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A prostituição ainda está entalada na garganta de grande parte da classe mérdia pensante brasileira.
Que moças pobres e sem instrução tenham outra opção de atividade profissional que não seja limpar as latrinas e lavar as cuecas dos bem-nascidos, que essa opção inclua tomar posse plena de seus corpos para poder, como diz minha amiga Paula Lee, alugá-los aos seus clientes; que, ainda por cima, essa atividade seja perfeitamente legal apesar de ir contra toda a moral cristã, uau, deve ser mesmo difícil de engolir. Posso imaginar os carolas hipócritas rolando na cama, sem conseguir fechar o olho.
Melhor ainda, a prostituição foi uma das profissões de fato revolucionadas pela internet, ao permitir que as meninas criem seus próprios sites e escolham livremente seus clientes, sem a necessidade de cafetinas, bordéis ou intermediários, tornando-se assim verdadeiras profissionais liberais.
(O texto continua abaixo da imagem.)
Não estou celebrando a prostituição como carreira. Me parece uma profissão desagradável - mas não mais desagradável do que tantas outras carreiras que também me parecem desagradáveis, humildes como carvoeiro e faxineira, e não-humildes como advogado de divórcio e relações públicas. Mais uma vez, o que importa não é minha opinião ou que tipo de carreira eu desejaria para minha hipotética filha.
Ao manter essas carreiras legalizadas, o governo pode ter uma medida de controle sobre sua prática e dar treino, auxílio e suporte específico aos seus profissionais. Além disso, nos países onde a prostituição é proibida, acaba-se gastando precioso tempo e dinheiro, da polícia e dos tribunais, para perseguir e prender as próprias profissionais da prostituição - que seriam, de acordo com o espírito da lei, as vítimas da prostituição mas tornam-se na prática as vítimas da lei, sendo assim duplamente vitimizadas.
Recentemente, compararam a prostituição ao uso de drogas - uma atividade viciante, da qual geralmente não se pode sair sem intervenção médica e internação prolongada, que destrói o corpo e mata o usuário em pouco tempo! Seria até ofensivo, se as pobres prostitutas já não tivessem ouvido muito pior. E olha que esses são os seus bem-intencionados defensores!
Esse ano, na Praia da Barra, bem em frente ao prédio onde morei vinte anos, funcionários da prefeitura tocaiavam as prostitutas, tirando fotos delas e dos homens que as abordavam. Sem poder proibir as meninas de exercer legalmente sua atividade, a equipe do prefeito Eduardo Paes decidiu persegui-las e afugentar seus clientes. Não sei quanto tempo durou a operação, nem o que aconteceu. Conheço Eduardo Paes há 15 anos, sei que muitas das suas operações duram apenas o tempo no qual as câmeras estão rodando - depois, poof! Mas, em um país um pouco mais civilizado, as prostitutas teriam entrado com uma ação contra a prefeitura.
De qualquer modo, o importante era tirar as prostitutas dali. Elas são uma ameaça a todo um estilo de vida.
Não podemos expor os pobres pais e filhos de família, que naturalmente não tem auto-controle algum, a tamanha apetitosa e pecaminosa tentação.
Não podemos lembrar às donas-de-casa de meia-idade, mal-comidas e mal-amadas, que a prostituição só existe e só está ali porque homens como o seu marido, que já não comem mais as próprias esposas, ainda vão atrás de putas e são os principais responsáveis por manter essa profissão viva e florescente.
Não podemos lembrar às jovens da classe mérdia escorchada de impostos, bem alimentadas mas falidas, que elas podem ganhar numa trepada o mesmo salário que o estágio paga em um mês, ainda mais se forem universitárias, falarem inglês e tiverem todos os dentes.
Não podemos lembrar às domésticas que pode valer a pena (e ser mais digno e libertador) transar com um ou dois caras em uma tarde pra ganhar o mesmo valor pelo qual hoje trabalham o mês inteiro, dezoito horas por dia, com folgas em domingos alternados, sem nem poder trazer o namorado evangélico pro seu quartinho sem janela.
A prostituição é de fato um perigo para toda a família. Ela ameaça expor todas as pequenas hipocrisias que nos mantém juntos apesar de tudo. Não é a toa que são todos contra ela. Resta saber como conseguiu ficar legalizada tanto tempo.
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Alguns links:
Why Is Prostitution Illegal? http://www.slate.com/id/2186243
Porn vs. Prostitution: Why is it legal to pay someone for sex on camera? http://www.slate.com/id/2186552/
Hookers.com: How e-commerce is transforming the oldest profession. http://www.slate.com/id/73797/
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Outros textos meus sobre o mesmo assunto:
A Questão do Turismo Sexual
A Questão da Prostituição
A Questão das Prostitutas Brasileiras no Exterior
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Excelente livro da minha amiga Paula Lee, prostituta brasileira em Portugal.
Fala-se muito sobre sadomasoquismo e jogos sexuais de dominação de modo geral. Entre os baunilhas (ou seja, gente que faz sexo chato, do ponto de vista de quem faz sexo interessante), o assunto volta e meia vira moda. Na época da Tiazinha, foi uma comédia, aquelas revistas femininas todas, uma mais machista que a outra, recomendando dar umas palmadinhas para, finalmente!, agradar seu homem. Enfim, na enorme antologia de bobagens que se falou sobre o assunto desde “O Fetichismo”, de Freud, uma das piores é a seguinte: existem muito mais mulheres dominadoras do que submissas.
De fato, se você entra num ambiente sadomasoquista, seja festa, clube ou site (eu só sei de ouvir falar, pois jamais entraria num lugar desses, vixe!), é impressionante a desproporção: para cada mulher amarrada e amordaçada, existem vinte homens se arrastando pelo chão, levando tapas e cuspidas na cara; para cada homem de chicote na mão, existem vinte mulheres enterrando os saltos de suas botas de couros no lombo de algum tapete humano. Então, o senso comum parece óbvio como qualquer outra grande bobagem: existem muito mais mulheres dominadoras do que submissas.
Mas não é bem assim, claro.
Algumas das mulheres mais dominadoras que conheço vivem vidas completamente sadomasoquistas sem jamais terem ido a festas fetichistas, vestido roupas de couro ou chicoteado alguém. Não fosse pela internet, talvez nem tivessem ouvido falar de nada disso, e não teria feito diferença alguma. Graças às maravilhosas técnicas de acasalamento humanas (que, por incrível que pareça, quase sempre acabam juntando gente que se merece), encontraram homens que gostam tanto de serem tiranizados quanto elas gostam de os tiranizar.
Tenho um amigo que, apesar de baunilhão, é mais capacho do que qualquer um que nunca encontrei nessas festas sadomasoquistas que nunca fui. O homem, lindo, cobiçado e disputado pela mulherada, estava namorando há muitos anos, relação séria e comprometida. De repente, jogou tudo pro ar e começou a namorar outra, assim fora do nada. Em menos de um mês, estavam casados. Hoje, ele não dá um passo sequer sem pedir permissão. Chega a ser fofinho: o grupo decide fazer qualquer coisa, ir a qualquer lugar, e ele some pra um canto com o celular e, na maioria das vezes, volta com um bico enorme, choramingando: “poxa, não vai dar pra eu ir com vocês...” Os amigos fazem pouco, mas eu defendo: cada um sabe do que gosta. Tem gente até que gosta de lamber pé sujo.
Para a maioria das mulheres dominadoras, entretanto, não é tão fácil assim viver seus desejos. Depois de muitas tentativas frustradas de encontrar um capacho na baunilholândia (quase sempre, nem mesmo sabem o que estão procurando), acabam descobrindo o sadomasoquismo e se vêem obrigadas a vestir espartilhos e botas de couro para encontrar o escravo dos seus sonhos, homens que limpem suas casas vestidos de empregadinhas enquanto elas gastam seu dinheiro e riem deles.
As mulheres submissas, essas sortudas, têm uma vida muito mais fácil. Já na escola, seu instinto as leva diretamente aos meninos mais machistas e mais canalhas, que terão todo o prazer em tratá-las como os capachos que adoram ser. Em pouco tempo, estarão casadas e embuchadas, limpando a casa e cuidando dos filhos enquanto o maridão faz a festa com as vagabundas da vizinhança. E, aos fins-de-semana, ainda vão preparar churrasco pros amigos dele, limpar tudo depois e ainda suspirar com o tesão de uma mulher completamente realizada quando ele lhes der um tapa na bunda e disser: “Vai pegar mais cerveja pra rapaziada, muié!” Ao contrário das pobres dominadoras, a esmagadora maioria das submissas não precisa colocar uma coleira no pescoço e freqüentar ambientes sadomasoquistas para encontrar sua mais perfeita cara-metade.
Ou seja, não é que não existem mulheres submissas. É que, ao invés de reconhecermos o seu fetiche, as chamamos simplesmente de “mulheres à moda antiga”.
Fabiana, amiga querida, linda e sem-vergonha, culta e inteligente, bem resolvida e promíscua, jornalista e produtora, acabou de tatuar um SIM em caixa alta na coxa direita. No mundo de hoje, equivale a uma mollybloonesca declaração política: "Sim, dei sim. Sim, dou pra quem eu quiser sim. E daí? E você com isso?"
E eu comentei:
"Dependendo da situação, facilita muito as coisas. Você aponta pra tatuagem e pronto."
E ela:
"Meu comedor oficial me sugeriu tatuar NÃO na outra perna e TALVEZ na bunda, pra cobrir todas as possibilidades."
Eu adoro as minhas amigas.
Eu sabia que essa porra iria bater em mim. O Rafael colocou a voz da Peta Wilson; o Idelber, os cabelos da Maria Betânia da década de 70; o Bia, a bunda da Paula Braun.
E eu, bem, eu coloco os pés da Alessandra Negrini.

Repara a cara de nojo do Falabella
Vejam só, não porque são especialmente bonitos (porque pés de mulher, a não ser quando deformados por algum problema específico, são todos lindos), mas porque eles são irrequietos, atrevidos, chamam atenção para si. Como falei no post anterior, foto é uma coisa paradona, quase sem graça. Uma foto não tem como capturar a beleza dos pés da Negrini porque sua beleza está no seu movimento: em todas as cenas que em que a vi descalça, seus belíssimos pés estavam se retesando e se flexionando, seus dedos abrindo e fechando, uma delícia.
Além do que, claro, quando ela é má, não tem quem seja pior.
* * *
Como eu não gosto de brincar com homem, passo a bola pra Laila: os peitinhos de quem você colocaria na nossa noiva de Frankenstein?
Não falha. Os nossos gestos revelam quem somos, principalmente em público. Linguagem corporal é tudo.
Pode ser num café, numa praça, na biblioteca, até mesmo na sala de aula. Estão vendo aquela moça, sapatos largados no chão, pés em cima da mesa, da cadeira ou do banco, languidamente fumando um cigarro, lendo um livro ou falando no celular? Deixa eu apresentar ela pra vocês.
Essa mulher não se preocupa muito com o que os outros estão pensando, ou se a sua postura é apropriada, ou mesmo se ela pode colocar os pés ali: ela adapta o mundo a ela, não vice-versa; sabe o que quer e faz, sem se importar muito com os outros. Seu gesto é transgressor e, como toda transgressão, é egoísta e arrogante: o transgressor é aquele que pensa primeiro em si e depois na coletividade. O que lhe interessa é seu conforto e seu prazer: se tiver que quebrar algumas regras para isso, paciência.
Já a mulherzinha tímida, humilde, inibida, fraca, dependente jamais colocará os pés para cima em público. Ela será tomada por milhares de dúvidas: "será que pode? Será que não vão me chamar a atenção?" Olhará em volta: "não tem mais ninguém com os pés em cima do banco, melhor não..." Depois, vai pensar na sua imagem e nas coisas que sua vovozinha lhe ensinava, não é feminino colocar as pernas pra cima, "coisa de homem, minha neta!", mulher senta é de joelhinho apertado, ou de perninha bem cruzada, tentando se dobrar em si mesma, ocupar o mínimo possível de espaço, e quase sumir, pra não incomodar de ninguém - jamais se espalhando languidamente em um banco como se ele fosse sua própria casa.
E mesmo assim, ainda haveria uma última dúvida cruel: tiro os sapatos ou não? "ai meu deus, seria falta de consideração colocar os sapatos assim em cima do banco, estão sujos, alguém vai sentar aí depois, o que iriam pensar de mim...?" Mas, por outro lado, "ai jesus, como é que eu vou tirar os sapatos?!, meu pés são horríveis, que vergonha!, e ainda não fiz as unhas essa semana, e cruzes, acho que estão com cheirinho...!, será que alguém vai perceber? ai minha santa virgem!, melhor não..."
Com essa mulher, deus me livre, eu não quero nem conversa.
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A primeira coisa que me chamou atenção em Bruna foi justamente seu hábito de tirar os sapatos e botar os pés em cima de tudo. Fui me aproximando e descobri que tínhamos muito em comum. Tivemos um namoro rápido. Depois que lhe contei do seu pequeno gestozinho que me atraíra, ela riu (a gente nunca sabe o que atrai o outro em nós, não é?) e simplesmente passou a fazê-lo todo o tempo. Agora, é sua marca registrada.
* * *
Não resta dúvida que parte da atração do gesto está em ser profundamente mal-educado. Meu tesão é justamente por essa mulher que não tem medo de ser transgressora em nome do seu conforto. Mas tem hora pra tudo. Outro dia, apresentando um trabalho em uma grande empresa, três das funcionárias sentaram-se na primeira fileira do auditório, colocaram cadeiras diante de si, tiraram os sapatos e apontaram suas solinhas - ai, meu deus, lindas - direto pra mim. Além das três safadas terem me desconcentrado completamente, sério, não era a hora e nem o lugar.
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Estamos sempre transmitindo informações para todos à nossa volta. O enorme e desengonçado rabo colorido do pássaro macho simboliza que ele é tão foda e saudável que, mesmo com aquela tremenda desvantagem prática, ainda conseguiu não ser comido por nenhum predador. A aliança consideravelmente grossa e bastante visível que Liloló me deu sinaliza que tenho dona. E a mulher que tira os sapatos em um lugar público e coloca os pés para cima está sinalizando que ela é, a princípio, tudo o que eu procuro. Desinibida, transgressora e dominadora. Individualista, exibicionista e hedonista. Forte, livre e egoísta. Uma diva. Perfeita.
Eu levanto minhas anteninhas vibrando e venho de onde quer que esteja. Puxo papo, convido pra um café, peço pra tirar uma foto, qualquer coisa. Assim como a leoa que vai se esfregar no macho com maior juba, estou tranquilo na certeza de estar fazendo nada mais do que o meu dever biológico.
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Em tempo: Liloló tira os sapatos e põe os pés em cima de tudo - inclusive de mim, de quatro em frente a ela.
Quando eu digo que gosto de mulheres malvadas, a maioria dos leitores simplesmente não entende o que quero dizer com isso. Não tem problema: o objetivo do comentário não é explicar o mundo para os desavisados, mas atrair os entendidos.
Eu me revelo justamente para descobrir quem vai bailar comigo e quem vai se encostar na parede. Muita gente me acha esquisito? Claro. Essa é a idéia. Não tenho medo de rejeição. Ser rejeitado pelas pessoas pequenas só faz bem. Os pequenos se afastarem de mim por conta própria me poupa o trabalho de espantá-los a pauladas.
Troco alegremente a rejeição dos pequenos pela aceitação dos grandes.

Talvez a melhor e mais fascinante mulher má da literatura, em um empolgante livro de ação à moda antiga.
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Um dos últimos exemplares da revista da Mulher-Gato abre com uma loira gostosa e peituda falando numa webcam: ela está mostrando uma pobre menininha, também loirinha e angelical, amarrada e amordaçada numa cadeira. Ela se apresenta como Blitzkrieg, a mais nova, maior e mais malvada vilã de Gotham City e, para provar, vai matar a pobre e inocente menininha ao vivo, com transmissão pela internet:
"This little girl is going to die and there's nothing you can do it about it. Don't bother trying to figure out why she's the one. It was a totally random thing, believe me. See, this has nothing to do with her. This is all about me!"
Total e completo egocentrismo: só ela importa. A menina é menos que uma, somente um meio para seu fim, sua glória, sua vitória.
A Mulher-Gato (a nova Mulher-Gato, aliás, toda atrapalhada) cai do telhado aos pés da vilã e ela pergunta, em uma daquelas perguntas cruelmente irônicas e bem-humoradas que deixa claro qual será o destino da heroína:
"Any last words for the million-plus viewers glued to their laptops?"
Nada mais sexy do que ironia de vilã.
Quando a Mulher-Gato acorda, Blitzkrieg, óbvio, está se gabando do seu plano maligno: comprou aquelas luvas que emitem raios de um grupo terrorista e escolheu o nome Blitzkrieg por ser assim meio alemão e meio sinistro: "sounds sort of ominous". Não é lindo uma mulher que quer soar "ominous"?
Seu plano é simples: depois de estourar os olhinhos castanhos da menina pela nuca (sua palavras!), toda a cidade vai falar nela! E ainda pergunta: "um plano doce, não?" Eu quase posso ouvir sua voz, igualmente doce, falando palavras tão incrivelmente cruéis.
O plano, apesar de simples (matar uma menina inocente ao vivo e ficar famosa) parece extraordinariamente cruel e leviano. Assim como a Madrasta Má e tantas outras vilãs, Blitzkrieg é extremamente vaidosa: adora saber que milhares de pessoas estão assistindo-a e pretende matar uma criança inocente só para que a cidade toda fale nela. E está empolgada com seu plano.
A vilã anuncia para a câmera: sim, a pobre menininha ainda vai morrer, mas teremos um novo assassinato antes pra deixá-los com água na boca. Ela aponta suas luvas para a Mulher-Gato com um grande sorriso nos lábios e ainda faz pouco dos esforços da heroína para salvar a menina. Claramente sente prazer em que a Mulher-Gato morra sabendo que deu tudo errado, que ela fracassou e Blitzkrieg venceu e, pra melhorar, que a menina ainda assim vai morrer:
"Think you're pretty smart, don't you? All you did was speed things up. You die now. Then the kid gets it. Happy?"
Mas a Mulher-Gato se desvia dos raios no último segundo e fica apenas muito ferida. Blitzkrieg se impressiona
("Still alive? I'm impressed!")
e diz que, como prêmio por ter sobrevivido mais um pouco e enquanto está se roendo de dor no chão, a Mulher-Gato vai poder assisti-la matando a pobre menininha:
"I'm gonna let you watch me kill your little friend."
Não basta matar as duas, heroína e menininha, a vilã ainda sente prazer em que Mulher-Gato vai ter que assistir a morte da criança que tentou salvar - e que isso vai ser uma das últimas coisas que verá. O sofrimento e frustração da pobre heroína alimentam seu ego. Para a vitória completa e egoísta da vilã, é necessário acabar com todos, não deixar testemunhas: no seu final feliz perfeito, ela sozinha é a dona do campo de batalha.
Nessa hora, naturalmente, ela comete o erro de toda vilã, dá as costas pra heroína ferida, a heroína puxa forças sei lá de onde e acaba com ela. Final feliz. Fim de história.
Enfim, um gibi bem fraco. Mas eu, que coleciono e adoro vilãs, há muito tempo não via nenhuma assim tão exageradamente má, perversamente gostosa, deliciosamente fútil e absolutamente exibicionista.
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Sim, confesso, eu sinto tesão por uma vilã assim como Blitzkrieg, mas ela não existe e, se existisse, seria um monstro que teria que ir preso. O tesão não significa que concordo com suas ações ou que acho que são recomendáveis, bem ao contrário. Meu tesão é por esse arquétipo (aliás, mais velho que andar pra frente) da femme fatale, da mulher má, da diva egoísta.
Por fim, trazendo a questão à realidade, meu verdadeiro tesão é pelas mulheres de carne e osso, lindas e inteligentes, tantas delas minhas amantes e amigas, que também são atraídas por esse mesmo arquétipo, que adoram a fantasia de ser essa mulher e de ter escravos apaixonados aos seus pés para usar e abusar, que gozam com a suprema liberdade de um egoísmo sem limites e de poder não se preocupar com nada nem ninguém, que se excitam ao se imaginar malvadas e poderosas, fúteis e vaidosas, gloriosas deusas do mal.

A verdadeira Lucrécia Bórgia com certeza não era tão má assim, mas a Lucrécia ficcional é o máximo.
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Raquel diz que meu Elogio às Malvadas foi uma das coisas mais importantes que já leu e conta a seguinte história: de vez em quando, conversa com suas colegas sobre fantasias sexuais e galãs da moda. Entretanto, enquanto elas sonham com o que fariam com o Brad Pitt na cama, Raquel tem outros desejos inconfessáveis.
Sua fantasia era fazer o Brad Pitt se apaixonar por ela e, depois, humilhá-lo, obrigá-lo a largar sua carreira no cinema, abdicar de tudo só para tê-la, e ela só provocando-o, atiçando-o, e então, quando já não lhe restasse nada, só aquela paixão irreprimível por ela, ela riria na cara dele, diria que agora que ele não é mais um astro, não lhe serve, não lhe tem serventia alguma, o que vai querer com um pobretão inútil desses?, que vá pintar paredes, arranjar mulheres na zona, qualquer coisa assim, mas saia da minha presença agora!, e ele sairia, arqueado, derrotado, humilhado, e o que mais a excitava, nessa sua fantasia, era a idéia de acabar com a vida de um astro de Hollywood por puro capricho, sem motivo algum, e, melhor ainda, ele ter feito tudo voluntariamente, por puro tesão, um tesão que ele carregaria pra sempre, acumulado e frustrado! (No final, ela estava quase sem ar, olhinhos brilhando, voz arquejante.)
Na sua vida civil, Raquel é mignon, educada, quase tímida, se vira ao avesso pelos amigos, faz de tudo para agradar as pessoas. Em suas fantasias, porém, é uma deusa do mal, uma devoradora de homens, cercada por dezenas de escravos devotados que ela joga aos leões depois de abusar sexualmente, adorada e desejada por multidões apaixonadas e sempre frustradas, absolutamente egoísta e mentirosa, interessada somente em si mesma, em seu poder, em sua glória, em sua vitória, em seu final feliz.
Tudo o que ela não é.

Melhor cena: os homens brigando no ar e ela olhando tudo excitadíssima, olhos brilhando, se deliciando no duelo dos machos por ela, verdadeira deusa primitiva esperando seu sacrifício de sangue.
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Para fechar, um trecho do blog Bitchy Jones's Diary sobre a delícia de submeter um homem forte e independente. Quanto maior, mais poderoso, mais másculo, mais amante da liberdade, maior é o prazer de tê-lo sob suas botas:
Male submission is about heroic masculinity and male beauty.
... I’m a straight woman. Men and masculinity turn me on. Maleness. ... And nowhere is this male beauty expressed better than in male submission. Jack doesn’t like pain, doesn’t enjoy suffering at all. But he is hot and hard for being brave. Making noble almost futile sacrifices. Bondage and force. Wanting to contain and constrain. To own. To force. To crush and possess. To venerate. To wallow in. To touch. This is about beauty. Male beauty. Savage beauty. Sexuality so virile and strong it needs to be held back, diluted with chains and cages to make it palatable – otherwise it would be so overwhelming it would be like looking at the sun. It is everything there is and every part of the heart of me. And it’s worth it. Even now.
Se gostou, não deixe de ler The Complete Bitchy Jones, onde ela resume todas as suas idéias mais interessantes. Dica da Rebeca, uma de minhas amigas mais queridas e uma das mulheres mais imaginativamente perversas que já conheci.

Uma das graphic novels mais sensuais de todos os tempos. Como não amar Elizabeth?
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15 Personagens de Literatura que Eu Levaria para a Cama
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Textos relacionados:
Elogio às Malvadas
Meninas Malvadas
Outro dia, Lulu veio me perguntar:
- Alex, quando você era menino, você tinha tesão pela Princesa Leia?
- Eu hein, tá me estranhando, Lulu? Uma mulher boba e sem graça daquelas! Cruzes!
- Ufa, agora fiquei aliviada.
- Os símbolos sexuais da minha infância eram a Madrasta Má, a Mulher-Gato, a Giganta, a Hera Venenosa, a Baronesa, a Maligna, aquela bruxa da História sem Fim II...
- Ai, ai, eu tinha esquecido que você já era um menininho muito perturbado. E seus amigos?
- Bem, aí é verdade. Todos morriam de tesão pela Princesa Leia, nunca entendi isso.
Alguns dias depois, profundamente desgostosa com o gênero masculino, Lulu fez o post abaixo:
A gente cresce e de repente descobre que a música Cavalgada, do Roberto Carlos, não tem nada a ver com a saga dos pequenos pôneis... Cresce, e percebe que por trás daquela inocente brincadeira do gato mia, no quarto escuro, havia dedos afoitos, loucos para sentir nossas carninhas. Outro dia mesmo, a K começou a insinuar umas coisas sobre os pirulitos da turma da Mônica... mas não deixei que K continuasse, foi demais para mim.
Cresce, e descobre que, nove entre dez meninos que agora estão na faixa dos trinta, tinham (e talvez ainda tenham) um tesão absoluto pela princesa Leia. Especificamente, pela cena onde ela aparece acorrentada, de biquini, nas mãos do Jabba, The Hut. Sim, aquela cena, quando o Hans Solo está congelado ali do lado, sem poder fazer nada, e a destemida e revolucionária Princesa é escravizada e obrigada a usar um biquini dourado, coleira e algemas. Sim, aquela cena de tensão, tirania e opressão... rendeu um bilhão de punhetas. Cada coisa que a gente descobre... E aquele ótimo filme ruim, de repente, transforma-se totalmente....
Perguntem aos seus namorados. Para mim, foi uma descoberta recente, e como sou dada a enquetes, já tenhos dados suficientes para saber que se trata de uma tara universal, o menino que viu aquele filme, sonhou com aquela cena.
Aquelas trancinhas enroladas na orelha, aquele biquini dourado, aquela princesa idealista, presa e acorrentada por um bicho babão e nojento, povoaram as fantasias dos nossos homens. Chocante. Nem tanto pela fantasia, mas... vamos combinar que a cena é de um mau gosto... Podem perguntar, mas cuidado, senão eles se animam e acham que você tá fazendo alguma proposta. Ja pensou?
Em meio a minha pesquisa investigativa, um amigo chegou a afirmar que se tivessem feito um filme pornô baseado somente nessa cena, alguém teria ficado milionário, pois seria um clássico absoluto, desde o seu nascimento. E isso desencadeou uma longa conversa, sobre como seriam os detalhes, tudo o que poderia ter se desenrolado a partir daí ( havia vários meninos de trinta e poucos na mesa... ), os olhos brilhavam, um até chegou a babar um pouco. Nós , mulheres, olhávamos tudo, em profunda descrença.
É dura a realidade, mais um mito de infância desfeito. E procurando imagens na rede, minhas hipóteses somente se confirmaram. Há sites e sites, especializados somente na "Escrava Leia de biquini metálico".
Ainda bem que não tenho nada a ver com isso. Nem aos oito anos meu pintinho ficaria duro por uma mulherzinha murcha e boazinha daquelas. Se eu tivesse que sentir tesão em algo do universo Star Wars (que carece de uma falta extrema de mulher), seria por outra coisa bem diferente:
Obras completas de Freud, de R$960, por R$399
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!
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