Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%.

Homens Heteros

Cresci entre mulheres, quase que só tenho amigas mulheres, adoro fazer programa de mulher, sempre fui um homem mulherzinha. (Se duvidam, leiam meu livro.)

Outro dia, em uma conversa com uma amiga querida e ex-amante, eu fiz um comentário-confissão que, pra mim, soava terrivelmente canalha e perguntei:

"Pode dizer, pensar isso faz de mim um machista cafajeste chauvinista?"

E ela passou a mão no meu rosto e me disse uma das coisas mais lindas e carinhosas que uma mulher já me disse:

"Não, querido, isso só faz de você um homem hetero. E você devia se permitir ser um homem hetero mais vezes. Não tem nada errado, é másculo e bonito, e tem tão poucos deles por aí..."

* * *

Dan Savage, falando sobre as dificuldades de ser um homem hetero hoje em dia, via Maffalda.

* * *

Leia também meus textos:
- Elogio à Pansexualidade
- A Difícil Questão da Heterossexualidade

* * *

Pré-FAQ dos comentários:

Pergunta: Mas o que foi que você disse pra ela, hein?

Se fosse algo que eu diria publicamente, estaria dito no texto. Ah, e você é um idiota. Obrigado.

* * *

Alguns dos melhores livros que já li sobre o assunto:

Aquele Rapaz Fun Home: Uma Tragicomédia em Família

 Bom-Crioulo De Veludo Cotelê e Jeans: Crônicas Autobiográficas + Pelado

* * *

Alguns Livros Interessantes, Enfocando a Questão sob Diversos Prismas

 Born to be Gay: História da Homossexualidade - Importado WILLIAN NAPHY Toque de Silêncio: História da Homossexualidade da Marinha Brasileira FLAVIO ALVES SERGIO BARCELLOS

 Que a Bíblia Diz Realmente Sobre a Homossexualidade, O DANIEL A. HELMINAK Meu Filho é Homossexual: como Reagir? como Acompanhá-lo? XAVIER THEVENOT

 União Homossexual no Direito Brasileiro: Enfoque a Partir do Garantismo Juridico PATRICIA FONTANELLA Devassos no Paraíso: Homossexualidade no Brasil Colônia a Atualidade JOAO SILVERIO TREVISAN

Se puder, compre algum desses livros clicando nos links acima - ou qualquer outra coisa no Submarino, entrando de um dos links desse blog. Eu ganho uma comissão de 8% e você ganha a satisfação de ajudar um escritor infeliz que está aqui nessa trincheira lutando o bom combate.

 

10.11.09


Categorias: Sexo

"A Puta da UNIBAN" (sic)

Pergunta: que tipo de roupa um HOMEM precisaria usar pra causar esse tipo de balbúrdia?

Resposta: em uma sociedade machista como a nossa, nem um homem NÚ causaria essa confusão toda. Só o corpo da mulher é assim tão apavorante, transgressor, ameaçador.

Não sabe do que diabos eu estou falando? Leia: Polanskis do ABC

* * *

 promoção submarino

Está rolando outra daquelas promoções bem legais do Submarino. O Dicionário Houaiss, por exemplo, de R$405 por R$69 e a coleção Twilight, de R$250 por R$99, mas tem muito mais coisa legal também. Larousse do Vinho, de R$145 por R$39, Paidéia, de R$111 por R$30, e por aí vai. Depois vocês me agradecem.

Dicionário Houaiss da Língua PortuguesaColeção Twilight

 Promoção Submarino

 

28.10.09


Categorias: Sexo

As Mulheres Querem Tudo

O texto abaixo é de 2003, primeiro ano desse blog, em plena Era Mesozóica. O mundo era outro: twitávamos a mão, eu era casado, as torres estavam de pé, Idelber ainda não sabia o que era blog, e não existia nem água: tínhamos que juntar no braço cada átomo de oxigênio com dois de hidrogênio. Relendo esse texto, é engraçado ver como eu ainda tenho as mesmas opiniões, mas hoje escreveria tudo diferente. Meus textos dessa época parecem ter sido escritos pelo Gravataí - o que é ao mesmo tempo uma qualidade e um defeito. Enfim, não sei se encaixa no que a Aline tão bem chamou de "minha fase Lola" mas vale como pós-escrito ao texto sobre a infelicidade feminina.

 Por que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor?  Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus

A Roupa do Casamento

Semana passada, minha mulher e eu fomos padrinhos de casamento. Ao longo da semana anterior, ela, estressadíssima com sua roupa, ficou me perguntando várias vezes se eu já tinha verificado meu terno, se estava tudo certo, se eu não precisaria fazer nada, etc. E eu só enrolando, dizendo que ia fazer, que ia ver, mas, obviamente, o assunto era a última das minhas prioridades.

Chega a tarde do grande dia, minha esposa abre o armário e descobre que minha única camisa social branca está encardida, inusável.

Alerta vermelho, soam as sirenes, chove o granizo. Esporro generalizado.

Com uma certa razão, claro. Eu realmente tinha sido negligente e irresponsável. Mas o que me chamou atenção foi como o escândalo da minha mulher ilustrou a grande esquizofrenia feminina dos dias de hoje.

Quero Um Homem Que Não Dependa de Mim

No primeiro momento de fúria, ela esbravejou que queria um homem independente, que soubesse se cuidar, que soubesse cuidar das suas coisas, que não dependesse dela pra tudo que nem um bebêzão.

Nesse ponto, a bronca foi injusta. Eu sou, em muitos aspectos, bem mais independente e responsável do que ela – e, com certeza, mais organizado do que 98% dos homens heterossexuais que conheço.

Tudo bem, eu tinha vacilado naquela ocasião específica, mas não por eu ser desorganizado ou dependente, mas porque o bom ou mau estado das minhas roupas não é uma prioridade na minha vida.

De qualquer modo, a crítica revela um anseio válido das mulheres modernas: elas não são mais como suas mães, que querem um homem para cuidar, vestir e dar de mamar. As mulheres de hoje, independentes, inteligentes, doutoradas e barbadas, querem mais é homens inteligentes que sejam seus parceiros e não seus filhos.

 Revolução das Donas de Casa  Sebastiana Quebra-Galho: Guia Prático das Donas de Casa

O Que As Pessoas Vão Pensar de Mim Se Te Virem Assim?!

Então, veio a segunda parte do escândalo: o que as pessoas vão pensar de mim se te virem desse jeito?!

Subitamente, eu ser independente já não é mais nem um pouco importante.

Pelo seu comentário, minha mulher parece achar que há uma expectativa social de que a mulher é que tem que cuidar do homem, mantê-lo bem vestido e arrumadinho, sem manchas ou amassados.

De onde se conclui que, se um homem aparecer em um evento social com uma camisa branca encardida, ninguém vai pensar mal dele. Claro que não. Desde quando é obrigação do homem se vestir? Homem tem outras preocupações. A culpa é da relapsa da esposa, que não consegue nem vestir direitinho seu próprio Ken.

Mais uma vez, ela tem razão e não tem.

Eu tinha um colega de trabalho que sempre chegava no escritório bastante fedido, repetia roupas e usava barbas e cabelos longos e desalinhados. Pra piorar, era recém-casado com uma mulher vinte anos mais nova. Não deu outra, a sentença dos outros funcionários, homens e mulheres, foi sumária e inequívoca: a culpa toda era da mulher que, talvez por ser tão mais nova, não sabia cuidar dele, ou não tinha moral de mandá-lo tomar banho, aparar a barba, usar desodorante e trocar de roupas.

Pareceu não ocorrer a ninguém a simples possibilidade de ser ele o único e maior culpado por sua falta de higiene pessoal.

Tive que dar o ego a torcer. Socialmente falando, se eu aparecesse de camisa encardida, não tenho dúvidas de que a culpa recairia na coitada da minha esposa.

Entretanto, se ela é tão liberal e libertina quanto diz ser, isso não deveria ser incômodo, deixe os minúsculos pensarem o que quiserem, eu digo, mas, para minha mulher, libertar-se da opinião dos outros ainda é impossível.

Aliás, antes de sairmos desse assunto: como eu disse, sou viadamente organizado e limpinho. Eu jamais, em tempo algum, iria a qualquer lugar com aquela camisa encardida. Isso nunca me passou pela cabeça. Eu estava tranqüilo porque sabia que, na pior das hipóteses, se a camisa branca estivesse inusável, eu iria com alguma outra das minhas camisas sociais não-brancas. Claro que os padrinhos tinham que ir de camisa social branca, mas eu prefiro ser o único padrinho vestido errado (já tenho fama de excêntrico mesmo, me convida pra padrinho quem quer) do que o único padrinho porco. Acabou que fui de terno preto com uma camisa social verde-escuro e a combinação ficou ótima.

 Marketing de Relacionamento  100 Segredos dos Bons Relacionamentos

You Can't Have the Cake and Eat It Too

Chegamos então à grande esquizofrenia da mulher moderna:

Por um lado, minha mulher quer que eu seja um homem independente, que saiba cuidar de si.

Por outro, ela sabe que a sociedade presume que eu lhe seja dependente: seu desempenho enquanto mulher será julgado, entre outros quesitos, pela minha apresentação.

Ou seja, ao querer um homem independente, o que ela realmente quer não é um homem independente: o que ela realmente quer é obter a reputação de esposa-que-cuida-muito-bem-do-marido sem precisar, pra isso, ter trabalho cuidando de mim, já que eu, homem independente, me cuido sozinho.

Mas, como diz um dos meus ditados favoritos, you can't have the cake and eat it too.

Precisei de Um HOMEM ao Meu Lado!

Temos um casamento aberto.

Quase sempre saímos juntos, como casalzinho baunilhogâmico. Outras vezes, saímos juntos, mas nos separamos, cada um por si e boa sorte, ninguém é de ninguém.

Em uma dessas vezes, cheguei perto demais dela e levei um pito: o cara com quem ela estava flertando achou que eu estava demarcando território e melou o clima.

Depois disso, procurei ficar o mais afastado possível, até que porque eu também estava bastante ocupado com uma outra menina.

No fim da noite, minha mulher teve problemas na saída. Um problema bobo, de deixar mulher nervosa à toa, e que ela podia ter resolvido sozinha – tanto que resolveu. Mas as mulheres têm essa mania, totalmente machista, aliás, de achar que ter um homem por perto resolve tudo, mesmo que ele não faça nada, mesmo que não exista nada que ele possa fazer.

Só que eu, escaldado e a pedidos, estava mantendo distância.

Depois, ouvi o discurso padrão: tive que resolver tudo sozinha!, precisei de UM HOMEM (falado assim mesmo, com a boca cheia) e você não estava lá pra ficar ao meu lado!

Eu sei que meu casamento é sui-generis. Sei que meus exemplos não são aplicáveis à vida de quase ninguém e servem apenas para as pessoas balançarem a cabeça e refletirem sobre a decadência dos valores da família tradicional brasileira, mas, enfim, o princípio é o mesmo:

You can't have the cake and eat it too.

 Promoção Submarino  Promoção Submarino  Promoção Submarino

O Neandertal e a Mulherzinha

As mulheres querem tudo. Ainda querem todas as qualidades viris e neandertais que suas avós queriam e aprenderam a querer toda uma nova série de qualidades sensíveis pós-modernas que, antigamente, só eunucos e tias solteironas tinham.

Até aí tudo bem. Acho até divertido ser, alternadamente, latin lover canalha e menino carente sensível.

Não satisfeitas, as mulheres ainda exigem, como minha esposa na festa, que os homens tenham a obrigação de adivinhar quando elas querem o braço forte do neandertal ou o ombro amigo do gentleman.

Homens são mais simples. Eles escolhem um arquétipo e ficam com ele. Pra sempre.

Eu, por exemplo, gosto de mulheres fortes e independentes. Só. Outros tipos de mulheres, viadas, frágeis, frescas, românticas, hipersensíveis, etc, confesso ter vontade de espantar à pauladas. Nunca acho nenhuma dessas características nem remotamente atraente. Quando me apaixonei pela Joana, por exemplo, a única mulherzinha com quem já andei, foi apesar dessas características. Seus caprichos e viadagens me irritavam profundamente.

Tenho um amigo cujo sonho é ter um emprego público, uma casa no subúrbio pra dar churrasco pros amigos todo fim-de-semana e uma mulher na qual ele possa (essa parte ele descreve bem fisicamente) dar uma tapão na bunda e dizer: "Muié, mais cerveja pro pessoal!" E ela daria uma risadinha, sacudiria a enorme bunda e iria rebolando buscar mais cerveja. Naturalmente, acabado o churrasco, ela também arrumaria todo aquele caos, enquanto ele tiraria sua merecida soneca, que afinal ninguém é de pedra lascada.

Meu amigo é quase um neandertal, mas seu modo primitivo de ver as coisas é, também, bastante válido. Ele sabe exatamente o que quer. Se encontrar uma mulher que se preste a esse papel, e existem muitas, ele nunca vai reclamar que ela é muito dependente, muito burrinha ou que não trabalha. É isso exatamente que ele quer. O tempo todo.

Por outro lado, tenho certeza absoluta que, em vários momentos ao longo do casamento, essa mulher tão viadinha vai lhe jogar na cara que ele é um bruto, que não a deixa trabalhar e que não liga pros seus sentimentos - como se não fosse exatamente assim que ela queria que ele fosse, como se ela não o tivesse escolhido, entre tantos outros homens, justamente por essas características.

Essa menina em corpo de mulher nunca terá que se preocupar com o mundo real ou com ganhar seu próprio sustento. Terá um braço forte sempre à disposição, para ampará-la, dar-lhe uns tabefes, se sair da linha, ou somente uns tapinhas, para que vá buscar mais cerveja.

Nunca teria que resolver sozinha o problema que minha esposa encarou aquela noite, mas também nunca lhe ocorreria que manter as camisas do marido limpas e passadas é qualquer outra coisa que não sua mais expressa responsabilidade segundo a ordem natural das coisas.

Visto por esse prisma, minha mulher é que é a vítima. Ela, tão libertina, é que foi pega no contrapé da história.

Por um lado, tem que se virar sozinha algumas vezes, como na saída da festa e, por outro, também tem a dolorosa noção que o estado do meu colarinho vai refletir diretamente na percepção que as pessoas têm dos seus dotes de esposa.

Ê mundo.

 Por que os Homens Mentem e as Mulheres Choram?  Como se Dar Bem com as Mulheres

Lutando Contra o Príncipe Encantado

Uma das grandes diferenças entre homem e mulher (a muitíssimo grosso modo, obviamente) é que os homens, emocionalmente menos complicados, sabem bem o que querem em termos de mulher, encontram rápido, ficam felizes com a descoberta e se acomodam.

Já as mulheres nunca sabem com certeza que tipo de homem estão procurando.

A maior prova disso: os homens, quando reclamam de suas mulheres, é porque elas mudaram.

As mulheres, por outro lado, dizem: mas esse homem não muda nunca!

O problema está na educação.

Ninguém nunca diz pra um menino que mulheres são perfeitas, nem mesmo que deveriam ser perfeitas e, muitíssimo menos, que ele deveria esperar por uma mulher perfeita.

Pelo contrário, a educação de um menino entatiza, quando muito, quantidade, nunca qualidade. Pra que esperar pela mulher perfeita, se você pode passar o rodo nas imperfeitas, que são muito mais divertidas?

Enquanto isso, as mulheres sofrem uma perversa lavagem cerebral: o paradigma do príncipe encantado lhes é enfiado goela abaixo. Não interessa se é culta ou ignorante, pobre ou rica, todas as mulheres, em algum momento, terão que chegar a um acordo com o príncipe encantado: ou o rejeitam ou sucumbem a ele. De qualquer modo, ele está sempre ali, sempre assombrando.

Antigamente, as mulheres primeiro se guardavam para o príncipe e, depois, ou viravam solteironas, ou acabavam se sujeitando a casar com meros plebeus.

Hoje, as mulheres se divertem enquanto o príncipe não aparece em suas vidas, mas ainda assim planejam, em algum momento, assentar residência com o príncipe e virar mulheres sérias.

O princípio é radicalmente o mesmo: há sempre um ponto bem definido no futuro em que haverá essa tão esperada ruptura entre o presente imperfeito e uma espécie de nirvana que se seguirá ao encontro com o homem perfeito.

Os homens se casam com suas mulheres pelo que elas são ou, pelo menos, pelo que acham que elas são. Por isso, sua reclamação principal é que elas mudam: quando casei com você, você não era assim, você não fazia isso, você está ficando uma megera igualzinho à sua mãe. E com as mesmas ancas da sua mãe também!

Já as mulheres se casam com os homens apesar de seus defeitos. É quase como se tivessem desistido de encontrar o príncipe encantado, mas não de fabricá-lo. Já que a porra do príncipe não surgiu, eu mesma faço o meu, pronto!

Então, se casam com alguém desejável, mas com defeitos já visíveis, quase sempre já identificados e catalogados, na esperança de conseguir, aos poucos, mudá-lo de acordo com o ideal de perfeição do príncipe. Com o tempo, já que o homem não muda, as frustrações vão crescendo.

O mais engraçado é a falta de comunicação.

Eu já vi homens sinceramente estupefatos: como ela pode ficar tão furiosa de eu fazer isso e aquilo se eu sempre fiz essas coisas, durante o namoro, durante o noivado, durante os primeiros anos do casamento, e ela nunca disse nada?

Simples, meu caro. Ela sempre odiou isso, mas casou com você apesar disso, casou com você porque achou que você iria mudar, amadurecer, que ela iria conseguir fazer você parar com isso.

E as mulheres também ficam sinceramente estupefatas: mas eu não entendo isso, esse homem está com quase quarenta anos e continua largando a toalha em cima da cama e querendo encher a cara com aqueles cachaceiros amigos dele, quando ele tinha vinte anos, tudo bem, mas será que ele não vai amadurecer nunca?

Naturalmente, ambas as lógicas (sic) são mutuamente incompreensíveis.

As mulheres têm todo o direito de casar com um neandertal e depois decidir que querem um cro-magnon. Mas então que troquem de modelo. Maldade é querer exigir que um bruto, com quem casaram por ser um bruto, de repente tenha rompantes de lorde.

 Promoção Submarino  Promoção Submarino  Promoção Submarino

 

25.10.09


Categorias: Relacionamentos, Sexo

Falhamos com Nossas Mulheres

Minha amiga Selma está revoltada com "esse costume tão brasileiro de homens mais velhos casarem com mulheres mais novas". E eu, num primeiro momento, disse que ela estava exagerando, que não era pra tanto, etc.

Mas então passei em revista mental todos os amigos dos meu pai que estão mais ou menos na mesma faixa etário - ele tem 63 anos. Sem nenhuma exceção que pude lembrar, nenhum ainda está casado com a primeira esposa e todos casaram de novo com mulheres 15, 20, 30 anos mais novas. (A esposa do único casal que seria a exceção se matou ano passado.)

Não acho que cabe censurar nenhum deles individualmente. Na maioria dos casos, a começar pelo meu pai, os maridos respeitaram estritamente as leis e deixaram suas ex-esposas muito bem de vida. Todas as pessoas têm direito de se divorciar. Se todos cumprem a lei e agem eticamente, não cabe crítica individual.

Entretanto, quando olhamos para a situação como um todo, a situação mostra-se praticamente uma calamidade de saúde pública e uma indicação da estrutura inerentemente machista da sociedade brasileira. O divórcio, que a princípio foi uma bandeira e uma conquista feminina e feminista (favor não confundir), acabou saindo pela culatra e se tornando um meio legal e limpo para se trocar velhas esposas por jovens gatinhas.

Não estou falando somente de dinheiro. Sim, quase todos os homens do círculo do meu pai deixaram suas mulheres muito bem de vida - financeiramente.

Mas hoje, quando encontro com eles, esses homens estão invariavelmente felizes, com aspecto jovem, bronzeados, ricos, casados com mulheres lindas, no auge de suas carreiras ou recém-aposentados.

Já as mulheres estão quase todas sozinhas, ressentidas, magoadas, muitas gordas e alcoolatras, reclamando das vidas vazias e sem sentido, pois dedicaram boa parte da vida aos maridos (que foram embora) e aos filhos (que cresceram), quase nenhuma tinha carreira, e ou continuam ociosas e sem trabalhar até hoje, ou começaram uma carreira depois dos 40 e estão subempregadas.

Nós, como sociedade, falhamos miseravelmente com nossas mulheres.

 Corpo a Corpo com a Mulher: Pequena História das Transformações do Corpo Feminino no Brasil

* * *

Tive essa conversa com vários amigos e quase todos me disseram que eu estava delirando, que a experiência deles não era assim, que minha amostra era muito limitada.

E, de fato, pensei: o círculo de amigos do meu pai é bem restrito. Estou falando de homens brancos de classe média nascidos no eixo RJ-SP na década de 40, que enriqueceram/prosperaram nos anos 70 e 80, se separaram na década seguinte, e agora começam a se aposentar. Foram ou são empresários, banqueiros, altos executivos. Moram na Barra e em Higienópolis, em Ipanema e no Pacaembu, e têm casas em Búzios e Guarujá, Itaipava e Campos do Jordão. Não há dúvidas que se trata de um grupo totalmente a parte da sociedade brasileira.

Vai ver, pensei, não é o Brasil que é assim: só a República Leblon-Morumbi.

 Promoção Submarino  Promoção Submarino  Promoção Submarino

* * *

Então, mês passado, leio a matéria abaixo, do Diário de SP, e percebo que sim, estamos diante de uma tendência algo generalizada:

Viúva Jovem: Pensão do INSS é paga por 35 anos

SÃO PAULO - Até pouco tempo atrás, o tempo médio que uma mulher viúva recebia a pensão por morte do marido era de 17 anos. Agora, já são 35 anos. É que o mostra um estudo do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Tafner. Ele explica esse aumento pelo fato de dois terços dos homens separados acima de 50 anos se casarem de novo com mulheres mais novas.

Na faixa etária entre 60 e 64 anos, o percentual de homens que se casam com mulheres mais novas pula para 69%. A diferença chega a ultrapassar 30 anos. Além disso, dois terços das viúvas brasileiras têm atualmente outra fonte de renda.

- O Brasil não leva em conta se a viúva tem um emprego, diferentemente de outros países. Aqui, esse direito é vitalício e equivale a 100% da aposentadoria. O benefício também não depende da idade da mulher, do prazo decorrido da união ou se ela tem filhos menores - diz Tafner.

O país gastou R$ 25,9 milhões a mais em agosto passado com o pagamento de pensões por morte. Segundo a Previdência, o valor médio é de R$ 746. O número de pedidos de pensão por morte vem crescendo mês a mês. Só em agosto, foram incluídos 34.789 benefícios, 2,61% a mais do que o mês anterior, quando foram solicitadas 33.905 novas inclusões. Em junho passado, por sua vez, esse número era de 31.404.

 Mulheres Públicas: Participação Política e Poder

* * *

E, quando esse post já estava escrito faz tempo e esperando pra ser publicado, uma nova matéria da Revista Época (da minha querida Martha Mendonça, do saudoso Elas por Elas) apoiou outra percepção minha: de que as mulheres, depois de certa idade, tornam-se mesmo cada vez mais tristes.

Por que as mulheres são tão tristes?

Um estudo americano de 37 anos ilumina um terrível paradoxo: objetivamente, a vida das mulheres jamais foi tão boa. Subjetivamente, nunca foi pior.

Tema de reportagem do New York Times no dia 20 do mês passado, o paradoxo da infelicidade feminina ficou semanas entre as mais lidas e comentadas da versão on-line do jornal americano. “Será que a emancipação feminina beneficiou mais os homens que as mulheres?”, escreveu a colunista Maureen Dowd, conhecida por suas posições antifeministas. Indo mais longe, se poderia perguntar: será que os conservadores, que sempre denegriram o feminismo como antinatural, teriam razão? Será que as mulheres seriam mais felizes se retornassem ao papel tradicional de mãe e esposa? O assunto dividiu opiniões no blog de ÉPOCA Mulher 7x7. “Estou cansada? Culpada pela pouca atenção aos filhos? Sim. Sempre querendo ser a melhor no trabalho e também cuidar da beleza? Sim. Mas ainda assim prefiro a liberdade”, escreveu a leitora Carolina. Outra leitora, Andréa, pensa diferente: “Ao mesmo tempo que nossos direitos se multiplicaram, como acesso à educação, voto, mercado de trabalho, nossas responsabilidades cresceram exponencialmente. Temos de gerenciar casa, carreira, filhos, marido e ainda ser magras, cultas e sexy. Isso é irreal”. (leia matéria completa)

* * *

E vocês? O que vocês acham? Como é a situação no círculo social de vocês? E você, Jorge Nobre, o que acha da política de cotas nas universidades públicas?

* * *

Meu romance, entre outras coisas, é sobre a complexa condição feminina no Brasil de hoje:

Mulher de Um Homem Só

 

22.10.09

Quem Tem Medo da Prostituição?

A prostituição ainda está entalada na garganta de grande parte da classe mérdia pensante brasileira.

Que moças pobres e sem instrução tenham outra opção de atividade profissional que não seja limpar as latrinas e lavar as cuecas dos bem-nascidos, que essa opção inclua tomar posse plena de seus corpos para poder, como diz minha amiga Paula Lee, alugá-los aos seus clientes; que, ainda por cima, essa atividade seja perfeitamente legal apesar de ir contra toda a moral cristã, uau, deve ser mesmo difícil de engolir. Posso imaginar os carolas hipócritas rolando na cama, sem conseguir fechar o olho.

Melhor ainda, a prostituição foi uma das profissões de fato revolucionadas pela internet, ao permitir que as meninas criem seus próprios sites e escolham livremente seus clientes, sem a necessidade de cafetinas, bordéis ou intermediários, tornando-se assim verdadeiras profissionais liberais.

(O texto continua abaixo da imagem.) Doce Veneno do Escorpião: o Diário de uma Garota de Programa

Não estou celebrando a prostituição como carreira. Me parece uma profissão desagradável - mas não mais desagradável do que tantas outras carreiras que também me parecem desagradáveis, humildes como carvoeiro e faxineira, e não-humildes como advogado de divórcio e relações públicas. Mais uma vez, o que importa não é minha opinião ou que tipo de carreira eu desejaria para minha hipotética filha.

Ao manter essas carreiras legalizadas, o governo pode ter uma medida de controle sobre sua prática e dar treino, auxílio e suporte específico aos seus profissionais. Além disso, nos países onde a prostituição é proibida, acaba-se gastando precioso tempo e dinheiro, da polícia e dos tribunais, para perseguir e prender as próprias profissionais da prostituição - que seriam, de acordo com o espírito da lei, as vítimas da prostituição mas tornam-se na prática as vítimas da lei, sendo assim duplamente vitimizadas.

Recentemente, compararam a prostituição ao uso de drogas - uma atividade viciante, da qual geralmente não se pode sair sem intervenção médica e internação prolongada, que destrói o corpo e mata o usuário em pouco tempo! Seria até ofensivo, se as pobres prostitutas já não tivessem ouvido muito pior. E olha que esses são os seus bem-intencionados defensores!

Esse ano, na Praia da Barra, bem em frente ao prédio onde morei vinte anos, funcionários da prefeitura tocaiavam as prostitutas, tirando fotos delas e dos homens que as abordavam. Sem poder proibir as meninas de exercer legalmente sua atividade, a equipe do prefeito Eduardo Paes decidiu persegui-las e afugentar seus clientes. Não sei quanto tempo durou a operação, nem o que aconteceu. Conheço Eduardo Paes há 15 anos, sei que muitas das suas operações duram apenas o tempo no qual as câmeras estão rodando - depois, poof! Mas, em um país um pouco mais civilizado, as prostitutas teriam entrado com uma ação contra a prefeitura.

 Mulheres da Vila: Prostituição, Identidade Social Eu Não Queria Isso!: a Prostituição Infantil

De qualquer modo, o importante era tirar as prostitutas dali. Elas são uma ameaça a todo um estilo de vida.

Não podemos expor os pobres pais e filhos de família, que naturalmente não tem auto-controle algum, a tamanha apetitosa e pecaminosa tentação.

Não podemos lembrar às donas-de-casa de meia-idade, mal-comidas e mal-amadas, que a prostituição só existe e só está ali porque homens como o seu marido, que já não comem mais as próprias esposas, ainda vão atrás de putas e são os principais responsáveis por manter essa profissão viva e florescente.

Não podemos lembrar às jovens da classe mérdia escorchada de impostos, bem alimentadas mas falidas, que elas podem ganhar numa trepada o mesmo salário que o estágio paga em um mês, ainda mais se forem universitárias, falarem inglês e tiverem todos os dentes.

Não podemos lembrar às domésticas que pode valer a pena (e ser mais digno e libertador) transar com um ou dois caras em uma tarde pra ganhar o mesmo valor pelo qual hoje trabalham o mês inteiro, dezoito horas por dia, com folgas em domingos alternados, sem nem poder trazer o namorado evangélico pro seu quartinho sem janela.

A prostituição é de fato um perigo para toda a família. Ela ameaça expor todas as pequenas hipocrisias que nos mantém juntos apesar de tudo. Não é a toa que são todos contra ela. Resta saber como conseguiu ficar legalizada tanto tempo.

* * *

Alguns links:

Why Is Prostitution Illegal? http://www.slate.com/id/2186243

Porn vs. Prostitution: Why is it legal to pay someone for sex on camera? http://www.slate.com/id/2186552/

Hookers.com: How e-commerce is transforming the oldest profession. http://www.slate.com/id/73797/

* * *

Outros textos meus sobre o mesmo assunto:

A Questão do Turismo Sexual


A Questão da Prostituição


A Questão das Prostitutas Brasileiras no Exterior

* * *

Alugo o Meu Corpo
Excelente livro da minha amiga Paula Lee, prostituta brasileira em Portugal.

 

21.10.09


Categorias: Comportamento, Sexo, Malvadas

Diálogo com Camila

Eu - Caramba, às vezes me batem umas saudades do corpo da Liloló que eu quase me rasgo. O engraçado é são quase todas saudades orais. De beijá-la, mordiscar seus mamilos, lamber seus pés, chupar sua buceta...

Camila - Acho que está na hora de você voltar a fumar, Alex.

 Promoção Submarino  Promoção Submarino  Promoção Submarino

 

16.10.09


Categorias: Sexo

Como Falar de Sexo com as Crianças?: Ponto e Contraponto

O Contexto:

Velhinha incentivando sexo em comercial das Havaianas? Não pode!

* * *

Ponto:

Onde vamos parar?! Fui obrigado a falar de sexo com minha filha de cinco anos! Tudo por causa de um comercial repulsivo! Você sai pra trabalhar, vigia seu filho pra ele não ter acesso a esse assunto, e durante o dia, entre um desenho e outro, ele é incentivado a não casar e sim fazer sexo!!!

* * *

Contraponto:

[1:06] But then they start talking that it's a social issue. Like when you see someone standing up on a talk show saying, "How am I supposed to explain to my child that two MEN are getting maried?" I don't know. It's your shitty kid! You tell him! Why is that anyone else's fucking problem? Two guys are in love, but you don't want them to get married because you don't want to talk to your ugly child for five minutes? Who the fuck cares about your shitty kid? He's probably a fucking faggot anyways.

* * *

Sexo e Viadagem:

 Mulheres da Vila: Prostituição, Identidade Social  Eu Não Queria Isso!: a Prostituição Infantil

Alugo o Meu Corpo  Born to be Gay: História da Homossexualidade - Importado WILLIAN NAPHY

 Que a Bíblia Diz Realmente Sobre a Homossexualidade, O DANIEL A. HELMINAK  Meu Filho é Homossexual: como Reagir? como Acompanhá-lo? XAVIER THEVENOT

* * *

 Promoção Submarino

Só ontem o LLL vendeu R$11 mil pelo Submarino. Obrigado. O verdadeiro privilegiado sou eu, por ter leitores assim.

 

24.09.09


Categorias: Sexo

Beleza Feminina e Ditadura do Corpo

O problema dessa discussão acaba sendo o seguinte:

Quando quem levanta a questão é uma mulher (vista como) bonita, ou dentro do padrão estético vigente, as pessoas (especialmente as outras mulheres) dizem, ou pensam:

"ah, pra ela é fácil falar, ela é bonita, oras!"

Quando quem levanta a questão é uma mulher (vista como) feia, ou fora do padrão astético vigente, as pessoas (especialmente as outras mulheres) dizem, ou pensam:

"quanto despeito! queria ver se fosse bonita, se estaria falando isso!"

E está morta a discussão.

* * *

Sou um homem que viveu e cresceu cercado de amigas mulheres e de quase nenhum amigo homem; que adora estar com mulheres e tudo relativo a mulheres, de fazer compras e conversar sobre esmalte de unhas a discutir filosofia medieval e física quântica; que ama mulheres fortes, dominadoras, inteligentes, decididas, vaidosas.

Depois de toda uma vida sendo usado e abusado, manuseado e manipulado por mulheres assim, de ser amigo e confidente de infindáveis histórias, eu posso dizer, de cadeira: nunca conheci uma mulher tão autocentrada e egoísta quanto o mais sensível e generoso dos homens.

Porque mesmo o homem mais sensível e generoso, que mais se vira ao avesso pra fazer a mulher gozar, está interessado antes de tudo em seu próprio prazer, em seu próprio gozo, em suas próprias fantasias.

E nunca conheci uma mulher que não tivesse, em alguma medida, em geral larguíssima medida, complexo de gueixa. Que não tivesse sido criada, desde criança, pra suprir e realizar e satisfazer os desejos, prazeres, necessidades dos homens. Que não se colocasse em segundo plano em relação ao seu homem, ao seu filho, à sua casa, ao seu trabalho, ao trabalho do seu homem. Que não tivesse, em alguma medida, em geral larguíssima medida, o êxtase do auto-sacrifício e da auto-anulação em prol dos seus entes queridos - especialmente, do seu homem e dos seus filhos.

* * *

Naturalmente, não estou dizendo que a culpa final não seja dos homens. Mas é muito mais fácil conscientizar a vítima do que o algoz. Enquanto as mulheres não se derem conta do que fazem a si mesmas e começaram a mudar, não vai ser dos homens que vai partir a iniciativa.

História da Beleza  História da Feiúra

* * *

Como Saber Se Você É Parte do Problema ou da Solução

Simples. Se na frase acima

adoro tudo relativo a mulheres, de fazer compras e conversar sobre esmalte de unhas a filosofia medieval e física quântica

você estancou ou teve um estranhamento quando falei de "filosofia medieval e física quântica", então é parte do problema.

Mas não fique chateado. Provavelmente, todo mundo teve esse mesmo estranhamento. Fomos criados assim, tanto homens quanto mulheres. A lavagem cerebral que sofremos foi severa. A frase original também só lia "de fazer compras e conversar sobre esmalte de unhas", mas, relendo o texto, vi que estava machista e injusto, e mudei. Afinal, antropologia cultural é um assunto tão masculino quanto feminino, por que não?

Se você até agora ainda não entendeu, ou não concorda, então o caso é mais preocupante. Recomendo a piada-parábola do judeu e dos barbeiros:

Um judeu foi reclamar ao chefe que aquele escritório era muito racista, que todo mundo era anti-semita e que ele não aguentava mais trabalhar ali.

O chefe botou panos quentes, disse que não era assim, que ele era um funcionário amado por todos, devia ser uma impressão errada.

Pois agora mesmo, falou o judeu, eu estava passando pela cozinha e ouvi o pessoal dizendo que tinham que expulsar do país todos os judeus e todos os barbeiros!

O chefe ia dizer alguma coisa, parou, franziu a sobrancelha e perguntou:

Ué, por que os barbeiros?

Tá vendo, tá vendo?!, gritou o judeu.

Outras piadas-parábolas que ajudam a entender o mundo.

* * *

Mulheres na Política

Com as pré-candidaturas de Dilma e Marina, o sexismo na política (e na imprensa e na sociedade, etc) está escancarado para todos verem. Naturalmente, quase ninguém vê. Ou você não acha sexista que só as candidatas-mulheres sejam julgadas por sua beleza ou tenham que responder perguntas sobre plástica e vida doméstica? Para acompanhar todas as notícias sobre esse assunto, não deixem de ler o blog Sexismo na Política.

 Mulheres Públicas: Participação Política e Poder

* * *

O Corpo das Mulheres

Recomendo também o documentário italiano O Corpo das Mulheres, recomendação da Débora:

O CORPO DAS MULHERES é o título do nosso documentário de 25 minutos sobre o uso do corpo da mulher na televisão. Partimos de uma urgência. A constatação que as mulheres, as mulheres reais, estejam desaparecendo da televisão e estejam sendo substituídas por uma representação grotesca, vulgar e humilhante. A perda nos pareceu enorme: o cancelamento da identidade das mulheres está acontecendo sob o olhar de todos, mas sem que haja uma resposta adequada, até mesmo pelas mulheres. A partir daqui, se abriu caminho para a idéia de selecionar as imagens da televisão, que tivessem em comum o uso manipulador do corpo das mulheres, para contar o que está acontecendo não só a quem nunca assiste a televisão, mas especialmente a quem a assiste mas “não vê”. O objetivo é nos perguntar e questionar as razões para esta supressão, um verdadeiro “massacre”, do qual somos todos espectadores silenciosos. Em particular, o trabalho colocou uma ênfase especial sobre o cancelamento dos rostos adultos da TV, o uso da cirurgia estética para apagar qualquer sinal da passagem do tempo e as consequências sociais desta remoção.

Veja o documentário on-line, com legendas em português: O Corpo das Mulheres

E, no mesmo assunto, um livro sensacional, da historiadora Mary del Priore, "Corpo a Corpo com a Mulher: Pequena História das Transformações do Corpo Feminino no Brasil":
 Corpo a Corpo com a Mulher: Pequena História das Transformações do Corpo Feminino no Brasil
* * *

Racismo e Beleza

Nos discussões sobre racismo, um comentário recorrente, acreditem ou não, foi:

"Preto é feio e tem cabelo ruim. Mas não sou racista, é estética. Só minha opinião, oras!"

Para quem tiver estômago pra ler mais, dois posts e dois livros sobre o assunto:

- Negritude e Cabelo, Estética e Escravidão

- 13 Anos de Capas da Playboy

Cabelos de Axé: Identidade e Resistência  http://i.s8.com.br/images/books/cover/img2/1706782.jpg

* * *

Blogueiras Feministas

Algumas mulheres incríveis, inteligentes e articuladas que me educam e me informam todos os dias: Mary W, Lu, Aline, Denise, Cynthia, Marjorie, Lola. Vocês são lindas quando concordam e são lindas quando brigam.

Confesso que tenho um fetiche secreto (vocês juram que não me batem?) que o próximo arranca-rabo a la lingerie day seja resolvido com uma bela briga na lama, camisetas molhadas e tudo.

Bem, ok, podem me bater. Vocês todas, juntas, batendo me mim, é o meu OUTRO fetiche secreto! ;)

* * *

Eu Confesso!

Por fim, antes que comecem a pesquisar meu passado e descubram que fui jurado do Concurso de Miss Maria Estante da Off-Flip 2007, eu confesso:

Sou um homem heterossexual absolutamente apaixonado pela beleza feminina. Um belo corpo humano é, com certeza, a coisa mais linda da criação, uma jóia estética de perfeição, nada pode ser mais sublime.

O corpo é sempre um objeto sexual. Todos nós somos sexo o tempo todo. O problema é que nossa sociedade machista só objetifica sexualmente as mulheres. Minhas amantes e namoradas foram aquelas que souberam reverter o processo, que desde o começo também ME objetificaram como SEU objeto sexual.

E, sim, sou o tipo de homem que quando vê uma mulher linda na rua, pede pra tirar uma foto, e que tem um flickr cheio de fotos das mulheres lindas que cliquei ao longo da vida, todas com as devidas permissões das fotografadas. Sobre isso, leiam meu texto Fotografando Pés, Partes I e II.

* * *

Beleza, Inteligência e Vaidade

Mulher bonita e inteligente tem que ser vaidosa. Se não for vaidosa, então, ou não é realmente bonita ou não é realmente inteligente.

Quem me conhece, sabe que costumo tirar os óculos em eventos sociais. Sabe como é, vaidade, pra ficar menos feio, essas coisas.

Um dia, fui tomar um café com uma moça que tinha acabado de conhecer e ela perguntou se eu enxergava bem sem óculos. Eu disse que não muito, mas que minha vaidade era maior que minha vontade de enxergar. E ela pediu pra eu colocar os óculos de novo, porque não fazia questão alguma que eu fosse bonito (e tirar os óculos não fazia tanta diferença assim!) mas fazia questão de saber que eu estava admirando sua beleza em todos os detalhes.

Estamos juntos há quatro anos.

* * *

Mulher de Um Homem Só

Meu romance Mulher de Um Homem Só, narrado por uma mulher, é minha humilde tentativa de entrar na cabeça de uma mulher, de falar como mulher, de ser mulher um pouquinho. Se esse assunto lhe interessa, se ficou curioso ou instigado, dê uma olhada e descubra se fui uma mulher convincente.

Algumas mulheres que gostaram: Alessandra Bonrruquer, Paula Lee, Mary W, Marina W, Ju Dacoregio, Isabella Ianelli, Fernanda França, Re Alves.

Mulher de Um Homem Só

* * *

Textos Relacionados

- Elogio à Beleza

- As Feministas e as Domésticas

- Os Cheiros Fora-da-Lei

- Um Desejo

- Critérios

Corpo do Brasileiro: Estudos de Estética e Beleza  Ditadura da Beleza

* * *

Pois bem, vou cuidar da minha tese e não sei quando volto. Tem bastante link nesse post pra manter vocês ocupados por uma semana. Estou pensando seriamente em programar mil posts no LLL e esquecer do blog, e também cometer twittercídio, facebookcídio, msncídio e orkuticídio. Deixar só o Gmail. Quase decidido. Mais tarde, volto. Fui.

 

02.09.09


Categorias: Comportamento, Sexo

Mulheres com Medo

Alex Castro says:
depois eu te falo de umas coisas q me irritam... eu acabei de tirar uma pseudo amiga dos meus links amigos pq eu dei meu celular pra ela 2x e ela nao me deu o dela, e depois nao me ligou enquanto eu estava em salvador

Camila says:
eeeeeeeeeeeee, fofocaaaaaaaaaa!! Quem é, quem é? (Se bem que só vai ter graça se eu conhecer)

Alex Castro says:
nao tem fofoca. eh a veronica. mas eu acho ridiculo isso. coisa de mulher q acha que homem eh paquerador barato

Camila says:
Sério, você acha que foi isso? Ah, foi fofoca sim, vai, teve a maior graça. :)

Alex Castro says:
ue, pq outro motivo seria? jah vi 500 mulheres fazerem isso e eh sempre por isso.... o cara dah o numero e elas desconversam e nao dao o delas. e, pior, eh coisa de mulher q nao se garante na hora de dizer nao. entao foda-se. continuo adorando o blog dela mas alguem q faz isso nao eh minha amiga, entao fora dos blogs amigos, oras!

Camila says:
É mesmo curioso isso. Porque, afinal, todo homem, em alguma medida, é um paquerador barato. Se eu não fosse dar o telefone pra amigos homens só porque eles são paqueradores baratos, eu não tinha mais amigos homens.

Alex Castro says:
queria fazer um post há anos sobre esse tipo de coisa mas acho q pode pegar mal

Camila says:
Faz o post, publica daqui a alguns meses, aí não dá na vista, pronto.

Alex Castro says:
tem uma coisa q eu risco do meu caderninho. eh quando vou encontrar com uma mulher, leitora ou nao, e antes de tudo, ela avisa, olha, mas nao vai rolar nada hein! olha, mas nada de mexer no meu pe hein! etc.

Camila says:
haha. Ai, que paciência.

Alex Castro says:
e eu melo o compromisso na hora. acabou. e elas devem ficar achando q eu queria alguma coisa e vi q nao ia dar. mas claro q nao eh isso

Camila says:
COM TODA A CERTEZA aparecerão comentários que dirão exatamente isso... "tá vendo, suas amigas é que são espertas, sabiam que você só tava a fim de comer mesmo..."

Alex Castro says:
eu nao queria nada, sempre vou sem ideias, pra ver qual eh, acho q cada encontro abre um universo de possibilidades. mas acho esse tipo de comentario tao baixo, tao restritivo, tao ridiculo, tao ofensivo a mim, que acaba na hora o meu interesse de encontrar ou conhecer alguem que me diga, na lata, antes de sairmos, q nao vai rolar nada

Camila says:
Quando uma mulher diz isso, parece, para mim pelo menos, que ela está dizendo sobretudo para si mesma.

Alex Castro says:
na verdade, me lembro da vez em que vc ia sair com o emilio e da historia da depilacao... o q te falei era q vc tinha q se depilar, mas nao por ele, mas pra VC ter a liberdade de fazer o que vc quiser, de dar ou de nao dar... a verdade eh q nao gosto de andar com gente pequena. com gente q jah anda com o freio de mao puxado. acontece muito da garota fazer doce e eu ir embora. aih jah aconteceu, hmm, 3 vezes, de eu encontrar ela anos depois e ela falar, hmmm, se naquela noite vc tivesse insistido mais um pouco, eu teria sido sua... e eu respondo, se naquela noite vc tivesse feito menos doce e tivesse menos merda na cabeca, eu teria sido seu tb.... em suma.... eh todo um comportamento q me irrita.... e acho q no fundo eh a mesma coisa.... vc, se nao tivesse se depilado, só pra ter certeza q nao iria rolar... a veronica, q ficou papeando comigo na maior amizade meses sem nenhuma putaria, aih eu chego em salvador, dou meu cel pra ela, duas vezes, ela nao me dá o dela e nao me liga.. mulheres q vao encontrar com um cara e jah dizem o que nao vai rolar e o q nao vao fazer.... mulheres q querem fazer algo, querem dar, querem beijar, mas ficam fazendo doce, provocando, SE NEGANDO algo que querem só, sei lá, pra nao parecerem putas, ou pq eh assim q se faz, sei lah..... tenho bem claro na minha cabeca q esses sao todos os mesmos comportamentos...soh nao saberia como defini-los num termo soh....

Camila says:
Olha, se é pra pensar numa formulação geral, eu defino como medo. Agora entendi melhor porque você relacionou uma coisa - a depilação do Emílio - com a outra. Eu tanto concordo completamente que de fato depilei. Era o que eu teria feito anyway, independentemente do seu conselho... Minha única dúvida era a preguiça de depilar, porque realmente dá um trabalho, dói, leva tempo, é um saco. Então eu fiquei pensando, será que vale a pena? Será que eu realmente estou querendo dar, que vale a pena passar por isso? É sempre uma questão importante a fazer antes de encarar uma depilação.

 Marketing de Relacionamento  100 Segredos dos Bons Relacionamentos

* * *

Blog da Camila: Recordar Repetir e Elaborar

 

24.08.09


Categorias: Comportamento, Sexo

Perversões

Quatro anos de relacionamento e sinto cada vez mais e mais e mais tesão por minha própria mulher. Nunca me senti tão pervertido.

 

19.08.09


Categorias: Sexo

Os Assuntos dos Posts

Vocês não fazem idéia como me divirto com esse blog.

O tema do post "Do Pudor" naturalmente não era sexo, mas sim as expectativas dos outros, a vergonha do íntimo e do privado, a necessidade de aceitação, etc. O KY e as camisinhas ao lado da minha cama foram mencionados porque sem isso não haveria reflexão, mas não foi dado nenhum detalhe sexual ou picante, não se mencionou com quem eu transo, quantas vezes, o que faço na cama, o tamanho do meu pau, essas coisas.

Então, ao invés de fazerem a reflexão que o texto convidava, muitos leitores ficaram presos no KY e nas camisinhas - o que diz muito mais sobre suas percepções e suas prioridades do que sobre minha vida sexual e os temas do meu blog, claro. Quem lesse os comentários abaixo pensaria que o post era sobre minhas façanhas sexuais: me chamaram de vaidoso, disseram que faço isso pra me gabar e pra mostrar como sou libertino (já que teoricamente não sou mais nem liberal nem libertário), que estou carente de sexo (?!), que minha ereção não deve durar até ir no banheiro pegar a camisinha, que gosto de tomar no cu, que gosto de comer cu, etc etc.

Quase sempre - vejam se não é sensacional isso - o leitor que me criticava por estar me mostrando, me gabando e me auto-convencendo de ser "libertino", etc, era o mesmo que me perguntava o que eu fazia com o KY. Ou seja, o cara me critica por fazer um post que ele pensa ser sobre sexo (mas não é) ao mesmo tempo em que faz uma pergunta que, se for respondida, aí sim começaria uma conversa sobre práticas íntimas sexuais: ele me critica por estar falando de sexo mas quem quer falar de sexo é ELE.

 Mais Sexo é Sexo Mais Seguro
Landsburg é meu economista preferido. Ele, mais do que ninguém, me ensinou a pensar economicamente.

Por fim, melhor mesmo foram os leitores que me acusaram de fazer o post para me auto-convencer de ser libertino ou para balançar a bandeira da libertinagem. Fiquei rindo sozinho em minha mesa, aqui entre as caixas do apartamento que estou desmontando, em um domingo de manhã ensolarado.

Será que meus leitores acham mesmo que ter camisinha e KY ao lado da cama faz de alguém um... libertino? Ou, pior ainda, que EU acho isso? Que o objetivo do post (um post sem nenhum detalhe sexual!) foi bater no peito e bradar:

olhem como sou libertino, tenho camisinha e KY ao lado da minha cama!

Gente, vocês são muito, muito purinhos. Chega a ser singelo.

Alugo o Meu Corpo
Excelente livro da minha amiga Paula Lee, prostituta brasileira em Portugal.

* * *

Mentes Pudicas e Mentes Sujas

Uma vez, nos Estados Unidos, uma amiga visitou meu Flickr e disse que era “creepy” eu ficar fotografando pés.

Fotografar pés talvez seja a coisa mais tranqüila, pura e inocente que eu faço. Tanto que eu inclusive divulgo publicamente no blog.

Alguém que ache fotografar pés uma coisa “creepy” tem uma mente, ao mesmo tempo, muito mais suja e muito mais pudica do que a minha.

Suja porque, convenhamos, tirar fotos de pés, por si só, não tem nada de mais. Não é tarado, sujo, underground. Não é nem mesmo sexual. Os pés são uma parte do corpo como outra qualquer, e das mais públicas.

Um pé pode ser sexy, como qualquer parte do corpo, se usada direito, mas, a princípio, como diria Freud, um pé é só um pé. Esse negócio de querer comer toda e qualquer mulher é uma compulsão doentia que eu não
compartilho. Às vezes, tenho a sincera impressão que os homens falam isso só porque pensam que é isso que se espera de “um homem de verdade”.

Pudica porque, se ela acha fotografar pés “creepy”, é porque está pensando em sexo e, convenhamos, em termos de sexo, fotografar pés, ou mesmo beijar pés, é a coisa mais purinha do mundo. Chega a ser singelo.

Praticamente tudo o que se pode fazer em uma cama é mais sujo, pervertido, degradado, imundo e, claro, divertido do que fotografar ou beijar pés. Se isso já é demais pra cabeça dela, tenho até medo de imaginar qual seria sua opinião sobre o resto da minha vida sexual. Melhor nem saber.

 Sem Tesão Não Há Solução
O melhor livro sobre sexo, amor e liberdade. Mudou minha vida. Recomendo sem restrições. Imprescindível.

 

17.08.09


Categorias: Sexo

Das Proibições

Na Porta do Banheiro das Mulheres

Na porta do banheiro das mulheres da Fundição Progresso, teatro e casa de shows do Rio.

Sou só eu que fico estranhamente excitado com a idéia de uma bailarina e atriz, depois de um dia inteiro de ensaios estafantes, com seus pezinhos sujos, suados, cansados, subindo na pia sem ninguém ver, clandestina, arriscando uma multa e, aaahhh, que delícia, sentindo a água gelada escorrer por entre seus dedinhos calosos?

Tá, eu sabia que era só eu.

 

16.08.09


Categorias: Sexo

As Marcas do Sexo / Vaidade de Sexo

Eu sempre aprendo muito com meus leitores. Vamos lá, então. Sobre o post de ontem, "Do Pudor":

As Marcas do Sexo

Minha casa é repleta de marcas de que aqui se fuma (cinzeiros, isqueiros, porta cachimbo), se dorme (cama), se come (pratos, talheres, apetrechos mil), se bebe (copos, porta-copos), até mesmo que se caga (privada, bidê, papel higiênico), mas não pode ter marcas de que aqui se transa, pois isso seria "muito íntimo". É isso?

Outros perguntam: "mas custava guardar essa tralha?"

Claro que não, ué. Assim como não custava, por exemplo, guardar a tralha de fumar. Meu cachimbo, meu cinzeiro, meu isqueiro, meu pote de fumo poderiam estar guardados numa gaveta, longe da vista, mas estão em um aparador da sala. Por que um pode e o outro não?

Alguém sugeriu guardar tudo num estojinho ao lado da cama, e é boa idéia, mas as tralhas de cachimbo também poderiam estar num estojinho ao lado do sofá e, pelo contrário, estão bem visíveis e isso não causa polêmica, nem mesmo nesses tempos tão antitabagistas.

O Kita sugeriu:

quando você deixa seus utensilios à mostra, sem nem camufla-los no meio de outras coisas, é como se voce fizesse questão de contar aos outros o que voce anda fazendo na cama, como anda a sua vida sexual, coisa que os outros podem preferir não saber.

Mas o mesmo se aplica a quase tudo, não?

Deixar o cachimbo à mostra, sem camuflá-lo no meio de outras coisas, é como se fizesse questão de contar aos outros o que ando fazendo no sofá, como anda minha vida fumatícia (que tipo de fumo utilizo, que tipo de cachimbo uso, etc), coisas que os outros podem preferir não saber.

Deixar o meu wok pendurado no teto, sem guardá-lo no armário, é como se fizesse questão de contar aos outros o que ando fazendo na cozinha, como anda minha vida culinária (que ando experimentando com culinárias orientais, etc), coisas que os outros podem preferir não saber.

Etc. E não vamos nem entrar na estante de livros e cds e em todas as informações indesejáveis que elas transmitem.

A pergunta continua: por que eu preciso esconder qualquer marca que indique que na minha casa se transa, mas não preciso esconder marcas de que na minha casa se come, bebe, cozinha, caga, dorme, fuma, etc? O que faz de uma atividade tão mais íntima do que as outras?

* * *

Se Gabando do Sexo

Sempre que falo de sexo, aparece um comentário mais ou menos assim:

Deixa eu dar uma cutucada (no bom sentido): ao invés de "Do pudor", este post não deveria se chamar "Da Vaidade"?

Em um post anterior, sobre o acidente da Air France, alguém falou:

Pra mim esse comentário foi só para ressaltar que o Alex tá comendo alguém...Se for verdade, quer provar pra quem?

Naturalmente, esse tipo de comentário é a resposta da pergunta acima.

Vivemos em um tipo de sociedade no qual falar de sexo, ou mencionar sexo, ou dizer que se pratica sexo, é visto como "vaidade", "provar alguma coisa", etc.

Reparem que, em nenhum dos posts, eu estava me gabando de comer uma mulher gostosa, ou de comê-la quinze vezes por noite, ou qualquer coisa assim. Não dei nenhum detalhe. Aliás, ambos textos não eram nem mesmo sobre sexo, mas o fato de que se pratica sexo na minha casa teve que ser mencionado para transmitir uma mensagem não necessariamente relacionada.

Fico cá pensando: quem são essas pessoas que transam tão pouco, ou que nunca transaram, ou que transam de forma tão esquisita, para quem o simples fato de se fazer sexo, uma das coisas mais normais e naturais da vida, é algo pra se gabar, pra se envaidecer? Será que têm 15 anos de idade? São velhas beatas? Estão encalhados e desesperados?

* * *

Para os que acham que quero me gabar, aviso que estou prestes a passar mais nove meses sem sexo. *suspiro*

* * *

Última: muito engraçado esse povo que acha que KY só serve pra uma coisa.

Mulher de Um Homem Só
Compre meu romance "Mulher de um Homem Só".

 

15.08.09


Categorias: Sexo

Do Pudor

Minha casa praticamente não tem móveis. Criado-mudo, então, nem pensar. No chão, ao lado da minha cama, tem uma pilha de camisinhas, um KY geladinho (pra ela) e um KY quentinho (pra mim).

Antigamente, as camisinhas e os lubrificantes ficavam no banheiro, mas era um saco ficar indo e vindo com eles sempre que iria haver sexo. E, muitas vezes, quando o sexo era mais espontâneo, era necessária aquela corridinha ridícula até o banheiro.

Por fim, as camisinhas e lubrificantes acabavam passando tanto tempo ali ao lado da cama que aquele acabou ficando consagrado como o seu lugar.

Sempre que recebo visitas em casa, eu penso: será que guardo tudo? E me respondo: não, ué, por quê? Não é proibido, feio, anti-ético, nojento. Não está zoneado, babado, largado. Sou um cara organizadinho: os dois KY estão de pé, um ao lado do outro, a pilha de camisinhas está reta, e, ao lado, estão geralmente um lápis e uma caneta, um copinho de marcadores de páginas e o livro que estou lendo.

Você guardaria? Por quê exatamente? O que acharia de ver isso na casa de um homem que estivesse visitando?

 

14.08.09


Categorias: Sexo

:: Próxima página >>

 promoção submarino

Mulher de Um Homem Só

 Obras Completas Sigmund Freud: Edição Standard - 24 volumesObras completas de Freud, de R$960, por R$399

Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!


Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%

Meus Livros à Venda:

  • Radical Rebelde Revolucionário
  • Onde Perdemos Tudo, por Alex Castro

Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site

Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site

Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site

Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site

Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site

Livros Recomendados

Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site

Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
  • 41. Maio, Marcos Chor. Raça, Ciência e Sociedade. [Brasil, 1996] Jun.
  • 40. Almeida, Luana Chnaiderman de. Entremeios e Entretempos. Aproximações ao Filme Shoah de Claude Lanzmann. [Brasil, 2006] Jun.
  • 39. Levi, Primo. É Isto Um Homem? [Itália, 1946] Jun.
  • 38. Sartre, Jean-Paul. A Questão Judaica. [França, 1946] Jun.29
  • 37. Costa, Angela Marques da e Lilia Moritz Schwarcz. 1890-1914. No Tempo das Certezas. [Brasil, 2000] Jun.
  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
  • 35. Villa, Marco Antonio. Canudos. O Povo da Terra. [Brasil, 1995] Jun.7
  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
  • 32. Lima, Luiz Costa. Terra Ignota: a Construção de Os Sertões. [Brasil, 1997] Jun.5
  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
  • 26. Cunha, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. [Brasil, 1902] Mai.
  • 25. Wilder, Thornton. Bridge of San Luis Rey. [EUA, 1927] Mai.
  • 24. João de Patmos. Apocalipse. [Grécia, c.séc.I] Abr.
  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
  • 1. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Clara dos Anjos. [Brasil, 1922] Jan.

8129 Panola St, New Orleans, LA, 70118, msn, tel, email

Ao me enviar email ou comentar no LLL, você está automaticamente permitindo que eu publique sua mensagem no blog, inclusive com seu nome e endereço. Pense bem.

Busca


[ La Brute - Jogo Online em Flash Grátis ]