Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%.
A piscina do terraço do Edifício do Jockey Club, centro do Rio de Janeiro. Reparem na Ponte Rio-Niterói e na Ilha Fiscal, lá atrás.
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Fiquei lembrando da primeira cena de Soy Cuba, uma das mais arrebatadoras da história do cinema. Confiram abaixo.
Se ficou tão boquiaberto e bestificado como eu, clique no link abaixo, compre o filme pelo Submarino e, depois, seja eternamente agradecido a mim.
Cartaz na porta do meu cinema alternativo preferido:
Tuesday, November 4:
Closed in honor of BARACK OBAMA’s election for President.
Wednesday, November 5:
Closed to celebrate BARACK OBAMA’s win or mourn his defeat.
Eu tinha um texto quase pronto sobre os sinhôzinhos de hoje em dia e sua relação com as mucamas, mas infelizmente me apareceu aqui em casa uma amiga em crise e fui obrigado a passar a mão na cabeça dela, cozinhar chili, beber vinho e assistir "Dançando no Escuro" - o "infelizmente" refere-se sobretudo a essa última parte. (Pelo menos, o filme tem um final feliz: eu fiquei felicíssimo quando enforcaram aquela mala.) Enfim, o texto fica pra quinta.
Então, aproveito o dia morto para fazer um pedido que estou adiando faz tempo: também estou escrevendo um texto sobre filmes & livros, digamos, mainstream mas que celebrem um estilo de vida alternativo, rebeldes, libertários, iconoclastas, anti-establishment, etc etc.
Especificamente vou falar de O Apanhador no Campo de Centeio, Sociedade dos Poetas Mortos, Beleza Americana, O Estrangeiro, Um Grande Garoto, O Libertino, Contos Proibidos do Marquês de Sade.
E vocês? Que livros ou filmes lhe pareceram assim? Concordam ou discordam com as escolhas acima? Que outros escolheriam? Por que eles lhes marcaram? Como? (Naturalmente, o "por que" e o "como" são as partes que mais me interessam da sua resposta!)
Talvez a pergunta mais importante seja: algum filme ou livro já mudou a sua vida, já fez você tomar outras decisões, viver de forma diferente?
Fui ver o filme atraído pelas belas paisagens cariocas, que eu tanto conheço e das quais sinto tanta falta, e terminou que as belas paisagens cariocas eram as únicas coisas que se salvavam do filme. Ruim, ruim, ruim. Se é pelo prazer de ver Ipanema, melhor ir à Ipanema.
Agradeço muito à Sony Pictures e à Pólvora Comunicação o convite para a cabine de imprensa e, como sou um moço bem-educado, lamento muito não ter tido nada de bom a dizer sobre o filme. Não se esqueçam de mim nas próximas cabines.
Site oficial do filme "Era Uma Vez..."
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Para quem quer ver belas paisagens do Rio e ainda se divertir, recomendo "Garota do Rio", pornochanchada de espionagem sobre uma perversa organização feminina e seus planos de dominação mundial. Trash por trash, prefira o trash assumido:

O filme é tão trash que a descrição na contracapa do DVD não se refere a ele, mas a um filme homônimo estrelado por Hugh Laurie! Está tudo errado! É sensacional.
O Rio de Janeiro já foi cenário de muitos filmes nacionais e internacionais, sendo O Incrível Hulk somente o mais recente deles. É raro ver o Rio sendo tão bem utilizado por Hollywood.
Alguns pontos altos incluíram a linda escadaria Manuel Ferreira, na Lapa, uma perseguição de carros pelas ruelas de Santa Teresa, uma agência dos correios nos Arcos da Lapa e a enseada de Botafogo vista da favela. Por fim, a fábrica de Guaraná onde Bruce Banner trabalha é a belíssima fábrica desativada do Chocolate Bhering, que eu já fotografei (acima).
(Um artigo legal sobre o uso do Rio de Janeiro nas locações do filme: Incredible Hulk: Design and Locations)
Inacreditavelmente, todos os brasileiros falam bom português e nenhum se chama Lopez ou Gonzalez. Não deveria ser mais do que a obrigação, mas a gente bem sabe como isso é raro.
Duas coisas que eu particularmente gostei:
Ao tentar se comunicar com os nativos e avisá-los de que não pode ficar com raiva (“angry”), Bruce Banner diz, em português, para que não o deixem com fome (“hungry”). A graça é que o filme não explica a origem da confusão, que só faz sentido pra quem conhece bem tanto o português quanto o inglês. Ou seja, tinha alguém pensante na equipe do filme.
No Rio, Bruce Banner trabalha em uma fábrica de refrigerante de Guaraná. Por acidente, ele deixa cair uma gota de seu sangue numa garrafa, ela é exportada pros EUA, alguém toma, se intoxica de radiação gama e, assim, o Hulk é localizado no Rio de Janeiro. A graça é que, quando vão descrever a cena da intoxicação, os personagens comentam que a pobre vítima tomou uma garrafa de Guaraná “but got more than he bargained from”, ou “conseguiu mais do que pretendia”, deixando implícito que os personagens sabem da reputação energética do guaraná.
Uma coisa particularmente triste:
No Brasil, nossa polícia acha mais importante matar bandidos do que proteger a população: não têm pudor algum em começar tiroteios no meio de civis inocentes. Pior ainda, muitas vezes parecem achar que a população das favelas ou é composta de combatentes inimigos ou, simplesmente, de não-cidadãos que podem ser mortos à vontade.
Pois bem, foi triste constatar que a equipe do exército americano (comandada pelo vilão do filme!) que invade uma favela carioca para capturar Bruce Banner, apesar de não ter lá muito respeito pela soberania brasileira, tem mais respeito pela vida e integridade física dos nossos cidadãos do que a nossa própria polícia - incluindo aí até o Capitão Nascimento. Além de só usarem armas com dardos tranquilizantes, nunca atiram quando existe possibilidade de atingir civis inocentes. Esses gringos não sabem nada de invadir favela!
Uma coisa que diz muito sobre as noções de raça no Brasil e nos EUA, e também sobre o complexo de inferioridade brasileiro:
Quando o exército americano localiza a fábrica de onde partiu o guaraná infectado, o general manda que descubram se existe algum homem branco trabalhando na fábrica – naturalmente, deixando implícito que, para os americanos, os brasileiros são tudo, menos brancos. Diplomaticamente, o tradutor substituiu “homem branco” por “americano” na legenda, protegendo assim as frágeis suscetibilidades nacionais.
Será que esses gringos acham que eles são os únicos brancos do mundo? Que aqui não tem branco? Oras, a audácia das filombetas!
Se o tradutor não mudasse a legenda, era capaz de platéias mais exaltadas queimarem o cinema.
É impressão minha ou não há uma única cena nova e não-reciclada no novo (sic) Indiana Jones?
É impressão minha ou o novo filme do Woody Allen é uma refilmagem do seu próprio Match Point (2005), mas com atores mais fracos?
Tá ficando duro ir ao cinema, viu?

Muita gente reclamou do final de "Os Fracos Não Têm Vez", inclusive até seres pensantes como o Nemo. Sinceramente, eu não sei bem o que esse povo estava esperando. O final desse filme é um dos mais perfeitos desde que inventaram as artes narrativas. Como toda grande obra de arte, sua genialidade é profundamente instável e se mantém às custas de uma enorme tensão. Não consigo imaginar nenhum detalhe que poderia ser modificado sem derrubar tudo.
Por isso, quando me dizem que o final do filme é uma merda, eu pergunto logo: "então, o que você mudaria?" A resposta abaixo, por enquanto, é a melhor:
This movie's ending was too original. I'd have Chigurh die in a mexican standoff with Llewelyn while the cop comes just in time to see the aftermath. Upon seeing what happens, he gives a trite speech about how he'll let Llewelyn go just this once because he likes him. The film would end with Llewelyn and his wife riding off into the sunset in a newly purchased car. Llewelyn would make a lame joke like "If fate is gonna kill me, it should get a better haircut first." It is also revealed that Carla is pregnant with a baby girl which they decide to name "Hope." Just before the camera fades out, the sherriff speaks in an unnecessary voice-over, reinforcing the moral of the story. The last line of this voice-over would be "And what I learned from Llewelyn is that a man is not a slave to his destiny. People have a choice; it is up to them to make a difference in their lives. Even you. In the back row of the theater." Fade out. The credits begin to roll, starting with "Directed by Michael Bay."
Q.E.D.
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Pensei em colocar um aviso tipo "contém spoilers" mas alguém que não imagine que um post chamado "O Final de "Os Fracos Não Têm Vez"" vai revelar o fim do filme merece mesmo perder a surpresa.
Sempre que um filme/livro termina súbita ou elipticamente, vem alguém dizer coisas como:
se perde na segunda metade, com cenas mal resolvidas, como se o diretor de repente tivesse pressa em terminar o filme
Confundem a intenção do autor com seu estado de espírito: se o final é apressado, é porque ele estava apressado em terminar a obra. Quem sabe, se for escrito em stream-of-consciousness, é porque o autor fala sem parar e emenda uma frase na outra.
Arre, que visão simplista do processo criativo.

Poucos filmes chegam tão perto da perfeição cinematográfica. Acabei de ler várias resenhas: interessante que quase todas discutem os temas de destino e acaso, mas não mencionam um detalhe fundamental, sem o qual o filme não faz sentido: tudo só acontece porque Moss volta para dar água ao mexicano moribundo.
Pois bem. Semana passada, depois passar horas escrevendo um post sobre o insuportável excesso de violência no cinema, resolvi espairecer e fui assistir There Will Be Blood, sobre a ascenção sangrenta de um barão do petróleo, e Cloverfield (clique no link para ver o trailer), onde um monstro do fundo do mar destrói Nova Iorque e mata milhões de pessoas.
Sobre o primeiro, barbada para o Oscar de Melhor Ator, resta dizer que é um filme impecável, ao qual não tenho nenhuma crítica - além do fato de não ter me tocado, comovido, emocionado em momento algum.
Já Cloverfield é o máximo. Blair With Project, na sua época, foi uma grande idéia - mas muito mal realizada. Cloverfield, pelo contrário, levou ao extremo seu novo conceito narrativo e fez maravilhas com ele. Antológica cena: a cabeça da Estátua da Liberdade cai em uma rua de Nova Iorque e, imediatamente, é cercada de gente batendo fotos com celulares. Literalmente, o retrato de uma geração.
A maior cascata do filme, naturalmente, não é o monstro destruindo a cidade e sim a bateria da câmera nunca acabar. Mas, sem isso não tem filme, então não cabe reclamar. A maior cascata mesmo é que, enquanto o monstro destrói Nova Iorque, ninguém nunca diga o nome de Godzilla - provavelmente por questões de copyright.
Uma dúvida: por que em filmes de terror os personagens precisam sempre tomar consistentemente as piores decisões possíveis? Sim, eu entendo a necessidade narrativa de jogá-los do fogo para a frigideira mas, por favor, eles não precisam ser tão retardados. Por que não mostrá-los querendo tomar a decisão mais racional e não podendo por razões de força maior?
Por fim, graças a deus que assisti esse filme nos Estados Unidos. Se já teve gente mareada aqui, saindo do cinema enjoada e vomitando, imagina nos países onde o filme for exibido legendado! Imagina alguém tentar focalizar o olho naquelas letras imóveis enquanto todo o backround balança e treme e gira de modo incontrolável!
Pior ainda, a grande graça do filme é que, bem como uma gravação amadora, a câmera nunca mostra exatamente o que você quer ver. As cenas mais importantes e memóraveis são vistas de relance, enquanto a câmera passa daqui pra lá. Nas piores horas, quando você mais quer ver o que raios está acontecendo, o personagem, coitado, precisa largar a câmera e correr para sobreviver - não sem antes dar uma mostrada de relance na ação principal. Quem ficar com o olho preso nas letrinhas, além de enjoar, vai perder todos os relances mais importantes, não vai ver nada, não vai aproveitar nada. Aceite meu conselho: deixe de ser esnobe e vá ver uma versão dublada. Você não entende inglês mesmo que eu sei.
Um acerto: nenhuma tentativa de explicação do monstro. Nada mais constrangedor do que filme de terror tentando ser científico e verossímil. Caralho, o monstro saiu do mar e pronto. Quem quer muita explicação não vai ver filme de monstro, oras.
Um arrependimento: ao contrário do Ulisses, acho que cinema é uma experiência comunal. Quando quero silêncio e concentração, fico em casa. Assisti o filme na última sessão de um dia de semana, sala quase vazia, coisa brochante. Ah, o que eu não dava pelo grito de algumas adolescentes histéricas, fazendo a claque das cenas mais emocionantes!

Em cinema, eu gosto de tudo. Só tem um tipo de filme que eu não assisto: aquele que você precisa de gestos pra explicar. Funciona assim:
Fulano, qual foi o filme que você viu ontem?
Bem, é sobre uma equipe de cinema que encontra um macaco gigante numa ilha, traz ele pra Nova Iorque, ele sobe no Empire State Building e morre. (Repara que as mãos do explicador ficaram imóveis.)
E você, Beltrano, sobre o que era mesmo aquele outro filme que você assistiu anteontem?

Ah, sim, era assim uma fábula pós-moderna passada na Turquia, sabe (e as mãos fazem um círculo no ar), e é sobre um velhinho que fica numa praça o dia inteiro, entende, numa praça? (e as mãos fazem um nova pirueta), e ele só vê a vida passar, todo dia, todo dia, mas nada nunca acontece, nunca! (mais um gesto explosivo com as mãos), até que ele encontra um menino e eles jogam xadrez!, e aí pimba! (estala os dedos), acaba.

Entenderam?
Quando eu digo que gosto de mulheres malvadas, a maioria dos leitores simplesmente não entende o que quero dizer com isso. Não tem problema: o objetivo do comentário não é explicar o mundo para os desavisados, mas atrair os entendidos.
Eu me revelo justamente para descobrir quem vai bailar comigo e quem vai se encostar na parede. Muita gente me acha esquisito? Claro. Essa é a idéia. Não tenho medo de rejeição. Ser rejeitado pelas pessoas pequenas só faz bem. Os pequenos se afastarem de mim por conta própria me poupa o trabalho de espantá-los a pauladas.
Troco alegremente a rejeição dos pequenos pela aceitação dos grandes.

Talvez a melhor e mais fascinante mulher má da literatura, em um empolgante livro de ação à moda antiga.
* * *
Um dos últimos exemplares da revista da Mulher-Gato abre com uma loira gostosa e peituda falando numa webcam: ela está mostrando uma pobre menininha, também loirinha e angelical, amarrada e amordaçada numa cadeira. Ela se apresenta como Blitzkrieg, a mais nova, maior e mais malvada vilã de Gotham City e, para provar, vai matar a pobre e inocente menininha ao vivo, com transmissão pela internet:
"This little girl is going to die and there's nothing you can do it about it. Don't bother trying to figure out why she's the one. It was a totally random thing, believe me. See, this has nothing to do with her. This is all about me!"
Total e completo egocentrismo: só ela importa. A menina é menos que uma, somente um meio para seu fim, sua glória, sua vitória.
A Mulher-Gato (a nova Mulher-Gato, aliás, toda atrapalhada) cai do telhado aos pés da vilã e ela pergunta, em uma daquelas perguntas cruelmente irônicas e bem-humoradas que deixa claro qual será o destino da heroína:
"Any last words for the million-plus viewers glued to their laptops?"
Nada mais sexy do que ironia de vilã.
Quando a Mulher-Gato acorda, Blitzkrieg, óbvio, está se gabando do seu plano maligno: comprou aquelas luvas que emitem raios de um grupo terrorista e escolheu o nome Blitzkrieg por ser assim meio alemão e meio sinistro: "sounds sort of ominous". Não é lindo uma mulher que quer soar "ominous"?
Seu plano é simples: depois de estourar os olhinhos castanhos da menina pela nuca (sua palavras!), toda a cidade vai falar nela! E ainda pergunta: "um plano doce, não?" Eu quase posso ouvir sua voz, igualmente doce, falando palavras tão incrivelmente cruéis.
O plano, apesar de simples (matar uma menina inocente ao vivo e ficar famosa) parece extraordinariamente cruel e leviano. Assim como a Madrasta Má e tantas outras vilãs, Blitzkrieg é extremamente vaidosa: adora saber que milhares de pessoas estão assistindo-a e pretende matar uma criança inocente só para que a cidade toda fale nela. E está empolgada com seu plano.
A vilã anuncia para a câmera: sim, a pobre menininha ainda vai morrer, mas teremos um novo assassinato antes pra deixá-los com água na boca. Ela aponta suas luvas para a Mulher-Gato com um grande sorriso nos lábios e ainda faz pouco dos esforços da heroína para salvar a menina. Claramente sente prazer em que a Mulher-Gato morra sabendo que deu tudo errado, que ela fracassou e Blitzkrieg venceu e, pra melhorar, que a menina ainda assim vai morrer:
"Think you're pretty smart, don't you? All you did was speed things up. You die now. Then the kid gets it. Happy?"
Mas a Mulher-Gato se desvia dos raios no último segundo e fica apenas muito ferida. Blitzkrieg se impressiona
("Still alive? I'm impressed!")
e diz que, como prêmio por ter sobrevivido mais um pouco e enquanto está se roendo de dor no chão, a Mulher-Gato vai poder assisti-la matando a pobre menininha:
"I'm gonna let you watch me kill your little friend."
Não basta matar as duas, heroína e menininha, a vilã ainda sente prazer em que Mulher-Gato vai ter que assistir a morte da criança que tentou salvar - e que isso vai ser uma das últimas coisas que verá. O sofrimento e frustração da pobre heroína alimentam seu ego. Para a vitória completa e egoísta da vilã, é necessário acabar com todos, não deixar testemunhas: no seu final feliz perfeito, ela sozinha é a dona do campo de batalha.
Nessa hora, naturalmente, ela comete o erro de toda vilã, dá as costas pra heroína ferida, a heroína puxa forças sei lá de onde e acaba com ela. Final feliz. Fim de história.
Enfim, um gibi bem fraco. Mas eu, que coleciono e adoro vilãs, há muito tempo não via nenhuma assim tão exageradamente má, perversamente gostosa, deliciosamente fútil e absolutamente exibicionista.
* * *
Sim, confesso, eu sinto tesão por uma vilã assim como Blitzkrieg, mas ela não existe e, se existisse, seria um monstro que teria que ir preso. O tesão não significa que concordo com suas ações ou que acho que são recomendáveis, bem ao contrário. Meu tesão é por esse arquétipo (aliás, mais velho que andar pra frente) da femme fatale, da mulher má, da diva egoísta.
Por fim, trazendo a questão à realidade, meu verdadeiro tesão é pelas mulheres de carne e osso, lindas e inteligentes, tantas delas minhas amantes e amigas, que também são atraídas por esse mesmo arquétipo, que adoram a fantasia de ser essa mulher e de ter escravos apaixonados aos seus pés para usar e abusar, que gozam com a suprema liberdade de um egoísmo sem limites e de poder não se preocupar com nada nem ninguém, que se excitam ao se imaginar malvadas e poderosas, fúteis e vaidosas, gloriosas deusas do mal.

A verdadeira Lucrécia Bórgia com certeza não era tão má assim, mas a Lucrécia ficcional é o máximo.
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Raquel diz que meu Elogio às Malvadas foi uma das coisas mais importantes que já leu e conta a seguinte história: de vez em quando, conversa com suas colegas sobre fantasias sexuais e galãs da moda. Entretanto, enquanto elas sonham com o que fariam com o Brad Pitt na cama, Raquel tem outros desejos inconfessáveis.
Sua fantasia era fazer o Brad Pitt se apaixonar por ela e, depois, humilhá-lo, obrigá-lo a largar sua carreira no cinema, abdicar de tudo só para tê-la, e ela só provocando-o, atiçando-o, e então, quando já não lhe restasse nada, só aquela paixão irreprimível por ela, ela riria na cara dele, diria que agora que ele não é mais um astro, não lhe serve, não lhe tem serventia alguma, o que vai querer com um pobretão inútil desses?, que vá pintar paredes, arranjar mulheres na zona, qualquer coisa assim, mas saia da minha presença agora!, e ele sairia, arqueado, derrotado, humilhado, e o que mais a excitava, nessa sua fantasia, era a idéia de acabar com a vida de um astro de Hollywood por puro capricho, sem motivo algum, e, melhor ainda, ele ter feito tudo voluntariamente, por puro tesão, um tesão que ele carregaria pra sempre, acumulado e frustrado! (No final, ela estava quase sem ar, olhinhos brilhando, voz arquejante.)
Na sua vida civil, Raquel é mignon, educada, quase tímida, se vira ao avesso pelos amigos, faz de tudo para agradar as pessoas. Em suas fantasias, porém, é uma deusa do mal, uma devoradora de homens, cercada por dezenas de escravos devotados que ela joga aos leões depois de abusar sexualmente, adorada e desejada por multidões apaixonadas e sempre frustradas, absolutamente egoísta e mentirosa, interessada somente em si mesma, em seu poder, em sua glória, em sua vitória, em seu final feliz.
Tudo o que ela não é.

Melhor cena: os homens brigando no ar e ela olhando tudo excitadíssima, olhos brilhando, se deliciando no duelo dos machos por ela, verdadeira deusa primitiva esperando seu sacrifício de sangue.
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Para fechar, um trecho do blog Bitchy Jones's Diary sobre a delícia de submeter um homem forte e independente. Quanto maior, mais poderoso, mais másculo, mais amante da liberdade, maior é o prazer de tê-lo sob suas botas:
Male submission is about heroic masculinity and male beauty.
... I’m a straight woman. Men and masculinity turn me on. Maleness. ... And nowhere is this male beauty expressed better than in male submission. Jack doesn’t like pain, doesn’t enjoy suffering at all. But he is hot and hard for being brave. Making noble almost futile sacrifices. Bondage and force. Wanting to contain and constrain. To own. To force. To crush and possess. To venerate. To wallow in. To touch. This is about beauty. Male beauty. Savage beauty. Sexuality so virile and strong it needs to be held back, diluted with chains and cages to make it palatable – otherwise it would be so overwhelming it would be like looking at the sun. It is everything there is and every part of the heart of me. And it’s worth it. Even now.
Se gostou, não deixe de ler The Complete Bitchy Jones, onde ela resume todas as suas idéias mais interessantes. Dica da Rebeca, uma de minhas amigas mais queridas e uma das mulheres mais imaginativamente perversas que já conheci.

Uma das graphic novels mais sensuais de todos os tempos. Como não amar Elizabeth?
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15 Personagens de Literatura que Eu Levaria para a Cama
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Textos relacionados:
Elogio às Malvadas
Meninas Malvadas
Outro dia, Lulu veio me perguntar:
- Alex, quando você era menino, você tinha tesão pela Princesa Leia?
- Eu hein, tá me estranhando, Lulu? Uma mulher boba e sem graça daquelas! Cruzes!
- Ufa, agora fiquei aliviada.
- Os símbolos sexuais da minha infância eram a Madrasta Má, a Mulher-Gato, a Giganta, a Hera Venenosa, a Baronesa, a Maligna, aquela bruxa da História sem Fim II...
- Ai, ai, eu tinha esquecido que você já era um menininho muito perturbado. E seus amigos?
- Bem, aí é verdade. Todos morriam de tesão pela Princesa Leia, nunca entendi isso.
Alguns dias depois, profundamente desgostosa com o gênero masculino, Lulu fez o post abaixo:
A gente cresce e de repente descobre que a música Cavalgada, do Roberto Carlos, não tem nada a ver com a saga dos pequenos pôneis... Cresce, e percebe que por trás daquela inocente brincadeira do gato mia, no quarto escuro, havia dedos afoitos, loucos para sentir nossas carninhas. Outro dia mesmo, a K começou a insinuar umas coisas sobre os pirulitos da turma da Mônica... mas não deixei que K continuasse, foi demais para mim.
Cresce, e descobre que, nove entre dez meninos que agora estão na faixa dos trinta, tinham (e talvez ainda tenham) um tesão absoluto pela princesa Leia. Especificamente, pela cena onde ela aparece acorrentada, de biquini, nas mãos do Jabba, The Hut. Sim, aquela cena, quando o Hans Solo está congelado ali do lado, sem poder fazer nada, e a destemida e revolucionária Princesa é escravizada e obrigada a usar um biquini dourado, coleira e algemas. Sim, aquela cena de tensão, tirania e opressão... rendeu um bilhão de punhetas. Cada coisa que a gente descobre... E aquele ótimo filme ruim, de repente, transforma-se totalmente....
Perguntem aos seus namorados. Para mim, foi uma descoberta recente, e como sou dada a enquetes, já tenhos dados suficientes para saber que se trata de uma tara universal, o menino que viu aquele filme, sonhou com aquela cena.
Aquelas trancinhas enroladas na orelha, aquele biquini dourado, aquela princesa idealista, presa e acorrentada por um bicho babão e nojento, povoaram as fantasias dos nossos homens. Chocante. Nem tanto pela fantasia, mas... vamos combinar que a cena é de um mau gosto... Podem perguntar, mas cuidado, senão eles se animam e acham que você tá fazendo alguma proposta. Ja pensou?
Em meio a minha pesquisa investigativa, um amigo chegou a afirmar que se tivessem feito um filme pornô baseado somente nessa cena, alguém teria ficado milionário, pois seria um clássico absoluto, desde o seu nascimento. E isso desencadeou uma longa conversa, sobre como seriam os detalhes, tudo o que poderia ter se desenrolado a partir daí ( havia vários meninos de trinta e poucos na mesa... ), os olhos brilhavam, um até chegou a babar um pouco. Nós , mulheres, olhávamos tudo, em profunda descrença.
É dura a realidade, mais um mito de infância desfeito. E procurando imagens na rede, minhas hipóteses somente se confirmaram. Há sites e sites, especializados somente na "Escrava Leia de biquini metálico".
Ainda bem que não tenho nada a ver com isso. Nem aos oito anos meu pintinho ficaria duro por uma mulherzinha murcha e boazinha daquelas. Se eu tivesse que sentir tesão em algo do universo Star Wars (que carece de uma falta extrema de mulher), seria por outra coisa bem diferente:
Email que recebi:
"Gostaria de fazer uma sugestão para o LLL (que na verdade é um pedido pessoal de indicações): você poderia fazer uma lista com os livros indispensáveis e/ou os que você mais gosta sobre crimes? Veja, usei a palavra "crimes" para que a lista possa ser abrangente: detetive que desvenda algum, estudo sobre mentes criminosas (ex.: Truman Capote), bandidagem da boa (Edward Bunker) etc."
O pedido, em si, é interessante, mas a grande verdade é que não tenho interesse algum por crimes, bandidos, gangues, detetives ou mentes criminosas de modo geral. Nunca li os autores citados - nem tenho muito interesse. Dos livros na minha lista de favoritos (aqui na coluna da direita), nenhum é sobre crimes. Leio muitos livros policiais, mas estritamente pelos personagens: acompanhar Nero Wolfe e Archie Goodwin passando férias na Europa seria tão interessante (ou mais) do que vê-los resolvendo crimes. Idem idem para Holmes & Watson, Padre Brown, Fletch, Arsene Lupin, Maigret, Columbo, Monk, Bobby de Law & Order Criminal Intent, etc etc. Nesses livros e filmes, o crime é a coisa que menos me atrai: quero saber da dinâmica dos personagens.
Ou seja, sou a pior pessoa pra se perguntar isso. Fale com a Olivia e ela vai ter excelentes sugestões.
Mas, ainda assim, fiquei matutando aqui: qual é a graça do crime? Por que as pessoas se expõem continuamente a coisas das quais fugiriam na vida real, a coisas que não querem nem saber que existem, a coisas que passariam mal se vissem pessoalmente, a coisas que as destruiriam se acontecessem com um ente querido? Qual é o atrativo de tanto sangue, violência e morte?
Não venham acusar esse velho libertário de censura. Acho que as pessoas devem produzir e consumir o que quiserem. Videogames violentos não são causa, são sintoma. Eu não quero saber o que o gamemaníaco vai fazer quando sair da Lan house: eu quero saber porque ele entrou! Qual é a graça de passar horas e horas, e gastar reais e reais, fingindo que se está matando ou machucando gente?
Aos espectadores de filmes de ação, terror e mistério, eu pergunto: tanta morte ensina alguma coisa? Ajuda vocês a serem pessoas melhores? Comove? Diverte? (E aí já começamos a entrar em outra questão espinhosa: para que serve a arte, afinal de contas? Ou melhor, para o que utilizamos a arte?)
Bote a mão na consciência. Tente imaginar um outro mundo onde a violência não fosse glorificada. O que pensaríamos de gente que acha "divertido" duas horas de um maníaco com máscara de hockey matando pessoas, uma atrás da outra? O que essa idéia de diversão nos diz sobre o estado mental desse indivíduo? Você gostaria de ficar preso no elevador ou de dormir ao lado de alguém que se diverte com mortes em série? E, entretanto, fazemos isso todos os dias, não?
Como sempre, o maluco desajustado deve ser eu. Até hoje, eu não entendo a graça de parques de diversão ou maconha, por exemplo. Por que alguém paga para sentir medo? Por que alguém paga (e ainda arrisca prisão) pra ficar alto? Caramba, se me amarrassem numa montanha russa, eu pagaria o dobro, o triplo do preço da ingresso pra sair dali - mas nego paga fortunas pra entrar! Se acordasse me sentindo como se tivesse acabado de fumar um baseado, eu iria ao médico correndo, pensaria que estava morrendo, faria todos os exames, gastaria uma fortuna em remédios, pagaria o que fosse preciso para o meu mundo voltar à sua órbita - e nego sobe o morro e arrisca levar uma bala na cabeça pra ficar assim.
Talvez o mais inacreditável seja a relação entre sexo e violência. Deve ser porque não sou pai, é a única explicação. Como pode uma sociedade tentar ao máximo proteger suas crianças do sexo (um ato natural e lindo, mágico e necessário, a origem de toda a vida, algo que queremos que nossas crianças um dia pratiquem com prazer e responsabilidade), mas ao mesmo tempo as expor a doses quase psicopatas de violência (algo que não queremos que jamais faça parte de suas vidas, nem como vítimas, nem como perpetradores)? Não faz muito tempo, os americanos quase surtaram coletivamente porque um seio (um seio, meu deus!) de Janet Jackson escapou para fora do sutiã e foi visto, em cadeia nacional, por milhões de crianças - que assistem em média a seis homicídios por dia. "Não temos problemas com torturas e decapitações, mas precisamos proteger nossas crianças daquele peitão!"
Sério. As perguntas não são retóricas. Alguém me explica? Por favor?
Será que os dramas e emoções da vida normal não bastam? Estaremos restritos a tediosas crianças que perdem sapatinhos ou a nojentos banhos de sangue e tripas?
Tire a violência absolutamente gratuita da obra de Tarantino e o que sobra de filmes como Cães de Aluguel e Kill Bill? Qual é a graça de sentar no cinema e ver a Uma Thurman (ou o Charles Bronson, ou o Clint Eastwood, ou o Jason, ou um tubarão branco, ou o Predador, ou um vírus apocalíptico, ou uma nova era de gelo, ou um navio afundando, etc) matando uma pessoa atrás da outra? Aliás, é impressão minha ou 80% do cinema é sobre alguém ou alguma coisa matando gente em série? Qual foi o último filme realmente bem sucedido que não incluía nenhuma morte violenta, ou que não tinha alguma morte como ponto fundamental da trama?
Qual foi o último filme que você viu que celebrava a vida, caralho?!
Update
Meu irmãozão Biajoni, de belíssimo leiáuti novo, escreve sobre esse post lá no blogui dele:
foi um post-kiwi: peludinho por fora, frutinha por dentro.
Update II - O Exagero
Reparem que não estou criticando a violência como tema artístico em si. A arte engloba tudo. Violência é um tema artístico tão válido quanto o amor, o trabalho, a doença, o destino, a morte. O que me espanta é predomínio do tema: nossa produção cultural parece viver praticamente só de violência.
Sempre que critico alguma obssessão por X, me aparecem alguns praticantes de X se sentindo atacados, como se eu tivesse falado deles. É como eu fazer um post sobre aqueles gordos mórbidos que comem compulsivamente e um bando de idiota vir encher minha caixa de comentários dizendo coisas como:
Ei, seu idiota, como você ousa falar mal de quem come? Eu como três vezes por dia e não tem nada de errado comigo! Você tem é preconceito contra as pessoas que comem! Você é feio e bobo!
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