuais de políticos e bispos, alguns até mesmo doaram seus órgãos compulsoriamente para figurões da república.

Mas Juquinha era um líder nato, uniu todas as facções, impôs a paz, liderou uma revolta, venceu os capatazes e conseguiu fugir. Agora estava em casa. Finalmente.

Seus pais não perderam tempo. Imediatamente, processaram o estado pelo aborto retroativo mal-feito. Além de ganharem uma indenização polpuda, o governo ainda foi condenado a pagar todas as despesas de Juquinha pelo resto da vida. Final feliz.

Ou então, ou então.

Depois do aborto retroativo, Dona Maria e Seu João começam a limpar as coisas de Juquinha. Encontram muitos cadernos cheios de números e fórmulas. Não entendem nada. Aquele capeta nunca foi de estudar. Pedem para Paulinho mostrar aqueles rabiscos para o professor de matemática da escola.

O professor liga nessa mesma noite. Está maravilhado. Nem mesmo ele conseguiu entender completamente os rabiscos - Juquinha tinha péssima caligrafia - mas entendeu o bastante para saber estar diante de algo extraordinário. Marcou de mostrar as anotações para um colega na universidade. Eles não gostariam de ir?

Entre os acadêmicos, a comoção é geral. O catedrático de Matemática Pura abre o champanhe. O lente de Matemática Abstrata mal consegue falar. O livre-docente de Matemática Aplicada chega a ficar de pau duro. Mas, mas, quem é esse gênio?, o quê?, só um menino?!, não pode ser!, ele solucionou sozinho o Paradoxo de Rosencranz e Guilderstern, que todos os matemáticos do mundo tentam resolver há centenas de anos, eu mesmo considerava insolúvel, e está aqui, provado até a décima-quinta casa decimal!

Enquanto os matemáticos celebram, vai passando um professor de medicina que se aproxima pra ver o motivo de tanta confusão, olha para as folhas com mais cuidado e, de repente, grita: meu deus, o que é isso?, está aqui!, explicadinho, nas margens dessa folha de caderno, a cura do câncer!, a cura da aids!, a cura da homossexualidade!, um novo xarope contra a gripe!, nos últimos detalhes, quem escreveu isso?, essa pessoa merece o Nobel de Medicina!

Ele tenta arrancar as folhas das mãos dos matemáticos ("esse menino pertence às biológicas!") quando vai passando um professor de filosofia, pega uma folha que caiu no chão, passa os olhos por cima e já sai gritando: meu deus, é isso!, é isso!, como nunca tinha pensado nisso antes!, é o sentido da vida!, a resposta da existência!, bem aqui, nessa folha de caderno!, quem foi o gênio que escreveu isso?!, etc etc.

Ou então, ou então, ou então!

No meio da festa, o professor de medicina pega aquelas folhas, lê com um pouco mais de calma e grita: esperem, olhem! Ele não apenas curou o câncer! Ele controlou o câncer!

Dona Maria, com as lágrimas cheias d'água de pensar no filho abortado retroativamente, pergunta: como assim, qual é a diferença?

Ele controlou TODO o processo cancerígeno!, grita o professor. Com esse conhecimento, ele poderia não só curar o câncer mas também causá-lo! Nas mãos erradas, essa invenção poderia ser a arma mais mortífera de todos os tempos. Ou então livrar para sempre a humanidade de sua doença mais terrível! Nunca saberemos.

Nessa hora, seu João pigarreia, recolhe os papéis espalhados pela mesa e diz:

Melhor assim então. O menino arrancava asa de passarinho e tudo. Era meu filho, eu sei. E vambora, Maria, que você ainda tem que fazer o almoço.

Esqueci alguma coisa? Não coloquei algum argumento que eles poderiam ter usado? Você acha que a história poderia acabar de outro jeito? Dê sua sugestão.

Amanhã, o aborto compulsório.

 Aborto REGINA DE CASTRO Aborto, Suicídio e Pena de Morte CELSO MARTINS

 Drama do Aborto: em Busca de um Consenso, O ANIBAL FAUNDES JOSE BARZELATTO Aborto?... Nunca!...: 40 Razões FELIPE AQUINO

 Domínio da Vida: Abortos, Eutanásia e Liberdades Individuais RONALD DWORKIN Sacramento do Aborto, O GINETTE PARIS

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21.05.08

O Anti-Aborto Preventivo (Episódio Um)

Algumas anotações para um futuro romance que nunca escreverei, ambientado em um futuro próximo, onde as leis são um pouco diferentes ma non troppo. A trama se desenvolverá através de três episódios independentes.

* * *

Lucas e Natália são namorados há alguns anos, relação estável, cada um na sua casa, ambos bem-sucedidos em suas carreiras.

Por acaso, Lucas descobre que Natália está grávida e já de aborto marcado. Pergunta se o filho é dele, ela confirma. Natália não quer ter filho agora, é ginasta, iria acabar com sua carreira.

Como é que você não me conta uma porra dessas?! Meu filho!

Não contei justamente porque sabia que você iria querer ter a criança.

Claro! Você não pode tomar essa decisão sozinha. É meu filho também.

Você não tem nada a ver com isso, Lucas.

Claro que tenho. Se essa criança nascer, eu sou legalmente obrigado a sustentá-la por mais de vinte anos. Não faz sentido eu ser responsável por ela SE nascer, mas não ter direito a dar pitaco sobre se vai nascer ou não.

Pois não tem, é uma questão 100% feminina e pronto.

Ele chora, se desespera. Eles se amam, tiveram tantos momentos, têm tantos planos e sonhos, ela sabe que seu maior sonho é ser pai, não pode fazer uma coisa dessas sem ao menos conversar com ele.

Lucas implora: eu faço o que você quiser, crio o filho sozinho, assino um contrato, me comprometo a nunca lhe cobrar nada, se quiser nem revelo pra criança o seu nome, tudo o que você vai ter que fazer é parir.

Parir é justamente o que não posso fazer. É fácil pra você falar, mas está chegando minha última olímpiada, minha carreira acontece ou acaba de vez. Ter filho não vai fuder a SUA vida! O seu trabalho fica todo igual, mas eu tenho que destruir o MEU por causa do SEU filho. É o cúmulo do egoísmo. Se você quer tanto um filho que emprenhe outra. Ou adote. Ou carregue no seu ventre, sei lá.

Não é MEU filho, é NOSSO. Você quer matar nosso filho, que seria seu dever proteger e amar, e ainda diz que o egoísta sou eu!

Não vou matar ninguém. Você está fazendo drama à toa. Quem vai ter que se operar sou eu. É um procedimento cirúrgico banal, como retirar uma verruga. Aliás, o embrião, agora, está menor do que uma verruga. É uma coleção de células, nada mais.

Células que daqui a 30 anos podem estar nos dando um neto, se você deixar.

Você acha que é simples pra mim? Acha que quero fazer isso? Acha que não é um decisão difícil?

Não sei, responde ele, se é só uma coleção de células, se é fácil como tirar uma verruga, então a decisão não deveria ter nada de difícil. O que dificulta é que você sabe que o buraco é mais embaixo, sabe que está matando seu filho pra salvar sua carreira.

Sai daqui, sai DAQUIIIII!

Natália expulsa Lucas de casa. Ele vai a polícia. Eles não podem ajudar. O aborto é legal. Ele que emprenhe outra, diz o prestimoso PM.

Procurando na web, Lucas descobre uma ONG sobre direitos humanos masculinos ("protegendo a minoria mais discriminada: o homem branco jovem") e vai procurá-los. Eles são meio machistas, reaças e religiosos demais, mas são sua única chance. Recomendam que ele procure o Juiz Fulano, simpático à causa, e peça uma ordem-jurídica-legal-cautelar-de-emergência-blá-blá-blá.

No dia seguinte, Natália é acordada pela polícia. A ação impetrada por Lucas a impede de realizar o aborto enquanto não for a julgamento. Enquanto tramita, será vigiada dia e noite por policiais da Delegacia do Homem.

Natália entra em desespero. Sabe que a ação nunca será julgada. Só o que precisam é impedi-la de realizar o aborto por mais um mês. Depois disso, o aborto seria ilegal.

Usando suas habilidades de ginasta, Natália escala um prédio, pula por uma janela, etc, e foge da proteção policial.

(Um policial vê o salto e comenta: caramba, impressionante. E o outro: que nada, viu como ela pousou com o pé direito antes do esquerdo? Eu dava no máximo nota oito.)

Lucas entra em desespero, pensando que seu filho pode estar sendo morto naquele exato momento. Como última cartada, vai a um dos lugares preferidos de Natália, onde ela sempre ia para pensar, e a encontra lá.

Natália está pronta a defender sua carreira e seu direito de escolha com unhas e dentes. Lucas está pronto a defender seu filho e seu direito a vida com unhas e dentes.

Chorando muito, no limite de suas forças, ele puxa uma arma do bolso. Mas o que fazer com ela? Será essa uma questão que pode ser resolvida à bala? Se fosse novela, aqui seriam as cenas do próximo capítulo.

Eles brigam, quase se matam, discutem mais ainda e Natália consegue escapar. O meio do livro será recheado de escapadas e perseguições, pelo menos um caminhão de leite tem que explodir ao impacto com um patinete desgovernado, até que Natália é finalmente capturada, o assunto ganha todos os jornais, incendeia o debate público, até o Amaury Jr comenta.

Finalmente, em um dos exames pré-natais, descobre-se que o bebê vai nascer acéfalo. Lucas e Natália ainda tentam conseguir permissão para o aborto, mas é tarde. O Juiz Fulano, religioso até a medula, não permite que a ação cautelar seja desfeita. Faz parte do plano de deus que aquela criança nasça sem cérebro e viva apenas por um segundo. Essa é a sua missão e ninguém tem nada a ver com isso, amém, glória ao senhor.

O bebê nasce e morre, a luta frustrada contra o Juiz Fulano reaproxima Lucas e Natália, a repercussão do caso na mídia faz com que Natália seja contratada menina-propaganda de uma conhecida marca de anticoncepcionais e a tranquilidade financeira do novo contrato permite que ela dê a volta por cima, vença o atraso, recupere sua forma física e, ao som de Carruagens de Fogo, ganha medalha de ouro em sua categoria. Dois meses depois da olímpiada, ela anuncia simultaneamente sua aposentadoria e sua nova gravidez. Natália, Lucas e seus 12 filhos, todos céfalos, vivem felizes pra sempre, ela em casa cuidando na prole e ele, bom provedor, trabalhando fora pra sustentar essa boiada.

Ou isso ou então, mais provável, eles se separam inimigos pra sempre, Lucas nunca deixa de pensar que foram as acrobacias de Natália na fuga que fizeram o bebê nascer sem cérebro, Natália perde sua carreira e tem que trabalhar no quiosque de informações de um shopping de subúrbio ("eu te conheço de algum lugar, não é você aquela moça que não queria ter o filho?, acho que te vi na Márcia") e os dois passam o resto de suas vidas se odiando, rasgando as vestes e trincando os dentes.

Esqueci alguma coisa? Não coloquei algum argumento que eles poderiam ter usado? Você acha que a história poderia acabar de outro jeito? Dê sua sugestão.

Amanhã, o aborto retroativo.

 Aborto REGINA DE CASTRO Aborto, Suicídio e Pena de Morte CELSO MARTINS

 Drama do Aborto: em Busca de um Consenso, O ANIBAL FAUNDES JOSE BARZELATTO Aborto?... Nunca!...: 40 Razões FELIPE AQUINO

 Domínio da Vida: Abortos, Eutanásia e Liberdades Individuais RONALD DWORKIN Sacramento do Aborto, O GINETTE PARIS

Se puder, compre algum desses livros clicando nos links acima - ou qualquer outra coisa no Submarino, entrando de um dos links desse blog. Eu ganho uma comissão de 8% e você ganha a satisfação de ajudar um escritor infeliz que está aqui nessa trincheira lutando o bom combate.

 

20.05.08

Aborto - Updated

Estou escrevendo uma tese sobre a ausência da escravidão na literatura brasileira do século XIX. Apesar de estar por todos os lados, apesar de fazer parte da vida cotidiana de todos, apesar de gerar dramas humanos terríveis e debates filosóficos intensos, a escravidão mal aparece em nossa literatura. Retratada somente pelas bordas, jamais foco da atenção.

A literatura naturalmente reflete os grandes temas do seu tempo. A razão é simples. Descobrir pi até o 43º algarismo pode ser apaixonante para matemáticos, mas tem muito pouco impacto na vida prática das pessoas nas ruas. Os grandes temas de uma época são justamente aqueles que impactam a vida de todas as pessoas, que mexem com seus preconceitos, que modificam suas experiências, que causam dor, morte, alegria - todos ingredientes essenciais do drama humano que é o estofo da boa literatura.

E, apesar disso, nenhum de nossos grandes autores enfrentou a questão da escravidão.

Dito isso, comecei a pensar nas teses de daqui a duzentos anos. Que temas os acadêmicos de 2206 vão nos acusar de ignorar? Que temas cruciais são esses que a nossa literatura deveria refletir?

Um deles, sem dúvida, é o aborto. Poucos assuntos poderiam ser mais complexos e emocionais, mais cheios de poréns e todavias, mais assombrados por imperativos morais e relativismos concretos.

Qualquer um que diga que tenha uma resposta simples, uma posição inequívoca, uma postura sem compromisso, ou é um idiota ou não considerou todos os lados da questão.

Dois grupos quase sempre histéricos e exagerados dominam o debate. Ambos tentam nos convencer que sua posição é obvia e auto-evidentemente a única correta e que a posição do outro grupo é, pra todos os fins e efeitos, perversa e demoníaca.

Um deles se diz a favor da vida (como se o outro fosse contra a vida!), mas ambos definem vida de forma bem diferente.

Um deles se diz a favor da escolha (como se o outro fosse contra escolha!), mas o outro alega que não podemos "escolher" cometer homícidio - entretanto, só será homicídio dependendo de como se define vida, o que nos leva de volta à primeira questão.

É preciso ser muito fanático, radical e maniqueísta pra não reconhecer que ambos têm argumentos convincentes. Cabe a nós, cidadãos de uma democracia, resolver esse dilema, tomar nossa decisão, pressionar nossos parlamentares. Enquanto isso, o tempo urge. A questão tem impacto direto na vida de milhares e milhares de pessoas. Drama humano, meus amigos.

Esse blog deturpou meu pensamento. Nunca fui ensaísta nem polemista. Ficar dando minha opinião assim, na primeira pessoa, como eu mesmo, fodeu com minha capacidade de empatia e me fez muito egocêntrico. Sou, sempre fui e sempre serei um ficcionista. E minha contribuição eu dou através da ficção. O bom escritor é o que sabe se colocar na pele de todo mundo. Quando manda bem, você nem sabe sua verdadeira opinião.

A partir de amanhã, um esboço de um romance sobre aborto em três episódios.

Parte I: O Anti-Aborto Preventivo

Update

Tenho um posicionamento que concilia as duas opiniões: Sou a favor da vida, logo sou contra "O" aborto. Porém... Sou a favor da escolha, logo sou a favor d"A LEGALIZAÇÃO" do aborto. Não há nenhum paradoxo aqui. Apenas considero que essa não é uma questão que deva ser regulada pelo Estado.

O mais triste desse comentário é que talvez seu autor realmente não enxergue sua contradição e se ache sinceramente um conciliador, talvez candidato ao Nobel da Paz.

Infelizmente, ele não concilia nada e chega a ser desrespeitoso em seu completo desprezo pelos argumentos do outro lado: somente demonstra o diálogo de surdos que domina a questão.

Dado que uma parte significativa da população considera que o aborto é assassinato pura e simples, não dá se argumentar que "é uma questão de escolha", "relativa ao corpo da mulher" e "que não deve ser regulada pelo Estado". Esse tipo de argumento ignora completamente os enormes desdobramentos éticos, filosóficos e religiosos da questão, como se não fossem nem ao mesnos dignos de serem considerados.

Diante do argumento "aborto=assassinato", não faz sentido você rebater que é "uma simples questão de escolha que não deve ser regulada pelo Estado" e achar que isso vai resolver a conversa, porque seu interlocutor, logicamente, vai responder que assassinato não é questão de escolha e que o Estado surgiu, entre outras coisas, pra regular o assassinato. Também não adianta dar argumentos práticos e de saúde pública, falando sobre as mortes em abortos ilegais, impacto no SUS e diminuição da criminalidade, porque "assassinato", esse grande tabu da nossa sociedade, super-trunfa todos esses argumentos. Aos ouvidos de um religioso, seria como dizer que deveríamos legalizar o crime porque muitos criminosos estão se machucando fugindo da polícia: se legalizarmos o roubo, eles não vão mais precisar sair correndo pela rua pra não ser presos, coitadinhos.

Reparem que não estou dizendo que aborto é assassinato, mas também não estou dizendo que não é: digo somente que esse é o centro nevrálgico da questão, que não pode ser ignorado ou evitado.

Se aborto não é assassinato, então todos os argumentos dos anti-aborto caem por terra, se tornam um grande escarcéu por nada, por um procedimento cirúrgico como tantos outros.

Se aborto é assassinato, então todos os argumentos dos pró-aborto empalidecem na comparação e também caem por terra, pois o assassinato não é uma questão femininina, de saúde pública e, muito menos, de escolha individual.

Talvez seja uma das questões mais importantes e complexas do nosso tempo. Se você acha que a resposta é simples, ou que é passível de ser resolvida com um sofisma de três linhas, eu diria que há grandes possibilidades de você ser um idiota.

Update II

Eu sou um homem feliz. Sempre acho que o mundo é lindo, que as pessoas são boas, que tudo vai acabar bem. Os comentários de posts como esse e da série sobre racismo são importantes para o meu crescimento espiritual porque me esfregam na cara algumas verdades duras que eu vivo esquecendo: que o mundo é uma lugar muito muito feio e que as pessoas são raivosamente ruins.

* * *

Para quem quiser saber minhas posições religiosas:
Prisão Religião
Pessoas-Que-Acreditam-em-Coisas

 Aborto REGINA DE CASTRO Aborto, Suicídio e Pena de Morte CELSO MARTINS

 Drama do Aborto: em Busca de um Consenso, O ANIBAL FAUNDES JOSE BARZELATTO Aborto?... Nunca!...: 40 Razões FELIPE AQUINO

 Domínio da Vida: Abortos, Eutanásia e Liberdades Individuais RONALD DWORKIN Sacramento do Aborto, O GINETTE PARIS

Se puder, compre algum desses livros clicando nos links acima - ou qualquer outra coisa no Submarino, entrando de um dos links desse blog. Eu ganho uma comissão de 8% e você ganha a satisfação de ajudar um escritor infeliz que está aqui nessa trincheira lutando o bom combate.

 

19.05.08

Telefones

Estou indo pro Rio na segunda e, como não tenho nenhum trabalho de consultoria rolando, estou sem internet em casa e não vou colocar. Já programei posts pro blog até o final de maio. Já mandei minhas colunas pra Tribuna. Quem quiser falar comigo ou me encontrar, no Rio ou em São Paulo, recomendo me mandar rápido seus telefones por email. Chega dessa vida na Internet!

 

03.05.08


Categorias: Cotidiano, Contos

Homem Chorando É Sexy?

Eu confesso que, dentro de certos contextos específicos que não serão exemplificados, eu acho sexy chorar e acho mais sexy ainda estar com uma mulher que acha sexy eu chorar.

Galeria de fotos de galãs de Hollywood chorando.

 

25.04.08


Categorias: Comportamento, Contos

Elite Brasileira Aprova Tortura

Pesquisa do IBOPE revela que 26% dos brasileiros admitem que, se fossem policiais, torturariam suspeitos. Mais interessante ainda, esse percentual é de 19% entre os que ganham até um salário mínimo, mas de 42% entre quem ganha mais de cinco. O Matamoros, apesar de se definir como um "pessimista quanto ao gênero humano", claramente era otimista em relação à elite brasileira, pois se chocou. Naturalmente, em qualquer lugar do mundo, quanto mais bem educada uma pessoa, menos ela apóia técnicas bárbaras como a tortura. Exceto no Brasil, claro.

Confesso que comecei a escrever um texto longo, articulado e argumentativo, explicando porque os resultados da pesquisa me parecem previsíveis e auto-evidentes, mas desisti. Meu novo projeto de ser humano inclui tentar ser menos opinativo e mais ficcional: calar um pouco a boca e deixar minha ficção falar por mim.

A piada-parábola abaixo já diz tudo o que teria pra dizer.

* * *

O generalíssimo e um dos seus ministros estão fazendo um tour das dilapidadas escolas de sua bananeira república. As escolas não têm cadeiras, não têm quadro-negro, não têm giz, não têm merenda, não tem porra nenhuma. As professoras imploram medidas urgentes ao generalíssimo e ele só colocando panos quentes:

Assistir aulas de pé faz bem às crianças, fortalece as articulações. Sem quadro-negro, elas vão ter que exercitar mais a memória e ficarão mais espertas. Pra que merenda? De estômago cheio, elas ficarão sonolentas e vão se desconcentrar, etc.

No mesmo dia, o generalíssimo e o ministro vão visitar as prisões locais. As más condições de vida deixam o fragoroso líder indignado.

Como assim, apenas quatro refeições por dia? Como assim carne de primeira somente cinco vezes por semana? E essas camas sem colchão? Esses banheiros apertados? Somente oito horas de banho de sol por dia? Isso é um absurdo.

E prontamente assina decretos se comprometendo a dar um quarto com banheiro particular pra cada prisioneiro, um chef gourmet pra preparar as refeições, linha telefônica individual, tudo de bom e do melhor, é o mínimo que se pode fazer por essas pobres pessoas!

Lá fora, bem discreta e submissamente, o ministro pergunta ao generalíssimo se ele tem certeza do que fez, se o dinheiro a ser gasto com os prisioneiros não poderia ser melhor empregado com os famintos aluninhos da rede pública.

O democrático presidente alisa seu portentoso bigode e confidencia:

Pela escola, já passamos, meu caro ministro. Pela prisão, nunca se sabe...

* * *

Piadas não são só piadas. Piadas nos ajudam a entender melhor quem nós somos, nossos gostos, preconceitos, medos, preferências. Pelas piadas, se conhece uma civilização. Quando uma piada transcende sua função imediata de fazer rir e transmite conhecimentos inestimáveis sobre a cultura que a criou eu a chamo de Piada-Parábola. E elas tendem realmente a entrar no imaginário popular, como no caso do amigo da onça ou do famosobode. Outras piadas-parábolas:

Nº1: Os Dois Caipiras (explica porque a esquerda só sabe ser oposição e só faz merda no governo)

Nº2: O Judeu e os Barbeiros (explica o preconceito)

Nº3: A Cindy Crawford (explica os homens)

Nº4: A Onça (explica o mercado e a livre-concorrência)

Nº5: Muita Pizza (explica que tudo é relativo)

Nº6: O Bode (a melhor: explica tudo, rigorosamente tudo)

Nº 7: O Concurso de Polícias (explica o caso Staheli, o inquérito da morte do PC, até o caso Baumgarten)

Nº8: A Sala de Espera (explica as vantagens do inconformismo)

Nº9: Os Índios (explica a lealdade)

Nº10: O Touro e As Vacas (explica a infidelidade, a monogamia e a libertinagem)

Nº11: O Velho Cientista (explica a burrice)

Nº12: Tudo É Relativo (explica a Teoria da Relatividade, o revisionismo moral e estético dos pós-estruturalistas e mostra que tudo, tudo mesmo, é relativo)

Nº13: A Tinta Vermelha (explica as ditaduras)

Nº14: As Escolas e As Prisões (explica desde o funcionalismo público até a política latino-americana de modo geral)

 

14.03.08

Ficção vs Não-Ficção

Teoria da Literatura Vivem me perguntando: "afinal, o que é literatura?", "Paulo Coelho é literatura?", "Agatha Chrstie é tão gostoso de ler, por que não é literatura?", "Livro legal não pode ser literatura?" *puxa a camisa* "Responde, tio!"

* * *

Semana passada, eu tirei o fim de semana para escrever para o blog. Em dois dias, escrevi 57 páginas (15 mil palavras) de bons textos, textos de idéias, textos sobre pessoas, textos controversos e articulados. Esse fim de semana agora, eu tirei para o meu romance. Depois de 13 meses de trabalho, tenho prontas 34 páginas (11 mil palavras). Alguns amigos e leitores não entendem a discrepância: como pode uma coisa ser tão rápida e outra, tão lenta? E eu fico pensando que talvez não entendam exatamente o que é literatura.

Teoria da Literatura: uma Introdução Não, eu também não sei o que é literatura. E, se soubesse, não iria cagar regra pra vocês: nem os críticos literários conseguiram se decidir ainda quanto a uma definição unânime de literatura. Como sempre, então, vou falar só de mim: das diferenças entre meus textos de ficção e não-ficção.

Em minha não-ficção (inclui meus livros de crônicas Radical Rebelde Revolucionário e Liberal Libertário Libertino, a maioria dos textos desse blog e minhas colunas para a Tribuna), a linguagem é somente uma ferramenta para o enredo ou para o argumento. Sim, ela é trabalhada cuidadosamente, mas apenas para melhor transmitir o conteúdo sendo expresso. A linguagem, em si, não é uma atração. O texto não-ficcional não chama atenção para o fato de ser texto: idealmente, ele é invisível. Introdução à Teoria da Literatura

Em minha ficção (inclui meu romance Mulher de Um Homem Só e meu livro de contos Onde Perdemos Tudo), a linguagem é parte intregrante do espetáculo. O texto literário é aquele que não quer ser transparente: ele lembra ao leitor, o tempo todo, de que a linguagem é uma convenção humana, uma criação traiçoeira. A literatura é complexa e sempre se apresenta em forma de enigma: quanto mais parece simples, menos o é. Se for, ou não é literatura ou você perdeu alguma coisa. Enquanto a historinha acontece na superfície (o príncipe dinarmarquês que vê um fantasma, o homem que vira inseto, o defunto que narra do pós-tumulo), muito mais coisa acontece abaixo, em camadas mais e mais profundas, no espaço vazio entre as letras, nas entrelinhas: o texto literário é justamente aquele que não se limita a contar uma historinha. Todo texto literário também tem algo de poesia: as palavras não transmitem apenas um conteúdo, elas são o conteúdo. O som, o ritmo, a voz, as lacunas, as aliterações, as metáforas, tudo é proposital. Em um texto literário, até os hífens são deliberados: cada palavra conta, principalmente as não ditas.

O sentido do texto de não-ficção é o argumento exposto ou a história narrada. Já o texto literário é aquele que borbulha de sentido em cada vírgula.

* * *

Por exemplo, o leitor literário, bom entendedor, que sabe ler nas entrelinhas, vai sacar logo a mensagem principal desse texto: titio Alex está levando uma surra do seu romance. Ai ai, escrever pro blog é mais fácil, paga melhor e tem gratificação instantânea... Mas e a arte?

* * *

Acabei de postar a terceira versão, ainda incompleta, de A Morte do Cachorro, primeira história o meu romance em andamento Empregadas & Escravos. Para quem tem acesso, o link é esse: preciso de feedback urgente! O blog do livro é só para convidados: basta estar logado no Google/Blogger/Orkut para entrar. Quem comprou meu livro Onde Perdemos Tudo tem direito a convite, basta pedir.

Aproveite e dê uma olhada nos meus livros:

Radical Rebelde Revolucionário Onde Perdemos Tudo, por Alex Castro

 

05.02.08


Categorias: Contos, Livros, Artes

Empregadas & Escravos, Romance em Andamento

Acabei de postar a terceira versão, ainda incompleta, de A Morte do Cachorro, primeira história do meu romance em andamento Empregadas & Escravos. Quem preferir esperar ficar pronto, eu entendo. Esse rascunho é mesmo só para curiosos e estudiosos do método de composição. Se quiserem bater papo sobre esses assuntos, eu adoro, claro.

Enfim, o texto é bem experimental e nem tudo funciona. Não preciso de gente que me passe a mão na cabeça (minha avó já faz isso, ela diz que tudo o que eu escrevo é lindo), mas que me ajude a identificar o que não funciona. Essa conversa com leitores inteligentes e críticos ao longo do processo ajuda MUITO! Então... HEEEELP!!!!

O blog do livro é só para convidados: basta estar logado no Google/Blogger/Orkut para entrar. Os compradores do meu livro de contos Onde Perdemos Tudo também têm direito a convite, basta pedir.

Um trecho:

Manoel dobrou ao centro, desceu o corredor, deslizou pelo carpete, armadura chinesa da escola cusquenha, richaud de petit bronze estilo Companhia das Índias, mesinha de cristal murano Luis XVII, desviando, desvelando, desencostando, espadas de mármore e lanças de madrepérola, brasões familiares com desenhos cubistas em flâmulas de porcelana

(pois é como eu lhe dizia, Manoel, a estrela-de-davi simboliza o compromisso de minha família com a terra, o javali representa nosso mecenato cultural português honra nobreza porque família linhagem (Manoel?) conhecidos como Mata-Mouros o mais importante castelo (Manoel?) o duque da Torre de Ramires feudal batalha honra Manoel?, você está prestando atenção, Manoel? Estou lhe contando a história da minha família!)

até desembocar na sala densa, sótão térreo, santuário-depósito, grossas cortinas de mármore carrara bloqueando gelosias art deco, cadeiras de prata dez dinheiros sobre tapetes biedemeyer , espevitadeiras de sèvres e escarradeiras qialong

(Flávia, você não pode mais entulhar nessa sala todas as quinquilharias que a gente não quer lá no Rio! Esse biombo (de vetri sommersi azul cobalto duplo soprado) não era pra jogar fora, Flávia? Eu não consigo andar na minha própria sala, Flávia!)

Sem encostar em nada, sem nem considerar sentar no sofá de alabastro French Country, desejando poder flutuar sobre o tapete de bronze rouge de fer, Manoel discou

Empregadas & Escravos: A Morte da Cachorra: terceira versão incompleta.

 

05.02.08


Categorias: Contos, Livros

 promoção submarino

Mulher de Um Homem Só

 Obras Completas Sigmund Freud: Edição Standard - 24 volumesObras completas de Freud, de R$960, por R$399

Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!


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Meus Livros à Venda:

  • Radical Rebelde Revolucionário
  • Onde Perdemos Tudo, por Alex Castro

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Livros Recomendados

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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
  • 41. Maio, Marcos Chor. Raça, Ciência e Sociedade. [Brasil, 1996] Jun.
  • 40. Almeida, Luana Chnaiderman de. Entremeios e Entretempos. Aproximações ao Filme Shoah de Claude Lanzmann. [Brasil, 2006] Jun.
  • 39. Levi, Primo. É Isto Um Homem? [Itália, 1946] Jun.
  • 38. Sartre, Jean-Paul. A Questão Judaica. [França, 1946] Jun.29
  • 37. Costa, Angela Marques da e Lilia Moritz Schwarcz. 1890-1914. No Tempo das Certezas. [Brasil, 2000] Jun.
  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
  • 35. Villa, Marco Antonio. Canudos. O Povo da Terra. [Brasil, 1995] Jun.7
  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
  • 32. Lima, Luiz Costa. Terra Ignota: a Construção de Os Sertões. [Brasil, 1997] Jun.5
  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
  • 26. Cunha, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. [Brasil, 1902] Mai.
  • 25. Wilder, Thornton. Bridge of San Luis Rey. [EUA, 1927] Mai.
  • 24. João de Patmos. Apocalipse. [Grécia, c.séc.I] Abr.
  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
  • 1. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Clara dos Anjos. [Brasil, 1922] Jan.

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