meus livros mulher de um homem só e liberal libertário libertino, versões impressas, livros físicos mesmo, estão à venda no papodehomem por vinte reais cada.
vão lá ver o que estão falando deles: um livro para sua mulher, outro para você
(ps: se comprarem cem reais em produtos na lojinha do papodehomem, o frete é grátis)
a promoção dos livros a um dólar foi um sucesso. foram vendidos 74 ebooks. mas agora acabou.
mulher de um homem só e liberal libertario libertino agora vão ficar precificados em $2,99. a razão é simples: esse é o preço mínimo pra eu ganhar 70% do valor da compra. com os livros a $0,99, eu só ganhava 35%.
o livro radical rebelde revolucionário não será vendido em forma de ebook na amazon, porque ele é muito visual e o formato kindle fode tudo. você pode comprá-lo em pdf aqui.
a nova edição de onde perdemos tudo vai estar disponível para kindle em breve. o preço será $6,99.
para quem já comprou e já leu, deixar resenhar ou avaliações na amazon ou no skoob ajuda MUITO.
(se você não tem kindle, você pode baixar o software gratuito kindle for pc e ler no seu computador.)
desculpem o sumiço. a vida ficou subitamente difícil e meio dolorosa, mas já passa. estou me mudando hoje para meu novo apartamento, definitivo e reformado, e a vida deve começar nova fase. enquanto isso, uma resenha fofa do mulher de um homem só saída no blog da professora rachel nunes. se você já leu meu novo livro onde perdemos tudo, faça uma resenha também. e muito obrigado.
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Muitos dizem, escrevem e sabem que, na Internet, campeia, sobretudo, má literatura. Às vezes esforçada, às vezes com ambições meramente recreativas, às vezes como expressão de sentimentalismos que representariam profundos conflitos íntimos, mas em grande parte literatura como extensão de uma vida que se quer reconhecida, posta a público, à venda, à admiração. Ser literato para se ser célebre. A glória, nada menos que isso. Ou deixar somente uma “marca pessoal”. Servir ao clichê “fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro”. Por isso, leio pouco, quase nada, o que escreve e divulga, os “novos autores”, a “literatura alternativa”, que, no entanto, conta com bons nomes. Um deles: Alex Castro.
Fomos recentemente ao relançamento de seu livro de contos, Onde perdemos tudo. Tanto este como os demais do autor podem ser adquiridos na Internet, em http://alexcastro.com.br/livros/: Mulher de Um Homem Só (2009), romance, Onde Perdemos Tudo (2011), contos, Radical Rebelde Revolucionário (2007), crônicas cubanas e Liberal Libertário Libertino (2007), crônicas.
Gostaria de falar um pouco, mas um pouquinho só sobre o romance Mulher de Um Homem Só. Se conto é algo que chamamos de conto, esse pequeno livro, que poderia ser chamado de novela só pelo pequeno volume, deve ser chamado de romance, principalmente devido à sua complexidade e desdobramentos incomuns ao que seria apenas uma novela.
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É uma narrativa em primeira pessoa, mas cujo narrador, Carla, também é personagem mas, enquanto tal e apesar de, é onisciente, isto é, esteve onde não poderia estar e pode opinar sobre cenas que não poderia ter visto e viu. Ou pensa que viu. Ou nos narra porque assim as imaginou. Daí ficamos sem saber de certo: trata-se de uma narrativa sobre experiências reais ou imaginárias? Serão as imaginárias menos reais? Serão as reais menos imaginárias? Será a realidade algo que pode ser vivido, contado, expressado, transmitido, sem o concurso da imaginação, que transforma tudo em ficção e a verdade, no final das contas, em um ponto de vista, uma distorção, uma forma de trazer o mundo às nossas convenções, isto é, às convenções daquele que narra, que constrói o personagem ou, sendo como Carla é, personagem e narradora onisciente, de um mundo em que viveu, experiências pelas quais passou ou simplesmente imaginou?
Nisso que seria um triângulo amoroso entre Carla, Murilo e a amiga de ambos, Júlia, ele médico que segue os passos do pai, ela (Júlia) uma artista plástica que não sabe dos próprios passos, nos embrenhamos levados pelas pistas falsas de Carla. Tragédias, mortes, suicídios, grandes dramas, ou menos, muito menos, ou muito mais, porque Alex conduz a narrativa, por vezes hilária, ou quase sempre assim, com extrema segurança, como quem sabe o que quer fazer, como fazer e porque se dá ao trabalho disso tudo... em um romance onde tudo acontece mas quase tudo se dá em apenas um lugar, ao juízo exclusivo, perdido e alucinado de Carla, para quem, aliás, se há alguém com essas características, é Júlia, a mulher que ama Murilo, que amava Carla, que amava Júlia, enquanto Murilo...
Não conto mais nada. Antes de tudo, vão lá no site, comprem o livro, e divirtam-se, porque raramente me diverti tanto com um romance recente do que neste Mulher de um homem só. E não apenas, tá?
Fonte: blog da professora rachel nunes
Meus livros à venda. Se for comprar, pra fins de comissão, prefiro fortemente que compre pelo meu site. Também à venda na Amazon. Vá no Skoob e dê sua opinião.
Site pessoal: alexcastro.com.br // Siga no Twitter: http://twitter.com/AlexCastroLLL // Assine o RSS: http://feeds.feedburner.com/LiberalLibertarioLibertino // Comunidade no Facebook e no Orkut // Entre em contato: alexcastro.com.br/contato
agora que estou no brasil, quem faz os envios dos meus livros sou eu mesmo.
cada livro é enviado com uma dedicatória única, exclusiva, apócrifa, original, mentirosa, safada, sem-vergonha.
o que será que a SUA dedicatória vai dizer?
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Murilo, um Falso Judeu
Originalmente, Murilo e Carla eram judeus. Quando escrevi a primeira versão do romance, eu praticamente só andava com amigos judeus. Mais tarde, por uma série de questões técnicas, preferi deixar Murilo e Carla com a religião brasileira mainstream, o catolicismo:
Alguns trechos da primeira versão:
Felicidade mesmo eu senti quando entrei na sinagoga, acompanhada por um cortejo como uma princesa, a primeira vez que eu andava na frente dos meus pais, e Murilo me recebeu na hupá, e me ofereceu o vinho, e disse que eu era santificada pra ele, e eu sabia que nada era santificado para o Murilo, mas aquilo me fazia sentir ainda mais especial, porque eu não sou religiosa, mas eu acredito, ah, eu acredito muito, e o Murilo não acredita em nada, mas acreditava no nosso amor, e por isso ele cedeu, e até assinou a quetubá, e eu não pensava nisso como um sacrifício, mas como uma prova de amor, ele me amava, então ele aceitava a cerimônia. E foi lindo. ...
- É. O "ser judeu". Gostei do casamento porque me lembrou que, independente das minhas andanças metafísicas, eu sou judeu. É uma das tantas coisas que eu sou. Eu sou judeu, e também sou brasileiro, e sou homem, e sou médico, e sou carioca, e por aí vai. Esse sou eu. Gostei de todo o ritual, eu que geralmente odeio esses rituais, porque eu ia imaginando quanta gente já tinha se casado daquele jeito, que milhares de anos atrás outro noivo, como eu, se casara dizendo aquelas mesmas palavras, e que daqui a milhares de anos, outros casais estariam se casando mais ou menos do mesmo jeito, e isso é bom, é reconfortante, me dá uma sensação de que finalmente eu faço parte de alguma coisa, que pertenço a uma comunidade. Ou que voltei a pertencer. Agora que estou adulto e passei da fase da rebeldia, é justo que eu faça as pazes com o meu judaísmo, só isso. Estar em paz com quem eu sou. Independente da minha fé em deus ou não, eu sou judeu. E fugir de deus não implica em fugir do meu judaísmo. Acho que é isso, sim. ...
- Você não é judeu.
E ele também me olhou como se não acreditasse:
- Dane-se que quando todos os seus amigos foram pra um kibutz em Israel só pra ver como é que é, só pra passear, não faz diferença, você ficou aqui no Brasil. - Com a Júlia, eu pensei. - Dane-se que você se recusou a aprender hebraico e não sabe nem o mínimo para entender o culto, o que não faz a menor diferença já que você nunca vai ao culto mesmo. Eu conheço várias pessoas que nunca visitaram Israel, que quase nunca vão a sinagoga. Mas elas pelo menos acreditam. Acreditam nos princípios da coisa.
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Por favor, não venham me dizer que esses trechos estão fracos. Acham que saíram do livro por estarem geniais?
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Mulher de Um Homem Só (2009), romance. 3ª edição. Papel.
Preço recomendado: R$35 / US$25, frete incluso
O Sucesso Internacional de Júlia
Na primeira versão do romance, a pintora Julia fazia sucesso em todo o mundo. Na versão definitiva, o grau desse sucesso foi atenuado.
Além disso, a primeira versão também era repleta de marcadores topográficos e cronológicos. Nomes de ruas, bairros, anos, personagens de novelas, revistas semanais, etc. Para a versão definitiva, quase todos foram expurgados.
Alguns trechos da primeira versão:
"Em 1994, pelo contrário, Júlia sabia exatamente o que estava fazendo. E lia todas as resenhas com atenção.
Não foi um bom ano para ídolos brasileiros. Murilo me mostrou uma retrospectiva 1994 (foi da Veja? Época? Acho que Época nem existia em 1994) que dizia que o Brasil havia perdido metade de seus cidadãos mais famosos: Ayrton Senna, em maio, e Tom Jobim, em Dezembro. Sobravam Júlia _____ e Pelé. O que, claro, era uma palhaçada. No dia em que artistas plásticos (por mais badalados que sejam) forem tão famosos quanto músicos e atletas, o mundo vai ser um lugar bem diferente. Os integrantes do Sepultura, por exemplo, com certeza eram bem mais conhecidos no exterior que Júlia ? e talvez até mais que o Tom Jobim. Mas quem se importa com a opinião de milhões de roqueiros de porão europeus? Ter o Sepultura não era prestígio algum para o Brasil. Ter Júlia era. De repente, as cabeças mais pensantes do mundo pensante estavam falando nessa brasileira de 20 anos. Os mais bestas dos críticos se curvavam perante a menina carioca. E como o Brasil é excepcionalmente preocupado com o que pensam dele lá fora (coisa de país inseguro) Júlia foi elevada a heroína nacional por pessoas que nunca se interessaram por artes plásticas, que continuaram não se interessando e que não entendiam tão pouco do assunto que nem mesmo sabiam porque Júlia havia se sobressaído tanto. Mas não interessa o quão pouco o Brasil sabia de Júlia: sabíamos o importante: que a creme de la creme da intelectualidade mundial sabia porque Júlia era tão boa e a idolatrava. Poderíamos nós não idolatrá-la também? Naquela época, Paulo Coelho começava a fazer sucesso no exterior também, mas ninguém se orgulhava muito disso. Júlia era a ídola dos intelectuais. Naquela época, era normal aparecer uma equipe de filmagem de países exóticos querendo umas palavras dela. E todos perguntavam suas opiniões (sobre as artes plásticas e sobre tudo) e perguntavam no que ela estava trabalhando, e quando seria a nova exposição, e o mundo todo estava olhando. Não que Júlia tenha ficado arrogante. Do jeito dela (e do Murilo) ela sempre foi meio besta, mas besta de uma maneira casual. Nesse ponto, o sucesso não afetou Júlia. Mas afetou seu trabalho."
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Por favor, não venham me dizer que esses trechos estão fracos. Acham que saíram do livro por estarem geniais?
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Eis como ficou na versão final do romance, quase inteiramente reescrito:
Lidar com fracasso é terrível mas sobreviver ao sucesso prematuro é impossível. Ninguém está preparado pra cair do topo assim tão rápido: foi opinião unânime que a segunda vernissage de Júlia não se comparou à primeira. Onde estava aquela menina-revelação de vinte anos que, instintivamente, em suas primeiras obras, havia subvertido tudo, cujo charme era a ingenuidade de quase não saber como era boa?
Enquanto meu útero se expandia e meu cérebro implodia, Júlia estava no auge: eram os meses logo anteriores à segunda vernissage. Os jornais (os cadernos bem específicos dos jornais) já meses antes falavam com ansiedade do evento: era inédito o museu de arte moderna dedicar uma exposição dessa magnitude a um artista tão jovem. Júlia, nesse meio tempo, não sossegava e ia preparando seus quadros para o grande dia. Mas não apenas isso. Participou de campanha de vodca e ilustrou embalagens de sabonete. Desenhava gravuras para reprodução e depois comparecia aos eventos beneficentes onde colecionadores disputavam os primeiros números. Pintava murais em fachadas de shoppings e restaurantes e permitia até reprodução de suas obras em roupas.
A crítica desprezava esse tipo de atitude: queriam Júlia só para eles, entrincheirada nas belas artes. Apesar disso, a Júlia das gravuras, pôsteres e murais, dos documentários, talk-shows e pontas em novelas tornara-se tremendamente popular, mesmo entre quem mal sabia quais eram essas tais belas artes. Havia teorias sobre o assunto. Murilo me mostrou um artigo onde o autor defendia que essa vulgarização de Júlia lhe era benéfica: como a fábrica de sabonete pagava absurdamente bem (para compensar o papel humilhante a que submetia o artista), Júlia adquiria assim um lastro financeiro para garantir sua independência no que realmente importava: suas telas.
Não conheciam Júlia. Creditavam a ela um grau de controle e
planejamento sobre sua carreira que nunca teve. Que nunca pensou ter. O dinheiro? Júlia não fazia nada por dinheiro. Nem sabia quanto tinha. E o que tinha não gastava. Júlia não fez mural pra lanchonete nem obelisco de praça para ficar rica: ela amava a atenção. Do seu jeito lá irracional e impulsivo, Júlia era muito pouco pretensiosa: sempre foi meio besta, mas besta casual. O sucesso não a afetou: teto de shopping center, embalagem de sabonete ou anúncio de vodca, ela só ficava tranqüila com pincel na mão e tinta no cabelo.
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Mulher de Um Homem Só (2009), romance. 3ª edição. Papel.
Preço recomendado: R$35 / US$25, frete incluso
Gilberto Freyre é um dos grandes escritores da língua portuguesa, intelectual sempre rico e sempre polêmico, autor de insights que sobrevivem com folga aos seus muitos erros. O trecho abaixo de "Mulher de um Homem Só" é minha singela homenagem ao ritmo gostoso e brasileiríssimo do mestre de apicucos:
E foi logo esse o ano que passei em casa, cuidando de Raquel. Júlia foi uma boa companheira naquele ano difícil e delicioso, me ajudou e muito nos desafios de jovem mãe e, vamos ser honestas, supria um pouco da minha falta de Murilo sim.
Lá do nosso jeito, a gente se entendia, e conversávamos muito, falávamos de Murilo, novela, política e fofocas em geral. Outras vezes, nem trocávamos palavra, e era assim que eu mais apreciava Júlia. Ela adorava mexer no meu cabelo, me pentear longamente, languidamente, lentamente, e eu gostava, me entregava, me prostrava, ficávamos no sofá da sala, ou até na rede mesmo, eu deitada sobre o colo de Júlia, sentindo a escova repuxar os cabelos, sentindo as pontas dos dedos massageando o couro cabeludo, sentindo aquela coceirinha marota nas raízes do cabelo, sempre naquela faina infindável, deliciosa, pachorrenta, úmida de tão boa, eu tenho cabelos longos, nunca cortei, vão até a cintura, e Júlia mastigava inveja, degustava mexer em meu cabelo, ajeitar, pentear e cheirar, e cuidadosamente enrolar em seus dedos e mãos e depois deixar desenrolar macio, e assim ficávamos as duas, horas, eu grávida e Júlia ali, puxando e repuxando, penteando e despenteando, depois, Raquel nascida, colocávamos o berço na sala e tudo continuava igual, eu dormia sentindo os dedos de Júlia em meus cabelos, acordava e ela ainda estava lá, e então, eu dormia de novo, e era tão bom, porque não havia palavras, não havia Murilo, não havia inconseqüência, não havia arte, não havia nada, só aquele momento, só nós duas, só aquele contato, e eu quase achava, eu me pegava imaginando que Júlia era minha amiga, uma daquelas amigonas de infância, companheira pro que descesse e subisse, sempre comigo, e assim eu me despejava naquele toque, me sumia naquele carinho, me desenganava naquele afago.
Nunca durava. Insegura e carente, Júlia não tinha semancol: seu toque era gostoso, mas viscoso: seus dedos logo se revelavam ventosas, e grudavam em minha pele e tentavam sugar minha vida, absorver meu marido, roubar minha filha. Parecia aquele bêbado chato no ônibus: basta um tênue contato visual e ele já vem, senta do seu lado, te aluga pelo resto da viagem e, escreveu não leu, ainda se convida pra um cafezinho na sua casa. Júlia fez igual: um pouquinho de magnanimidade apenas e, pronto, ela quase se mudou pro nosso apartamento.
E eu não desistia: fazia de tudo para incentivá-la a mandar a crítica às favas e ir viver sua vida. Ela não sabia seu valor? Pois devia voltar agora para o ateliê e preparar uma terceira exposição que ficaria na história. Na história do milênio! Tudo para ela ir embora. Mas Júlia não entendia indiretas. Nunca entendeu. Júlia era direta. Isso nós temos em comum. Direta também sou. Mas Júlia me ensinou a ser indireta: como eu poderia enxotá-la de minha casa diretamente? Depois daquele fiasco? Naquele estado?
Júlia estava ralada e moída, lascada e rachada. Em pouco tempo, nem reclamava mais da crítica, da injustiça, dos dois pesos e duas medidas. Quem ainda batia nessa tecla era eu, tentando empolgá-la para voltar ao trabalho. Não, Júlia não pensava mais nisso.
Júlia agora era só Raquel.
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Casa Grande & Senzala talvez seja a maior contribuição brasileira à Grande Conversa Mundial. Em termos historiográficos, a metodologia de Freyre foi imensamente influente mesmo para quem caga pro Brasil.
Um texto meu sobre o livro: Gilberto Freyre e Casa Grande & Senzala
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Mulher de Um Homem Só (2009), romance. 3ª edição. Papel.
Preço recomendado: R$35 / US$25, frete incluso
O lançamento do mês é o da segunda edição do LLL, mas vale lembrar que meu romance Mulher de Um Homem Só, na terceira edição, continua a venda e também dá um excelente presente de natal.
Esse texto, escrito por Jorge Santos, do blog Os Lírios do Campo, é uma bela apresentação:
Mulher de um homem só conta a história de Murilo e Júlia, dois amigos tão inseparaveis quanto diferentes, tudo narrado de maneira frenética e a solavancos por Carla, esposa de Murilo. A construção dos personagens gira em torno da narrativa onisciente de Carla. Sua onisciência é imediatamente percebida e estranhada. O próprio autor no posfácio comenta o feed-back dos leitores e sem explicar, evidentemente, comenta sua opção técnica. Esta dá ao autor a liberdade de construir uma personagem cujo o discurso é tão coerente quanto esquizofrênico, tão fluente quanto truncado, tão dramático como engraçado. Carla inventa e reinventa seus personagens, constrói e destrói seu amor que não é pelo seu marido ou sua filha, é por Júlia, pela história dela, real ou inventada.
A narrativa é desenvolvida de maneira fluente e divertida, mas aqui e acolá, em pequenos detalhes que não comprometem, o autor cede a tentação de explicar uma cena ou uma aparente lacuna narrativa.
Alex Castro é um dos blogueiros mais famosos do Brasil. [Nota do Alex: menos, menos.] Uma das características mais fortes do seu blog é a completa exposição que ele faz de sua vida, pública ou privada. Se o blogueiro é um personagem cujo as víceras a vista são mais uma de suas criações, só quem priva da intimidade do real Alex vai saber. O autor nos alerta para o fato do romance ter sido escrito antes do blog, logo não é fruto de sua exposição pública e suas experiências como autor virtual, mas seu estilo esta lá. É difícil diferenciar o autor do blog do romancista. Essa é uma consequência provavelmente medida pelo escritor ao decidir lançar o livro depois do sucesso na web. Ele também não esconde que está lá, presente no ceticismo de Murilo, no seu fetiche por pés, e sua reticência por chupar a buceta da mulher, no discurso de Carla, na sua maneira esgarçada de relatar um misto de realidade e fantasia.
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Uma Pequena Correção
Só porque o personagem Murilo gosta de chupar algumas coisas que eu gosto de chupar, não quer dizer que eu não gosto de chupar as coisas que ele não gosta de chupar. Muitos leitores já imediatamente presumem que EU sou assim. O livro é ficção, tá, gente? Eu não sou nenhum desses personagens. Esse negócio de se inserir no livro é coisa de autor medíocre. Nada no livro permite que vocês façam extrapolações sobre minha vida particular: eu posso ter traços em comum com alguns personagens, mas sou diferente em mil outras maneiras. Exatamente como quaisquer duas pessoas.
Enfim, pelo menos é um mito fácil de se desprovar.
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Jorge, muito obrigado mesmo. Seu texto é informativo, elegante, conciso.
E você, amigo leitor, para quem vai dar Mulher de Um Homem Só nesse natal?
Afinal, para celebrar o nascimento de um homem que abriu mão de todos os bens materiais, nada mais apropriado do que sair comprando desenfreadamente. Obrigado e fiquem com Veblen. Aliás, leiam Veblen: ele bem explica isso tudo.
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Mulher de Um Homem Só (2009), romance. 3ª edição. Papel.
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Email que recebi:
Acabei de ler sua criação (Mulher de um Homem só). De uma vez só, de uma só vez. Não consegui que não fosse assim. Por que todas somos Carla e agimos como a Julia. E como pode um homem saber (d)escrever tão bem a alma insegura de uma mulher? É abusivo sermos tão transparentes assim para você.
Mas o Murilo me revolta. Será possível que não tenha culpa em nada? Estou duvidando, todos tem culpa. Talvez a culpa seja apenas dele. Talvez seja apenas da Raquel. Não, não, a culpa é toda de todos.
Não sei... seus personagens me perturbam, ficam em minha cabeça. São pessoas que conheço, sou eu. É a mim.
Muito obrigado.
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Mulher de Um Homem Só (2009), romance.
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Chato falar de Mulher de Um Homem Só dois dias seguidos, mas cá vai: está circulando pela internet um novo site, teoricamente fofíssimo, de uma fotógrafa que tira fotos da filha dormindo, tentando interpretar seus sonhos. Todo mundo achou lindo e coisa e tal, mas eu me lembrei do trecho abaixo de Mulher de Um Homem Só:
Não queria mais Júlia despachando tanto tempo com minha filha. Encerrei o expediente, pode sair, queridinha, deixa seu paletó aí na cadeira, se quiser, mas rua pra você. Murilo ainda tentou me convencer, mas seus argumentos começavam derrotados: ele não falava nem de Raquel e nem de mim, só de Júlia. Que Júlia precisava de Raquel, que Júlia estava torcida e luxada, que Raquel era essencial para ela se rearticular. Perdoem-me por ter dado uma impressão errada, mas não tive filha só para remediar a maluquete. Se é desequilibrada, que se equilibre sozinha.
Na semana seguinte, aconteceu a terceira e última vernissage de Júlia.
Todos os abstêmios são iguais, mas cada bêbado é bêbado do seu próprio jeito. Conheci um que ficava agressivo e batia na filha. Tive uma amiga que bastava uma caipirinha e caía em depressão. Outros, se entusiasmam, rodopiam e cantam, e me abraçam pela cintura e gritam que sou a mulher mais felizarda do mundo, que casei com o melhor homem que existe, e ainda posam para fotos enquanto estão grudadas em mim, fotos que só não saíram nos grandes jornais porque, sinceramente, a imprensa já não dava mais a mínima para Júlia. Aliás, tinha sido por isso que ela começara a beber. A crítica destruiu a terceira fase de Júlia com a eficiência e o cinismo que apenas alguém que até ontem era só elogios poderia fazer. Mas se limitou a considerar os quadros péssimos.
Há algo de obsceno em uma mulher adulta observando uma criança dormir e enchendo cadernos e mais cadernos de croquis e estudos, desenhos da menina em várias posições, sempre dormindo, sempre indefesa, sempre de olhos fechados àquela predadora em busca da melhor oportunidade de caça, da melhor pose, do melhor ângulo, das melhores cores, uma verdadeira comedora de carniça espreitando o filhote adormecido, trincando os pincéis e salivando aquarela, apenas para depois expor ao mundo quadros distorcidos e desvairados.
Acabaram quase todos lá em casa, doados ainda em vida para Raquel. Protestei, mas em troca da proibição de Raquel ver Júlia, permiti que Murilo os pendurasse na sala.
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Mulher de Um Homem Só (2009), romance.
Preço recomendado: R$35 / US$25, frete incluso
Antonio Sergio Bueno, doutor em Literatura, professor aposentado da UFMG, autor de "Visceras da memoria: Uma leitura da obra de Pedro Nava", entre outros, leu meu romance Mulher de Um Homem Só e fez uma análise bem interessante das minúcias do estilo.
Enquanto a maioria dos leitores comenta apenas sobre o enredo, o professor Antonio Sergio não só reparou em cada coisinha que tentei fazer com a língua, como ainda batizou esses meus esforços com nomes como "adjetivação expressionista", "volúpia alegória", "elegantes construções triádicas", "capacidade de outrar-se", etc. São pequenos detalhes de técnica que o escritor esculpe sem nenhuma intenção de serem percebidos pelo leitor comum, mas que é legal saber que tem gente que nota:
Meu filho ... passou-me o MULHER DE UM HOMEM SÓ, que li com prazer e com surpresa.
No seu posfácio você diz que mudou o título UTI POSSIDETIS "para não dar ao romance um ar pedante e sofisticado". Pedante ele não é, mas é inegavelmente sofisticado. É um texto do séc.XXI: ágil, leve, fluente.
E você domina muito bem uma rica parafernália de recursos narrativos: uma SINTAXE INUSITADA como em "...a idéia do casamento nunca me irrompera" (p.9), "Júlia me correu para o hospital" (p.92), a fartura de pertinentes NEOLOGISMOS, tais como "vitrinar" (p.13), "sãfuga,normálfuga" (p.45), "impichada" (p.77), "doidelha" (p.41) etc..., a ADJETIVAÇÃO EXPRESSIONISTA como em "CABELUDO conceito de honra", "psicopatia RELINCHANTE" (p.72), "amores fugazes mas FAISCANTES" (p.60) etc...
Alguém falou em "compulsão metafórica" e tem razão; dá pra falar em "VOLÚPIA ALEGÓRICA", como ocorre no final da p.115 e início da p.116. São ótimas as contundentes imagens como "(Júlia) fungava cada carreirinha de Murilo" (p.18), "Não me forcem a dedilhar esse piano" (p.117), "grãos-de-bico de sabedoria, maduras (quase podres) lições de vida" (p.66) etc...
Uma estranha novidade são as PALAVRAS E EXPRESSÕES TRUNCADAS como "tev" (p.31), "e mesmo assi" (p.33), "nunca pens" (p.51) etc...
Se predominam esmagadoramente as lancinantes frases curtas, não são raras as elegantes construções triádicas como em "tudo ia pro vácuo de sua inteligência, pro sumidouro do seu bom-senso, pro rabo de sua sensibilidade" (p.39) ou "e assim eu me despejava naquele toque, me sumia naquele carinho, me desenganava naquele afago" (p.98). Que coisa fina, menino!
A narradora fala com o narratário (no caso, o leitor) entre parênteses, como no último parágrafo da p.57: "(até o Murilo se revoltar e pedir pra sair,vocês lembram)" e, às vezes fala diretamente, mesmo sem parênteses, como na p.124, em baixo: "...uma colônia de ciganos, VOCÊS JÁ VIRAM?..."
Esse DOMÍNIO DA NARRATIVA, típico do narrador machadiano (que também faz, sedutoramente, do narrador um cúmplice, você o faz também - e muito bem - via narradora), como na p.120: "...e lembram, lá atrás, quando eu disse que o carro voltou fedendo a vômito?" Do Machado vem também aquela frase "...não é a criança o pai do homem?" (p.70) Talvez o narrador não-confiável (volúvel?-R.Schwarz) tenha a ver tb com o velho bruxo. O Murilo que nos chega vem de Carla que vem de você, Alex, cuja capacidade de OUTRAR-SE é impressionante. Quem é CAMALEÔNICO, o Murilo ou a Carla? Veja no final da p.49: "...como EU disse, MURILO não sabe o que é ou onde se situa, e por isso muda sempre de opinião."
Ficou ótima a mistura de discurso direto e indireto, como no meio da p.75, onde a voz de Júlia (primeira pessoa) segue-se sem sinal gráfico algum à voz narradora (terceira pessoa): "...Murilo nem quis se sentar, pra não dar muita coleira. Vou me matar de qualquer jeito, não é blefe."
Leia também essa entrevista do professor Antonio Sergio Bueno ao Jornal O Norte de Minas, falando sobre o ensino de poesia no Brasil e no vestibular: Doutor em literatura afirma: - Não se formam leitores de poesia no Brasil
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E, naturalmente, depois de tudo isso, só lhe resta deixar de doce e comprar Mulher de Um Homem Só.
Mulher de Um Homem Só (2009), romance.
Preço recomendado: R$35 / US$25, frete incluso
A Baratos da Ribeiro, uma das livrarias mais descoladas do Rio, também é um dos selecionadíssimos pontos-de-venda de "Mulher de Um Homem Só"
Foto da leitora e mecenas Ana Camila.
Repara que são todos da 2a edição, em magenta, mas tem um exemplar da 1a edição, em azul, perdido ali no meio.
Visite o site da Baratos da Ribeiro. Não é seu site normal de livraria, tem muito conteúdo legal por lá.
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Para quem gosta de folhear e cheirar, "Mulher de Um Homem Só" pode ser comprado nas seguintes livrarias do Rio e de São Paulo:
São Paulo
- HQMix (livreiro Gualberto)
Pç Roosevelt, 142 (11-3258-7740)
Rio de Janeiro
Argumento do Leblon (livreira Ana)
Dias Ferreira, 417, Leblon (21-2239-5294)
Baratos da Ribeiro (livreiro Maurício)
Barata Ribeiro, 354, lj D, Copacabana (21 2549 3850)
Infelizmente, a Dona Laura fechou e a Berinjela foi inundada de esgoto.
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Ou então, compre agora e receba em casa em até cinco dias úteis.
A primeira edição foi azul (270 exemplares); a segunda, magenta (130); agora, a terceira, laranja (80).
Essa é a primeira edição sem o cachorrinho da Os Viralata. Guardem bem seus exemplares das duas primeiras edições: eles acabaram de valorizar bastante.
O Skoob é um site que permite que você diga os livros que têm, que já leu, que está lendo e que vai ler. Além disso, você pode escrever resenhas e dar notas. É uma ferramenta legal para decidir que livros comprar ou simplesmente para conversar sobre literatura.
Se você leu Mulher de Um Homem Só e gostou, deixa sua opinião lá.
Aliás, se puder, deixa uma resenha positiva lá na página do Mulher de Um Homem Só na Amazon também. Essas coisas fazem a maior diferença.
E eu agradeço, sinceramente.
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Meu romance, Mulher de um Homem Só, agora na sua 3a edição, com capa laranja:
A primeira edição foi azul (270 exemplares); a segunda, magenta (130); agora, a terceira, laranja (80).
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