um post pra quem gosta de fofocas da minha vida. se não é seu caso, vai com deus.
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um sonho: ser um awesome person hanging out together.
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devo ser a única pessoa do mundo que foi à bienal do livro e quebrou a firma logo no estande... da editora do senado federal!
(recomendo muito. todos os textos mais básicos da história do brasil sendo vendidos a preço de custo)
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sábado, fui reconhecido duas vezes por leitores: uma vez na rua marquês de abrantes e outra na bienal. muito bizarro isso. eu nem sei o que dizer. é bom estar em casa.
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meu livro onde perdemos tudo está ficando muito legal. o lançamento atrasou um pouco. devemos fazer o lançamento carioca no castelinho do flamengo, que também é fácil de chegar pra quem vem do centro, zona norte, niterói ou barra. fica do lado do metrô, passam todos os ônibus do mundo perto e tem estacionamento em frente. e é um lugar delirantemente lindo.
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as obras no meu futuro apartamento vão bem. estou gastando todo o dinheiro que tenho e que não tenho mas é uma sensação gostosa saber que tudo, tudo na minha casinha foi escolhido (e pago, ai ai) por mim, da maçaneta da porta aos interruptores das paredes. É um quitinete de dez metros quadrados mas nunca imaginei que pudesse sumir tanto dinheiro num espaço tão pequeno.
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o bom de morar onde vou morar, naquela zona indistinta entre copacabana e ipanema, é que, dependendo do meu interlocutor, posso fazer dois discursos radicalmente opostos, ambos totalmente verdadeiros na palavra-por-palavra mas também totalmente falsos de espírito:
e então, alex, onde você mora?
[o discurso classe média alta pra mostrar que estou bem de vida e não cheguei fudidaço aos quarenta anos]
ih, meu filho, não posso reclamar. estou em um studio transadíssimo em ipanema, do lado do arpoador, da feira hippie, do laura alvim, de frente pro metrô general osório, perto de tudo, um luxo, vivendo a vida loca ipanemense, tomando chopinho na esquina com meus amigos meio-intelectuais meio-de-esquerda e fazendo bimbleinblon no violão com tom, joão, narinha, toquinho, a turminha da bandinha do barquinho...
ou ou
e então, alex, onde você mora?
[discurso classe média sofre pra enfatizar como sou sofrido e desgraçado e pras pessoas não me pedirem dinheiro emprestado]
ih, meu filho, nem te conto, um horror. estou num cabeça de porco em copacabana, uma quitinete que não tem espaço nem pra tossir, um prédio com mil apartamentos por andar, no pé do pavão-pavãozinho, o morro todo passa pela minha porta. no dia em que o sertão virar mar e o morro descer pro asfalto, eu vou ser o primeiro soterrado na avalanche humana, deus abencoe as UPPs. mas fazer o que, né? os preços de imóveis estão ensandecidos, foi tudo o que consegui arrumar e está me falindo! e essa cidade ainda quer sediar uma olimpíada!!!!
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trabalhar no papodehomem continua me dando muito prazer. além disso, semana passada, finalmente, uma grande editora brasileira me passou seu primeiro romance para eu traduzir. com essas duas fontes de renda, eu já estou tranquilo, me sustento e tenho tempo para escrever romance e tese.
sempre achei que o trabalho ideal para um romancista era mesmo traduzir ficção. nos prende em casa, paga relativamente bem, mantém a pena sempre treinada e afiada, nos deixa aquecidos no artesanato diário que é a busca da palavra ideal.
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novos hábitos de carioca recém-aclimatado: parei de usar meus chapéus, a não ser em situações bem controladas, por achar que ele chama atenção demais e faz de mim um alvo fácil e óbvio quando estou perambulando pelas madrugadas escuras.
também não saio na rua com meu laptop, evito ler o kindle em público e estou passando a andar menos de bolsa.
coisas que carioca macaco-velho sabe instintivamente: ninguém é vítima de violência aleatoriamente - o que não equivale a dizer que a culpa é da vítima - pois o malfeitor sempre poderia ter escolhido várias pessoas para roubar, estuprar, achacar mas escolheu... você! então, é importante tentar ser o menos roubável, estuprável, vitimizável possível. e isso, pra mim, inclui andar sem chapéu, sem laptop, sem bolsa. não chamar atenção.
(já tive época de morar no centro do rio e meus pais ficavam apavorados de saber que eu perambulava pelo centro a madrugada toda. mas eu estava de chinelo, bermuda rasgada, camiseta furada. sem carteira, sem celular. só com as chaves. eu corria mais risco de ser morto pela PM ou por algum esquadrão de extermínio de pivetes, do que de ser roubado.)
não tenho nenhuma ilusão sobre minha cidade. sei que basta vacilar e ela me mata, como já matou tantos.
(dos feridos e mortos na queda do bonde de santa teresa, sem exceção, todos deviam amar o rio. eram ou turistas passando ali um dia especial ou moradores do bairro - e nunca conheci um morador de santa teresa que não amasse o rio intensamente.)
e, mesmo assim, cada vez estou mais apaixonado por minha cidade, cada vez estou mais feliz por estar aqui. mesmo não podendo usar chapéu.
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coisas que fiz nos últimos dias: assisti melancolia, fui à bienal do livro, deixei a barba crescer, dancei ray conniff. para quem me conhece e sabe que eu jamais faria nada disso por conta própria, a conclusão é inescapável: alex está namorando. e muito feliz.
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aliás, palavra de namorado em começo de namoro: essa camisinha mudou minha vida. é cara pra cacete em sex-shops (R$15 a unidade) e bem mais barata comprando pelo site (R$5 a unidade). hecha en colombia, mas bem fodona. recomendo. e esse não é um post pago.
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pois então. família vai bem. oliver continua lindo. a sonia é uma anfitriã maravilhosa. as obras no apartamento vão de vento em popa e, mesmo sugando minhas economias, ainda bem que eu tinha economias para serem sugadas. tenho duas fontes de renda que me dão muito prazer e que não me fazem vestir uniforminho e pegar trânsito. meu amor pela minha cidade só faz crescer. estou namorando e feliz.
ou seja, convém aproveitar, porque a vida nunca nos deixa felizes por muito tempo.
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nota importante aos amigos, conhecidos, colegas, amantes, ticos-ticos nos fubás.
todo mundo tende a dar uma sumida quando:
- muda de casa, de bairro, de país;
- começa num novo emprego, ou em dois novos empregos;
- está fazendo reforma na casa;
- está em começo de relacionamento.
as quatro categorias acima se aplicam a mim. basta ver o abandono desse blog. então, fiquem tranquilos e não sejam paranóicos: eu não sumi da SUA vida, eu sumi do mundo.
mas já estou voltando.
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