Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%.
Dizem que gosto de ser polêmico, mas é o contrário: não gosto de ser repetitivo. Quando todos estão falando a mesma coisa, não vejo sentido em ecoar. Se tenho algo diferente a dizer, digo. Pois bem. Sobre o caso dos PMs que negaram socorro a uma vítima e ainda achacaram e liberaram os assassinos, não tenho nenhuma indignação a proferir que não seja banal e lugar-comum. Só queria acrescentar o seguinte:
Deve ter algo de errado comigo, mas episódios assim me fazem querem estar no Rio mais do que nunca. Me sinto um desertor.
Pra não falar das famosas escadas:


Obras completas de Freud, de R$960 por R$299, e de Machado, de R$650 por R$389
Pois é. O outro motivo pra eu não escrever sobre os previsíveis comentários que estou ouvindo de todos meus amigos e conhecidos sobre as olimpíadas é o fato de a Camila já ter escrito o texto perfeito e definitivo sobre isso. Vão lá, leiam, leiam.
E leiam também o novo post do Blog Apocalíptico:
As Olimpíadas Vão Acabar com o RIO!!! E com o Brasil!! Talvez com o MUNDO!!!
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Em tempo: pouca diferença faz se as contas fecham ou não. Quando a Coca-Cola faz mais um anúncio, ela não está pensando em X garrafas vendidas, mas também na sua imagem, na construção e manutenção da sua marca, em branding e retenção. O Rio é uma das cidades mais conhecidas do mundo. É a porta de entrada do Brasil e da América Latina. Não se calcula o retorno de um evento como uma Olímpiada do mesmo modo que o português da padaria calcula a margem de lucro do pãozinho francês. Os benefícios da Olimpíada são abstratos e de longo prazo, tanto na auto-estima do brasileiro hoje, quanto na percepção externa do Brasil hoje e pelos próximos cinquenta anos.
Aí, depois de tudo isso, vem um amigo classe-média-way-of-life e faz a pergunta apocalíptica:
Você acha que valeria a pena mesmo se tivesse que cortar o orçamento da saúde em 50%?
E que outra resposta eu poderia dar ao invés de:
Claro, e tem mais! Acho que o prefeito deveria chamar a imprensa para cerimonialmente cortar os tubos de alguém, fazer o V da vitória pras câmeras e ainda dizer: desligar os aparelhos desse cidadão significa mais duas raias pra nossa Piscina Olímpica! O Rio leva a sério seu compromisso com o esporte!
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Aliás, tem coisa mais classe média do que ser apocalíptico? Fica aí a dica pro Pierre.
Não é de hoje que eu digo que meu jornal favorito é o Christian Science Monitor. Reparem nesse trecho da cobertura sobre a vitória do Rio:
The tens of thousands of people who turned out to see Rio win the right to host the 2016 Olympics were present at what could well be a prophetic microcosm of the actual event. It was hot, chaotic, and a bit disorganized. But in spite of all that, the locals were their usual happy hospitable selves. They sang and danced, and the positive vibes the city is famous for won the day. And that is probably how it will be in 2016. Disorganized but brilliant fun. ... "You won't regret it," said Lula. Neither will the millions of competitors, officials and tourists. The trains might not run on time. But they'll have a great time waiting for them.
Acabou de chegar minha New Yorker. Li o artigo de Jon Lee Anderson, "Gangland", sobre violência no Rio de Janeiro. Sou um carioca expatriado e saudoso, contando as horas pra voltar pra casa e torcendo para o Rio sediar as Olimpíadas de 2016.
O artigo é ruim, mentiroso, apelativo?
Não. É excelente, lindo, honesto, generoso. Eu teria orgulho de tê-lo escrito. Anderson fez seu dever de casa, falou com todo mundo, não cometeu nenhum erro que salte à vista - algo que pode ser dito sobre raras matérias de qualquer jornal sobre qualquer assunto. Talvez seja a melhor reportagem estrangeira que já li. (Ao contrário, por exemplo, das matérias preconceituosas do péssimo Larry Rothers, o que não justifica o papelão de Lula revogar seu visto.

Foi golpe baixo publicar o artigo na semana da decisão das olimpíadas?
Hmm, vocês devem ter uma definição bem diferente da minha de golpe baixo. Mesmo que a sua publicação tenha sido propositalmente adiada para essa semana, por que isso configuraria golpe baixo? Seria uma tática completamente válida para derrotar a candidatura do Rio. Golpe baixo, pra mim, é mentira e trapaça: porrada, se for acima da cintura, tá valendo. O autor lamentou a coincidência das datas, e eu também lamentaria, mas com certeza não foi decisão dele. (Entrevista com o autor sobre essa reportagem.)
E continuo na torcida pro Rio sediar as olímpiadas.
Veja minhas fotos ou leia meus artigos sobre o Rio de Janeiro.
O Brasil não muda. A cultura do outro, do pobre, do negro é sempre criminosa, primária, errada, ilegal, cafona. Aliás, nada disso: o outro nem mesmo tem cultura.
No século XIX, a capoeira era proibida pelas autoridades, por ser considerada celeiro de crimes e prática bárbara de negros boçais.
No século XXI, a Polícia Militar do Rio de Janeiro proibiu a realização de bailes funk em diversas favelas da cidade, uma das principais manifestações culturais da juventude carente. Como o Brasil ainda é, legalmente, uma democracia e ainda não se pode censurar práticas culturais, inventaram que era "por motivos de segurança". (Queria ver proibirem a Ópera do Municipal alegando excesso de crimes na Cinelândia!) Como o Brasil ainda é, legalmente, uma democracia e os favelados votam, rapidamente conseguiram que seus deputados decretassem o funk patrimônio cultural do estado.
Abaixo, alguns links sobre o assunto, mas o melhor são os comentários da fina flor da elite carioca:
A Secretaria e os deputados deveriam mandar seus filhos e netos todo final de semana pros bailes funks e de maneira nenhuma deixa los faltar pra que se tornassem eximios praticantes da cultura ,já que é tao importante
Estou próximo a bailes e nunca ouvi nada edificante nas letras, ou é violência ou baixaria, vamos ver de que lado está o Sergio Cabral. Funk é anticultura!
Onde e quando o funk é cultura?? musicas com letras totalmente sem conteudo, o interese desses "representantes da cultura funk" com certeza é a grana que ele gera, com muita droga, pornografia e td que não presta, funk na escola é mostra como a educação do nosso pais esta precaria são crianças mal educadas sem limites pais inrresponsaveis que acha td normal e comum deixa nas mãos da escola a educação que eles deverião dar em casa.
Funk na escola?Funk como instrumento de PAZ?Eu li bem?!O FUNK é o maior incentivador a violencia!Suas letras são cheias de odio a favelas rivais e a PM,BOPE.As letras só falam de armas e baixaria,tudo no duplo sentido.Tratam as mulheres como verdadeiras p....Incentivam os jovens a transarem sem parar,aumentando a população carente.FUNK deveria ser proibido.Nessa hora eu queria que a DITADURA voltasse.FUNK = lixo!Quem ouve é lixo também!
Infelizmente, essas pessoas que defendem o funk pretendem banalizar o mal e a violência, animalizar o ser humano com palavreado chulo, com letras vergonhosas, com nenhuma espiritualidade, mostrando sim, a total FALTA DE RESPEITO com os outros, pois não se consegue dormir e descansar com toda essa vagabundagem e gritaria durante a noite, madrugada e manhã adentro.
Essa é a cultura que nossos políticos querem implantar de vez no RJ!Estão oficializando a bandidagem!Agora só falta liberar as drogas de vez e dar o Governo pro Beira-Mar! AGORA, SE O CONTRIBUINTE TOMAR UM CHOPPINHO SE ESQUECER E FOR PARADO NA BLITZ DA LEI SECA VAI EM CANA.... E TEM QUE ESTAR ATENTO ONDE ACENDE HJ EM DIA SEU CIGARRO, ... CIGARRO MESMO , NÃO BASEADO ! PODE IR EM CANA TAMBÉM ...
Funk é sub-cultura,de uma juventude que tende se tornar uma sub-raça,sem o mínimo de discernimento,de educação ,formação moral e familiar.Quero esta desgraça bem longe de mim e de minha família.Os hábitos de quem gosta de funk não me agradam,e não os quero perto de minha família.
wagner montes faz demagogia, utilizando a TV pra ganhar votos. Fala bem de nordestinos, favelados e funkeiros. Faz bailes em seu programa!Pra quê? Pura demagogia!Essa é a cara de nossos políticos. Fazem aliança com todos por poder.Fala até bem de bandido, quando fala "a galera da firma"!Onde chegamos?É o fim.O pior é que, se se candidatar, ganha!
Chega, já deu, né? Tem mais aqui.
Em tempo: eu também acho o funk uma música basicamente desagradável, apologética do machismo e da violência. Não tenho hábito de ouvir funk e não tenho vontade de ir a bailes funk. A graça é que minha opinião pessoal não tem nada a ver com esse assunto. Se fossem proibir todas as músicas que não gosto, só ia sobrar o chorinho.
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Dois Livros sobre Funk

"O Mundo Funk Carioca" e "Batidão: uma História do Funk"
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Dois Livros sobre História e Impacto Social da Capoeira

"A Arte da Negociação: a Capoeira como Navegação Social" e "A Capoeira no Rio de Janeiro 1890-1950"
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Alguns links:
- Polícia vai proibir bailes funk em locais de maior violência no Rio
- Polícia intensifica fiscalização e proíbe bailes funk em áreas violentas do Rio
- Funkeiros, deputados e acadêmicos participam de audiência pública na Alerj para discutir retorno dos bailes às favelas
- Funk agora é Patrimônio Cultural
- Putaria como patrimônio cultural
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Obras completas de Freud, de R$960, por R$299
A piscina do terraço do Edifício do Jockey Club, centro do Rio de Janeiro. Reparem na Ponte Rio-Niterói e na Ilha Fiscal, lá atrás.
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Fiquei lembrando da primeira cena de Soy Cuba, uma das mais arrebatadoras da história do cinema. Confiram abaixo.
Se ficou tão boquiaberto e bestificado como eu, clique no link abaixo, compre o filme pelo Submarino e, depois, seja eternamente agradecido a mim.
Durante um intervalo do Congresso da LASA, uma palestrante ensaia sua comunicação entre a vegetação esfuziante da PUC-RJ.
9h - acordei, dia seguinte ao lançamento de "Mulher de Um Homem Só", escrevi as dedicatórias dos últimos livros que ainda estavam comigo (dos mecenas do Rio que não foram ao lançamento) e enviei tudo pelo Correio
12h - no centro da cidade, um velho ritual de véspera de viagem: visitei minhas duas lojas preferidas, na Praça XV, a Pharmácia Granado e a Tabacaria Africana, para comprar um estoque de um ano de tabaco e sabonetes brasileiros. A Africana é a loja mais antiga em funcionamento contínuo da cidade, no mesmo lugar desde 1844.
12:30h - CCBB, pra comprar ingressos antecipados para a peça "Simplesmente Eu. Clarice Lispector" no domingo seguinte, meu último na cidade.
13h - marquei de encontrar minha bela amiga Renata (@renkea) na Praça XV, pra irmos almoçar e talvez passear no Jardim Botânico ou Parque Lage, mas estava acontecendo o Mercado Cultural, que a cada segundo sábado do mês ocupa as ruas do Mercado, Rosário e Ouvidor, ali atrás da (sic) Bolsa de Valores, com barraquinhas de roupas e artesanato, e música ao vivo. Uma delícia. Decidimos ficar. Recomendo o programa enfaticamente.
13:30h - sentamos em uma mesa ao ar-livre no Restaurante King Crab, atraídos por um rodízio de frutos do mar por R$38. Frutos do mar é a comida que mais amo na vida. O rodízio estava maravilhoso, o serviço idem, e ficamos ali, comendo lulas, camarões e pargos, enquanto ouvíamos, entre outras coisas legais, o grupo Chorando Baixinho.

Cardápio do King Crab. Quando prédios eram datados. Literalmente.
16h - Renata teve que sair e aproveitei pra tirar o laptop da bolsa e dei uma twittada (@AlexCastroLLL). Em poucos minutos (não é que o Twitter serve pra alguma coisa?!), Cris Novoa (@chrisnovoa) viu que eu estava de bobeira pelo centro e me chamou pra ver uma peça. Eu não podia, mas marcamos de nos encontrar depois, na Lapa. E fiquei ali, lendo, fumando e fazendo hora. Curtindo minha cidade.
19h - peça "Por um Fio", baseada no livro homônimo de Dráuzio Varella, no Teatro Sesc Ginástico. Muito melhor e menos melodramática do que eu teria imaginado, e me deu vontade de ler o livro.
21h - peça "Palácio de Neve", baseada no livro Neve, do turco Orhan Pamuk, no Instituto do Ator, na Lapa, com um dos meus mais queridos amigos de infância. Se eu voltar pro Brasil, alugo um apartamento ou na Lapa ou na Praça Roosevelt. Já sinto pré-saudades da Lapa. Enquanto a peça discutia o uso da burca e do véu, meu amigo ficou tão baratinado com a beleza estonteante de uma das espectadoras que mal conseguiu prestar atenção na peça, provando assim o ponto dos islamitas.
23h - delicioso encontro com Cris e Maria Helena Nóvoa no Nova Capela, na Lapa. Descobri que Maria Helena faz aniversário no mesmo dia que eu. Conversamos muito, elas compraram meu livro e ainda pagaram meu jantar. (Sim, Cris (@CrisCerdera), comi um abacaxi!)
1h - voltando com meu amigo para a Barra, somos parados em uma das muitas blitz da Lei Seca que estão assolando as madrugadas do Rio. Fiquei impressionado com o profissionalismo da operação. Não gosto de beber e odeio aturar gente bêbada. A melhor coisa do rigor atual da aplicação da Lei Seca no Rio é que fico livre pra não beber sem que algum mala bêbado passe a noite inteira me enchendo o saco. "É verdade, não é, melhor não facilitar com essa Lei Seca!" (A Rachel conta a história de uma mãe de família norte-americana, suburbana, branquinha, bem-alimentada e bem-comportada, voltando de feriadão no camping com as crianças, bebeu dez doses de vodca e queimou um baseado, tudo isso em uma manhã de domingo, entre uma hora e quinze minutos antes de dirigir, enfiou dois filhos e cinco sobrinhas na sua reluzente SUV e pegou a estrada. Não se sabe como, acabou se confundindo, pegou uma contramão e matou oito.)
E pronto, lá se foi mais um sábado.
Quarta-feira que vem, embarco para Nova Orleans.
Existem muitas sensações ruins na vida, mas sair do Rio é uma das piores.

Compre meu romance "Mulher de um Homem Só".
O Rio de Janeiro é um lugar onde o letreiro do Tribunal de Justiça do estado está em neon azul.
Pronto. Todo o resto já pode ser extrapolado desse único fato.
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Foto tirada do terraço do Edifício do Jockey Club, no Centro. Desnecessário dizer pra você clicar e ver em mais detalhes, não?
Essa semana, descobri o terraço do edifício do Jockey Club, no centro. Frequento esse prédio desde que me conheço por gente, e não sabia desse terraço, com uma das vistas mais deslumbrantes da cidade.
As fotos não fazem justiça.
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Ônibus e prédios.
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Avenida Presidente Antonio Carlos, em dois momentos. Ao fundo, a barra da Baía Guanabara. Reparem a lua cheia na segunda foto.
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Fogo.
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Ilha Fiscal, uma daquelas plataformas que nunca sei o que é (alguém sabe?), a Ponte Rio-Niterói, os navios no fundo da baía, a Serra.
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Um ângulo um pouco mais amplo.
Em primeiro plano, a Ilha das Cobras, o Arsenal de Marinha e as corvetas made-in-Brazil Jaceguai e Frontin. A primeira foi construída ali mesmo, e a segunda, na Verolme, em Angra.
Ao fundo, o dedo de deus.
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E mais um passinho atrás, depois do sol se pôr.
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Obras completas de Freud, de R$960, por R$399
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!
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