Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%.
Quinze peças assistidas em quatro dias e acho que me apaixonei de novo por Nova Orleans.
Quinta, 12 de novembro:
Alonzo’s Lullaby - Nana Projects, Baltimore
Splatterhouse Theater - La Nuit Comedy Theater ensemble dir. by Yvonne Landry, New Orleans
Sexta, 13 de novembro
Play. Music. Heal. - Acting Up (in Acadiana), Lafayette, LA
Manje - Gods and Gaters Theatre, New Orleans
He/She & Me: A Love Story - The Academy Theatre Featuring Sharon Mathis, Avondale Estates, Georgia
Sábado, 14 de novembro
Loup Garou - ArtSpot Productions and Mondo Bizarro, New Orleans
some editing and some theme music - Jean Ann Douglass, New York City
Rigorous Disco of Doom - Jazz Hand Job, Providence, Rhode Island
Bang the Law - Jonathan Freilich Presents, New Orleans
SUD SCREED - Scary Toesies, New Orleans
Domingo, 15 de novembro
Rock in Her Pocket - Alix Angelis, New Orleans
Bloody Noes’ American Dream - Bloody Noes, Rochester NY
After the War - New Noise, New Orleans
Tragedy + Distance - Reptilian Theater, New York/Orleans
Shipwrecked - Morella & The Wheels Of If & Choreographer Kettye Voltz, New Orleans
* * *
Leia todos meus textos sobre teatro e também dê uma olhada na seção de livros de teatro do Submarino.
Saindo com Camila pra tomar café da manhã na padaria francesa tradicional do French Quarter, Croissant d'Or e, depois, cinco peças do Fringe Festival, de peças loucas, alternativas e insanas. Mais tarde, posto umas fotos.
Grande peça de ontem: He/She & Me: A Love Story, questionando de maneira linda, engraçaca, comovente todas as nossas expectativas de gênero. Afinal, o que é ser homem e o que é ser mulher?
Programação de hoje: Loup Garou (peça sobre o Lobisomem encenada no parque, no meio do mato, muito bem recomendada), Geronimo, Rigorous Disco of Doom (orgia de sexo e terror encenada dentro de uma igreja!), SUD SCREED (teatro de bonecos bizarros) e mais uma em aberto.
Enfim, o dia está lindo, a Camila está esperando, fui. Saiam da internet vocês também.
Pobres dos atores, estão sempre à mercê das platéias. Podemos vaiar, tacar pedra, e eles, o que podem fazer? Nada. São um, três, doze atores contra dezenas, às vezes centenas de espectadores. Verdadeira covardia.
Nem sempre, entretanto.
Já fui a algumas peças onde a briga teria sido justa. Outro dia, em plena segunda-feira, horário alternativo por definição, éramos cinco na platéia contra cinco no palco. E os atores, obviamente, tinham um preparo físico muito melhor que o nosso, diafragmas bem-desenvolvidos e muito fôlego. Pior: provavelmente, teriam ao seu lado o diretor, a maquiadora, o iluminador, a bilheteira.
Teria sido um verdadeiro massacre.
45. Honey, de She-lagh Delaney. SP, quinta, 30 de julho. Com Flávia. ***
Lavínia Pannunzio dando show. Os músicos muito bem inseridos na peça.
46. A Exceção e a Regra, de Bertold Brecht. SP, sex, 31 de julho. Com Flávia. ***
Excelente montagem interativa no melhor espírito brechtiano.
47. Huis Clos - Entre Quatro Paredes, de Jean Paul Sartre. SP, sex, 31 de julho. ***
48. Cine Belvedere, da Cia Bruta de Arte. SP, domingo, 2 de agosto. ***
Excelente. Recomendadíssimo. Assisti ao ensaio aberto, a convite do meu amigo Helder, e adoraria ver com tudo nos trinques. 16 espectadores interagem com 16 atores em um casarão, entrando e saindo de quartos, andando pelos corredores, testemunhando a vida de uma família por dentro. Maravilhoso experimento voyerístico. Sério. Não perca. Estreou agora 15 de agosto.
49. Moby Dick, de Herman Melville. Adaptado por Aderbal Freire-Filho. RJ, quinta, 6 de agosto. ***
Uma verdadeira aula de teatro. Quatro atores, em um teatro de arena, sob o comando de um diretor experiente, encenam e recriam uma infinidade de situações, demonstrando os limites da representação teatral. Incrível mesmo.
50. Por Um Fio, de Drauzio Varella. RJ, sábado, 8 de agosto. ***
Simples, enxusto, transmite as melhores histórias do livro, emociona sem ser piegas.
51. Neve, de Orhan Pamuk. RJ, sábado, 8 de agosto. Com Carlos. **
Bela montagem, o elenco poderia ser melhor afinado. O terrorista e seu gravador estavam perfeitos.
52. As Meninas, de Maitê Proença. RJ, domingo, 9 de agosto. Com Teresa. ***
Assistido a convite da atriz Sara Antunes (do excelente Negrinha). Sara domina o palco, entre choros e risos, a personagem mais completa e multifaceta em cena. Fiquei impressionado como Vanessa Gerbelli é estonteantemente linda e carismática. Belos cenários.
53. A Igreja do Diabo, de Machado de Assis. RJ, quarta, 12 de agosto. Com Ricardo e Cecília. *
Machado não dá sorte nos palcos.
54. In On It, de Daniel Macivor. RJ, quinta, 13 de agosto. Com Liloló. ***
É tudo o que todo mundo diz. Excelente.
E pronto. Acabou-se. 54 peças em quatro meses. Quarta, 19 de agosto, estou voltando pra Nova Orleans - que não é nenhuma Cornhole, Iowa, mas também não é RJ/SP.
(Aliás, cada vez mais, olhando de fora, vejo RJ/SP como se fosse uma cidade só.)
Meu próximo compromisso marcadinho no calendário: 11 de novembro, começa o New Orleans Fringe Theater Festival.
Obras completas de Freud, de R$960, por R$299/R$399 (sinceramente? o preço dessa joça tem mudado duas vezes por dia, mas está sempre muito barato)
Estou indo embora quarta-feira que vem, e a última semana é sempre enrolada. Para quem ainda quer me ver, eis aqui o roteiro das minhas próximas peças. Você pode se convidar pra ir junto, ou a gente pode marcar de sair depois.
Seg, 20h, "Palavras na Brisa Noturna", Sede da Cia dos Atores, Lapa. Duração, 1h.
Ter, 21h, "Nathalia BS", Teatro do Jockey, Gávea. 50 min.
Qua, 21h, "Diário de um Louco", Teatro do Leblon. 1h15.
Qui, 21h, "In on It", Teatro do Planetário, Gávea. 1h20. (já esgotou)
Sexta e sábado ainda estão livres, vou tentar assistir "Viver sem Tempos Mortos", no Oi Futuro, no Catete, às 21h.
Dom, 19h, "Simplesmente Eu. Clarice Lispector", CCBB, 1h.
Dom, 20h30, "De Corpo Presente", Solar de Botafogo, 1h30.
Barbara Heliodora estava dizendo outro dia que odeia monólogos e que eles representam toda a crise do nosso teatro: as companhias, sem dinheiro para montagens de fôlego, acabam limitadas aos monólogos por pura falta de opção.
Mas não sei, Bárbara. Não sei. Em algumas das peças que assisti, tive a nítida impressão de que eu era o único espectador que não era amigo, parente ou convidado de algum membro do elenco ou da peça. Parece que o nosso teatro virou uma apresentação de escola: feita por nós para nossos pais, amigos e professores, e olhe lá!; um circuito fechado. Inversamente, então, quanto maior o elenco e equipe, maior o público em potencial.
Matematicamente falando, deve ser possível criar um algoritmo que selecione atores e equipe de modo que, expandindo a rede de contatos de cada um, cubra-se praticamente toda a cidade. Já posso até ver o anúncio:
"Precisa-se de atores com no mínimo vinte primos etc"
Obras completas de Freud, de R$960, por R$299/R$399 (sinceramente? o preço dessa joça tem mudado duas vezes por dia, mas está sempre muito barato)
Em julho, assisti menos peças, porque o lançamento do livro está sendo um emprego em tempo integral (como vocês podem perceber!).
Estarei em São Paulo entre quinta, 30 de julho e quarta, 5 de agosto. Tirando o dia do lançamento, sábado, estou aceitando recomendações de peças para os outros dias. Por enquanto, a única peça que quero muito ver é Memória da Cana, provavelmente na segunda, 3.
32. Uma Solidão Demasiado Ruidosa, de Bohimil Hrabal. Cia Teatral Artistas Unidos, Portugal - Festlip. RJ, sexta, 3 de julho. **
Ganhou o prêmio do voto popular do Festlip.
33. Lindos Dias, de Samuel Beckett. Cia Teatral Primeiros Sintomas, Portugal - Festlip. RJ, sábado, 4 de julho. *
Ainda estou esperando Beckett... esperando Beckett fazer sentido.
34. Kimpa Vita, A Profetisa Ardente, de José Mena Abrantes. Grupo Elinga-Teatro, Angola - Festlip. RJ, sábado, 4 de julho. **
Peça histórica interessante que me deixou pensando as diferentes maneiras como a contribuição/participação portuguesa é vista em Angola e no Brasil.
35. No Inferno, de Arménio Vieira. Grupo de Teatro do Centro Cultural Português Instituto Camões, Cabo Verde - Festlip. RJ, domingo, 5 de julho. ***
O assunto é o mais velho do mundo - um escritor que não consegue escrever - o que só prova que não existem assuntos chatos, somente artistas chatos. Além de ser a melhor peça do festival, também foi a mais cheia. Será que a platéia já sabia de algo que eu só fui descobrir na hora? "No Inferno" foi baseado em romance homônimo de Arménio Vieira, primeiro escritor português a vencer o prestigiado Prêmio Camões.
36. O Especulador, de Balzac. Júpiter Teatro Produções. RJ, terça, 7 de julho. ***
Sensacional. Hilário. Muito bem adaptado, escrito, interpretado. Indispensável. Aliás, a história da pobreza progressiva da minha família foi bem assim.
37. As Noivas de Nelson, de Nelson Rodrigues. Cia Paulista de Atores. RJ, quinta, 9 de julho. *
Não entendo bem porque as pessoas ainda encenam Nelson Rodrigues. Elas o levam a sério? Têm os mesmos valores e dramas dos seus personagens? Se não, então é sátira? Estão mostrando como aqueles valores são ridículos, como são patéticos os personagens que se matam por coisas como virgindade, etc? Eu juro que não entendo de que lado estão as montagens atuais de Nelson. E não vejo muito a graça.
38. O Homem Ideal, de Evaristo Abreu. Grupo M'Beu, Moçambique - Festlip. RJ, sexta, 10 de julho. ***
Excelente peça sobre as relações homens mulheres.
39. Prelúdios - Em Quatro Caixas de Lembranças e uma Canção de Amor Desfeito, de Susana Fuentes. RJ, terça, 14 de julho. ***
O trabalho de corpo de Suzana Fuentes é uma das coisas mais sensacionais que já vi. A parte em que ela samba e, ao mesmo tempo, manipula a marionete Rodinha para que ela também dance no ritmo da música e cante a letra é simplesmente inacreditável.
40. A Filosofia na Alcova, de Sade. Satyros. RJ, Sexta, 17 de julho. ***
Vi de novo, para levar amigos, e foi tão simplesmente perfeito quanto da primeira vez.
41. Ou Hamuretsu, de Márcio Moreira e Pedro Borges. Cia de Atores Invisíveis. RJ, sábado, 25 de julho. **
A premissa é sensacional: uma companhia de atores japoneses tentando montar Hamlet e, enquanto isso, entre o elenco, se reproduzem as situações da peça. O diretor some, o protagonista enlouquece e começa a achar que o antigo diretor foi morto pelo novo diretor, mancomunado com a atriz que interpreta Gertrudes, etc. Um peça brasileira, escrita no Brasil e interpretada por atores brasileiros, sobre atores japoneses tentando encenar uma peça inglesa passada na Dinamarca.
42. O Ateliê Voador, de Valère Novarina. RJ, sábado, 25 de julho. ***
No começo, achei que a mão iria ser pesada na denúncia ao capitalismo, mas logo entrei no espírito debochado da peça e simplesmente amei. Virei fã de Novarina.
43. O Animal do Tempo, de Valère Novarina. RJ, domingo, 26 de julho. *
44. Malentendido, de Camus. RJ, domingo, 26 de julho. *
Recomendações pra São Paulo entre 30/7 e 5/8, por favor!
Começa hoje, até domingo, o último fim-de-semana do FestLip (Festival de Teatro em Língua Portuguesa), com apresentações gratuitas de companhias teatrais do Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. 
Além do interesse primordial de conhecer a produção cênica dos primos lusófonos, o festival já valeu só pela peça "No Inferno", da companhia cabo-verdiana Grupo de Teatro do Centro Cultural Português. Ironicamente, das 11 peças do festival, era a que eu MENOS queria assistir, e acabei vendo somente por comodidade logística.
E que puta peça! O assunto é o mais velho do mundo: um escritor que não consegue escrever. E eu pensei:
"porra, estou aqui lutando pra terminar de revisar meu romance, já comprado por um bando de gente, que tem que ir pra gráfica na semana que vem, e vou assistir peça sobre um cabo-verdiano com writer's block? É ruim, hein!"
Enfim, só prova que não existem assuntos chatos: somente artistas chatos. Além de ser a melhor peça do festival, também foi a mais cheia. Será que a platéia já sabia de algo que eu só fui descobrir na hora? "No Inferno" foi baseado em romance homônimo de Arménio Vieira, primeiro escritor português a vencer o prestigiado Prêmio Camões.
Recomendo "No Inferno" nos mais enfáticos termos. A peça ainda vai ter duas apresentações no festival, hoje, quinta feira, e no sábado, 11, ambas no Espaço Sesc, em Copacabana. Confiram aqui a programação completa do festival.
Algumas matérias sobre a peça:
- "No inferno" de Arménio Vieira em digressão
- Arménio Vieira, Prémio Camões 2009: A pacata rotina de um Eleito do Sol
* * *
Aqui vai minha programação para os próximos dias. Quem quiser vir e me encontrar em algum momento, é só dizer:
Quinta, 9/7:
20h, Sobreviver no Tarrafal - Angola (Sesc Copa)
21:30h, As Noivas de Nelson - off-FestLip (Solar de Botafogo)
Sexta, 10/7:
19h, Cortiços - Brasil (Sesc Centro)
21:30h, O Homem Ideal - Moçambique (Sesc Copa)
Sábado, 11/7:
19h, Mar me Quer - Moçambique (Sesc Centro)
21:30h, Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade - Brasil (Sesc Copa)
Domingo, 12/7:
20h, Nó Mama, Frutos da Mesma Árvore - Guiné Bissau (Sesc Centro)
Comprando meu romance "Mulher de um Homem Só" na pré-venda, você ajuda a viabilizar a primeira edição e participa de uma nova experiência em divulgação de literatura independente no Brasil. Saiba mais ou compre agora.
Uma das consequências inesperadas de morar fora é que passei a me considerar um privilegiado só por ESTAR no Brasil durante certos eventos.
Está acontecendo, no Rio de Janeiro, o 2º FestLip (Festival de Teatro em Língua Portuguesa), com companhias teatrais do Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. Já me programei pra tentar assistir o máximo de peças possível. Para quem quiser acompanhar, aqui vai minha programação. Ah, e eu disse que são gratuitas?
Sábado, 4/7:
19h, Lindos Dias - Portugal (Sesc Centro)
21h, Kimpa Vita, A Profetisa Ardente - Angola (Sesc Copa)
Domingo, 5/7:
19:30h, No Inferno - Cabo Verde (Sesc Copa)
Terça, 7/7:
19:30h, O Especulador - off-FestLip (Sesi Centro)
Quinta, 9/7:
20h, Sobreviver no Tarrafal - Angola (Sesc Copa)
21:30h, As Noivas de Nelson - off-FestLip (Solar de Botafogo)
Sexta, 10/7:
19h, Cortiços - Brasil (Sesc Centro)
21:30h, O Homem Ideal - Moçambique (Sesc Copa)
Sábado, 11/7:
19h, Mar me Quer - Moçambique (Sesc Centro)
21:30h, Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade - Brasil (Sesc Copa)
Domingo, 12/7:
20h, Nó Mama, Frutos da Mesma Árvore - Guiné Bissau (Sesc Centro)
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Agora, hoje, no Rio, entre 2 e 12 de julho. Obviamente, vou tentar ir em tudo. Como não tem amigo ou namorada que aguente tanto teatro, estou abrindo geral. Mais algum louco pretende encarar essa bateria de peças? Hoje à noite, sexta-feira, vou estar no Espaço Sesc, em Copa. 
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Depois de trinta peças em dois meses, eis aqui rápidas indicações. Vou escrever mais sobre elas depois.
* * *
Peça imperdível no Rio de Janeiro
A Alma Boa de Setsuan, de Bertold Brecht
Teatro dos 4, Shopping da Gávea.
Sex e sáb, 21h; domingo, 20h. R$70, sex/dom; R$80, sáb.
Até 2 de agosto
Site da peça: A Alma Boa de Setsuan
É caro, mas vale a pena cada centavo. Se você tem birra com a Denise Fraga, ou com peça repleta de atores globais, vá assim mesmo. Nunca fui fã da Denise, mas ela carrega na flauta um papel muito difícil e dá show. O texto é Brecht é perfeito, o final já é um dos meus finais preferidos de todos os tempos pra qualquer livro, filme ou peça. Espetáculo na total acepção do termo, dos figurino à cenografia, passando pela trilha sonora. Tudo o que uma obra de arte tem que ser. Faz rir e faz sofrer. Mais importante, faz pensar sobre questões fundamentais sem ser didático e chato.
* * *
Peça imperdível em São Paulo
Aldeotas, de Gero Camilo
TUCA (Teatro da Universidade Católica, R. Mt Alegre, 1024)
Sáb, às 21h. R$50. Dom, às 19:30h. R$40. Até 30 de Agosto.
Site da peça: Aldeotas
Se Alma Boa é teatro em todas as acepções e com todos os recursos, inclusive o recurso de um texto clássico, Aldeotas é o exato oposto: o teatro reduzido ao mínimo. Um texto contemporâneo, dois atores solitários em um teatro de arena, sem cenário, sem nada. Só. O texto de Gero Camilo é primoroso, engraçado, sofrido. A tragédia inevitável do final vai se construindo aos poucos. O trabalho corporal, simulando diferentes idades dos personagens, é perfeito. Lindo, lindo.
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Menção honrosa

Justine
A Filosofia na Alcova
Os 120 Dias de Sodoma (esse eu não vi!)
Site da Cia Teatral: Os Satyros
O ciclo sadeano do Satyros está sensacional. Eu já li muito Sade e adorei as montagens. São tão boas que eu diria que assistir Justine e Filosofia na Alcova, dos Satyros, substitui perfeitamente a leitura dos livros: transmite tudo o que os textos têm de bom, filtra alguns defeitos e acrescenta muito, sem sair do clima. Ideal para qualquer um que queira conhecer o autor. As peças estarão no Rio durante o mês de julho, no Espaço Sérgio Porto, no Humaitá, e depois voltam pra São Paulo.
Excelente artigo sobre a Mostra Teatral dos Satyros no Rio.
Cariocas e paulistas, não percam.
* * *
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Amanhã, quarta-feira, 1º de julho, às 16h, é a última apresentação de "O Banquete", de Platão, reinterpretado por Zé Celso Martinez Correa e pelo Teatro Oficina. Melhor ainda, será gratuito. Mais detalhes, aqui.


Dois livros sobre Zé Celso e o Teatro Oficina. À esquerda, uma antologia de seus textos, depoimentos e entrevistas entre 1958 e 1974. À direita, um estudo sobre os primeiros dez anos do Teatro Oficina (1958-1968).
* * *


Duas edições de O Banquete, de Platão.
Não está dando tempo de escrever sobre todas as peças que assisto, mas, para fins de registro, aqui vão as últimas:
15. Outra Opinião, de Paulo Giannini e Kadu Garcia. Grupo Nós no Morro. Quinta, 4 de junho. Com Carlos Henrique. *
16. A Alma Boa de Setsuan, de Brecht. Sexta, 5 de junho. ***
A melhor montagem da temporada até agora. Simplesmente sensacional em todos os sentidos.
17. Quando as Máquinas Param, de Plínio Marcos. Cia Escaramucha de Teatro. Sábado, 6 de junho. Com Carlos Henrique e Cecília. **
O texto envelheceu mas a montagem intimista, próxima da platéia, funciona muito bem.
18. Um Homem Célebre, de Machado de Assis. JLM Produções Artísticas. Domingo, 7 de junho. Com Camila. *
19. Regurgitofagia, de Michel Malamed. Sábado, 13 de junho. Com Rebecca e Isabel. ***
Interessante e perturbador.
20. Espia uma Mulher que se Mata, de Tchecov. Domingo, 14 de junho. Com Camila. **
A montagem foi muito boa, mas o texto não ajuda, é das peças mais fraquinhas de Tchecov, cheia de discursos forçados e empolgados chatérrimos e que vivem quebrando a ação.
21. Justine, de Sade. Satyros. SP, Sexta, 19 de junho. ***
22. A Filosofia na Alcova, de Sade. Satyros. SP, Sexta, 19 de junho. ***
Os Satyros capturaram perfeitamente o espírito do Sade, ao ponto de eu dizer que ver essas peças substitui (e sobra troco) a própria leitura das obras que lhes inspiraram.
23. Agreste, de Newton Moreno. Companhia Razões Inversas. SP, Domingo, 21 de junho. Com Helena. ***
Muito, muito, muito bom.
24. O Banquete, de Platão. Teatro Oficina. SP, Quarta, 24 de junho. Com Diego Ambrosini. ***
Tentei ler mais uma vez O Banquete antes da peça e não consegui. Acho esse texto chato toda vida. Naturalmente, isso afeta a peça, que tem quatro horas e fica cansativa algumas vezes. Mas, ainda assim, é um dos melhores espetáculos da temporada, é uma delícia ver a alegria dionisíaca dos atores do Oficina, a falta de solenidade contagiante, o sincero espírito pagão. Provavelmente, o mais perto que chegamos dos gregos de verdade.
25. Pai Contra Mãe, de Machado de Assis. SP, Quinta, 25 de junho. Com Helena. *
26. Liz, de Reinaldo Montero. Satyros. SP, sexta, 26 de junho. *
27. Análise Comportamental e Crítica da Música Eduardo e Mônica, por Adolar Gangorra. SP, sexta, 26 de junho. * * *
Me acabei de rir. Não só essa música é parte da minha vida (e da minha geração, claro), como a análise do Prof.Dr.Gangorra é sensacional.
28. Sonho de Um Homem Ridículo, de Dostoievski. SP, sábado, 27 de junho. Com Helena. * * *
29. As Centenárias, de Newton Moreno. SP, domingo, 28 de junho. * * *
31. Aldeotas, de Gero Camilo. SP, domingo, 28 de junho. * * *
* * *
Sobre as peças com uma estrelinha, uma explicação. Estou agora adotando para o teatro a mesma regra que adotei para literatura: não criticar artistas vivos e poupar dores de cabeça.
Como parte do Festival de Teatro do Rio de Janeiro, assisti a Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena, clássico da comédia brasileira, escrito em 1844. O autor tem o enorme mérito de ser praticamente o único sobrevivente de sua geração: de todos os dramaturgos brasileiros ativos durante o século XIX, Martins Pena é o único ainda vivo, ainda canônico, ainda rotineiramente reencenado. Os outros ressurgem aqui e ali, quase sempre mais por interesse histórico do que por outra coisas, mas Martins Pena nunca sai do palco.
* * *
Era a minha 14a peça da temporada 2009 e, assim que abriu a cortina, levei um susto: percebi que era a primeira vez que via, em cena, atores negros e mulatos. Até então, todas as minhas peças tinham sido representadas por atores oriundos das melhores companhias teatrais do Eixo Morumbi-Leblon, ou de Curitiba - que implora pra entrar no Eixo tanto quanto o Brasil mendiga pra entrar no Conselho de Segurança da ONU.
Não estou dizendo que os atores da Companhia de Pesquisas Teatrais (CPT) de Duque de Caxias sejam carentes, ou algo assim. Não sei quem são. Sei apenas que vêm da complexa da Baixada Fluminense (a Periferia do Rio): rica em indústrias e pobre em cultura e investimentos. E sei que bastou a Companhia subir ao palco, refletindo as verdadeiras e múltiplas cores do Brasil, para imediatamente problematizar a composição racial do elenco de todas as peças que eu tinha visto na temporada. Como naquelas novelas mexicanas, onde ninguém tem cara de mexicano e que bem poderiam se passar em Estocolmo, as 14 peças que eu tinha assistido até então, no Rio de Janeiro de 2009, poderiam ter sido encenadas na Islândia. E eu nem me dei conta: parece tão normal que todos os atores sejam branquinhos, né?
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Há alguns meses atrás, falei de um anúncio de escola curitibana que gerou polêmica por só conter alunos brancos. Quando alguns militantes negros reclamaram, os alunos acharam um absurdo que se "enfiasse raça nessa história". Para quem faz parte da maioria dominante, a desigualdade é natural. Para eles, um anúncio de escola só com alunos brancos é a coisa mais normal do mundo, algo que eles nem reparam. Anormal, anti-natural, incômodo é quando alguém aponta que essa situação não é nem normal, nem natural e que é muito incômoda para quem foi suprimido. Aí, a reação é imediata.
Eu gostaria de fazer um teste com esses adolescentes: refilmar o mesmo anúncio da escola, mas só com alunos negros. Ou asiáticos. Será que eles também não iriam perceber? Ou será que dessa vez o "conteúdo racial" do anúncio lhes saltaria aos olhos?
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A montagem se manteve fiel ao texto, com um twist.
A linguagem antiquada de Martins Pena poderia não ser tão engraçada aos espectadores de hoje. Então, fugindo de um extremo (que seria adaptar o texto ao português de hoje), a companhia aposta no grotesco e não só mantém o texto inalterado, como adota uma dicção toda própria, exagerada e anti-natural, que além de chamar ainda mais atenção ainda para a linguagem antiquada, torna-se engraçada por si só. Nos primeiros dois minutos, claro, o estranhamento é grande, mas como essa dicção alternativa é utilizada consistemente, o espectador logo se acostuma e o efeito cômico se instala.
Ri muito. Me diverti muito. A companhia demonstrou um domínio firme da linguagem do autor e Martins Pena demonstrou que continua mais vivo do que nunca.
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Confira o blog da companhia teatral Centro de Pesquisas Teatrais de Duque de Caxias
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Comédias Completas de Martins Pena
Vale muito, muito a pena ler e assistir Martins Pena.
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Ficha Técnica
Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena. Companhia: Centro de Pesquisas Teatrais de Duque de Caxias. Dirigido por Guedes Ferraz. Estrelado por Natália Ramos, Marcelle Fernandez, Paulo César, Edilson Sales, Alex Fabiani, Jessé Cabral, Bianca e Evelin. Teatro Maria Clara Machado, no Rio de Janeiro. Apresentação única como parte do Festival de Teatro do Rio de Janeiro. Assistido a 3 de junho, com Carlos.
Sobre a Série "Cadernos de Teatro"
Estou começando a estudar teatro e resolvi aproveitar meus meses no Rio e em São Paulo para conhecer a produção contemporânea. Esses textos são minha tentativa de não só documentar as peças que assisti mas também de escrever mais criticamente sobre teatro.
Falando em cheiros, até agora não fui a nenhuma peça em que algum personagem, pelo menos em algum momento, não fumasse no palco.
E nós lá, na platéia, sem poder fumar. Puta injustiça.
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Obras completas de Freud, de R$960, por R$299/R$399 (sinceramente? o preço dessa joça tem mudado duas vezes por dia, mas está sempre muito barato)
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Estou em São Paulo até, no mínimo, 25 de junho, talvez mais. Amigos, entrem em contato. Meu novo celular paulista é (11) 7118 4949.
Obras completas de Freud, de R$960, por R$399
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!
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