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"a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar"

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07.11.09


Categorias: Comportamento

Discurso de Obama sobre Religião, Estado Laico e Democracia

Só por esse discurso eu já votaria nesse homem pra qualquer coisa que ele quisesse. Com legendas em português.

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 Futuro de uma Ilusão Deus , um Delírio
Nunca li Dawkins, que sempre me pareceu um ateu militante, algo que desprezo um pouco, mas Freud em O Futuro de uma Ilusão já falou tudo o que eu sempre quis dizer sobre religião.

 

03.11.09


Categorias: Comportamento, Política

Comportamento de Manada

Eu não gosto de cerveja. Sempre que digo isso, aparece alguém pra retrucar:

"Ah, na primeira vez, eu também não gostei, mas aí fui tomando até aprender a gostar."

E eu me pergunto: o que leva alguém a consumir insistentemente, repetidamente algo que não gosta?

Disse uma amiga: muitos paladares são gostos adquiridos, Alex. Você precisa provar várias vezes até gostar. O crítico culinário do New York Times, por exemplo, disse que prova qualquer comida dez vezes antes de dizer que não gosta. E que somente três não passaram no teste. Ou seja, todas as outras que ele não gostou da primeira tentativa ele já estava gostando antes da décima.

Mas será realmente desejável gostarmos de tudo? Pior, será que a tática do crítico não serve para nos acostumarmos a qualquer coisa? Ou pra nos desensibilizar a qualquer desconforto?

"Ah, na primeira vez que comi bosta de vaca eu também não gostei, mas aí fui comendo e comendo, e agora adoro!"

"Ah, da primeira vez que enfiaram um consolo no meu cu eu também não gostei, mas aí fui tentando, tentando, hoje que estou mais arrombado já não vivo sem!"

"Ah, a primeira menininha que estuprei eu não achei graça nenhuma, mas aí fui insistindo, insistindo, lá pela sétima eu já estava adorando!"

* * *

O que me espanta não é as pessoas não terem personalidade e ficarem dando murro em ponta de faca, ou consumindo coisas que não gostam, só porque os amiguinhos também consomem e eles querem ser aceitos. Isso é normal, a gente vê todo dia.

O que me entristece é a confissão pública completamente desavergonhada sempre que falo nesse assunto:

"é, é isso mesmo, Alex. Faço o que for preciso pra ser aceito. Se todo mundo toma cerveja, eu vou tomar, mesmo não gostando, até aprender a gostar. Se começarem a comer merda, eu também vou comer. O que importa é não me sobressair, sufocar meus gostos individuais, ser aceito!"

Fazer parte da manada já é ruim. Nem ao menos se envergonhar disso é trágico.

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Está rolando outra daquelas promoções bem legais do Submarino. O Dicionário Houaiss, por exemplo, de R$405 por R$69 e a coleção Twilight, de R$250 por R$99, mas tem muito mais coisa legal também. Larousse do Vinho, de R$145 por R$39, Paidéia, de R$111 por R$30, e por aí vai. Depois vocês me agradecem.

Dicionário Houaiss da Língua PortuguesaColeção Twilight

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30.10.09


Categorias: Comportamento

Quem Tem Medo da Prostituição?

A prostituição ainda está entalada na garganta de grande parte da classe mérdia pensante brasileira.

Que moças pobres e sem instrução tenham outra opção de atividade profissional que não seja limpar as latrinas e lavar as cuecas dos bem-nascidos, que essa opção inclua tomar posse plena de seus corpos para poder, como diz minha amiga Paula Lee, alugá-los aos seus clientes; que, ainda por cima, essa atividade seja perfeitamente legal apesar de ir contra toda a moral cristã, uau, deve ser mesmo difícil de engolir. Posso imaginar os carolas hipócritas rolando na cama, sem conseguir fechar o olho.

Melhor ainda, a prostituição foi uma das profissões de fato revolucionadas pela internet, ao permitir que as meninas criem seus próprios sites e escolham livremente seus clientes, sem a necessidade de cafetinas, bordéis ou intermediários, tornando-se assim verdadeiras profissionais liberais.

(O texto continua abaixo da imagem.) Doce Veneno do Escorpião: o Diário de uma Garota de Programa

Não estou celebrando a prostituição como carreira. Me parece uma profissão desagradável - mas não mais desagradável do que tantas outras carreiras que também me parecem desagradáveis, humildes como carvoeiro e faxineira, e não-humildes como advogado de divórcio e relações públicas. Mais uma vez, o que importa não é minha opinião ou que tipo de carreira eu desejaria para minha hipotética filha.

Ao manter essas carreiras legalizadas, o governo pode ter uma medida de controle sobre sua prática e dar treino, auxílio e suporte específico aos seus profissionais. Além disso, nos países onde a prostituição é proibida, acaba-se gastando precioso tempo e dinheiro, da polícia e dos tribunais, para perseguir e prender as próprias profissionais da prostituição - que seriam, de acordo com o espírito da lei, as vítimas da prostituição mas tornam-se na prática as vítimas da lei, sendo assim duplamente vitimizadas.

Recentemente, compararam a prostituição ao uso de drogas - uma atividade viciante, da qual geralmente não se pode sair sem intervenção médica e internação prolongada, que destrói o corpo e mata o usuário em pouco tempo! Seria até ofensivo, se as pobres prostitutas já não tivessem ouvido muito pior. E olha que esses são os seus bem-intencionados defensores!

Esse ano, na Praia da Barra, bem em frente ao prédio onde morei vinte anos, funcionários da prefeitura tocaiavam as prostitutas, tirando fotos delas e dos homens que as abordavam. Sem poder proibir as meninas de exercer legalmente sua atividade, a equipe do prefeito Eduardo Paes decidiu persegui-las e afugentar seus clientes. Não sei quanto tempo durou a operação, nem o que aconteceu. Conheço Eduardo Paes há 15 anos, sei que muitas das suas operações duram apenas o tempo no qual as câmeras estão rodando - depois, poof! Mas, em um país um pouco mais civilizado, as prostitutas teriam entrado com uma ação contra a prefeitura.

 Mulheres da Vila: Prostituição, Identidade Social Eu Não Queria Isso!: a Prostituição Infantil

De qualquer modo, o importante era tirar as prostitutas dali. Elas são uma ameaça a todo um estilo de vida.

Não podemos expor os pobres pais e filhos de família, que naturalmente não tem auto-controle algum, a tamanha apetitosa e pecaminosa tentação.

Não podemos lembrar às donas-de-casa de meia-idade, mal-comidas e mal-amadas, que a prostituição só existe e só está ali porque homens como o seu marido, que já não comem mais as próprias esposas, ainda vão atrás de putas e são os principais responsáveis por manter essa profissão viva e florescente.

Não podemos lembrar às jovens da classe mérdia escorchada de impostos, bem alimentadas mas falidas, que elas podem ganhar numa trepada o mesmo salário que o estágio paga em um mês, ainda mais se forem universitárias, falarem inglês e tiverem todos os dentes.

Não podemos lembrar às domésticas que pode valer a pena (e ser mais digno e libertador) transar com um ou dois caras em uma tarde pra ganhar o mesmo valor pelo qual hoje trabalham o mês inteiro, dezoito horas por dia, com folgas em domingos alternados, sem nem poder trazer o namorado evangélico pro seu quartinho sem janela.

A prostituição é de fato um perigo para toda a família. Ela ameaça expor todas as pequenas hipocrisias que nos mantém juntos apesar de tudo. Não é a toa que são todos contra ela. Resta saber como conseguiu ficar legalizada tanto tempo.

* * *

Alguns links:

Why Is Prostitution Illegal? http://www.slate.com/id/2186243

Porn vs. Prostitution: Why is it legal to pay someone for sex on camera? http://www.slate.com/id/2186552/

Hookers.com: How e-commerce is transforming the oldest profession. http://www.slate.com/id/73797/

* * *

Outros textos meus sobre o mesmo assunto:

A Questão do Turismo Sexual


A Questão da Prostituição


A Questão das Prostitutas Brasileiras no Exterior

* * *

Alugo o Meu Corpo
Excelente livro da minha amiga Paula Lee, prostituta brasileira em Portugal.

 

21.10.09


Categorias: Comportamento, Sexo, Malvadas

"Mas Afinal Qual É a Solução?"

Nas minhas aulas de humanas, seja como aluno ou como professor, depois de uma discussão particularmente quente sobre qualquer problema atual, sempre tem algum aluno que levanta o braço e pergunta:

"Tá, professor. Entendemos o problema. Priorizar as raças é ruim porque fortalece o racismo mas promover a mestiçagem é ruim porque estigmatiza quem quer assumir suas raízes. Mas qual é a solução então? Qual é a resposta? O que fazemos?"

Imagino que muitos leitores aqui devem ter sentido a mesma frustração. Em um primeiro momento, parecem pessoas práticas e de bom-senso, de saco cheia de tanta punhetação intelectual acadêmica, e que querem simplesmente sair na rua e resolver o problema, oras. Vivas pra eles!

Mas, se você pára e pensa, pode concluir que o que falta a essas pessoas é justamente parar e pensar. Então, um comentário que parece inócuo e positivo acaba se revelando perigoso, ao sugerir:

- Incompreensão sobre como funciona uma aula ou sobre qual é a função de uma universidade;
- Incapacidade ou indisposição para discussão, reflexão ou diálogo, ou seja, para buscar suas próprias conclusões;
- Ansiedade por respostas prontas e simples, e por ações concretas e fáceis de realizar.

Pra mim, parecem ser os candidatos ideais para compor uma multidão ensandecida, um partido fascista, um exército invasor, uma igreja evangélica.

Vai chegando o final da aula, e estão todos ali me olhando ansiosos, de lápis em punho, esperando pela resposta certa, querendo saber "afinal o que devem fazer!", e a impressão que tenho é que aceitariam qualquer besteira que eu falasse, desde que coubesse em uma frase e fosse fácil de decorar. Que bastaria dizer

Enfim, a culpa é toda dos brancos malvados e a solução é dar porrada neles. Agora!

e pelo menos a metade mais ingênua e influenciável da classe começaria imediatamente a dar porrada na outra.

 Professora, É pra Ler ou Entender? DINORA MACHADO MELO  Memórias de Professoras: História e Histórias MARIA TERESA DE ASSUNCAO FREITAS

* * *

Então, depois de uma longa e frutífera discussão sobre um tema profundo e complexo, algum aluno sempre pede pela solução, pela resposta certa, pra saber o que fazer. E, assustadoramente, metade da sala balança a cabeça, em silenciosa concordância.

Quando respondo que não existe solução, que não sei a resposta certa e que não vou lhes dizer o que fazer, outro alguém sempre retruca:

Então, de que adiantou? Pra que ficamos duas horas aqui perdendo nosso tempo? Isso [querendo dizer essa aula, minha matéria, a disciplina, a própria universidade, a vida, sei lá] não serve pra nada!

E eu:

Mas se eu lhes dissesse o que fazer, então serviria pra alguma coisa? Eu acho que, pior do que não servir pra nada, seria extremamente perigoso. É pra isso que vocês vêm à universidade? Pra que qualquer um, só porque tem um doutorado e passou num concurso, lhes diga o que fazer? Vocês não querem chegar às suas próprias conclusões? Aliás, não acham que, sendo parte da mínima elite com educação universitária na Brasil, que têm obrigação de chegar às suas próprias conclusões?

E, vocês vão achar que é punch-line, ou licença poética, mas depois desse discurso sempre tem alguém de cara sonolenta que levanta o braço lá detrás e pergunta, de verdade, na lata:

Tá, professor, mas afinal, o que é que é pra colocar no teste?

E eu respondo, exausto:

Se eu perguntar "qual é a solução para o problema do racismo no Brasil?" vocês podem responder que eu mesmo disse que não sei qual é a solução. Mas acho que vou fazer uma pergunta um pouquinho mais difícil que essa... Talvez relacionada, hmm, com as leituras, quem sabe...?

 Psicologia para Professores DAVID FONTANA  Professores: Entre o Prazer e o Sofrimento, Os CLAUDINE BLANCHARD-LAVILLE

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Dos termos de uso do LLL:

O LLL não é um blog rosadinho, fofinho, politicamente correto. O LLL não se envolve em blogagens coletivas, caga pro Dia da Terra, não é nem um pouco vegano. O LLL não tem musiquinhas, selinhos, fotinhas de bichinhos e bebezinhos. O LLL não é um lugar seguro, um blog onde você possa entrar tranquilo e ficar confortável. O LLL está sempre tentando mexer com a sua cabeça, destruir suas certezas, te mostrar outras possibilidades. O LLL faz pouco da esquerda, faz pouco da direita, faz pouco de si mesmo e faz pouco de você também, se vier falar besteiras nos comentários. O LLL não se leva a sério e não te leva a sério. O LLL deixa você falar o que quiser, mas só pra te dar corda pra se enforcar. No LLL, você fala, mas por sua conta e risco. No LLL, não vale chorar e falar que eu não avisei. No LLL, você pode sair de joelho ralado e nariz sangrando.

Muita gente considera esse ambiente estimulante. Outros, desagradável. O fundamental é que ninguém é obrigado a ler e, menos ainda, comentar e se expor. Depois não reclamem.

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Leia também:
- Vendemos Problemas, Não Soluções
- Dar Aulas de Literatura

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Racismo LLLSérie Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)
I - A Invisibilidade do Privilégio
II - O Ônus da Elite
III - Os Privilégios da Classe Média
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!

Adendos:
I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
II - Governo, Raça e Privilégio
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"

* * *

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Abaixo, recomendação máxima, um dos livros mais lindos, humanos, abertos, libertários, grandes!, que eu já tive o privilégio de ler:

 Pedagogia do Oprimido

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07.10.09


Categorias: Comportamento, Política

Defesa Preguiçosa das Generalizações

A leitora Carol não gostou das generalizações do meu texto:

Eu gosto do jeito que você argumenta, mas acho complicado você fazer algumas conclusões generalizantes sem aprofundar o contexto. Pode ser que, porque eu pense de forma bastante fundada em dados (pela minha própria formação), mas pode ser também que você extrapole algumas conclusões sem o devido contexto.

Se assistirem um filme de mistério buscando por piadas, pode até ser que encontrem uma ou outra, mas provavelmente vão sair frustrados. Mais importante, a busca pelas piadas que o filme não se propôs fazer vai distraí-los do suspense que o filme de fato oferece. Os textos do LLL não são científicos. Todos os exemplos são meramente ilustrativos e não sugerem ou implicam extrapolações exaustivas que esgotem outras possibilidades. Se os textos têm algum valor, vocês não vão encontrá-lo buscando por coisas que os textos não se propuseram oferecer.

Não é possível produzir nenhuma forma de conhecimento sem generalizações. Tenho um conhecido que considerava cada fato, cada objeto, cada ser vivo, na sua mais absoluta especificidade, mas na prática, isso tornava-o incapaz do mais simples raciocínio.

Na preguiça de escrever mais sobre isso (sabe como é, todo carioca é preguiçoso), cito o texto de um colega paulista (sabe como é, esse povo trabalhador que sustenta o Brasil):

Um grande momento na vida de uma pessoa de inteligência mediana acontece quando ela descobre que generalizações não cobrem todos os casos específicos. A excitação causada por essa descoberta e o prazer inocente em simplesmente pensar na existência de exceções o deixa incapaz, durante algumas décadas, de entender generalizações simples - de tal forma que se alguém disser que "a maior parte das mulheres chamadas Joana são morenas", ele é capaz de levantar e dizer de um jeito sabido que conhece uma Joana que não é morena.

Pelo menos pelo que eu vejo em jornais e fóruns na internet, a vida mental de muitas pessoas consiste numa única coisa, numa espécie de cacoete, que é pensar automaticamente em exceções sempre que ouvem uma tentativa de formulação de uma tendência geral. Essas exceções lhes causam tanto prazer que ficam um pouco tontos, um pouco distraídos, talvez, e assumem que a existência dessas exceções nega a tendência geral que acabaram de ouvir.

 Origem dos Irmãos Coyote Na Torre do Tombo

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06.10.09

Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")

Racismo LLLQuando falo de racismo e privilégio, alguns leitores pensam que estou tentando fazer com que se sintam culpados de alguma coisa. Então, deixa eu clarificar.

Somos culpados das coisas que ativamente fazemos ou que ativamente deixamos acontecer.

Não, eu não quero que você se sinta culpado. Eu mesmo nunca senti culpa na vida - nem mesmo das coisas erradas que fiz, quem dirá das que não fiz.

Nenhum leitor desse blog é culpado pela escravidão, pelo racismo, pela desigualdade. Esses problemas são mais antigos que nós e sua culpa transcende qualquer indivíduo.

Quase sempre, os leitores que ficam travados nesse aspecto da "culpa" estão, conscientemente ou não, fugindo do problema. Instituir uma caça às bruxas aos míticos racistas malvados, encontrá-los e então prendê-los, educá-los ou matá-los, tudo isso é muito mais fácil e menos doloroso do que parar e refletir sobre o racismo estrutural que constitui nossa sociedade, sobre as imensas desigualdades que nos caracterizam, sobre os privilégios que esse estado de coisas nos concede, sobre nossa cumplicidade quase sempre inconsciente e involuntária com esse sistema perverso.

Entretanto, não somos culpados, mas somos, sim, responsáveis por solucionar os problemas atuais de nossa sociedade. Se você é brasileiro e concorda que nosso país é racista e desigual, então é co-responsável, assim como eu, por tentar resolver essas questões. (Se não concorda que somos racistas e desiguais, então pode ficar tranquilo: os legalmente incapazes não podem ser responsabilizados por nada.)

Ser responsável por solucionar um problema é muito distante de ser culpado por ele. Somos responsáveis porque esses problemas não podem mais ser ignorados, afetam nossas vidas todos os dias e um dia vão explodir na nossa cara.

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Obras completas de Freud, de R$960 por R$299, e de Machado, de R$650 por R$389

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Racismo LLLSérie Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)
I - A Invisibilidade do Privilégio
II - O Ônus da Elite
III - Os Privilégios da Classe Média
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!

Adendos:
I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
II - Governo, Raça e Privilégio
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"

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27.09.09


Categorias: Comportamento, Política, Raça

O Ônus da Elite (Você É um Privilegiado?, 2)

Racismo LLLMuitos leitores me dizem que não acreditam nessa história de que fui rico, que digo isso pra contar vantagem, que nunca viram ninguém que foi rico ficar assim pobre! Já eu penso que a explicação é outra: ficam céticos porque nunca viram nenhum brasileiro admitir que é ou foi rico. Pra eles, se dizer rico quer dizer contar vantagem.

Entretanto, por outro lado, a maioria dos brasileiros ricos não se diz rico justamente porque, a partir do momento em que admitem ser privilegiados, caem sobre seus ombros uma série de obrigações éticas sobre as quais não querem nem pensar.

Afinal, se sou privilegiado, então existe alguém que não é. Que privilégios eu tive que essas pessoas não tiveram? Qual é a origem sociohistórica dessa assimetria? Se essa assimetria é tão gigantesca como parece, então será que faz sentido falar em sociedade meritocrática?

 Promoção SubmarinoOu, em outras palavras, sim, o vestibular é perfeitamente meritocrático e incorruptível. Mas, quando eu entro pra Medicina em uma Federal, porque estudei em um dos melhores colégios particulares da cidade e passei a adolescência me concentrando nos estudos, entre viagens ocasionais a Miami e Bariloche, e quando um neguinho favelado, que estudou a vida toda na escola estudual ao pé do morro, trabalhando desde os dez anos pra ajudar a família, levando porrada da polícia e evitando as tentações de trabalhar pro tráfico, quando esse moleque não passa nem no vestibular de Filosofia da mesma Federal, será que posso realmente, de verdade, de cara limpa e consciência idem, bater no peito e me orgulhar do mérito da minha conquista individual?

No Brasil, a elite-que-não-se-admite-elite (porque a palavra virou xingamento) só sabe desfrutar da delícia de ser elite mas não aceita mais o ônus: rejeita as obrigações morais e responsabilidades históricas que a elite de qualquer sociedade sempre possuiu. Entre elas, me arriscando a soar medieval, liderar pelo exemplo e cuidar dos menos favorecidos.

(Nesse aspecto, podemos dizer que os EUA estão seguindo o nosso exemplo. A elite da geração de nossos avós ainda tinha uma consciência histórica forte do seu papel de classe: jovens milionários e privilegiados como os futuros presidentes Kennedy e Bush pai se alistaram voluntariamente no esforço de guerra; o primeiro quase afundou com o PT Boat que comandava e o segundo, aviador naval (a elite da elite dos militares) foi derrubado sobre o Pacífico, escapou de paraquedas e ficou horas na água até ser resgatado. Para os baby boomers, tudo começou a mudar: o mesmo George Bush ex-aviador naval mexeu seus pauzinhos para que seu filho homônimo e também futuro presidente não fosse recrutado para ir ao Vietnã. Apesar do alistamento obrigatório, essa guerra já foi muito mais um fardo para soldados das classes mais baixas. E, finalmente, quando chega a década de 80 e o serviço militar passa a ser 100% voluntário, as forças armadas americanas se tornam o refúgio dos membros mais pobres da sociedade, daqueles que precisam de um emprego seguro (mega sic) e que não têm como pagar as caríssimas faculdades. Enquanto os filhos e netos da Rainha da Inglaterra lutaram nas Malvinas e no Afeganistão, fazendo questão de estar nas frente de combate onde houvesse risco de vida (pois se ficassem na retaguarda, os jornais cairiam em cima), somente nove membros do congresso americano tiveram familiares servindo no Iraque durante algum momento do conflito.)

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Ao não se admitir privilegiada, nossa elite-que-não-se-admite-elite sente-se livre pra utilizar seus muitos privilégios (que muitos acham sinceramente que não têm!) para conseguir ainda mais privilégios, num processo de retroalimentação contínua que começou quando o primeiro português, já no século XVI, chorou miséria da pobreza que o fez sair da Europa, reclamou das terras pobres do Novo Mundo, revoltou-se contra as caríssimas taxas alfandegárias da Metrópole... E prontamente escravizou negros e índios para trabalhar por ele!

Não é nem hipocrisia, é denegação profunda: cercado de seres humanos escravizados e trabalhando de graça para ele todo dia, o dia inteiro, o colono português ainda assim se sentia sinceramente perseguido, explorado, pobre. E, se perguntassem, responderia com profunda sinceridade: se existe algum privilegiado nessa colônia, com certeza não sou eu!

Nossa classe média, reclamando dos juros das prestações da viagem pra Disney em frente da empregada que ganha R$400 por mês, não é nem um pouco diferente.

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I - A Invisibilidade do Privilégio
II - O Ônus da Elite
III - Os Privilégios da Classe Média
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!

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I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
II - Governo, Raça e Privilégio
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"

* * *Racismo LLL

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24.09.09


Categorias: Comportamento, Política, Raça

A Invisibilidade do Privilégio (Você É um Privilegiado?, 1)

Racismo LLLUm dos corolários positivos da ética de trabalho protestante aqui nos Estados Unidos é que ninguém tem medo de se dizer rico. De fato, ser rico é uma prova de que você trabalhou duro, fez tudo certo e tem Deus do seu lado. Se, por um lado, essa cultura estigmatiza e quase criminaliza a pobreza (afinal, em uma sociedade "perfeitamente meritocrática" onde "todos têm chances iguais" só os mais ineptos e preguiçosos vão ser pobres), por outro ela institucionaliza a filantropia. Ao se definir como rico, o indivíduo também se percebe como privilegiado (ainda que por merecimento) e, consequentemente, existe uma certa percepção de obrigação de ajudar os menos privilegiados.

Não se conhece milionário americano que não doe parte significativa de sua fortuna para fins filantrópicos. Entre os americanos classe média que conheço, tanto de esquerda quanto de direita, tanto reacionários quanto progressistas, todos doam muito do seu tempo e alguma parte de sua renda para projetos assistenciais e filantrópicos. Nos EUA, o dinheiro é visto como recompensa por trabalho duro mas também, no melhor estilo Homem-Aranha, como uma espécie de super-poder que traz consigo algumas responsabilidades.

A situação no Brasil não poderia ser mais diferente. Nossa cultura católica ao mesmo tempo em que estimula uma certa ostentação da riqueza (comparem uma igreja católica e uma luterana), também estigmatiza a riqueza como um pecado mortal. Aqui, uma grande fortuna é sempre suspeita: no imaginário popular, o milionário não é alguém que trabalhou mais duro do que todos, mas provavelmente um grande corrupto, um bandido, alguém com esqueletos no armário.

Na década de 80, quando meu pai ia me buscar no colégio com carros que nem o mais milionário dos brasileiros tinha, o xingamento que os colegas me gritavam era: "filho de bicheiro". Sem entrar no mérito da honestidade ou não da fortuna do meu pai, a primeira reação instintiva do brasileiro ao ser confrontado com riqueza desproporcional é sempre associá-la à contravenção, não ao trabalho.

A classe média-alta brasileira fica presa num paradoxo esquizofrênico no qual ela se vê obrigada a reclamar de falta de dinheiro o tempo todo ("esses impostos escorchantes!" etc) ao mesmo tempo em que não pode deixar de trocar de carro todo ano, senão pega mal na firma ("o que é que vão pensar de mim!" etc).

 História Natural dos Ricos Suave é a Noite
À esquerda, um livrinho sensacional e divertidíssimo, uma verdadeira etnografia antropológica dos ricos enquanto tribo, seus hábitos e seus costumes. À direita, um dos melhores romances sobre o dinheiro e seu efeito na vida das pessoas.

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Ninguém É Rico no Brasil

Eu, que sempre fui educado pra saber que era rico, que tinha privilégios que quase ninguém teve e que esses privilégios traziam certas obrigações (entre elas, a de não ostentar), ficava constantemente chocado de conversar com amigos igualmente ricos e perceber que nenhum deles se considerava rico. Nenhum. Aliás, a palavra era feíssima.

Diálogo verídico acontecido em uma lancha de 40 pés em Angra. Estou conversando com meu amigo, menciono en passant que somos os dois ricos ("porque nós os ricos" etc) e ele pára tudo, corta a frase no meio, interrompe o assunto e diz que não, imagina!, ele e sua família não são ricos! E eu, só não mais surpreso por essa denegação ser tão comum, respondo:

"Mas João Paulo! Acabamos de sair de sua casa com pier que vale sei lá quantos milhões, estamos na sua lancha de 40 pés que você acabou de trocar ano passado e estamos indo pra um restaurante em uma ilha comer um almoço que provavelmente vai custar mais de mil reais! Como é que você não é rico?!"

E começam os malabarismos verbais:

"Bem, você veja, não somos ricos, meu pai trabalhou muito, mas é assalariado, conseguiu economizar, temos um certo conforto, é verdade, mas não somos ricos."

Por fim, o abacaxi é fatalmente passado adiante:

"Rico é o Carlos Eduardo, que tem um iate de 60 pés e é dono da própria ilha. Ele sim é rico, Alex."

Podem ficar certos de que, mais tarde, Carlos Eduardo também negou peremptoriamente ser rico. Pra ele, sua família também tinha tido a sorte de uma vida confortável, estavam "bem", sabe?, mas rico mesmo era um outro amigo nosso, o Luis Felipe. Infelizmente, não lembro mais o que o Luis Felipe possuía para marcá-lo como rico. Talvez Belize.

 República das Elites,  Elite: Ontem, Hoje e Sempre

* * *

O Peixe e a Água

Enfim, sei bem que a maioria dos leitores não está nesse nível de privilégio - muito menos eu, que hoje sou pobre de marré-de-si e tive que vir pro exterior pra conseguir ganhar a vida, com uma bolsa de estudos que me coloca bem pouco acima da linha de pobreza oficial nos EUA.

E, apesar de ter demonstrado no parágrafo anterior que sou fluente no discurso chorador-de-miséria da classe média, eu ainda assim tenho uma noção profunda da extensão dos meus privilégios.

Mas entendo porque meus amigos ricos não se achavam ricos. Pelo mesmo motivo, nossa elite não se vê como elite e nossos privilegiados não se vêem como privilegiados. Ou, como disse a Lola, por exemplo, os homens não entendem que é um privilégio não ter medo de morrer quase diariamente.

Quando você cresce rodeado por algo - nesse caso, privilégio - aquilo vira a regra contra a qual o mundo é comparado. Nossa vida é sempre a normal, ou melhor, a normativa: as outras é que são menos ou mais alguma coisa.

Além disso, a maioria das pessoas olha pra cima, e não pra baixo: compram a Caras e assistem programas de fofocas pra saber como é a vida dos ricos e dos famosos, mas evitam cruzar olhares com o mendigo da rua ou com o pivete do sinal e, com certeza, nunca pararam para conversar com eles e ouvir suas histórias.

Então, o processo funciona mais ou menos assim: você evita os mais pobres (por serem francamente desagradáveis, não?), considera sua vida normativa, e só conhece em detalhes as rotinas dos mais ricos. Resultado: você não se acha nem rico nem privilegiado nem de elite; privilegiado é o Luciano Huck, que tem uma jacuzzi em cada cômodo da casa! Sério, eu vi na Caras.

Por outro lado, pergunte às pessoas que trabalham de voluntários em favelas: a cada vez que saem de lá, se sentem privilegiadas somente por ter água encanada!

Por isso, no post original pedindo a reflexão sobre o privilégio, eu pedi que vocês se comparassem com quem tem menos, e não com quem tem mais. Depois de ler o depoimento do leitor Josué sobre as dificuldades que enfrentou por ser negro, o Henrique comentou:

Me sinto bem aceito e adequado a frequentar qualquer espaço, entrar em qualquer loja, qualquer sala de professor, perguntar o que eu quiser e costumo ser bem tratado. Vejo que negros não gozam desse 'respeito automático'. Só fica um pouco difícil ver como privilégio uma coisa que me parece tão natural, a impressão é de que isso falta a eles e não que sobra para nós... É uma impressão logo destruída pelos primeiros raciocínios, mas que existe...

O peixe não enxerga a água justamente por ter vivido toda a sua vida rodeado por ela: só dá por sua falta quando está se debatendo no convés do barco.

Convido meus leitores a tentarem perceber a água que os rodeia *antes* de chegarem no convés - antes que as consequências das desigualdades sociais brasileiras explodam em suas caras.

O principal objetivo desses textos é fazer com que você desnaturalize tudo o que lhe parecia mais natural.

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Série Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)
I - A Invisibilidade do Privilégio
II - O Ônus da Elite
III - Os Privilégios da Classe Média
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!

Adendos:
I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
II - Governo, Raça e Privilégio
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"

* * *Racismo LLL

Veja todos os posts sobre Raça do LLL e acompanhe a conversa, assinando o RSS dos comentários. Para divulgar toda a série, use esse link ou o botão ao lado.

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22.09.09


Categorias: Comportamento, Política, Raça

Regra 3-1 pra Amigos Deprimidos e Bipolares

Ou você aparece no mínimo três vezes bem e feliz para cada vez que aparecer desgraçado e deprimido, ou sinceramente não dá pra levar o relacionamento.

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19.09.09


Categorias: Comportamento

Beleza Feminina e Ditadura do Corpo

O problema dessa discussão acaba sendo o seguinte:

Quando quem levanta a questão é uma mulher (vista como) bonita, ou dentro do padrão estético vigente, as pessoas (especialmente as outras mulheres) dizem, ou pensam:

"ah, pra ela é fácil falar, ela é bonita, oras!"

Quando quem levanta a questão é uma mulher (vista como) feia, ou fora do padrão astético vigente, as pessoas (especialmente as outras mulheres) dizem, ou pensam:

"quanto despeito! queria ver se fosse bonita, se estaria falando isso!"

E está morta a discussão.

* * *

Sou um homem que viveu e cresceu cercado de amigas mulheres e de quase nenhum amigo homem; que adora estar com mulheres e tudo relativo a mulheres, de fazer compras e conversar sobre esmalte de unhas a discutir filosofia medieval e física quântica; que ama mulheres fortes, dominadoras, inteligentes, decididas, vaidosas.

Depois de toda uma vida sendo usado e abusado, manuseado e manipulado por mulheres assim, de ser amigo e confidente de infindáveis histórias, eu posso dizer, de cadeira: nunca conheci uma mulher tão autocentrada e egoísta quanto o mais sensível e generoso dos homens.

Porque mesmo o homem mais sensível e generoso, que mais se vira ao avesso pra fazer a mulher gozar, está interessado antes de tudo em seu próprio prazer, em seu próprio gozo, em suas próprias fantasias.

E nunca conheci uma mulher que não tivesse, em alguma medida, em geral larguíssima medida, complexo de gueixa. Que não tivesse sido criada, desde criança, pra suprir e realizar e satisfazer os desejos, prazeres, necessidades dos homens. Que não se colocasse em segundo plano em relação ao seu homem, ao seu filho, à sua casa, ao seu trabalho, ao trabalho do seu homem. Que não tivesse, em alguma medida, em geral larguíssima medida, o êxtase do auto-sacrifício e da auto-anulação em prol dos seus entes queridos - especialmente, do seu homem e dos seus filhos.

* * *

Naturalmente, não estou dizendo que a culpa final não seja dos homens. Mas é muito mais fácil conscientizar a vítima do que o algoz. Enquanto as mulheres não se derem conta do que fazem a si mesmas e começaram a mudar, não vai ser dos homens que vai partir a iniciativa.

História da Beleza  História da Feiúra

* * *

Como Saber Se Você É Parte do Problema ou da Solução

Simples. Se na frase acima

adoro tudo relativo a mulheres, de fazer compras e conversar sobre esmalte de unhas a filosofia medieval e física quântica

você estancou ou teve um estranhamento quando falei de "filosofia medieval e física quântica", então é parte do problema.

Mas não fique chateado. Provavelmente, todo mundo teve esse mesmo estranhamento. Fomos criados assim, tanto homens quanto mulheres. A lavagem cerebral que sofremos foi severa. A frase original também só lia "de fazer compras e conversar sobre esmalte de unhas", mas, relendo o texto, vi que estava machista e injusto, e mudei. Afinal, antropologia cultural é um assunto tão masculino quanto feminino, por que não?

Se você até agora ainda não entendeu, ou não concorda, então o caso é mais preocupante. Recomendo a piada-parábola do judeu e dos barbeiros:

Um judeu foi reclamar ao chefe que aquele escritório era muito racista, que todo mundo era anti-semita e que ele não aguentava mais trabalhar ali.

O chefe botou panos quentes, disse que não era assim, que ele era um funcionário amado por todos, devia ser uma impressão errada.

Pois agora mesmo, falou o judeu, eu estava passando pela cozinha e ouvi o pessoal dizendo que tinham que expulsar do país todos os judeus e todos os barbeiros!

O chefe ia dizer alguma coisa, parou, franziu a sobrancelha e perguntou:

Ué, por que os barbeiros?

Tá vendo, tá vendo?!, gritou o judeu.

Outras piadas-parábolas que ajudam a entender o mundo.

* * *

Mulheres na Política

Com as pré-candidaturas de Dilma e Marina, o sexismo na política (e na imprensa e na sociedade, etc) está escancarado para todos verem. Naturalmente, quase ninguém vê. Ou você não acha sexista que só as candidatas-mulheres sejam julgadas por sua beleza ou tenham que responder perguntas sobre plástica e vida doméstica? Para acompanhar todas as notícias sobre esse assunto, não deixem de ler o blog Sexismo na Política.

 Mulheres Públicas: Participação Política e Poder

* * *

O Corpo das Mulheres

Recomendo também o documentário italiano O Corpo das Mulheres, recomendação da Débora:

O CORPO DAS MULHERES é o título do nosso documentário de 25 minutos sobre o uso do corpo da mulher na televisão. Partimos de uma urgência. A constatação que as mulheres, as mulheres reais, estejam desaparecendo da televisão e estejam sendo substituídas por uma representação grotesca, vulgar e humilhante. A perda nos pareceu enorme: o cancelamento da identidade das mulheres está acontecendo sob o olhar de todos, mas sem que haja uma resposta adequada, até mesmo pelas mulheres. A partir daqui, se abriu caminho para a idéia de selecionar as imagens da televisão, que tivessem em comum o uso manipulador do corpo das mulheres, para contar o que está acontecendo não só a quem nunca assiste a televisão, mas especialmente a quem a assiste mas “não vê”. O objetivo é nos perguntar e questionar as razões para esta supressão, um verdadeiro “massacre”, do qual somos todos espectadores silenciosos. Em particular, o trabalho colocou uma ênfase especial sobre o cancelamento dos rostos adultos da TV, o uso da cirurgia estética para apagar qualquer sinal da passagem do tempo e as consequências sociais desta remoção.

Veja o documentário on-line, com legendas em português: O Corpo das Mulheres

E, no mesmo assunto, um livro sensacional, da historiadora Mary del Priore, "Corpo a Corpo com a Mulher: Pequena História das Transformações do Corpo Feminino no Brasil":
 Corpo a Corpo com a Mulher: Pequena História das Transformações do Corpo Feminino no Brasil
* * *

Racismo e Beleza

Nos discussões sobre racismo, um comentário recorrente, acreditem ou não, foi:

"Preto é feio e tem cabelo ruim. Mas não sou racista, é estética. Só minha opinião, oras!"

Para quem tiver estômago pra ler mais, dois posts e dois livros sobre o assunto:

- Negritude e Cabelo, Estética e Escravidão

- 13 Anos de Capas da Playboy

Cabelos de Axé: Identidade e Resistência  http://i.s8.com.br/images/books/cover/img2/1706782.jpg

* * *

Blogueiras Feministas

Algumas mulheres incríveis, inteligentes e articuladas que me educam e me informam todos os dias: Mary W, Lu, Aline, Denise, Cynthia, Marjorie, Lola. Vocês são lindas quando concordam e são lindas quando brigam.

Confesso que tenho um fetiche secreto (vocês juram que não me batem?) que o próximo arranca-rabo a la lingerie day seja resolvido com uma bela briga na lama, camisetas molhadas e tudo.

Bem, ok, podem me bater. Vocês todas, juntas, batendo me mim, é o meu OUTRO fetiche secreto! ;)

* * *

Eu Confesso!

Por fim, antes que comecem a pesquisar meu passado e descubram que fui jurado do Concurso de Miss Maria Estante da Off-Flip 2007, eu confesso:

Sou um homem heterossexual absolutamente apaixonado pela beleza feminina. Um belo corpo humano é, com certeza, a coisa mais linda da criação, uma jóia estética de perfeição, nada pode ser mais sublime.

O corpo é sempre um objeto sexual. Todos nós somos sexo o tempo todo. O problema é que nossa sociedade machista só objetifica sexualmente as mulheres. Minhas amantes e namoradas foram aquelas que souberam reverter o processo, que desde o começo também ME objetificaram como SEU objeto sexual.

E, sim, sou o tipo de homem que quando vê uma mulher linda na rua, pede pra tirar uma foto, e que tem um flickr cheio de fotos das mulheres lindas que cliquei ao longo da vida, todas com as devidas permissões das fotografadas. Sobre isso, leiam meu texto Fotografando Pés, Partes I e II.

* * *

Beleza, Inteligência e Vaidade

Mulher bonita e inteligente tem que ser vaidosa. Se não for vaidosa, então, ou não é realmente bonita ou não é realmente inteligente.

Quem me conhece, sabe que costumo tirar os óculos em eventos sociais. Sabe como é, vaidade, pra ficar menos feio, essas coisas.

Um dia, fui tomar um café com uma moça que tinha acabado de conhecer e ela perguntou se eu enxergava bem sem óculos. Eu disse que não muito, mas que minha vaidade era maior que minha vontade de enxergar. E ela pediu pra eu colocar os óculos de novo, porque não fazia questão alguma que eu fosse bonito (e tirar os óculos não fazia tanta diferença assim!) mas fazia questão de saber que eu estava admirando sua beleza em todos os detalhes.

Estamos juntos há quatro anos.

* * *

Mulher de Um Homem Só

Meu romance Mulher de Um Homem Só, narrado por uma mulher, é minha humilde tentativa de entrar na cabeça de uma mulher, de falar como mulher, de ser mulher um pouquinho. Se esse assunto lhe interessa, se ficou curioso ou instigado, dê uma olhada e descubra se fui uma mulher convincente.

Algumas mulheres que gostaram: Alessandra Bonrruquer, Paula Lee, Mary W, Marina W, Ju Dacoregio, Isabella Ianelli, Fernanda França, Re Alves.

Mulher de Um Homem Só

* * *

Textos Relacionados

- Elogio à Beleza

- As Feministas e as Domésticas

- Os Cheiros Fora-da-Lei

- Um Desejo

- Critérios

Corpo do Brasileiro: Estudos de Estética e Beleza  Ditadura da Beleza

* * *

Pois bem, vou cuidar da minha tese e não sei quando volto. Tem bastante link nesse post pra manter vocês ocupados por uma semana. Estou pensando seriamente em programar mil posts no LLL e esquecer do blog, e também cometer twittercídio, facebookcídio, msncídio e orkuticídio. Deixar só o Gmail. Quase decidido. Mais tarde, volto. Fui.

 

02.09.09


Categorias: Comportamento, Sexo

Mulheres com Medo

Alex Castro says:
depois eu te falo de umas coisas q me irritam... eu acabei de tirar uma pseudo amiga dos meus links amigos pq eu dei meu celular pra ela 2x e ela nao me deu o dela, e depois nao me ligou enquanto eu estava em salvador

Camila says:
eeeeeeeeeeeee, fofocaaaaaaaaaa!! Quem é, quem é? (Se bem que só vai ter graça se eu conhecer)

Alex Castro says:
nao tem fofoca. eh a veronica. mas eu acho ridiculo isso. coisa de mulher q acha que homem eh paquerador barato

Camila says:
Sério, você acha que foi isso? Ah, foi fofoca sim, vai, teve a maior graça. :)

Alex Castro says:
ue, pq outro motivo seria? jah vi 500 mulheres fazerem isso e eh sempre por isso.... o cara dah o numero e elas desconversam e nao dao o delas. e, pior, eh coisa de mulher q nao se garante na hora de dizer nao. entao foda-se. continuo adorando o blog dela mas alguem q faz isso nao eh minha amiga, entao fora dos blogs amigos, oras!

Camila says:
É mesmo curioso isso. Porque, afinal, todo homem, em alguma medida, é um paquerador barato. Se eu não fosse dar o telefone pra amigos homens só porque eles são paqueradores baratos, eu não tinha mais amigos homens.

Alex Castro says:
queria fazer um post há anos sobre esse tipo de coisa mas acho q pode pegar mal

Camila says:
Faz o post, publica daqui a alguns meses, aí não dá na vista, pronto.

Alex Castro says:
tem uma coisa q eu risco do meu caderninho. eh quando vou encontrar com uma mulher, leitora ou nao, e antes de tudo, ela avisa, olha, mas nao vai rolar nada hein! olha, mas nada de mexer no meu pe hein! etc.

Camila says:
haha. Ai, que paciência.

Alex Castro says:
e eu melo o compromisso na hora. acabou. e elas devem ficar achando q eu queria alguma coisa e vi q nao ia dar. mas claro q nao eh isso

Camila says:
COM TODA A CERTEZA aparecerão comentários que dirão exatamente isso... "tá vendo, suas amigas é que são espertas, sabiam que você só tava a fim de comer mesmo..."

Alex Castro says:
eu nao queria nada, sempre vou sem ideias, pra ver qual eh, acho q cada encontro abre um universo de possibilidades. mas acho esse tipo de comentario tao baixo, tao restritivo, tao ridiculo, tao ofensivo a mim, que acaba na hora o meu interesse de encontrar ou conhecer alguem que me diga, na lata, antes de sairmos, q nao vai rolar nada

Camila says:
Quando uma mulher diz isso, parece, para mim pelo menos, que ela está dizendo sobretudo para si mesma.

Alex Castro says:
na verdade, me lembro da vez em que vc ia sair com o emilio e da historia da depilacao... o q te falei era q vc tinha q se depilar, mas nao por ele, mas pra VC ter a liberdade de fazer o que vc quiser, de dar ou de nao dar... a verdade eh q nao gosto de andar com gente pequena. com gente q jah anda com o freio de mao puxado. acontece muito da garota fazer doce e eu ir embora. aih jah aconteceu, hmm, 3 vezes, de eu encontrar ela anos depois e ela falar, hmmm, se naquela noite vc tivesse insistido mais um pouco, eu teria sido sua... e eu respondo, se naquela noite vc tivesse feito menos doce e tivesse menos merda na cabeca, eu teria sido seu tb.... em suma.... eh todo um comportamento q me irrita.... e acho q no fundo eh a mesma coisa.... vc, se nao tivesse se depilado, só pra ter certeza q nao iria rolar... a veronica, q ficou papeando comigo na maior amizade meses sem nenhuma putaria, aih eu chego em salvador, dou meu cel pra ela, duas vezes, ela nao me dá o dela e nao me liga.. mulheres q vao encontrar com um cara e jah dizem o que nao vai rolar e o q nao vao fazer.... mulheres q querem fazer algo, querem dar, querem beijar, mas ficam fazendo doce, provocando, SE NEGANDO algo que querem só, sei lá, pra nao parecerem putas, ou pq eh assim q se faz, sei lah..... tenho bem claro na minha cabeca q esses sao todos os mesmos comportamentos...soh nao saberia como defini-los num termo soh....

Camila says:
Olha, se é pra pensar numa formulação geral, eu defino como medo. Agora entendi melhor porque você relacionou uma coisa - a depilação do Emílio - com a outra. Eu tanto concordo completamente que de fato depilei. Era o que eu teria feito anyway, independentemente do seu conselho... Minha única dúvida era a preguiça de depilar, porque realmente dá um trabalho, dói, leva tempo, é um saco. Então eu fiquei pensando, será que vale a pena? Será que eu realmente estou querendo dar, que vale a pena passar por isso? É sempre uma questão importante a fazer antes de encarar uma depilação.

 Marketing de Relacionamento  100 Segredos dos Bons Relacionamentos

* * *

Blog da Camila: Recordar Repetir e Elaborar

 

24.08.09


Categorias: Comportamento, Sexo

Porque Apoio a Lei do Fumo em SP

Fumar é um dos maiores prazeres da minha vida.

Nada pode ser mais responsável e sublime do que escolher o prazer mesmo sabendo dos riscos individuais que ele pode acarretar. Você pode discordar dessa escolha (eu acho babaca arriscar a vida pra chegar no topo de uma montanha ou pra ultrapassar um caminhão numa estrada sinuosa) mas é a possibilidade dessa escolha que nos torna humanos.

A demonização do fumante é perigosa, antidemocrática e, por que não?, um slippery slope. Amanhã, podemos ser todos obrigados a comer verduras e proibidos de falar palavrões.

Ninguém tem o direito de permitir que sua busca pelo prazer coloque outros em risco.

De todos os muitos tipos de chato (evangélico, vegano, o mala do violão, etc), o pior chato é o chato antitabagista, especialmente se for ex-fumante.

Aquela contagem regressiva em São Paulo foi ridícula e patética.

* * *

Dito isso... Apoio a Lei do Fumo em São Paulo. Por um motivo simples e eliminatório:

O objetivo da lei não é proteger os frequentadores de bares e restaurantes, mas sim os funcionários que passam mais de oito horas por dia respirando densas concentrações de fumaça. Não é justo condenarmos toda uma categoria profissional a uma probabilidade muito maior de desenvolver câncer de pulmão do que muitos fumantes empedernidos. Especialmente se estamos falando de uma profissão de nível socioeconômico e cultural mais baixo, como garçom. Pilotos de fórmula um também apresentam uma taxa de mortalidade relativamente alta, mas só é piloto quem quer.

Mulher de Um Homem Só
Compre meu romance "Mulher de um Homem Só".

Links:
Restaurant Smoking as Threat to Waiters
O estudo citado nessa matéria do NYT, de 1993, começou a onda de proibições de fumo em restaurantes.

Incidence of Cancer among Male Waiters and Cooks
Artigo acadêmico do mesmo ano.

 Obrigado por Fumar
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11.08.09

Diálogo Zen no MSN

Depois que comecei a estudar os koans da escola Rinzai Zen, ficou muito mais divertido conversar comigo no MSN:

Leitor says:
"Ontem, caí no meu próprio truque: vi um filme no qual 99% da humanidade é exterminada e só me debulhei em lágrimas quando morreu o cachorro." haha acho q vc foi ironico, mas eu nunca senti a mesma coisa ruim por ver um ser humano atropelado como por um viralatas q n só achei na rua recem atropelado como levei ao veterinário em pleno domingo a noite e adotei o bichinho pra mim... meu pai ficou puto na epoca pq deixei o cachorro pra consertar, tinha q botar pino... e meu pai só descobriu qdo a conta do veterinario chegou.. 400 reais num pino.... um ser humano, a n ser uma criança, eu acho q só levaria pro conserto por um "sentimento" de dever cívico... estranho... mas acho q n sou o único... as pessoas qdo passam por um acidente na rodovia esticam o pescoço pra ver c tem vítimas.. mas qdo vêem um cachorro morto atropelado viram a cara e dizem: ai, n queria nem ver! q judiação.. e ficam com a coisa na memoria por alguns minutos ainda..

Alex Castro says:
pois e, mundo bizarro

Leitor says:
eh.. nunca havia pensado nisso... um cachorro abandonado cativa qualquer um rapidamente... mas o mendigo faz a gnt atravessar a rua..afinal ele ta bêbado, fedendo...rs mas eu queria essa resposta... pq a gnt atravessa a rua qdo ve um mendigo fedendo vindo em nossa direção mas nos cativamos logo de imediato se vemos um caozinho abandonado na rua?? E pq as pessoas esticam o pescoço nas rodovias pra ver a vítima de um acidente, mas qdo veem um cachorrinho morto na estrada dizem: "ai!! q judiação!! n queria nem ver!!" e ficam com akilo por uns 3 minutos ainda na cabeça????

Alex Castro says:
e vc quer respostas de mim?

Leitor says:
seria ótimo!

Alex Castro says:
boa sorte tentando extrair uma resposta direta de mim

Leitor says:
pq?? escreve em forma de metáfora entaum...rs n, mas sério mesmo..pq é duro extrair respostas diretas d vc?

Alex Castro says:

pq vc acha que eh duro extrair respostas diretas de mim?

Leitor says:
foi o q eu entendi qdo vc disse: "boa sorte tentando extrair uma resposta direta de mim"

Alex Castro says:
será q foi isso q eu tentei dizer?

Leitor says:
n sei, foi o q eu entendi... foi?

Alex Castro says:
nao sei, o que vc acha?

Leitor says:
acho q foi. e tb comecei a suspeitar q vc gosta d fazer as pessoas pensarem e por isso n dá uma resposta direta... mas eh só mais um achismo meu

Alex Castro says:
bem, o importante eh vc ter certeza. pode ser tb. nunca se sabe

Leitor says:
puxa vida, as possibilidades estão cada vez mais se alargando...

 Espírito do Zen
Excelente introdução ao Zen para ocidentais.

 

05.08.09


Categorias: Comportamento

O Pior Direitista É o Ex-Esquerdista

Tenho um amigo, comunista de carteirinha, que trabalha na empresa de ex-esquerdista. Ele teve um insight interessante:

O ex-esquerdista é o autêntico capitalista selvagem. Quando a formação do cara é direitista, ele ainda tem uma certa reserva moral, algum pudor intrínseco. Mas quando o ex-esquerdista decide Marcador de Livro Exclusivo para Mecenastrocar de lado, logo ele que se formou vendo no direitista o demônio encarnado, é porque está chutando o balde e fazendo a opção por se tornar justamente aquele demônio encarnado que sempre idealizou. O ex-esquerdista-agora-direitista, portanto, não tem nenhum pudor, nenhuma reserva moral, nada. É o paradigma do capitalista selvagem.

* * *

Lançamento de "Mulher de Um Homem Só": esse sábado, no Canto Madalena. Saiba mais ou compre. Comprando antes do lançamento, você ganha o exclusivo marca-livro ao lado.

Convite para o Lançamento de São Paulo

 

29.07.09

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Mulher de Um Homem Só

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Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!


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Meus Livros à Venda:

  • Radical Rebelde Revolucionário
  • Onde Perdemos Tudo, por Alex Castro

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Livros Recomendados

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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
  • 41. Maio, Marcos Chor. Raça, Ciência e Sociedade. [Brasil, 1996] Jun.
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