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Me surpreenderam as relações de alguns leitores quando se fala de classe média. Então, pergunto:
1) Você acha que existe preconceito contra a classe média no Brasil?
E, mais importante, caso você se idenfique como pertencente à classe média:
2) Já se sentiu vítima de preconceito e discriminação por ser da classe média? Como foi isso? De quem partiu essa agressão? Como isso afetou negativamente a sua vida?
Por favor, deixe o seu depoimento. É sério. Eu quero saber.
Além do racismo, outro tópico que gera desespero e denegação profunda entre os leitores do LLL é a questão das empregadas domésticas. Uma das objeções mais comuns é que eu, como sempre, estou falando só do meu mundinho, e que esse negócio de empregada doméstica já acabou faz tempo, "ninguém que eu conheço tem", todo mundo agora é diarista, etc.
Então, para os interessados lerem e para eu ter aqui no blog (e ser mais fácil de encontrar quando for fazer minha pesquisa), artigo da FSP de hoje, indicando que as diaristas representam somente 25% das empregadas domésticas brasileiras:
Empregada doméstica dá lugar a diarista
Embora ainda minoritária, participação passou de 17% para 25% do total de domésticos em dez anos, aponta estudo. Para pesquisadora, ao optar pela função de diarista, profissional ganha em autonomia, embora perca em proteção social. ANGELA PINHO, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O perfil do mercado de trabalho doméstico no Brasil mudou, e cada vez mais as diaristas ocupam um espaço em que as chamadas empregadas mensalistas eram absolutas.
A conclusão está em pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) realizada com base em dados do IBGE. De 1998 a 2008, o número de diaristas quase duplicou e, embora continuem minoritárias, elas vêm aumentando regularmente sua participação, passando de 17% para 25% do total de trabalhadores domésticos.
Os pesquisadores consideraram como diarista a profissional que disse trabalhar em mais de um domicílio e como mensalistas as que trabalham em apenas uma residência. É um critério aproximado, já que é possível haver diaristas mesmo entre as que atuam em somente uma residência.
Os dados brutos da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) trazem uma pista para explicar o fenômeno: a renda. As diaristas ganham, em média, 17% a mais do que as outras domésticas, o que dá R$ 57 a mais por mês.
Ganho maior
Foi justamente a questão financeira que fez Helena Nunes, 37, de Campinas, deixar neste ano a casa onde trabalhou por 14 anos para fazer faxina em outros lugares. Ela ganhava R$ 650 trabalhando a semana toda. Agora, cobrando R$ 70 por dia, consegue obter mais em apenas dez dias por mês.Trata-se de uma renda maior em termos, já que as diaristas que têm carteira assinada são uma minoria -somente 14%, na comparação com 30% das mensalistas.
O reconhecimento de vínculo empregatício tem variado, mas uma decisão de 2004 do Tribunal Superior do Trabalho não o reconheceu no caso de uma profissional que trabalhava três vezes por semana na mesma casa.
Ainda assim, como a renda média do emprego doméstico é menor do que um salário mínimo (R$ 351), o valor dos benefícios acaba muitas vezes ficando em segundo plano para a trabalhadora. A falta de registro em carteira, que já é vantajosa para o patrão, passa a ser opção das próprias profissionais.
Autonomia
Além disso, embora percam em proteção social, as domésticas ganham em autonomia, ao optarem pelo trabalho de diarista, afirma a pesquisadora do Ipea Natália de Oliveira Fontoura. "A gente pode pensar em uma mudança para um arranjo de trabalho mais profissionalizado, com caráter de prestação de serviços", diz.
Ilídia Batista, 57, de Brasília, morou 18 anos na casa da antiga empregadora. Saiu quando as crianças cresceram e, em vez de procurar outra residência, escolheu ser diarista para ganhar mais. "No começo, foi até difícil me acostumar a morar na minha casa, mas eu vi que posso andar do jeito que eu quero, fazer o que eu quero", diz. Agora, ela afirma não querer mais morar em outra casa.
A presidente do Sindicato de Empregadas e Trabalhadores Domésticos de São Paulo, Camila Ferrari, também notou que são muito mais raras as profissionais que moram no local de trabalho. "Antes, a empregada vinha do interior e precisava de lugar para morar. Agora, já constituiu família e quer ter a sua casa. Além disso, quem vive com os patrões acaba trabalhando da hora em que acorda até a noite", diz.
De fato, os dados da Pnad mostram uma relativa vantagem das diaristas em relação às demais empregadas no quesito carga horária. São quatro horas a menos por semana, cerca de 33 horas e 30 minutos, ante 37 horas e 30 minutos.
Essa diferença de horário, assim como a diminuição do número de empregadas que dormem na casa dos patrões, é compensada por questões demográficas. "Como as famílias estão ficando menores, há menos exigência de trabalho doméstico e, por isso mesmo, é possível ter empregada doméstica em tempo parcial", diz Simone Wajnman, professora do Departamento de Demografia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
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Homens Invisíveis: Relatos de Uma Humilhação Social, de Fernando Braga da Costa. (SP: Globo, 2004) Profundo, lindo, fortíssimo. O autor era aluno de pós-graduação de Psicologia e, como parte de um trabalho para a disciplina de Psicologia Social, teve que exercer algum emprego "humilde" - definido como não exigindo qualquer tipo de treino ou experiência. Tornou-se gari da USP e experimentou na pele a humilhação e a invisibilidade.
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Leia todos os posts sobre Empregadas Domésticas.
Não entendo muito bem o conceito de propriedade privada.
Quer dizer, hoje em dia, ele até faz sentido. Mas como surgiu? Naturalmente, é uma coisa que só faz sentido se você tem alguma propriedade, se tem algo a perder, se é rico. Para os pobres é muito mais vantajoso dividir tudo. E fico me perguntando: como os ricos, sempre em minoria, conseguiram convencer os pobres, a enorme maioria, que era do interesse deles um conceito tão absurdamente sem sentido e desvantajoso?
Fico tentando visualizar a cena. Na minha cabeça, seria mais ou menos assim:
Líder do grupo de pobres maltrapilhos:
Hmmm, deixa eu ver se entendi. Usando sua força bruta individual, você atacou cada um de nós separadamente e assim acumulou centenas de peles de animais que seriam para uso da tribo como um todo. Agora que a gente se juntou, estamos em maior número, temos a força bruta do nosso lado e viemos tirar isso tudo de você (como você tirou de nós antes), bem, hmmm, agora não pode mais, porque existe algo chamado "propriedade", o que é seu é seu, o que é nosso é nosso, e, mais ainda, se alguém pegar uma das suas peles ("roubar", como você diz), todos nós teríamos que nós unir e punir essa pessoa por ter violado seu direito, pois é do interesse de toda a sociedade, de cada um de nós, que todos respeitem a "propriedade" um do outro, é isso?
E o rico, sentado numa pilha de peles, cercado por centenas de maltrapilhos famintos, balança a cabeça, sorrindo, satisfeito consigo mesmo:
Exatamente! Você entendeu direitinho! Pode até ser o primeiro filósofo político! Eu já te contei do Contrato Social?
E o outro assobia e faz sinal chamando todo mundo:
Pra cima dele, cambada! E cuidado pra não cair sangue nas peles!
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Naturalmente, também tem a piada dos dois caipiras:
Estavam dois caipiras, pobres de doer, sentados a beira da estrada. Um deles fala:
"Cumpadi, se ocê tivesse seis fazenda, dava uma pra eu?"
"Mais é craro, cumpadi! Ocê vai ser meu vizinho de portera!"
"E se ocê tivesse seis trator, dava um pra eu?"
"Craro que dava! O que que eu ia fazer com seis trator, cumpadi? Dava um procê e ficava cum cinco!"
"E se ocê tivesse seis cavalo, cumpadi, dava um pra eu?"
"Magina, cumpadi! Num ia precisar nem pedir! Um cavalo já é seu!"
"E se ocê tivesse seis camisa, dava uma pra eu?"
Mas aí o outro caipira já se empertigou e respondeu em tom mais sério:
"Ah, isso eu num dava não, cumpadi."
Depois de tanta generosidade, o outro ficou surpreso:
"Mais pruquê, sô? Ocê me dava fazenda, me dava trator, me dava cavalo, mais num me dava uma camisa, uai?!"
"Pruque seis camisa eu tenho!"


À esquerda, um livrinho sensacional e divertidíssimo, uma verdadeira etnografia antropológica dos ricos enquanto tribo, seus hábitos e seus costumes. À direita, um dos melhores romances sobre o dinheiro e seu efeito na vida das pessoas.
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Que os ricos defendam o status quo e queiram manter tudo como está, isso eu entendo bem. Só os brancos podem se enganar achando que vivemos numa democracia racial. Quem é rico e tem o que perder defende sempre a lei e as instituições, quer continuidade e estabilidade, as regras estão aí pra ser seguidas, meu filho, lei é lei, dura lex sed lex, ela é injusta, mas fazer o quê?, vá reclamar com seu deputado, estamos numa democracia!, etc.
O que não entendo é que as pessoas para quem a lei SEMPRE é injusta também defendam essa mesma lei, também acreditem no sistema e nas instituições, também continuem votando nos mesmos deputados inúteis.
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De vez em quando, nas mesas de bar do eixo Morumbi-Leblon, ouço um desabafo mais ou menos assim:
É absurdo isso! Eu sou (executivo de multinacional/gerente de banco/filho de pai rico/advogado/etc) e meu voto vale a mesma coisa que o de um favelado analfabeto que está ocupando um terreno ilegalmente na encosta do morro!
E depois que todos na mesa olham em volta pra garantir que não tem nenhum espião ouvindo, um deles continua, falando mais baixo:
Pois é, antigamente é que era bom! O sujeito só votava se tivesse um imóvel, uma renda fixa, um cargo no governo! Sabe por que? Porque essas pessoas tinham o que perder! Essas pessoas sim votavam com responsabilidade, pensando em suas familias, comprometidas com o destino do país a longo prazo! Mas se o cara é um favelado desdentado ignorante que vai morrer de bala perdida ou tifo antes do quarenta, ele não vai estar nem aí pra nada disso! vai votar no primeiro político corrupto que der camiseta, asfaltar um rua, pagar um bolsa-escola! É por isso que esse país está assim! Um absurdo!
E eu, geralmente calado e horrorizado num canto da mesa, me pego concordando. O pior é que esses putos têm razão: é um absurdo mesmo! Como foi que alguma elite, qualquer elite, de qualquer país do mundo, aceitou passar uma lei que colocou seu voto individual em pé de igualdade com os votos das mulheres, dos negros, dos índios, dos pobres, dos analfabetos? Realmente não faz sentido.
Mas aí eu penso mais um pouco, olho em volta, lembro da História recente do Brasil e do mundo, e me vem um estalo:
Uma elite (cheia de privilégios e propriedades a perder) só dá direito de voto aos pobres e desdentados (que não tem NADA a perder, a não ser a vida) quando já tem certeza absoluta de que a lavagem cerebral foi completa e que, contra toda lógica e auto-interesse, os pobres e desdentados vão sustentar o mesmo sistema que os mantém pobres e desdentados. Melhor ainda, se for preciso matar e morrer pra defender esse sistema, estão dispostos a perder até mesmo a única coisa que tem a perder e nem precisa muita manipulação para que coloquem seus uniformezinhos azuis, marchem um do lado do outro e matem alegremente outros pobres e desdentados de uniforme vermelho.
Sou filho da elite da elite. Quando penso que foi por mim que meus antepassados criaram todo esse sistema, para que eu na infância pudesse só estudar ao invés de trabalhar, para que eu pudesse ir a universidade sem que nunca me faltasse alguém pra lavar minhas cuecas e passar minhas camisas, para caso houvesse uma guerra não ter que ser eu a levar com uma baioneta no bucho, bem, eu fico até emocionado. Não deixa de ser um ato de amor.


Veblen me ensinou quase tudo que eu sei de economia. Além de um pensador brilhante, também era mordaz e engraçadíssimo. Muita gente que discorda de suas teorias ainda o lê como um satirista da sociedade americana. Poucos escreveram sobre os ricos como ele. Fitzgerald também dedicou-se a contar as aventuras e desventuras dos mais ricos: O Grande Gatsby é sua obra-prima e um dos melhores romances de todos os tempos.
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Matéria do The Onion: Marxists' Apartment A Microcosm Of Why Marxism Doesn't Work)
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Há cinco anos, divido uma casa nos Estados Unidos com vários roommates. No começo de cada contrato, é importante estabelecermos os limites de cada um.
Eu, por exemplo, tomei a decisão econômica de não ter carro (em um país onde quase que só mendigos não tem carro), mas, como gosto de cozinhar, gasto um bom dinheiro em apetrechos pra minha cozinha. Já aconteceu de um roommate riscar completamente minha caríssima panela anti-aderente. Outro, chegou ao absurdo de fazer feijão em um pote de metal que eu tinha comprado especialmente pra manter o frescor do café. Outra, chamou as amigas pra beber e, em uma única madrugada, quebraram 3 das 4 taças de vinho que Liloló tinha me mandado de presente.
Então, sempre que chega um novo roommate, eu levo ele pra cozinha, mostro tudo o que é meu e pergunto:
O que acha melhor? Que a gente divida tudo, o que é de um todos podem usar, ou que cada um só use as suas coisas e pronto?
Invariavelmente, o cara olha pro meu grill, pro meu microondas, pra minha torradeira, pro meu wok, e fala
Não tem porque tanta possessividade, não é? Melhor a gente dividir tudo mesmo, como não?
E eu respondo, na lata:
Maravilha! Então, me empresta a chave do seu carro pra eu tirar cópia. Esse semestre estou dando aulas às segundas e quartas ao meio-dia, e geralmente gosto de fazer compras às sextas à tarde. E o que acha de fins-de-semanas alternados? Fim-de-semana que vem estou querendo viajar, os pneus estão calibrados?
Nessa hora, subitamente, todos os americanos universitários proto-comunistas tornam-se defensores ferrenhos da propriedade privada e acabam concluindo que
é melhor mesmo cada um usar as suas coisas, não? Assim é mais justo e dá menos briga...
E eu respondo:
Bem, se você pensa assim, tudo bem, né? O importante é que foi você que escolheu.
É quase como observar o conceito de propriedade privada surgindo espontaneamente, sendo inventado ali mesmo, naquela momento. Do ponto de vista antropológico, econômico, sociológico, chega a ser bonito.
Dava pra escrever um paper.


Obras completas de Freud, de R$960 por R$299, e de Machado, de R$650 por R$389
Sempre que escrevo sobre a sociedade brasileira de modo geral, aparece uma turma querendo individualizar o problema:
não faz sentido falar do brasil sem falar nem dos brasileiros concretos, nem das leis brasileiras, nem das instituições brasileiras, nem dos comportamentos dos brasileiros etc. o seu "racismo estrutural" é um fantasma. não se refere a nada objetivo, a não ser que você ache que racista é a nossa geografia física. uma "estrutura" que paira acima de toda e qualquer qualidade objetiva não é estrutura nenhuma. ... o problema do racismo é muito sério para ser atribuido a "toda a sociedade". precisamos saber objetivamente onde ele está para combatê-lo.
E eu fico pensando: será que essas pessoas já vivem em sua utopia? Em um mundo onde as leis e instituições são perfeitas e funcionam perfeitamente, faltando só educar ou punir um ou outro desviante para que fique tudo ainda mais perfeito?
(Já falei mais sobre isso no texto O Racismo Não É Um Problema Individual.)
Então, deixa eu articular com todas as letras uma das premissas centrais desse blog:
A sociedade está toda errada desde o princípio.
O Brasil é um país estruturalmente e intrinsicamente racista, classista, machista, paternalista e autoritário. Nossas instituições, nossas leis, nossos costumes, nosso folclore, tudo o que nós somos enquanto sociedade, colabora para perpeturar esse estado de coisas.
Sim, existem muitos brasileiros racistas, machistas, classistas, autoritárias, mas mesmo se fossem todos magicamente encontrados, removidos, mortos ou reeducados, a estrutura de nossa sociedade continuaria idêntica.
O baralho que herdamos dos nossos antepassados já está viciado para beneficiar sempre um tipo específico de jogador. Não basta somente que nós, os jogadores beneficiados, simplesmente não trapaceemos. É necessário trocar de baralho.
Por isso, nos meus textos, ao invés de denunciando o racismo ou o machismo dessa ou daquela pessoa, eu tento expor as falhas e as rachaduras dessa estrutura como um todo.
Tirando meia dúzia de alucinados em Curitiba, ninguém diz que o racismo é bom. De que adianta eu escrever um texto denunciando o racismo individual de uma situação específica? Sim, a cliente chamou a vendedora de "macaca suja". Alguém pode achar que isso é justificado? O que vocês teriam aprendido com esse texto? O que teria acrescentado? Nada.
Na verdade, por trás desse discurso individualista ("temos que buscar os racistas individuais!") está um profundo conservadorismo. Quem se recusa a aceitar, ou mesmo entender, qualquer crítica à estrutura da sociedade e acha que tudo se resume a encontrar os indivíduos culpados e pronto, está deixando implícito que a sociedade é perfeita e não precisa ser mudada. Parecem dizer:
Basta todos cumprirem as leis e está tudo resolvido. Quem não cumprir, a gente prende e pronto. Se o racismo já é contra a lei, então, resolveu, Alex. Como a sociedade pode ser estruturalmente racista se existem leis anti-racismo?
Já eu acho que a sociedade está toda errada desde o princípio. Do conceito de propriedade ao conceito de monogamia. Da idéia de religião aos ditos valores familiares. O Capitalismo e o Comunismo. O Socialismo e o Cristianismo. Tudo errado. Errado de princípio, errado na origem. Errado nas intenções e errado nos métodos.
Eu derrubaria tudo.
* * *
Abaixo, alguns livros pra abrir sua cabeça. Esses são os livros que mudaram minha vida:
Tanto entre homens e mulheres quanto entre brancos e negros/índios. Do meu jornal preferido:
Latin America's worst wage gap for women and minorities? Powerhouse Brazil.
Men earn 30 percent more than women in Brazil, according to a new report from the Inter-American Development Bank. That gap is almost zero in Guatemala and Bolivia.
Andrew Downie e Sara Miller Llana, The Christian Science Monitor, 13 de outubro de 2009
Diálogo em mesa de bar do eixo Morumbi-Leblon. Meus amigos classe-média, como sempre, estão reclamando da dureza de suas vidas, dos impostos escorchantes que pagam, do Estado corrupto que não oferece nem saúde nem educação nem seguraça justamente para quem mais trabalha e mais paga imposto, do nosso presidente cachaceiro populista analfabeto, etc etc. Vocês conhecem.
Um amigo diz que o Brasil é um cabo de guerra entre a classe média e os pobres. Outro começa a enumerar todos os modos pelos quais sua vida piorou ao longo do governo Lula. E mais um desabafa:
"o PT só consegue tanto voto tirando os frutos do trabalho de quem foi competente e esforçado pra distribuir entre os preguiçosos e os incompetentes!"
E eu escuto, escuto, escuto, até que não aguento e digo:
Ok, digamos que vocês estão certos. Digamos que realmente a vida da classe média piorou bastante durante o governo Lula. (Não é verdade, mas vá lá) É justamente POR ISSO que considero que ele é um grande presidente.
Nós somos brancos, bem educados, bem alimentados, bem empregados, todos (menos eu!) com casa própria. Estamos entre os 10%, talvez 5%, mais ricos e mais cultos do Brasil. Nós não precisamos que o governo seja por nós. Não precisamos que o governo nos beneficie. Temos dinheiro, educação, contatos. Podemos correr atrás dos nossos interesses por conta própria.
Aliás, nosso maior interesse deveria ser justamente que o governo protegesse aqueles que não tem condições de se defender por conta própria, justamente aqueles cujos filhos podem amanhã nos assaltar no sinal e que justificam toda uma indústria de alarmes, cercas, vidros fumê. Não estou nem falando de bobagens como altruísmo e generosidade, conheço minha platéia, a questão é de puro interesse.
Ao tirar 31 milhões de brasileiros da pobreza, o governo Lula fez mais por nós do que se tivesse simplesmente baixado o imposto da classe média em 10%. Não adianta ganhar bem cercado por uma multidão de miseráveis e protegido por cercas elétricas e carros blindados. O fato de existirem menos 31 milhões de miseráveis no Brasil tem um impacto direto e positivo na nossa vida todo dia.
Ao tirar nossos privilégios e redistribuí-los pelos cidadãos mais carentes, o governo está defendendo os nossos interesses também: está fortalecendo a economia, aumentando o mercado consumidor, melhorando a segurança pública. Quanto mais vocês sentam aqui na esquina da Augusta com Ouvidor e reclamam dos privilégios que perderam, mais eu penso que o governo está fazendo um bom trabalho. Quanto mais vocês reclamam, mais eu admiro o Lula.
Depois do discurso emocionante em Copenhague, só torço para que em 2016, depois do mandato Dilma, ele esteja de novo na Presidência. Podem ainda ter sobrado alguns privilégios da classe média que a Dilma não conseguiu roubar, e ele vai lá e créu.
Tem um cara twittando com o meu nome: http://twitter.com/AlexCastroLLL
Ah, e toda seção de Informática do Submarino está com descontos bizarros, mas é só hoje.
Estou desmontando meu apartamento. Estou vendendo
Geladeira
Fogão
Máquina de lavar
Máquina de secar
Microondas
Forninho elétrico
Ar condicionado 750
Sofá cama
Cama de casal
Tudo velho e usado, por isso não vale a pena pagar guarda-móveis pra manter. Tudo funcionando, pois uso todos eles há alguns anos.
Tem que estar tudo fora aqui de casa até terça-feira, 18 de agosto. Moro na Freguesia, perto da Barra. 9503 5876
Tenho um amigo, comunista de carteirinha, que trabalha na empresa de ex-esquerdista. Ele teve um insight interessante:
O ex-esquerdista é o autêntico capitalista selvagem. Quando a formação do cara é direitista, ele ainda tem uma certa reserva moral, algum pudor intrínseco. Mas quando o ex-esquerdista decide
trocar de lado, logo ele que se formou vendo no direitista o demônio encarnado, é porque está chutando o balde e fazendo a opção por se tornar justamente aquele demônio encarnado que sempre idealizou. O ex-esquerdista-agora-direitista, portanto, não tem nenhum pudor, nenhuma reserva moral, nada. É o paradigma do capitalista selvagem.
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Lançamento de "Mulher de Um Homem Só": esse sábado, no Canto Madalena. Saiba mais ou compre. Comprando antes do lançamento, você ganha o exclusivo marca-livro ao lado.
Na opinião de Chris Anderson, editor-chefe da Wired:
"O preço dos bens digitais naturalmente tende a zero"
Ou seja, na Internet, a oferta de conteúdo é tão grande que, mesmo havendo demanda, ele não vale nada.
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Dois links importantes
- Wired Editor-in-Chief Chris Anderson on the Future of Free
- Trent Reznor Backs Chris Anderson’s Theory of ‘Free’
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As dicas de Trent Reznor, do Nine Inch Nails (extraordinariamente, vou traduzir, vale muito a pena):
- Não pense que vai ganhar dinheiro vendendo discos.
- Faça suas gravações de forma barata (mas excelente) e distribua de graça em forma de MP3.
- Pegue os emails das pessoas que baixarem suas músicas gratuitamente e compile um banco de dados de futuros consumidores.
- Venda uma variedade de pacotes especiais e edições limitadas (ou seja, bens escassos).
E, mais adiante, ele acrescenta outro grupo de dicas:
- Distribuam suas músicas via Amazon, TopSpin e Tunecore.
- Crie um site simples, sem Flash, que não seja no MySpace (pois dá a impressão de coisa barata e genérica).
- Não abuse do seu mailing list.
- Use as ferramentas gratuitas como Twitter, Flickr, Vimeo, YouTube e SoundCloud para aparecer mais.
- Faça com que as pessoas tenham uma razão para voltar continuamente ao seu site.
* * *
Quanta besteira, não? É óbvio que esse negócio de dar conteúdo de graça nunca vai funcionar! Meu romance "Mulher de Um Homem Só" foi baixado de graça 30 mil vezes e muitos amigos disseram que o livro não tinha mais potencial comercial: 
"oras, quem queria ler já leu, ninguém mais vai pagar por isso!"
Depois de ser recusado por algumas editoras, "Mulher de um Homem Só" será publicado pela Os Vira-Lata em agosto e está atualmente em pré-venda, permitindo que leitores-mecenas contribuam para viabilizar sua publicação impressa.
Serão citados nominalmente no livro os mecenas que contribuírem até segunda-feira, 20 de julho, quando o livro vai pra gráfica.
A primeira edição será numerada e os leitores-mecenas que fizerem as maiores contribuições até sábado 1º de agosto receberão os menores números. Por enquanto, são 64 mecenas e o exemplar 0001 está indo para a que deu R$108.
* * *
Não sei se vai dar certo. Não sei se é um "modelo de negócios" viável para mim ou para outros artistas independentes.
Sei que estou arriscando o que tenho de mais precioso, meu único patrimônio, ou seja, minha literatura, nessa nova idéia, nessa grande aventura.
Afinal, é possível ser um artista realmente independente?
Afinal, é possível realizar um dos grandes ideais da arte, pular os grandes conglomerados empresariais e estabelecer uma conexão mais direta entre artista e consumidor de arte, permitindo não apenas maior diálogo e maior troca, mas também que o artista possa viver (ou ter alguma renda) da sua arte sem para isso se vender ao mercado?
Como artista, que sempre fui e sempre vou ser, essa é a grande batalha do meu tempo. A luta que mais vale a pena ser travada. Por isso, estou colocando o meu na reta. Há sempre o risco de me tornar uma das primeiras baixas.
Mas, se minha geração conseguir resolver esse dilema e criar um modelo novo para o consumo da arte, então já teremos amplamente justificado nossa existência. Mesmo que nossa arte seja uma merda.
Conto com vocês. Sério mesmo. Não nada mais importante do que isso em minha vida.
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Estamos entrando na última semana para os mecenas terem seus nomes citados no livro. Amigos blogueiros e jornalistas, taí uma pauta. Façam matérias, escrevam uns posts, qualquer esmolinha ajuda, pelamordedeus. Se alguém conhece jornalistas de cadernos de cultura, tecnologia ou até mesmo economia, mandem essa pauta pra eles.
Para fins de divulgação, confira diversas opções de formatos e tamanhos da capa e da contracapa, e também fotos do autor. Sintam-se livres para reproduzir essas imagens em seus blogs, sites e periódicos de modo geral.
Todos as informações, passadas e futuras, sobre o livro e seu processo de edição estão sempre centralizadas aqui: http://tinyurl.com/MulherHomemSo
Por favor, divulgue.
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"Mulher de Um Homem Só": saiba mais ou compre.
É impossível estudar o trabalho doméstico sem considerar também que a grande maioria dessas trabalhadoras são mulheres. E o grande ponto cego do feminismo latino-americano talvez seja justamente sua relação com as empregadas domésticas.
Graças a uma divisão de trabalho ainda muito machista, a liberação da mulheres de classe média muitas vezes se deu graças a uma maior disponibilidade de mão de obra barata (leia-se mulheres pobres) que as substituísse nas tarefas domésticas.
Pode-se dizer que, para as mulheres latino-americanas, a libertação sexual teve soma zero. Algumas tornaram-se mais livres e outras, mais exploradas, e as perdas de umas anularam os ganhos das outras. Nada mudou, especialmente para os homens, que não perderam nada: continuam tendo suas cuecas passadas a ferro e seus bifes fritos no ponto exato, não importando pela mão de quem.
De modo ironicamente perverso, são muitas vezes as mulheres mais liberadas, progressistas e profissionais aquelas que mais precisam ter uma "escravinha" tomando conta da retaguarda doméstica para que possam invadir a esfera pública, tradicionalmente masculina, e lutar o bom combate. Como diria DaMatta, só podem sair à rua quando arranjam quem tome conta da casa.
A missão do feminismo latino-americano não estará concluida (aliás, não estará nem começada) enquanto as feministas não se derem conta do aspecto urgencial dessa questão. Sem reeducar os homens, de nada adianta tirar poder de umas mulheres para dá-lo a outras.
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E você, leitora urbana, profissional, antenada, ecológica, consciente, diga-lá com honestidade: você também teve que comprar sua independência oferecendo outra mulher em holocausto no altar da sua domesticidade?
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Texto inspirado na leitura do artigo “Feudal Enclaves and Political Reforms: Domestic Workers in Latin America”, de Merike Blofield (Latin American Research Review, vol.44, no.1, 2009), sobre as lutas para a formalização do trabalho doméstico na América Latina - incluindo uma surpreendente omissão por parte de muitas das feministas mais militantes. De acordo com dados da autora, o Brasil tinha 5 milhões de trabalhores domésticos em 2004.
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Homens Invisíveis: Relatos de Uma Humilhação Social, de Fernando Braga da Costa. (SP: Globo, 2004) Profundo, lindo, fortíssimo. O autor era aluno de pós-graduação de Psicologia e, como parte de um trabalho para a disciplina de Psicologia Social, teve que exercer algum emprego "humilde" - definido como não exigindo qualquer tipo de treino ou experiência. Tornou-se gari da USP e experimentou na pele a humilhação e a invisibilidade.
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Comprando meu romance "Mulher de um Homem Só" na pré-venda, você ajuda a viabilizar a primeira edição e participa de uma nova experiência em divulgação de literatura independente no Brasil. Saiba mais ou compre agora.
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Link excelente mandado pelo machista sem-vergonha do Rafael Galvão: Housewife Confidential, por Caitlin Flanagan
O texto abaixo é de Eduardo Galeano. Foi escrito em 2007, quase 40 anos depois de As Veias Abertas da América Latina. Claramente, o autor não aprendeu nada: seu raciocínio e seu vocabulário continuam infantis.
É até difícil de apresentar esse texto. Em princípio, em relação ao conteúdo, uma crítica à ética do consumo desenfreado, especialmente ao endividamento progressivo da classe média, concordo com tudo. Mas, também, discordo de tudo: o tom ressentido e amargurado, os chavões rançosos da velha esquerda, as imagens esquemáticas, essa idéia do capitalismo como uma força autoritária, anti-democrática e violenta.
Mas, enfim, como o Obama está lendo o homem, e o texto tem tudo a ver com a Prisão Dinheiro - nem que apenas para mostrar como eu consigo escrever sobre as mesmas coisas sem parecer um alucinado que parou no tempo circa 1970 - aqui vai:
La explosión del consumo en el mundo actual mete más ruido que todas las guerras y arma más alboroto que todos los carnavales. Como dice un viejo proverbio turco, quien bebe a cuenta, se emborracha el doble. La parranda aturde y nubla la mirada; esta gran borrachera universal parece no tener límites en el tiempo ni en el espacio. Pero la cultura de consumo suena mucho, como el tambor, porque está vacía; y a la hora de la verdad, cuando el estrépito cesa y se acaba la fiesta, el borracho despierta, solo, acompañado por su sombra y por los platos rotos que debe pagar. La expansión de la demanda choca con las fronteras que le impone el mismo sistema que la genera. El sistema necesita mercados cada vez más abiertos y más amplios, como los pulmones necesitan el aire, y a la vez necesita que anden por los suelos, como andan, los precios de las materias primas y de la fuerza humana de trabajo. El sistema habla en nombre de todos, a todos dirige sus imperiosas órdenes de consumo, entre todos difunde la fiebre compradora; pero ni modo: para casi todos esta aventura comienza y termina en la pantalla del televisor. La mayoría, que se endeuda para tener cosas, termina teniendo nada más que deudas para pagar deudas que generan nuevas deudas, y acaba consumiendo fantasías que a veces materializa delinquiendo.
El derecho al derroche, privilegio de pocos, dice ser la libertad de todos. Dime cuánto consumes y te diré cuánto vales. Esta civilización no deja dormir a las flores, ni a las gallinas, ni a la gente. En los invernaderos, las flores están sometidas a luz continua, para que crezcan más rápido. En la fábricas de huevos, las gallinas también tienen prohibida la noche. Y la gente está condenada al insomnio, por la ansiedad de comprar y la angustia de pagar. Este modo de vida no es muy bueno para la gente, pero es muy bueno para la industria farmacéutica. EEUU consume la mitad de los sedantes, ansiolíticos y demás drogas químicas que se venden legalmente en el mundo, y más de la mitad de las drogas prohibidas que se venden ilegalmente, lo que no es moco de pavo si se tiene en cuenta que EEUU apenas suma el cinco por ciento de la población mundial.
«Gente infeliz, la que vive comparándose», lamenta una mujer en el barrio del Buceo, en Montevideo. El dolor de ya no ser, que otrora cantara el tango, ha dejado paso a la vergüenza de no tener. Un hombre pobre es un pobre hombre. «Cuando no tenés nada, pensás que no valés nada», dice un muchacho en el barrio Villa Fiorito, de Buenos Aires. Y otro comprueba, en la ciudad dominicana de San Francisco de Macorís: «Mis hermanos trabajan para las marcas. Viven comprando etiquetas, y viven sudando la gota gorda para pagar las cuotas».
Invisible violencia del mercado: la diversidad es enemiga de la rentabilidad, y la uniformidad manda. La producción en serie, en escala gigantesca, impone en todas partes sus obligatorias pautas de consumo. Esta dictadura de la uniformización obligatoria es más devastadora que cualquier dictadura del partido único: impone, en el mundo entero, un modo de vida que reproduce a los seres humanos como fotocopias del consumidor ejemplar.
El consumidor ejemplar es el hombre quieto. Esta civilización, que confunde la cantidad con la calidad, confunde la gordura con la buena alimentación. Según la revista científica The Lancet, en la última década la «obesidad severa» ha crecido casi un 30 % entre la población joven de los países más desarrollados. Entre los niños norteamericanos, la obesidad aumentó en un 40% en los últimos dieciséis años, según la investigación reciente del Centro de Ciencias de la Salud de la Universidad de Colorado. El país que inventó las comidas y bebidas light, los diet food y los alimentos fat free, tiene la mayor cantidad de gordos del mundo. El consumidor ejemplar sólo se baja del automóvil para trabajar y para mirar televisión. Sentado ante la pantalla chica, pasa cuatro horas diarias devorando comida de plástico.
Triunfa la basura disfrazada de comida: esta industria está conquistando los paladares del mundo y está haciendo trizas las tradiciones de la cocina local. Las costumbres del buen comer, que vienen de lejos, tienen, en algunos países, miles de años de refinamiento y diversidad, y son un patrimonio colectivo que de alguna manera está en los fogones de todos y no sólo en la mesa de los ricos. Esas tradiciones, esas señas de identidad cultural, esas fiestas de la vida, están siendo apabulladas, de manera fulminante, por la imposición del saber químico y único: la globalización de la hamburguesa, la dictadura de la fast food. La plastificación de la comida en escala mundial, obra de McDonald’s, Burger King y otras fábricas, viola exitosamente el derecho a la autodeterminación de la cocina: sagrado derecho, porque en la boca tiene el alma una de sus puertas.
El campeonato mundial de fútbol del 98 nos confirmó, entre otras cosas, que la tarjeta MasterCard tonifica los músculos, que la Coca-Cola brinda eterna juventud y que el menú de McDonald’s no puede faltar en la barriga de un buen atleta. El inmenso ejército de McDonald’s dispara hamburguesas a las bocas de los niños y de los adultos en el planeta entero. El doble arco de esa M sirvió de estandarte, durante la reciente conquista de los países del Este de Europa. Las colas ante el McDonald’s de Moscú, inaugurado en 1990 con bombos y platillos, simbolizaron la victoria de Occidente con tanta elocuencia como el desmoronamiento del Muro de Berlín.
Un signo de los tiempos: esta empresa, que encarna las virtudes del mundo libre, niega a sus empleados la libertad de afiliarse a ningún sindicato. McDonald’s viola, así, un derecho legalmente consagrado en los muchos países donde opera. En 1997, algunos trabajadores, miembros de eso que la empresa llama la Macfamilia, intentaron sindicalizarse en un restorán de Montreal en Canadá: el restorán cerró. Pero en el 98, otros empleados e McDonald’s, en una pequeña ciudad cercana a Vancouver, lograron esa conquista, digna de la Guía Guinness.
Las masas consumidoras reciben órdenes en un idioma universal: la publicidad ha logrado lo que el esperanto quiso y no pudo. Cualquiera entiende, en cualquier lugar, los mensajes que el televisor transmite. En el último cuarto de siglo, los gastos de publicidad se han duplicado en el mundo. Gracias a ellos, los niños pobres toman cada vez más Coca-Cola y cada vez menos leche, y el tiempo de ocio se va haciendo tiempo de consumo obligatorio. Tiempo libre, tiempo prisionero: las casas muy pobres no tienen cama, pero tienen televisor, y el televisor tiene la palabra. Comprado a plazos, ese animalito prueba la vocación democrática del progreso: a nadie escucha, pero habla para todos. Pobres y ricos conocen, así, las virtudes de los automóviles último modelo, y pobres y ricos se enteran de las ventajosas tasas de interés que tal o cual banco ofrece.
Los expertos saben convertir a las mercancías en mágicos conjuntos contra la soledad. Las cosas tienen atributos humanos: acarician, acompañan, comprenden, ayudan, el perfume te besa y el auto es el amigo que nunca falla. La cultura del consumo ha hecho de la soledad el más lucrativo de los mercados. Los agujeros del pecho se llenan atiborrándolos de cosas, o soñando con hacerlo. Y las cosas no solamente pueden abrazar: ellas también pueden ser símbolos de ascenso social, salvoconductos para atravesar las aduanas de la sociedad de clases, llaves que abren las puertas prohibidas. Cuanto más exclusivas, mejor: las cosas te eligen y te salvan del anonimato multitudinario. La publicidad no informa sobre el producto que vende, o rara vez lo hace. Eso es lo de menos. Su función primordial consiste en compensar frustraciones y alimentar fantasías: ¿En quién quiere usted convertirse comprando esta loción de afeitar?
El criminólogo Anthony Platt ha observado que los delitos de la calle no son solamente fruto de la pobreza extrema. También son fruto de la ética individualista. La obsesión social del éxito, dice Platt, incide decisivamente sobre la apropiación ilegal de las cosas. Yo siempre he escuchado decir que el dinero no produce la felicidad; pero cualquier televidente pobre tiene motivos de sobra para creer que el dinero produce algo tan parecido, que la diferencia es asunto de especialistas.
Según el historiador Eric Hobsbawm, el siglo XX puso fin a siete mil años de vida humana centrada en la agricultura desde que aparecieron los primeros cultivos, a fines del paleolítico. La población mundial se urbaniza, los campesinos se hacen ciudadanos. En América Latina tenemos campos sin nadie y enormes hormigueros urbanos: las mayores ciudades del mundo, y las más injustas. Expulsados por la agricultura moderna de exportación, y por la erosión de sus tierras, los campesinos invaden los suburbios. Ellos creen que Dios está en todas partes, pero por experiencia saben que atiene den las grandes urbes. Las ciudades prometen trabajo, prosperidad, un porvenir para los hijos. En los campos, los esperadores miran pasar la vida, y mueren bostezando; en las ciudades, la vida ocurre, y llama. Hacinados en tugurios, lo primero que descubren los recién llegados es que el trabajo falta y los brazos sobran, que nada es gratis y que los más caros artículos de lujo son el aire y el silencio.
Mientras nacía el siglo XIV, fray Giordano da Rivalto pronunció en Florencia un elogio de las ciudades. Dijo que las ciudades crecían «porque la gente tiene el gusto de juntarse». Juntarse, encontrarse. Ahora, ¿quién se encuentra con quién? ¿Se encuentra la esperanza con la realidad? El deseo, ¿se encuentra con el mundo? Y la gente, ¿se encuentra con la gente? Si las relaciones humanas han sido reducidas a relaciones entre cosas, ¿cuánta gente se encuentra con las cosas?
El mundo entero tiende a convertirse en una gran pantalla de televisión, donde las cosas se miran pero no se tocan. Las mercancías en oferta invaden y privatizan los espacios públicos. Las estaciones de autobuses y de trenes, que hasta hace poco eran espacios de encuentro entre personas, se están convirtiendo ahora en espacios de exhibición comercial.
El shopping center, o shopping mall, vidriera de todas las vidrieras, impone su presencia avasallante. Las multitudes acuden, en peregrinación, a este templo mayor de las misas del consumo. La mayoría de los devotos contempla, en éxtasis, las cosas que sus bolsillos no pueden pagar, mientras la minoría compradora se somete al bombardeo de la oferta incesante y extenuante. El gentío, que sube y baja por las escaleras mecánicas, viaja por el mundo: los maniquíes visten como en Milán o París y las máquinas suenan como en Chicago, y para ver y oír no es preciso pagar pasaje. Los turistas venidos de los pueblos del interior, o de las ciudades que aún no han merecido estas bendiciones de la felicidad moderna, posan para la foto, al pie de las marcas internacionales más famosas, como antes posaban al pie de la estatua del prócer en la plaza. Beatriz Solano ha observado que los habitantes de los barrios suburbanos acuden al center, al shopping center, como antes acudían al centro. El tradicional paseo del fin de semana al centro de la ciudad, tiende a ser sustituido por la excursión a estos centros urbanos. Lavados y planchados y peinados, vestidos con sus mejores galas, los visitantes vienen a una fiesta donde no son convidados, pero pueden ser mirones. Familias enteras emprenden el viaje en la cápsula espacial que recorre el universo del consumo, donde la estética del mercado ha diseñado un paisaje alucinante de modelos, marcas y etiquetas.
La cultura del consumo, cultura de lo efímero, condena todo al desuso mediático. Todo cambia al ritmo vertiginoso de la moda, puesta al servicio de la necesidad de vender. Las cosas envejecen en un parpadeo, para ser reemplazadas por otras cosas de vida fugaz. Hoy que lo único que permanece es la inseguridad, las mercancías, fabricadas para no durar, resultan tan volátiles como el capital que las financia y el trabajo que las genera. El dinero vuela a la velocidad de la luz: ayer estaba allá, hoy está aquí, mañana quién sabe, y todo trabajador es un desempleado en potencia. Paradójicamente, los shoppings centers, reinos de la fugacidad, ofrecen la más exitosa ilusión de seguridad. Ellos resisten fuera del tiempo, sin edad y sin raíz, sin noche y sin día y sin memoria, y existen fuera del espacio, más allá de las turbulencias de la peligrosa realidad del mundo.
Los dueños del mundo usan al mundo como si fuera descartable: una mercancía de vida efímera, que se agota como se agotan, a poco de nacer, las imágenes que dispara la ametralladora de la televisión y las modas y los ídolos que la publicidad lanza, sin tregua, al mercado. Pero, ¿a qué otro mundo vamos a mudarnos? ¿Estamos todos obligados a creernos el cuento de que Dios ha vendido el planeta unas cuantas empresas, porque estando de mal humor decidió privatizar el universo? La sociedad de consumo es una trampa cazabobos. Los que tienen la manija simulan ignorarlo, pero cualquiera que tenga ojos en la cara puede ver que la gran mayoría de la gente consume poco, poquito y nada necesariamente, para garantizar la existencia de la poca naturaleza que nos queda. La injusticia social no es un error a corregir, ni un defecto a superar: es una necesidad esencial. No hay naturaleza capaz de alimentar a un shopping center del tamaño del planeta.
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Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro
Prisão Dinheiro:
I - Viver É Mais Barato do que Você Pensa
II - A Armadilha Consumista
III - Os Dilemas da Classe Média
IV - Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida
V - Viver Fazendo Tanta Economia Já Não É uma Prisão?
VI - Não Existe Liberdade sem Independência Financeira
Adendos da Prisão Dinheiro:
- A Decisão Econômica de Ter Filhos
- O Endividamento nos Estados Unidos
- O Império do Consumo, por Eduardo Galeano
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Outros livros de Eduardo Galeano.
O endividamento progressivo e irremediável de toda uma classe econômica é uma das mais perfeitas ferramentas de controle social jamais inventadas. Aqui, nos EUA, a maioria dos estudantes (sem pai rico nem bolsa de estudos) precisa tomar dinheiro emprestado para pagar a universidade e se sustentar. Quando se formam, já estão sobrecarregados com enormes dívidas, que passam muitos e muitos anos pagando - como carneirinhos bem-ajustados e bem-comportados que são.

Underhill é um dos principais pensadores do consumo e do modo como as pessoas compram. Esse seu primeiro livro, e o seguinte, especificamente sobre shopping centers, são repletos de observações inteligentes e grandes sacadas que me ajudaram a entender melhor o funcionamento do mundo.
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Roberto, meu ex-colega de casa, era um dos pensadores mais originais que conheci. Um homem aberto, inteligente, interessante.
Quando morou comigo, estava terminando sua residência em Ortopedia. Sabia que não queria ser médico, sentia-se intelectualmente limitado na profissão, mas já não podia largar. Como pagaria suas enormes dívidas?
Para o banco, o empréstimo para estudantes de medicina é de baixíssimo risco, mas para o estudante, o risco é alto: a medicina torna-se um caminho sem volta. Um empréstimo que se paga facilmente com um salário de médico em início de carreira torna-se sufocante e inviável para qualquer outra profissão.
Roberto queria terminar sua residência, pegar seu diploma e ir estudar literatura, mas com a bolsa de estudos que receberia por um doutorado ele não pagaria nem os juros de suas dívidas. Ou seja, simplesmente não podia mais voltar atrás. Suas dívidas efetivamente o impediam de recomeçar do zero, de tomar uma decisão radical, de seguir por um novo caminho. Por causa das dívidas, Roberto estava obrigado a permanecer na estrada já trilhada, a exercer a profissão que esperavam dele, a continuar tudo igual.
De um modo bem real, talvez tivesse sido bem melhor pra ele simplesmente nunca ter tido acesso a esse empréstimo.
Resolveu a questão do melhor jeito que pôde: conseguiu um emprego como médico do trabalho, fazendo avaliações funcionais; um serviço absolutamente bunda e sem desafios, mas que não lhe exigia nada, nem mesmo concentração. Graças aos excelentes salários médicos, somente dois dias por semana já bastavam pra ele ir pagando suas dívidas e vivendo frugalmente. No tempo livre, corria atrás dos seus projetos pessoais, lia, aprendeu piano, começou a fazer stand-up comedy. Vivia sua vida com liberdade.
Em agosto de 2008, nos encontramos na véspera da evacuação do furacão Gustav: tinha acabado de entregar seu apartamento e estava indo fazer a América Central de mochila. Não soube mais dele.
(O texto continua abaixo da imagem.)
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Uma nação de endividados é uma nação de escravos.
Quem passa o primeiro terço da sua vida profissional afogado em dívidas vai ser muito menos apto a participar ativamente de sua comunidade como um cidadão. Pior: quanto mais pobre, mais dívidas terá e menos poderá de fato participar, deixando, mais uma vez, a arena política e a vida pública nas mãos dos mais ricos e ociosos. Jovens assim, sob o peso de tantas dívidas, tornam-se mais conservadores e alienados, mais avessos aos riscos, mais atraídos por empregos seguros e medíocres, menos propensos às atividades intelectuais, acadêmicas, artísticas, atléticas e também (para não dizerem que o argumento é esquerdista) empresariais e empreendedoras.
Uma nação de endividados é uma nação de cordeirinhos mansos, de gente tão preocupada em não ser despedida ou em arrumar um jeito de pagar a próxima mensalidade escolar do filho, que simplesmente não tem tempo nem disposição para questionar o governo, ser cidadão, participar da sua comunidade.
Uma nação de endividados é uma nação de pessoas tão amedrontadas e acuadas que preferem abrir mão de seus direitos, de seus ideais, de seus princípios, autorizar o governo a filmar as ruas e a grampear telefones, tudo o que quiserem fazer, se somente isso lhes fizer se sentir um pouco menos de medo.
Parafraseando um velho ditado, quem tem dívida, tem medo. E quem têm medo, não é livre.
A verdadeira liberdade apenas pode existir com independência financeira e sem medo.
(O trecho acima desenvolve e parafraseia algumas idéias do pensador canadense John Ralston Saul, que li por recomendação de Camille Paglia. Saul não ser publicado no Brasil explica muita coisa sobre nosso país.)
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Veblen me ensinou quase tudo que eu sei de economia. Além de um pensador brilhante, também era mordaz e engraçadíssimo. Muita gente que discorda de suas teorias ainda o lê como um satirista da sociedade americana. Poucos escreveram sobre os ricos como ele. Fitzgerald também dedicou-se a contar as aventuras e desventuras dos mais ricos: O Grande Gatsby é sua obra-prima e um dos melhores romances de todos os tempos.
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Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro
Prisão Dinheiro:
I - Viver É Mais Barato do que Você Pensa
II - A Armadilha Consumista
III - Os Dilemas da Classe Média
IV - Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida
V - Viver Fazendo Tanta Economia Já Não É uma Prisão?
VI - Não Existe Liberdade sem Independência Financeira
Adendos da Prisão Dinheiro:
- A Decisão Econômica de Ter Filhos
- O Endividamento nos Estados Unidos
- O Império do Consumo, por Eduardo Galeano
O Senador Cristovam Buarque, o homem em quem eu teria votado para presidente em 2006 (se estivesse no Brasil), está com um novo projeto de lei sendo debatido no Congresso.
Ele agora propõe que os brasileiros residentes no exterior sejam representados por quatro novos deputados, de acordo com a seguinte distribuição geográfica: EUA, Europa, Japão, resto do mundo.
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Minha admiração por Cristovam só faz subir. Penso no assunto faz tempo e já inclusive pesquisei como funciona em outros países. Minha opinião:
1) Os brasileiros no exterior são mais numerosos do que a população de seis estados brasileiros e do Distrito Federal;
2) Apesar de muitos não pagarem impostos no Brasil, enviam uma fortuna em divisas ao país (justificando assim os gastos com os novos deputados);
3) A grande maioria deles é de origem humilde, emigrou por total falta de oportunidades no Brasil, não fala perfeitamente a língua do país-hospedeiro, está em situação ilegal e extremamente vulnerável, e precisa mais do que nunca de alguém que lhe defenda os direitos.
Esse último ponto é particularmente importante. Não estou falando por mim, ou pelo Idelber, Paulo, Nemo, Ana, ou por outros tantos brasileiros de alta escolaridade que moram aqui: apesar de às vezes me sentir sub-representado, a gente sabe se virar. Eu continuo escrevendo para o Gabeira como sempre escrevi, desde a época em que morava no Rio e de fato votava nele.
Estou falando em nome das pessoas de baixa escolaridade que estão, ao mesmo tempo, em situação vulnerável E sub-representadas - uma combinação potencialmente fatal.
Vou dar só um exemplo: os brasileiros apátridas.
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Por uma distração na redação de uma emenda constitucional em 1994, cerca de 200 mil filhos de brasileiros nascidos no exterior tornaram-se apátridas, sem direito nem à cidadania brasileira, nem à do país de nascimento. No mundo nacionalizado de hoje, verdadeiros párias.
O erro não foi visto porque, francamente, nenhum dos deputados envolvidos estava preocupado com a situação dos brasileiros no exterior. Mesmo depois que o erro tornou-se público e os três milhões de brasileiros expatriados começaram a se organizar e reclamar, e essas 200 mil crianças começaram a enfrentar todas as dificuldades burocráticas muito reais de não ter uma pátria, o Congresso Nacional ainda assim demorou treze anos (treze anos!) para consertar o erro, causando mais de uma década de angústia para as famílias envolvidas.
Se houvesse representantes especialmente dedicados a defender os brasileiros expatriados, erros como esse provavelmente não teriam acontecido. E não apenas esse: são inúmeros os obstáculos que o brasileiro expatriado enfrenta diante da lei brasileira, pelo simples fato dela nunca levá-lo em consideração, prever sua existência, antecipar seus problemas.
O site da campanha Brasileirinhos Apátridas reúne todas as informações sobre esse triste episódio.
Obras completas de Freud, de R$960, por R$299/R$399 (sinceramente? o preço dessa joça tem mudado duas vezes por dia, mas está sempre muito barato)
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Alguns links:
Do blog Brazil com Z, do jornal O Globo, que vêm fazendo uma excelente cobertura do assunto:
- Emigrantes querem ter representantes no Congresso
Do governo federal:
- Dados do governo sobre o número de brasileiros no exterior.
Exemplos de outros países:
França:
- Site dos 12 senadores franceses que representam os cidadãos expatriados. - em francês.
- Entrevista com Robert del Picchia, um dos 12 senadores acima, onde ele explica a uma repórter britânica como funciona esse negócio de representar os franceses que não moram na França. - vídeo, em inglês. (muito bom!)
Itália:
Fábio Porta mora em São Paulo e foi eleito, por 17 mil votos, como o representante da América Merional no Parlamento Italiano. Ele agora divide seu tempo entre São Paulo e Buenos Aires (duas cidades fortemente italianas) e Roma. O lema de seu site é "si può fare" - hmmm, onde será que já ouvi isso antes?
- Site oficial do Deputado Fábio Porta - em português.
- Video de sua campanha para as eleições italianas - em italiano, com legendas em português.
- Como funciona o voto dos expatriados - página interessante no site do Deputado Porta, em português.
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E você, leitor/eleitor? O que VOCÊ acha?
A Virgin Megastore, em Times-Square, está fechando.
Tenho muitas memórias dessa loja. Na década de oitenta e começo de noventa, fui muito lá. Me lembro especialmente de um dia, em fevereiro de 1994, perto do meu aniversário de 20 anos, eu tinha acabado de conhecer o ska e estava completamente apaixonado, e me dei de presente uns 15 cds de ska que simplesmente implodiram meus horizontes musicais.
No final da década de 90, já não me lembro mais de voltar à Virgin. Talvez para comprar alguma encomenda pro meu pai. No século XXI, com certeza, não pisei mais lá.
Tenho pena de saber que a Virgin está fechando? Claro que não. Por que teria? Ela está acabando justamente porque tornou-se irrelevante para pessoas que, como eu, mais gostavam dela. Se a Virgin fosse fazer falta da minha vida, eu não estaria sem visitá-la há mais de dez anos. A Virgin está fechando porque se tornou um dinossauro. Foi atropelada pelos tempos. Já não supre mais a demanda que justificava sua existência. Finito.

O preço das obras completas do Freud caiu mais cem reais e agora está em R$299.
Idem idem para jornais. Já assinei vários. Tive época de assinar três. Hoje, não assino nenhum. Jornais de papel tornaram-se irrelevantes, com suas notícias obsoletas petrificadas em tinta imutável na noite de ontem.
Por que diabos eu leria um jornal de papel, velho e desatualizado, que ainda por cima mata árvores, suja os dedos, acumula poeira e atrai baratas e cupins, com notícias de ontem a noite, quando posso entrar na internet e ler notícias dos últimos cinco minutos, não só desse como de todos os jornais do mundo?
Faria mais sentido os jornais cobrarem pelo acesso ao site, sempre atualizado e dinâmico, e dessem de graça o jornal de papel, sei lá, para quem tem passarinho em casa e quer forrar a gaiola. Ou pro cachorro mijar. Ou pra embrulhar banana verde. Ou pra pintar a casa. Sei lá. Vocês me digam: pra que mais jornal impresso serve mesmo?
Não sei como vai ser o futuro do jornalismo e, sim, tenho minhas preocupações, mas os jornais estão fechando pelo mesmo motivo que a Virgin Megastore: porque já não suprem a demanda que justificava sua existência, porque já nem fazem muita falta justamente na vida das pessoas que mais gostavam deles.
As carpideiras da indústria fonográfica e da imprensa impressa parecem aquelas pessoas que lamentavam o fim das diligências quando inventaram os trens. Sim, como tem gosto pra tudo, acredito que houvesse pessoas que realmente gostassem das diligências em si, como objeto. Mas, convenhamos, a maioria das pessoas queria somente ir daqui pra ali. Se inventam um novo método melhor e mais rápido, elas mudam para ele sem chorar e sem pensar duas vezes.
As pessoas frequentavam a Virgin Megastore e assinavam jornais impressos porque gostavam de música e de informação, não necessariamente de discos de metal e folhas de papel. Ainda vamos ouvir muito chororô por parte dos amantes de disquinhos e papeizinhos, mas a grande maioria das pessoas estará muito feliz e satisfeita curtindo suas músicas e consumindo sua informação por outros meios.
Obras completas de Freud, de R$960, por R$399
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!
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